quarta-feira, 18 de março de 2009

O PAPA, A CAMISINHA E A LICENCIOSIDADE

A mídia de ontem não poupou críticas ao Papa Bento XVI. Jornais, locais ou não, estampavam a manchete, com pequenas variação nas palavras: "Papa, na África, diz que camisinha não é o modo de lutar contra a Aids"(NY Times - Associated Press); "Papa critica camisinha na África"(Diário de Pernambuco). Alguns comentários agrediam o Papa e, com argumentos tu quoque, acusavam a ICAR de propagar a Pedofilia. Primeiro, não é verdade que o Papa foi contra o uso da camisinha. Suas palavras foram:

“Você não pode resolver isto [o problema da AIDS] com distribuição de preservativos. Pelo contrário, isto aumentará o problema”.

O Papa falou que uma atitude responsável e moral para o sexo ajudaria a combater esta doença.

A falácia dos propagandistas progressistas é a de que o Papa (ou qualquer outro religioso) não pode falar sobre isso porque a ICAR, por seus padres, já cometeu pedofilia. Porém, um erro não anula o outro. O fato de a ICAR ter desembolsado cerca de 400 milhões de dólares em indenizações às vitimas de padres pedófilos, não o impede de lutar contra um e outro abuso.

Segundo relatório Joint United Nations Programme on HIV/AIDS (UNAIDS) and World Health Organization, cerca de 22 milhoes de pessoas são infectadas com HIV na Africa sub-Saarana e em 2007, 3/4 de todas as mortes por AIDS no mundo estão na região, assim como 2/3 de todas as pessoas vivendo com HIV.

A questão da AIDS, ainda mais na África, é mais complexa do que se imagina. A região não sofre apenas com o problema de saúde, mas também econômicos, políticos e sociais. Por outro lado, as palavras de Bento XVI estão certas. Não se combate a AIDS distribuindo camisinhas. Existe um princípio básico de que, se alguma lei é violada, as consequências por isto serão danosas.
Charles Colson (2000, p. 14, 15) comenta sobre isso:



"Sabemos que certas leis existem no mundo físico e que se desafiarmos essas leis, pagaremos um alto preço. Ignorar a lei da gravidade pode ter conseqüências bem desagradáveis, se acontecer de estarmos andando na beira de um penhasco. Viver em desafio às leis da físicas conhecidas é o máximo da tolice. Mas isso não é diferente com as leis morais que prescrevem o comportamento humano. Assim como certas ações físicas produzem reações previsíveis, alguns comportamentos morais produzem conseqüências previsíveis. O adultério pode ser retratado como algo glamorouso por Hollywood, mas isso invariavelmente produz raiva, ciúme, relacionamentos desfeitos e até violência. Desafiar as leis morais pode ainda levar à morte, quer seja o motorista bêbado que mata uma mãe a caminho da loja, ou um viciado em drogas que contrai e espalha o vírus da AIDS"

De fato, a liberação sexual transgride uma lei: sexo é privilégio entre casais comprometidos fielmente um ao outro; e a abstinência é o compromisso entre os solteiros. Esta Lei encontra-se em “Não Adulterarás”(Ex 20. 14). Ela não foi dada para servir de “estraga prazeres”. Antes, foi dada para que o Ser Humano pudesse encontrar o prazer na verdadeira sexualidade, e não na animalesca. O prazer da promiscuidade e da infidelidade é ilusório e falso. Pode-se dizer que os princípios ensinados pela liberação sexual são falsos, pois contrariam a realidade da natureza humana: não se domestica um leão dando-lhe carne!

Se o solteiro não faz sexo, não pega HIV (não estamos falando de outras formas de contaminação – drogas, acidentes etc); se o marido e a esposa são fiéis um ao outro não pega HIV pela via da infidelidade conjugal.

Há um caso de sucesso não revelado pela mídia. O prof. Olavo de Carvalho documenta isso em um artigo: Aids, Brasil e Uganda. No artigo o jornalista Olavo de Carvalho desmistifica a propaganda promovida pelo think tank progressista de que a camisinha e a liberação sexual não são responsáveis pelo aumento da AIDS e outras DST’s. Uganda conseguiu reduzir a população aidética de 30 para sete por cento da população.(ver abaixo)

Mesmo Uganda recomendando o uso de preservativos e remédios, “a diferença é que acrescenta a esses fatores uma campanha pela abstinência sexual antes do casamento e pela fidelidade conjugal depois. Tal é o motivo da sua eficácia”(CARVALHO).

O Jornalista Reinaldo Azevedo cita a Folha de São Paulo (6/07/2008 – note a referência preconceituosa do título da Folha: Religiosa, Uganda usa moralismo contra a Aids; Jovens celebram "contratos" de abstinência com pastor pop) sobre o caso de Uganda(os grifos são meus):

"Nos últimos 20 anos, o país [Uganda] de 30 milhões de habitantes no centro da África conseguiu diminuir significativamente a incidência da doença, de uma maneira que passa longe da abordagem tradicional. As estatísticas oficiais falam em uma redução de 30% da população contaminada no final dos anos 80 para pouco mais de 7% atualmente. O percentual ainda é alto para padrões internacionais, e chegou a apresentar uma leve alta nos últimos anos, mas é um caso raro no continente mais afetado pela doença no mundo. Países como África do Sul, Suazilândia, Botsuana, Zâmbia e Zimbábue, entre outros, há anos tentam em vão reduzir índices de contaminação que chegam a quase 40%. A abordagem ugandense é polêmica e assumidamente moralista. Em vez de massificar o uso de camisinhas, método adotado por vários países e o preferido das organizações internacionais, investe-se na mudança de comportamento. A estratégia surgiu nos anos 80 em círculos cristãos norte-americanos, mas foi em Uganda que ela adquiriu proporções de política de Estado. Desde 1986, o governo adota a política batizada de ABC: A de abstinência, dirigida aos jovens solteiros; B de "be faithful" (seja fiel), para os casados; C de "condom", camisinha, para quem não seguir as anteriores".

Ora, é claro que isto condiz mais com a lógica: A abstinência para os solteiros; a fidelidade para os casados. Desafio a todos os especialistas a confirmarem que estes dois grupos pegarão o HIV por via sexual ou engravidarão precocemente ou não planejado. Já o terceiro grupo, aqueles que não querem (e por isso mesmo, a infecção passa por UMA VIA MORAL, de ESCOLHAS) seguir a primeira ou segunda opção, bem, deixe-me fazer uma pergunta e seja sincero em responder: se você não está infectado por qualquer doença que seja, mas resolveu transar e, por medida de segurança seguindo o conselho dos sábios, vai usar o preservativo (masculino ou feminino, tanto faz). Então, o parceiro(a) diz: “Estou com AIDS! Mas use a camisinha que é seguro”. Você faria sexo com esta pessoa? Não retrocederia? Qual a certeza de que você não será infectado? Quem estaria mais convicto de que não pegaria AIDS/DST, você ou o abstinente? Você ou os marido/esposa fiéis? Faça esta pergunta aos “çábios”(como, jocosamente, escreve Reinaldo) e vejam a hipocrisia.

No próximo ano o Brasil implantará máquinas de camisinhas em escolas (lembre-se, lá estarão crianças [8 – 14 anos] e “crianções” [15 – 18 anos]) no intuito de refrear a propagação da AIDS e da gravidez precoce. Aguarde e, um ano depois, vamos ouvir os especialistas de plantão darem seus pareceres. Mas, o meu é apenas a opinião de um Cristão.

O Criador não é tolo. Ele apanha os sábios na sua própria astúcia (1Co 3.9). Os Homens, em busca de prazer momentâneo, atraem sobre si a tristeza permanente de uma doença que os leva à morte. Não se zomba de Deus. aquilo que se plantar, se colherá. Escolhei, pois, a quem ouvir.
Gaspar de Souza

10 comentários:

Presb.Fábio Correia disse...

Parabens mais uma vez!
Excelente artigo. Estou com o papa e nmão abro...rs...
Tudo de bom!
PResb.Fábio Correia

Jonathas Marques disse...

pastor é algo preucupante o fato das máquinas de camisinhas nas escolas. fazendo isso o governo estará se mostrando favorável ao sexo antes do casamento , não ligando para a MORAL.

geraldo disse...

Excelente artigo prof. Gaspar! Salvo alguns pequenos erros de digitação que poderão ser corrigidos para uma melhor apresentação. São eles:
Ao lado da foto de Charles Colson "quer seja o motorista" em vez de "que seja o motorista"; ao lado da foto do leão: "Há um caso" em vez de "Há um case" e "Uganda conseguiu" em vez de "Uganda consegui".
Um forte abraço!

Gaspar de Souza disse...

Amigos, obrigado pelos comentários.
Jonathas, o Governo não tem compromisso com a moral judaico-cristã. Isto em nome do laicismo.

Geraldo, obrigado pelas observações. Já foram corrigidas.

Fábio, o Papa marca posição firme quando aos dogmas da Igreja. Precisaríamos fazer o mesmo em relação aos nossos posicionamentos.

jorge jose pereira disse...

Gaspar, parabéns pela matéria publicada. Esse artigo nos faz refletir o quanto somos responsáveis pelo caos em que o mundo se encontra. A Bíblia é bem clara quanto ao assunto da sexualidade, cabe a nós líderes das Igrejas termos a responsabilidade e firmeza, como cristãos, de expor a verdade não somente aos que se dizem evangélicos, mas também ao mundo secular. Lembremos da palavra do Senhor Jesus "os sãos não precisam de médicos, e sim os doentes"

Gaspar de Souza disse...

A todos o meu muito obrigado. Não deixem de sempre visitar o nosso (meu e de vocês) blog. Conto com a participação de vocês, além de divulgar este canal de conhecimento, claro.

Gaspar de Souza

Anônimo disse...

Reverendo este POST está muito bom, já que muitas vezes as pessoas só estebelecem juízos de valores, balizados na opiniâo da impresa, muitas vezes tendenciosas e maculadas por ansios pessoais.
Concordo plenamente com o que está escrito. Continue assim.
VOZ DO QUE CLAMA NO DESERTO....

Jonas (Aluno de Hebráico e da Pós de TE no STPN)

Gaspar de Souza disse...

Olá, Jonas. Precisamos entender que as Escrituras possuem uma Cosmivisão completa e coerente. Assim, para anular os sofismas(2Co 10.4,5), necessitamos voltar às Escrituras e descobrir este sistema contido nela. É o que este autor tem procurado fazer.
Continue a visitar e comentar os artigos do blog.

Anônimo disse...

Parabens Gaspar, Deus te ajude e te capacite a cada dia,Um abraço no amo do Pai.

Carlos seu aluno.

davipinheiro_86 disse...

Esse e meu professor....

PERFEITOOO!!

Deus abençoe