quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Segundo Ateus: "Ateísmo faz melhores ladrões, assassinos e estupradores"


Por Gary DeMar

“Não responda ao tolo Segundo sua tolice, ou você será semelhante a ele. Responda ao tolo conforme sua tolice merece, para que ele não seja sábio aos seus próprios olhos. Os Ateus estão nisso novamente”(Provérbio 26.4,5)

Os Backyard Skeptics têm apresentado outdoors que dizem “Ateístas são melhores amantes”. O outdoor ateísta explica-nos por que os ateístas são melhores amantes. Não é devido ao amor, mas porque “ninguém está vigiando”. Por “ninguém” os ateístas querem dizer Deus.

Desde que não existe nenhum Deus que julga nosso comportamento, homens e mulheres, homens e cães, mulheres e cavalos, adultos e crianças podem fazer o que eles quiserem juntos. Se não existe um julgamento ou juízo final, tudo é bem-vindo.

Lembre-se que, se ninguém está olhando faz dos ateus melhores amantes, então eles podem também ser melhores espancadores de esposas, sádicos, ladrões, espancadores e estupradores.

Os Backyard Atheists têm adotado e adaptado a canção de John Lennon, “Imagine”, como hino ateísta:

Imagine there’s no heaven – Imagine que não exista paraíso
It’s easy if you try – é fácil se você tentar
No hell below us – nem exista inferno abaixo de nós
Above us only Sky – acima apenas ao céu
Imagine all the people living for today – imagine todas as pessoas vivendo o hoje
.

Desde que existe apenas o céu acima de nós, ou seja, nenhum Deus, você e eu podemos viver o hoje sem conseqüências associadas ao nosso comportamento.

Então, o que é verdade para o sexo, também é verdade para todo o restante. Dada a premissa de que ninguém (isto é, Deus) está nos vendo, que Adolf Hitler fez era errado? “Tiranos feitos melhores assassinos (afinal, ninguém está olhando)”. Dado o pressuposto exercido dos Backyard Skeptics, após a morte, Adolf Hitlter é pior do que o maior filantropo do mundo [N.T. p.ex. Madre Tereza de Calcutá]?[1] Não. Ninguém estará ali para julgar a ambos.

A cosmovisão dos Backyard Skeptics é explicitada suficientemente em umas poucas linhas do filme de ficção científica Pandorum (2009)

“Imagine só por um minute, imagine você sem as correntes de sua moralidade. Você ficaria surpreso com você. Isto é liberdade total”

O biólogo Randy Thomhill e o antropólogo Craig Palmer estabelecem a tese de que o estupro é natural, que é parte do processo evolucionário e é benéfico. Em seu livro A Natural History of Rape (2000), publicado pelo MIT Press, afirmam que o estupro humano “surge a partir de mecanismos evoluídos dos homens para obtenção de um alto número de parceira em um ambiente onde as fêmeas escolhiam seus parceiros”. Os homens estupram porque ajuda a espalhar seus genes. Ninguém pode se opor a isso em bases morais, nem mesmo as mulheres que são violentadas, desde que não há ninguém vigiando (julgando)

Os Ateus não podem explicar a moralidade. Eu não os acuso de serem imorais, mas eu os acuso de apropriarem-se[2] dos conceitos derivados da Cosmovisão Cristã, que eles denunciam, para viverem suas escolhas morais. Se no momento da morte, não somos mais do que poeira ao vento e na vida somos um saco de carne e ossos animados por impulsos elétricos, então não existe base para moralidade imutável na vida ou na morte.

O Ateísmo é uma cosmovisão guiada por fé em um sistema de pensamento supostamente gerado por um cérebro evoluído a partir de uma sopa química pré-biótica que, aleatoriamente, emite impulsos elétricos através de sua matéria cinza. Mas, como pode um materialista saber que um cérebro evoluído pode ser confiável para conhecer qualquer coisa de maneira autoritariamente ou afirmar que certos comportamentos são moralmente corretos ou errados dadas as hipóteses puramente materiais? C. S. Lewis assim colocou a questão:

Se o Sistema Solar for provocado por uma colisão acidental, então o surgimento de vida orgânica neste planeta também foi acidental, e a completa evolução do Homem foi também um acidente. Se é assim, então todo nosso processo de pensamento é mero acidente – o subproduto acidental dos movimentos do átomos. Isso vale para os materialistas e astrônomos, bem como para qualquer outra pessoa (processo do pensamento). Mas, se seus pensamentos – i.e, do Materialismo e Astronomia – são simplesmente subprodutos acidentais, por que deveríamos acreditar que eles são verdadeiros? Não vejo razão para acreditar que um acidente seria confiável para nos dar as pistas corretas de todos os outros acidentes[1]

Por que é “parte da natureza” quando uma águia canibaliza um dos seus filhotes e alimenta os seus filhotes mais fortes, mas é moralmente repreensível para uma mãe humana fazer o mesmo a um de seus próprios filhos?

Existe uma questão mais fundamental que raramente é perguntado. Como o puramente material gerou o imaterial (sabedoria, alegria, amor, esperança, lógica, razão, moralidade)?

Os Ateus em Londres Promovem Campanha Similar

Os ônibus de Londres têm sido equipados com banners com os seguintes dizeres: “Provavelmente Deus não Existe. Então, pare de se preocupar e curta a vida” [2]. Os patrocinadores esperam que a mensagem leve pessoas a questionar a existência de Deus. “Esta campanha de colocar slogans alternativos nos ônibus fará com que as pessoas pensem – e pensar é um anátema para a religião”, argumenta os promotores. “[Richard] Dawkins disse que como um ateísta ele ‘não seria louco’ em colocar que ‘provavelmente’ Deus não existe. [3] Ele quer que os anúncios digam que “Deus não Existe”

Se Deus não existe, então quem vai dizer o que constitui curtir a vida? Existem restrições em curtir a vida? Se existem, quem define essas restrições e por quê? Por qual padrão e por qual autoridade?

Duas jovens que participam numa confusão em Croydon, uma cidade no sul de Londres, Inglaterra, já se gabaram que elas estavam mostrando a polícia e aos “ricos que podemos fazer o que quisermos”. Elas diziam com calma e naturalidade. Richard Dawkins, com suas campanhas nos ônibus, tem contribuído para uma mudança na filosofia moral entre os jovens de Londres?

Pessoas foram roubadas. Comércios queimados. Reporters no Twitter afirmavam que algumas pessoas estavam sendo retiradas, enquanto outro vídeo chocante mostrava um adolescente sangrando sendo roubado em plena luz do dia por bandidos sem lei que pretendia ajudá-lo a ficar de pé. Eis como um jornal descreveu o que estava acontecendo: “Multidão Descontrolada Espalha Confusão em Londres”. Parece-me que isto não é nada mais do que a “sobrevivência do mais apto” da evolução em prática, especialmente desde que “ninguém está vendo”

Dawkins e seus seguidores ateus estão falando ao mundo que Não Existe Deus, então pare de se preocupar e curta a vida. Os bagunceiros estão curtindo a vida à custa dos outros, e quem é você ou qualquer outra pessoa para dizer que eles não deveriam curtir a vida do modo que eles querem aproveitá-la?

Notas

  1. C.S. Lewis, God in the Dock (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1970), 52–53. []
  2. See Gwynne Dyer, “The Atheist Buses” (February 8, 2009). []
  3. Atheists Plan Anti-God Ad Campaign on Buses” (October 23, 2008). []

Fonte: http://americanvision.org/5582/atheists-make-better-thieves-murderers-and-rapists/

Traduzido e adaptado por Gaspar de Souza



[1] Em outra pergunta: desde que não há quem esteja vigiando, quem é pior, Adolf Hitler ou Madre Tereza de Calcutá?

[2] O conceito de “borrowed capital” da apologética de Cornelius Van Til é aplicado aqui de modo claro. Veja aqui a definição: http://profgaspardesouza.blogspot.com/2011/04/um-glossario-vantiliano-parte-1.html

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Rumores indicam descoberta de manuscrito de Marcos do primeiro século


Sempre que uma descoberta é feita na área da arqueologia bíblica, todo cuidado é pouco. Geralmente estas descobertas podem ser obras de gananciosos falsários ou de pessoas que desejam a todo custo (mesmo às custas da mentira), provar que sua fé é verdadeira.

É dentro deste contexto que a mera menção da descoberta de um novo manuscrito de Marcos causa ceticismo. Isto de fato é bastante natural. Porém, dadas as circunstâncias, há uma grande possibilidade desta descoberta ser realmente verdadeira. Como devemos reagir a esta notícia?

Primeiramente, para definirmos nosso posicionamento com relação à notícia, devemos expor como ela foi dada. O anúncio deste manuscrito foi feito em um debate entre Bart Ehrman e Daniel B. Wallace. Este já é a terceira vez que um debate entre os dois acontece. Todos devem conhecer Bart Ehrman por livros como "O que Jesus Disse? O que Jesus Não Disse? Quem mudou a Bíblia e por quê" ou "Evangelhos Perdidos: As Batalhas pela Escritura e os Cristianismos que não chegamos a conhecer", que procuram demonstrar que não podemos ter certeza qual era o texto original das Escrituras (já fizemos uma pequena crítica de Ehrman aqui no blog). Por outro lado, Daniel B. Wallace é o autor da gramática intermediária de Grego Koiné mais usada nos seminários norteamericanos, e que recentemente foi traduzida para o português, Gramática Grega - Uma sintaxe exegética do Novo Testamento, além de dirigir o Center for que Study of New Testament Manuscripts, que se dedica a digitalizar e tornar disponível a todos os estudiosos os vários manuscritos bíblicos.

Neste debate, a pergunta direcionada a Bart Ehrman foi: Onde estão todos os primeiros manuscritos? Ele então teria respondido que nós não temos qualquer manuscrito antigo. Foi dentro deste contexto que Daniel B. Wallace respondeu que nós temos sim manuscritos bem antigos. Nós temos pelo menos 18 manuscritos do segundo século (seis dos quais foram recentemente descobertos), e um manuscrito do primeiro século. Pelas palavras de Daniel B. Wallace, este manuscrito foi recentemente descoberto, e se for realmente um manuscrito do primeiro século, teremos uma descoberta fantástica.

Os detalhes deste novo manuscrito estão sendo mantidos em segredo até o lançamento de um livro sobre ele, que será publicado pela E. J. Brill. Por este motivo, não temos ainda nada de concreto sobre esta nova descoberta. O que temos sobre o manuscrito é uma declaração do próprio Wallace, que diz em seutexto sobre o debate que Ehrman teria questionado a validade do manuscrito. Sobre isto ele teria respondido que um renomado paleógrafo havia estudado o manuscrito e definido esta data.

Temos apenas uma declaração sobre o manuscrito, e mesmo assim já há discussão sobre ela. Por exemplo, Timothy Michael Law em seu blog diz:
De qualquer forma a existência de um manuscrito é quase irrelevante a menos que ele dê alguma luz à história do texto, e pelo que se sabe, é incrivelmente difícil, se não impossível, definir uma data no primeiro século com base paleográfica: a linha entre o primeiro e o segundo século é muito embaçada.
O próprio Daniel B. Wallace já havia comentado sobre este ceticismo relacionado ao método paleográfico, ao discutir a datação do papiro P52 que traz o evangelho de João em um texto que está traduzido no site e-cristianismo:
A declaração do autor que “paleografia não é o mais efetivo método para datar textos” parece implicar que um melhor método está disponível para nós para este fragmento. Este não é o caso, como Nongbri admite. De fato, ele usa a paleografia para tentar desacreditar a datação-padrão deste fragmento! Mas ele não parece querer reconhecer o mesmo que P52 traz muito para a discussão a respeito da data de João. Sua conclusão que o papiro “não pode ser usado como evidência” para a data de João é certamente exagerada. Que a vasta maioria dos manuscritos do Novo Testamento é datada estritamente com bases paleográficas, e que há vários outros papiros de João tão antigos quanto o segundo século, sugere que o ceticismo de Nongbri é sem sentido.
Se a vasta maioria de manuscritos do Novo Testamento é datada com bases paleográficas, por que este manuscrito não poderia ser datado assim? Não é o uso ou não do método que deveria produzir questionamentos sobre a veracidade da data, mas as condições do manuscrito, evidências, etc... Precisamos ter acesso às informações relacionadas ao manuscrito para termos condições ou não de questionar esta data.

Temos portanto somente as palavras de D. Wallace. Há um bom tempo acompanho suas obras e sei como ele trabalha. Em sua gramática - por exemplo - ele gosta sempre de expor as explicações possíveis que um texto pode ter, para depois com base em evidências, apontar para a a melhor explicação. Quando há textos que ele acha difícil a decisão por uma interpretação, ele diz claramente. O mesmo pode ser observado nos artigos que ele escreve, que podem ser encontrados tanto no site e-cristianismo como em outros sites pela internet. Ele mesmo rejeita a identificação de 7Q5 como um pedaço do texto de Marcos com base em evidências. Ele demonstra ser bem cuidadoso em suas afirmações e sempre busca bases fáticas para elas. Assim, baseando-se na forma que ele trabalha, há uma boa expectativa de que o que ele afirmou neste debate seja verdadeiro. Pelo menos podemos acreditar que ele deve ter boas bases para concluir que o manuscrito encontrado seja realmente do primeiro século.

Como devemos reagir a esta notícia então? Obviamente, temos que esperar pelo relatório sobre o manuscrito. A forma de trabalho de Daniel Wallace só nos dá grandes expectativas, mas isto por si só não deve servir para nós de argumento. Somos obrigados a aguardar. Ansiosamente...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Professor da Unicamp Fausto Castilho lança tradução de Heidegger

MARCIO AQUILES
ENVIADO ESPECIAL A CAMPINAS


Em 1949, com o ar parisiense ainda saturado dos traumas do pós-Guerra, Fausto Castilho, então estudante de letras e filosofia na Sorbonne, dirigiu-se a uma livraria à cata de uma edição de "Sein und Zeit", de Martin Heidegger.

Conseguir "Ser e Tempo", a grande obra do filósofo alemão, que maculara seu nome ao aderir ao regime nazista, não era das coisas mais fáceis na França daqueles tempos.

Castilho achou, em uma livraria próxima ao seu apartamento, um exemplar da "edição nazista", de 1941, que teve a dedicatória a Edmund Husserl eliminada --pai da fenomenologia e professor de Heidegger, Husserl era judeu.

Desde então, Castilho, 82, vem traduzindo "Ser e Tempo". Sua versão dessa obra fundamental sai em maio, pela editora Unicamp em parceria com a Vozes.

Alessandro Shinoda/Folhapress
Retrato do professor da Unicamp, Fausto Castilho, que está lançando tradução de "Ser e Tempo"
Retrato do professor da Unicamp, Fausto Castilho, que está lançando tradução de "Ser e Tempo"

PERCURSO FILOSÓFICO

Fausto Castilho chegou a Paris aos 18 anos, falando francês fluente e munido de uma carta de recomendação escrita pelo crítico literário Antonio Candido.

Amigo de Candido, o crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977) o recebeu e providenciou sua nova residência, na praça da Sorbonne. "Ele me disse: 'Você agora vai ficar prisioneiro desse recinto'. Dito e feito."

Na instituição francesa, teve entre seus professores Merleau-Ponty, Jean Piaget e Gaston Bachelard, que naquele momento já haviam publicado ou estavam por publicar textos de importância seminal para seus campos.

"Quando Merleau-Ponty soube que Heidegger voltaria a lecionar em Friburgo, disse que eu deveria ir para lá fazer seu curso, e eu fui", afirma.

Na Alemanha, conta, "sentava na primeira fila". "Mas a presença física de Heidegger não era agradável, pois eu ficava me lembrando do [seu passado na universidade como] reitor nazista".

O primeiro contato de Castilho com a obra de Martin Heiddeger fora ainda antes de sua ida à Europa, por meio de uma edição da revista francesa "Les Temps Modernes" que tratava do alinhamento do filósofo ao ideário nazista.

"Heidegger carrega essa ambiguidade. Desde a minha adolescência ele representa para mim essa dicotomia de ser um filósofo excepcional, mas que aderiu ao nazismo."

COMITÊ DE APROVAÇÃO

A fim de conseguir a aprovação do comitê Heidegger --chefiado por seu filho
Hermann-- para uma nova publicação, foram encaminhadas à Alemanha traduções que Castilho tinha feito de Kant e Descartes, para demonstrar seu apuro técnico.

A edição bilíngue, que Castilho diz acreditar ser a única em idiomas ocidentais, está em processo final de revisão.

"Traduzir esse livro exige uma confissão de modéstia. Vejo o trabalho como uma sugestão de leitura numa língua que não é a do autor."

Ao longo dos anos, Castilho leu todas as traduções disponíveis em inglês, italiano, espanhol e francês.
"Naturalmente eu fui me apropriando de algumas soluções propostas por todos eles. Uma tradução é algo aproximado", diz.

Entre as dificuldades de transpor o texto para o português, Castilho cita as especificidades de alguns conceitos heideggerianos.

Ele critica a "liberdade filosófica" que introduz "transformações radicais" --mesmo se, para um leigo, essas transformações possam parecer sutis, como a inclusão de artigos no título, mudando-o para "O Ser e O Tempo".

O rigor que Fausto Castilho demonstra e sua posição de ex-aluno do alemão dão peso à nova tradução.
Na academia, ele é um intelectual respeitado, com passagens como professor pela USP, Unesp e Unicamp.
No Brasil, como em seu período europeu, Castilho continuou tendo contato com artistas e intelectuais que moldaram seu meio no século 20.

Em 1960, quando o francês Jean-Paul Sartre estava no Recife, Castilho encaminhou ao filósofo uma pergunta sobre a relação entre teoria e prática em sua obra. Sartre afirmou precisar de um seminário para respondê-la.

"Ele fez questão de responder à minha pergunta pessoalmente em uma conferência, que ele preparou na biblioteca de meu apartamento. E olha que Simone de Beauvoir não queria ir a Araraquara."


Fonte: Folha Online

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

PT PREPARA OPOSIÇÃO À IGREJA EVANGÉLICA. O QUE VOCÊ ESPERAVA, BOBÃO?

Por Reinaldo Azevedo

O fato mais importante da semana passada se deu na sexta-feira, em Porto Alegre. Seu protagonista é Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e olhos, ouvidos e mão — pesada! — de Luiz Inácio Lula da Silva no governo. Carvalho é o homem que guarda os arcanos petistas, os seus segredos, os seus porões. Depois do Babalorixá de Banânia, é quem mais conhece o partido. Transita em todas as esferas, especialmente no mundo sindical — e o sindicalismo nunca foi para pessoas de estômago fraco. O de Carvalho é de avestruz. Não por acaso, ele foi o principal articulador do PT nos eventos pós-morte de Celso Daniel. Foi quem organizou a reação do partido e determinou o papel que cada um deveria desempenhar. Tinha sido braço-direito do prefeito. Segundo irmãos de Celso, confessou-lhes que levava malas de dinheiro do esquema de corrupção de Santo André para o PT — no caso, para José Dirceu. Ambos negam, é evidente. Mas volto.

O evento mais importante foi a palestra de Carvalho a militantes de esquerda no Fórum Social de Porto Alegre. É aquele evento que contou, na sua fase palaciana, com a presença do terrorista e assassino Cesare Battisti, a quem os petistas deram guarida. Para Carvalho, no entanto, “terrorista” é a polícia de São Paulo… Esse foi o trecho politicamente mais delinqüente de sua fala, mas não foi o principal.

Depois de confessar que o governo quer criar uma mídia estatal para a chamada “classe C” — que, segundo Carvalho, não poderia ficar à mercê da mídia conservadora —, ele avançou: é preciso fazer uma disputa ideológica com os líderes evangélicos pelos setores emergentes!

Uau! Não pensem que isso é feito assim, na louca, sem teoria — nem que seja uma teoria aprendida, não exatamente lida. Esse pensamento de Carvalho tem história.

Os petistas, embora não o digam em público, consideram que a oposição está liquidada. Conversei dia desses com um intelectual petista que se mostrava, até ele, escandalizado com a incapacidade da oposição de articular o discurso conservador para se opor ao suposto “progressismo” do PT. Ele também estranhava o que vivo estranhando aqui: será o Brasil a única democracia do mundo com medo dos eleitores que estão mais à direita no espectro político? Pelo visto, sim! Lá na suas tertúlias, os petistas chegam a zombar dessa covardia.

Notem, a propósito, que os únicos momentos em que demonstram realmente alguma aflição e põem as suas hordas na rua é quando temem que a população adira ao discurso da ordem: então mobilizam seus bate-paus para confrontos com a polícia. Assim, podem sair gritando: “Fascistas!” Se e quando a oposição souber falar essa linguagem de modo eficiente e moderno, o PT pode ter problemas. Mas a aposta dos companheiros é que isso não vai acontecer. Tucanos, por exemplo, são reféns de sua “ilustração”.

A outra força
A força que o partido teme é justamente a religiosa. E, no caso, não é a Igreja Católica que os preocupa. Embora tenha cooptado o PRB — o partido da Igreja Universal do Reino de Deus, do auto-intitulado “bispo” Edir Macedo, dono da Record —, o PT sabe tratar-se de uma vistosa, mas pequena parte dos evangélicos. Seguindo os passos da teoria gramsciana, o “partido” tem de se consolidar como um “imperativo categórico”, de modo que toda ação concorra para fortalecê-lo. Mesmo os movimentos de crítica e reação hão de estar subordinados a este ente. Haver organismos, entidades, grupos ou religiões que cultivem valores fora do abrigo do partido é inaceitável.

Os “pensadores” do PT querem começar a criar as condições para limitar ou anular a influência das igrejas evangélicas especialmente nas questões relativas a costumes. O projeto petista se consolida é com a completa laicização da sociedade, sem espaço para a moral privada ou de grupo. Teses como descriminação do aborto, legalização das drogas, união civil de homossexuais, proselitismo sexual nas escolas (nego-me a chamar de “educação” o tal kit gay, por exemplo) tendem a encontrar resistência. E as vozes que lideram essa resistência costumam ser justamente as dos evangélicos. Setores da Igreja Católica também reagem, sim, mas sabemos que a Santa Madre está infestada de esquerdistas de batina (ou melhor: sem batina!).

Ora, conjuguemos as duas propostas de Carvalho, feitas no Fórum Social: ele quer o estado produzindo “informação” para a classe C justamente para disputar almas com os evangélicos. O PT chegou à fase em que acredita que pode também ser “igreja” — e seu “deus”, como se sabe, é o Apedeuta… Os petistas ainda não engoliram o recuo que tiveram de fazer em 2010, no debate sobre o aborto, por causa da pressão dos cristãos.

Os cristãos evangélicos entraram no alvo de médio prazo do PT. Cuidem-se ou serão também engolidos.

Por Blog do Reinaldo Azevedo

sábado, 28 de janeiro de 2012

MOVIMENTO ESPIRITUALIDADE, ÉTICA E CIDADANIA. Venha Conhecer!

"Sal e luz são necessários por causa da realidade do pecado. Os cristãos deveriam estar envolvidos na política mesmo sendo ela suja. Quem mais tem os meios para limpar a política (ou qualquer outra área de atividade humana)? Se os cristãos não têm, quem terá? Os cristãos têm ficado de fora da política, tornando sua corrupção ainda mais pronunciada. A resposta não é consignar ainda mais a política à corrupção, ignorando seu potencial como uma área para redenção e restauração"(Gary DeMar)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

TEÍSMO ABERTO OU HERESIA VELADA?

Teísmo Aberto ou Heresia Velada?

Alguma vez você já se perguntou se foi você mesmo quem tomou aquela importante decisão de receber a Cristo em sua vida ou se foi Deus quem a tomou por você? Já chegou a questionar se realmente tem “liberdade” de escolha para decidir por si mesmo ou se Deus já determinou todas as coisas a seu respeito? Se a sua resposta for afirmativa, é sinal de que você já experimentou a tensão que deu origem ao Teísmo Aberto – uma perspectiva teológica relativamente nova que amplia o alcance do livre-arbítrio humano e alega que Deus não conhece o futuro.

Concebido em 1980 (com a publicação do livro de Richard Rice, intitulado The Openness of God [A Abertura de Deus]) o Teísmo Aberto surgiu no cenário teológico evangélico nos idos de 1990, chegando ao centro desse palco no ano de 1994 com a publicação do livro The Openness of God: A Biblical Challenge to the Traditional Understanding of God [A Abertura de Deus: Um Desafio Bíblico à Concepção Tradicional de Deus].[1]

Clark Pinnock, um dos autores dessa última obra referida, adere ao Teísmo Aberto “porque [Deus] concede liberdade às Suas criaturas, alegra-se em aceitar o futuro como uma realidade aberta, não fechada, e em manter um relacionamento dinâmico com o mundo, não estático”.[2]

Entretanto, será que tal “abertura” é bíblica?

O contexto histórico

Há centenas de anos as pessoas lutam com dois ensinos da Bíblia aparentemente incompatíveis entre si: a determinação global e onisciente [por parte de Deus] de tudo o que acontece em Sua criação (denominada “providência” ou “presciência”) e a liberdade e responsabilidade humanas de escolher seu próprio caminho (chamada de “livre-arbítrio”). Essa antinomia bíblica apresenta a soberania divina e a responsabilidade humana numa situação de convivência mútua. Entretanto, o raciocínio humano procura solucionar a situação com a exclusão de uma delas.

As Escrituras Sagradas descrevem Deus como Criador absolutamente soberano e onisciente“que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade [...] para louvor da sua glória” (Ef 1.11-12) e para o próprio bem dEle e de Suas criaturas. Aqueles que dão ênfase a esses elementos, normalmente identificam-se com o reformador protestante francês João Calvino (1509-1564).

João Calvino (1509-1564).

Contudo, as Escrituras também descrevem a responsabilidade humana: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Conseqüentemente, outros crêem que a visão determinista do Criador e de Seu cosmos diminui a responsabilidade do ser humano e a importância da glória de Deus. Tais pessoas têm uma inclinação para o que entendem ser uma posição mais justa, que enfatiza a natureza autônoma das escolhas humanas. Elas se identificam com o teólogo holandês Jacobus Arminius (1560-1609).

O Teísmo Aberto é uma tentativa recente de se encontrar um meio-termo aceitável.

Os argumentos

Clark Pinnock alega que o Teísmo Aberto é necessário para que as criaturas de Deus sejam expressivamente agentes pessoais livres. Essa abertura significa que Deus não determina, aliás, Ele nem mesmo sabe um resultado ou desdobramento futuro até que os agentes pessoais livres façam suas escolhas. Ao advogar tal abertura como a melhor solução para a tensão da soberania divina versus a responsabilidade humana, Gregory Boyd considera “a abertura de Deus quanto ao futuro como um dos seus atributos de grandeza”, porque, “um Deus que [...] tem a disposição de se comprometer com um determinado elemento de risco é mais sublime do que um Deus que contempla um futuro eternamente estabelecido”.[3]

Boyd insiste na idéia de que a abertura não diminui a presciência de Deus; pelo contrário, uma vez que as ações futuras dos agentes pessoais livres ainda não aconteceram, não existe nada nesse domínio que Deus tenha de saber.[4]

Entretanto, o Teísmo Aberto se apresenta como uma séria ameaça à concepção bíblica de Deus, o Deus que conhece todas as coisas – reais e possíveis – sem nenhum esforço e igualmente bem. O assunto dessa controvérsia, em vez de ser periférico e incidental, é, de fato, fundamental e danoso para a teologia evangélica.

Bruce Ware, um opositor do Teísmo Aberto, escreveu:

Nossa concepção da providência de Deus exercerá obrigatoriamente uma influência sobre o cotidiano da vida e prática cristã de inúmeras maneiras [...] cometer um erro aqui, é criar milhares de problemas, tanto teológicos quanto práticos.[5]

O Teísmo Clássico (posição na qual cremos) ensina que a onisciência soberana de Deus, de onde se origina Sua presciência, prepondera sobre a liberdade humana; essa natureza de Deus não pode ser menosprezada por uma ênfase exagerada na responsabilidade do ser humano. O fato de que a perspectiva tradicional de Deus, por vezes, é mal expressada ou ridiculariza Deus como “um monarca altivo alheio às contingências do mundo, imutável em todos os aspectos do seu ser [...] um poder irresistível que determina tudo, ciente de tudo o que vai acontecer e que nunca corre riscos”,[6] não quer dizer que o evangelicalismo clássico ignore as tensões geradas pela revelação bíblica.

O Teísmo Aberto não soluciona esse problema da antinomia bíblica. Ele simplesmente remete a discussão para um outro ponto do espectro. A questão agora, passa a ser a seguinte: o que constitui uma livre ação futura em contraste com uma futura ação que não seja livre (i.e., determinada)?

De acordo com o teísta aberto William Hasker, “um agente é livre no que se refere a uma certa ação em dado momento, se naquele momento estiver no poder do agente a capacidade de realizar tal ação e também a capacidade de abster-se dela”.[7]

Entretanto, os teístas abertos adotam um conceito de liberdade humana inadequado que chega a ser quase libertário. John Frame, em seu livro No Other God [Não há Outro Deus], explica:

Os defensores do livre-arbítrio [i.e., os libertários] afirmam que só podemos ser considerados responsáveis por nossas ações se tivermos esse tipo de liberdade radical. O princípio no qual se baseiam é bastante simples: se nossas decisões são induzidas por qualquer coisa ou qualquer pessoa (inclusive nossos próprios desejos), não se pode dizer que são decisões genuinamente nossas e, portanto, não podemos ser considerados responsáveis por elas.[8]

Na realidade, somente Deus é verdadeiramente livre. A liberdade humana é relativa. Em última análise, o relacionamento da soberania e presciência divinas com a liberdade e responsabilidade humanas está muito além do alcance da compreensão das criaturas (humanas e angelicais). Uma vez que a liberdade das criaturas é obviamente limitada (por exemplo, pela força da gravidade), é mais correto admitir a existência dessa antinomia, exaltar o caráter de Deus e permitir que a autonomia humana seja reduzida até enquadrar-se na responsabilidade biblicamente ordenada.

Os perigos

1. O Teísmo Aberto menospreza a glória divina

Na realidade, somente Deus é verdadeiramente livre. A liberdade humana é relativa. Em última análise, o relacionamento da soberania e presciência divinas com a liberdade e responsabilidade humanas está muito além do alcance da compreensão das criaturas (humanas e angelicais).

O Teísmo Aberto dá crédito à criatividade e à desenvoltura de Deus quando Ele consegue “instigar” os agentes morais livres a agirem de conformidade com os planos e caminhos dEle.

Ao perguntar-se acerca do que acontece “quando o índice de sucesso de Deus diminui”, Ware menciona que os teístas abertos reconhecem que “a liberdade possibilita que males horríveis e despropositais venham a acontecer. Embora Deus tente evitar tal sofrimento horrível, dizem eles, há muitas ocasiões em que Ele, simplesmente, não consegue evitá-lo”. Nesse caso, Deus tem que assumir a responsabilidade pelo fracasso de Seus planos.

Em lugar de um Deus temível que controla e dirige tudo o que acontece sem o mínimo esforço, temos que abrir espaço para um Deus que trabalha fazendo horas extras para se manter à frente de todas as livres decisões morais, previamente desconhecidas e inexistentes, tomadas a cada instante de cada dia.

2. O Teísmo Aberto menospreza a esperança humana

A partir de tal perspectiva, o nosso precioso versículo bíblico de Romanos 8.28, deve ser lido da seguinte maneira: “a maioria das coisas coopera para o bem, desde que Deus consiga instigar as pessoas ao meu redor”, em vez de “sabemos que todas as coisas cooperam [i.e. que Deus leva todas as coisas a cooperarem] para o bem daqueles que amam a Deus”.

Não teremos mais condição de dizer, como declarou José a seus irmãos: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gn 50.20).

Se Deus consegue apenas resultados parciais na concretização de Seus propósitos, como afirmam os teístas abertos, então Ele talvez não seja bem sucedido no cumprimento de Seus propósitos para a minha vida. Porém, o apóstolo Paulo afirmou exatamente o contrário:“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6).

Se Deus consegue apenas resultados parciais na concretização de Seus propósitos, como afirmam os teístas abertos, então Ele talvez não seja bem sucedido no cumprimento de Seus propósitos para a minha vida.

Ao invés de ter um Deus que não conhece aquilo que ainda está por acontecer, é confortador, e até mesmo um tanto assombroso, saber que “...não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4.13).

3. O Teísmo Aberto menospreza a confiabilidade profética

Lá se foi o amor pela Palavra de Deus e por Suas promessas referentes ao futuro, as quais amamos ler e considerar. Um crítico do Teísmo Aberto disse: “imagine só o compositor do hino tentando animar os desvalidos com estas palavras: “Não sei o que de mal ou bem é destinado a mim [...] mas eu sei em quem tenho crido, o qual também não conhece o meu futuro”.

4. O Teísmo Aberto menospreza o futuro de Israel

Após rebelar-se por repetidas vezes e frustrar o plano de Deus para ela, será que a nação de Israel ainda poderia ter um restinho de esperança de que Deus cumprirá as promessas que lhe fez? Ter-se-ia que reconhecer o fracasso de Deus em Sua criatividade e poder de persuasão no passado e perder as esperanças na competência de Deus quanto ao futuro.

A conclusão inevitável a que tal pensamento leva é que a posse da Terra de Israel é uma questão de quem se apoderar dela, visto que Deus não conhece o futuro, nem predeterminou o resultado final.

Será que a nação de Israel ainda poderia ter um restinho de esperança de que Deus cumprirá as promessas que lhe fez?

Por outro lado, Paulo declara que a atual condição de Israel faz parte de um inescrutável plano de Deus para a Sua própria glória: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia [...] Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz” (Rm 9.16,18).

O Teísmo Aberto é uma tentativa de modelar uma forma mais conveniente de liberdade humana, à custa da concepção de Deus ensinada no Teísmo Clássico. Todavia, em seu desdobramento final, menospreza a glória de Deus para exaltar a liberdade do homem. É um esforço de produzir a conclusão final acerca de uma antinomia bíblica que está muito além da compreensão das criaturas. E, nesse intento, o Teísmo Aberto prejudica a confiança do crente tanto na providência benigna de Deus, quanto em Sua Palavra profética. (Richard Emmons - Israel My Glory - http://www.chamada.com.br)

Notas:

  1. Ware, Bruce A. God’s Lesser Glory: The diminished God of Open Theism. Wheaton, IL: Crossway Books, 2000, p. 31.
  2. Pinnock, Clark. “Systematic Theology” publicado na obra The Openness of God: A Biblical Challenge to the Traditional Understanding of God, da autoria de Clark Pinnock, Richard Rice, John Sanders, William Hasker e David Basinger. Downers Grove, IL: InterVarsity, 1994, p. 103-4.
  3. Boyd, Gregory A. God of the Possible, Grand Rapids, MI: Baker Books, 2000, p. 14-5.
  4. Ibid., p. 16-7.
  5. Ware, p. 13.
  6. Pinnock, p. 103.
  7. Hasker, William. “A Philosophical Perspective”, publicado na obra The Openness of God, p. 136-7.
  8. Frame, John M. No Other God: A Response to Open Theism, Phillipsburg, NJ: P&R Publishing, 2001, p. 121.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tchutchucas e tigrões

POR PERCIVAL PUGGINA | 08 JANEIRO 2012

O que havia de melhor na nossa cultura e no nosso ensino foi morrendo de velhice e de tristeza.


Alguém teve a feliz ideia de me mandar uma seleção de músicas populares brasileiras que, através dos tempos, exaltam a mulher. Nos anos 40, cantava-se que "a deusa da minha rua tem olhos onde a lua costuma se embriagar". Nos anos 50, "o teu balançado é mais que um poema; é a coisa mais linda que já vi passar". Nos anos 60, "nem mesmo o céu nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que meu amor, nem mais bonito". Hoje, a coisa está assim: "Tchutchuca vem aqui com teu tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão". Ou, então: "Pocotó, pocotó, pocotó, minha eguinha pocotó". Ou ainda: "Hoje é festa lá no meu apê. Pode aparecer, vai rolar bunda lelê". E, para arrematar: "Eu sou o lobo mau, au au". "E o que você vai fazer? Vou te comer, vou te comer, vou te comer".

Sei que tem gente adorando. Sei que existem pedagogos deslumbrados com esses exercícios poéticos e libertários através dos quais se está realizando, com prodigalidade, o sonho de uma sociedade de cabeça fraca, destituída de juízo moral, bom gosto e senso crítico, pronta para ser levada pelo nariz para onde bem entenderem seus condutores. Não me perguntem como foi que nos tornamos assim. Minha resposta vai magoar muita gente porque isso não se instalou por geração espontânea. Isso foi espargido estrategicamente, por gente adulta, dedicada a destruir os valores de uma civilização, contando com a colaboração de pais omissos, professores instrumentalizados e religiosos mais interessados em ideologias do que na salvação das almas. O agente laranja que jogaram em cima da sociedade reduziu-a a galhos secos onde não se reconhecem os frutos da boa semente nem a existência de vida inteligente.

Que queiram fazer isso conosco é fácil entender. Os agentes do mal são astutos e insidiosos. Mas que nos deixemos levar para as profundezas da baixaria e do mau gosto, é incompreensível. Que os rapazes das danceterias se deliciem com as sugestões lascivas das letras e com a coisificação da mulher, reduzida à condição de instrumento de prazer, até se pode explicar, num contexto de libertinagem. Mas que as mulheres não se sintam ultrajadas e entrem na pista com prontidão e requebros de vaca para touro, isso fica alguns anos à frente da minha capacidade de compreensão.

"E daí?", talvez esteja se perguntando o leitor. Daí, meu caro, que o mau gosto e o deboche arruínam a dignidade da pessoa humana, afetam seu juízo moral, reduzem o discernimento e a capacidade de compreender a realidade. A superficialidade passa a presidir as ações e as relações sociais e a mente torna-se um disco rígido que vai reduzindo sua capacidade à proporção da minguada utilização que lhe é dada. Eis por que todos correm atrás de um diploma, mas poucos se preocupam em fazer jus a ele através do estudo. Queiramos ou não, a cultura tem um papel determinante nos padrões da vida social e a dedicação ao estudo cumpre função importante no progresso individual e social. O que havia de melhor na nossa cultura e no nosso ensino foi morrendo de velhice e de tristeza. Ou não?

As Tchutchucas e as eguinhas pocotós agasalharão entre seus quadris as futuras gerações de brasileiros. E não é difícil prever o que vem por aí, não é mesmo, Tigrão?

domingo, 1 de janeiro de 2012

Transexual é condenado por empurrar para frente de trem advogado [Travesti] que se vestia como mulher

Sonia Burgess (PA)

Burgess tinha indicado seu médico para Kanagasingham

Um transexual que empurrou um advogado que costumava se vestir como mulher em uma estação do metrô na região central de Londres em 2010 foi condenado a cumprir pelo menos sete anos de prisão por homicídio culposo.

David Burgess, também chamado por amigos e família de Sonia Burgess, de 63 anos, foi empurrado para a frente de um trem que se aproximava na estação de King's Cross em outubro de 2010.


Kanagasingham era amigo de Burgess, um famoso advogado defensor dos direitos humanos e dos direitos dos imigrantes.
Senthooran Kanagasingham, também conhecido como Nina, foi condenado à prisão perpétua pela Justiça na última quinta-feira e deve cumprir pelo menos sete anos da pena.

Antes de sua morte, Burgess já havia sinalizado que temia pelo estado mental do amigo, e inclusive havia indicado um médico para que ele se consultasse.

Burgess disse a amigos próximos que Kanagasingham estava ficando psicótico e "implodindo" e acrescentou que temia pelos efeitos dos hormônios receitados para Kanagasingham.

O transexual, de 35 anos, estava passando por um tratamento para mudança de sexo na época em que empurrou Burgess para debaixo do trem. A defesa alegou que Kanagasingham sofria de esquizofrenia paranóica.


'Calmo'

Testemunhas do momento em que Kanagasingham empurrou Burgess afirmaram que ele parecia "calmo" e, quando outros passageiros o cercaram, ele disse: "Sou culpado, sou culpado, me rendo".

Um bilhete foi encontrado na mochila usada por Kanagasingham onde o transexual afirmava estar "deprimido e sofrendo de transtorno de identidade de gênero".

O promotor do caso, Brian Altman, afirmou que Burgess, que tinha três filhos, tinha uma "reputação brilhante e invejável".

Os filhos da vítima compareceram ao julgamento, vindos do Canadá e da Coreia do Sul, onde vivem atualmente.

Dechem, uma das filhas, declarou que Burgess queria "romper as fronteiras e permitir que indivíduos fossem o que quisessem desde que não ferissem ninguém".

"Em relação a Senthooran Kanagasingham, esperamos que ele receba a ajuda que precisa, isto é o que Sonia gostaria que acontecesse e, na verdade, ela estava tentando ajudá-lo", afirmou uma declaração divulgada pela família de Burgess.


Fonte: BBC Brasil