sábado, 26 de julho de 2014

Quatro Pecados que também serão permitidos se Você Ignora o que Levítico diz sobre Homossexualidade

Por Alex Kocman
Alguma vez você já jogou o “Jogo de Levítico”?
Muitos que apoiam a homossexualidade – até mesmo entre cristãos professos – gostam de desfrutar do jogo de vez em quando
Como se joga?
O Jogador 1 começa com Levítico 18:22, que diz: “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é”(ACF)
Infelizmente, este verso tem sido considerado uma “passagem de esmagar” por causa forma como alguns têm usado para ferir LGBT’s, intencionalmente ou não. A Lei de Deus é luz que nos conduz ao arrependimento e verdadeira santidade em tudo que fizermos, e isso com o auxílio da transformação miraculosa de Deus em nossas vidas por Jesus Cristo. Sua utilização destina-se a infundir convicção piedosa que conduza à esperança, mudança e um ódio pelos pecados de nossas vidas. Não deve ser usada para “espancar” ninguém.
Mas, se você quer continuar jogando este jogo, encontrará tantas leis bombásticas-malucas no livro de Levítico quanto você puder. O objetivo do jogo é mostrar que os Cristãos modernos rejeitariam todas aquelas leis, incluindo aquelas sobre homossexualidade.
O Jogo de Levítico pode ser fácil e divertido, mas ele tem problemas. Ele não trata Levítico como um livro real de leis – feito para ser lido em contexto, interpretado à luz do restante da Bíblia – contendo uma variedade de mandamentos, alguns feitos apenas para o Sacerdócio Levítico de Israel, e outros não.
Então, em qual categoria Levítico 18, um capítulo que condena a homossexualidade, se encaixa?
Amigos, permita-me  em um exercício de paródia como eu mesmo jogo uma partida do jogo de Levítico.
O que, então, seria permitido se descartarmos Levítico 18?
1. Incesto
Provavelmente, a maior parte de Levítico 18 trata com o Incesto em todas as suas várias formas. Se você ignorar estes versos junto com o versículo 22, que fala sobre homossexualidade, então você deveria permitir ter relação sexual com...
o    Parentes próximos   (v. 6)
o    Pais (v. 7)
o    Madrasta  (v. 8)
o    Irmãos e irmãs (v. 9)
o    Meios-irmãos    (v. 11)
o    Meios-irmãs (v. 9)
o    Netos (v. 10)
o    Tios e Tias (v. 12 – 14)
o    Nora (v. 15)
o    Cunhadas (v. 16)
o    Uma mulher e sua filha ou netos (v. 17)
o    Irmã da Esposa   (v. 18)
Isto é suficiente para fazer o estômago de alguém revirar. Mas, se você quer ser consistente, nós temos que continuar jogando o jogo.
2. Adultério
O versículo 20 diz: “Nem te deitarás com a mulher de teu próximo para cópula, para te contaminares com ela”.
“Próximo” aqui não significa seu vizinho, mas semelhante. Jesus usou o mesmo tipo de expressão quando ele citou o capítulo 19 de Levítico, dizendo “amarás ao teu próximo como a ti mesmo”(v. 18)
3. Sacrifício de Crianças
“E da tua descendência não darás nenhum para fazer passar pelo fogo perante Moloque; e não profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o SENHOR” (Levítico 18:21)
A adoração a Moloque era uma religião especialmente hedionda no Antigo Oriente Médio, ondes os pais ofereciam seus filhos pequenos em nos braços quentes do ídolo com cabeça de touro em sacrifício ao falso deus.
Um comentário rabínico judaíco do século 12 descreve o rito barbado da seguinte forma:
“…Eles aquecem-lhe [Moloque] em suas partes mais baixas; e suas mãos são estendidas, e estando quentes, eles colocam suas crianças entres suas mãos, e elas são queimadas; quando ela grita com veemência, os sacerdotes batem um tambor a ponto do pai não poder ouvir a voz de seu filho, e seu coração não ser movido [a tirá-la]”
Como o restante dos mandamentos neste capítulo, isto não se aplica apenas a Israel, mas a todos, incluindo os indígenas cananeus adoradores de Moloque que vivem vizinhos à terra de Israel (v. 26). De acordo com este capítulo, eram os envolvimento dos próprios Cananeus em todos estes pecados listados aqui a razão de eles serem expulsos da terra e  terem sido conquistados por Israel em primeiro lugar.
4. Bestialidade
“Nem te deitarás com um animal, para te contaminares com ele; nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; confusão é”(Levítico 18:23).
A Escritura absolutamente proíbe qualquer forma de relação sexual com um animal.
Claramente Levítico 18 não é apenas sobre a nação de Israel. Deus fala para as pessoas, “Com nenhuma destas coisas vos contamineis; porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu expulso de diante de vós” (Levítico 18:24).
Isto não é um jogo
Chega do jogo de Levítico por enquanto, porque eu já posso ouvir um profundo questionamento vindo por aí: mas a homossexualidade é um pecado “igual” a esses outros pecados?
Depende do pecado. Todos nós temos dores,tentações e fontes naturais de fraqueza. Deus nos conhece por dentro e por fora. Ele conhece todas as nossas  histórias. Mas Sua santidade é a principal preocupação para ele.
Ousamos equiparar homossexualidade com esses outros pecados listados em Levítico 18? O ponto principal é, como o Apóstolo Tiago escreveu: “Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redarguidos pela lei como transgressores. Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu pois não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei (Tiago 2.8 – 11).  
Em outras palavras, o mesmo Deus que declara incesto e adultério como pecaminosos, também coloca a homossexualidade na mesma categoria, sabendo muito bem as lutas que todos os tipos de seres humanos enfrentam. Os seres humanos julgam a si mesmos e uns aos outros em uma curva, mas Deus vê todos como iguais e totalmente expostos perante Ele. O mesmo Deus que veio amando, sacrificando-se e servindo na forma humana de Jesus Cristo, é o mesmo Deus que nos deu aqueles justos mandamentos no Antigo Testamento.
The problem with the selective-obedience "Leviticus game" isn't just that it pits Scripture against itself, but that it unjustly divides the character of God.
O que é verdadeiramente profundo é que em Tiago 2, onde aprendemos que todos os pecados são igualmente violações do caráter de Deus, o ponto é que qualquer tentativa de obter aprovação de Deus através de uma boa regra moral é totalmente inútil.
O problema com a obediência-seletiva do “Jogos de Levítico” não é apenas que ela coloca a Escritura contra si mesma, mas também que divide injustamente o caráter de Deus.
Isto é importante, pois mesmos LGBT’s não-Cristãos estão jogando “o Jogo de Levítico” de si próprio, confiando que Deus irá aceitá-los porque eles obedecem alguns mandamentos “importantes” (por ser uma pessoa decente em geral), enquanto não obedecem em outros.
Existe uma lei da liberdade, onde somos libertos do medo seguimento de regras e libertos para amar e agradar a um Deus santo. Mas não começamos a viver desta maneira por editar as normas de Deus. Começamos a viver de forma livre por arrependermos de nossos pecados e deixar-nos ser capacitados por Deus para viver. Verdadeira liberdade – obediência voluntária às leis de Deus em vez de ressentimento – só vem uma vez que mudamos nossas mentes sobre nossos pecados e confiamos no sacrifício de Cristo para pagar nossa pena.
Ninguém está imune às tentações. Mas, por favor amigo, acerte-se com Deus, arrependendo-se do pecado e confiando em Cristo, não importa que você seja.
Alex Kocman é editor e escritor para Christian Life News e Charisma News com treinamento em Estudos Bíblicos. Você pode ler seu blog ou segui-lo no Twitter @ajkocman.

Fonte: Charisma News

Traduzido por Gaspar de Souza 

sábado, 24 de maio de 2014

Seis Inimigos do Ideal Apologético

Por Douglas Groothuis
Sumário


            O mundo evangélico hoje sofre de uma anemia apologética. Apesar do fato das Santas Escrituras convocarem os Crentes a dar razão da esperança que nós temos em Cristo (1 Pedro 3.15; veja também Judas 3), falta-nos uma voz pública no mercado de ideias para a verdade e a razão.[1] Nós não temos uma presença intelectual forte na cultura popular ou acadêmica (embora algumas áreas, tal como a filosofia, sejam mais influenciadas por evangélicos que por outros). As razões para esta anemia são multidimensionais e complexas.
            Três livros recentes exploram a falta de uma “Mente Cristã” no evangelicalismo contemporâneo, e eu fortemente recomendo tais livros. O livro de Mark Noll, The Scandal of the Evangelical Mind (Eerdmans, 1994), explora as raízes históricas do antiitelectualismo evangélico. O livro Fit Bodies, Fat Minds (Baker Books, 1994), de Os Guinness, discute alguns dos problemas históricos e também esboça o que a mente cristã deve ser. Por fim, o livro Love Your God with all of Your Mind (Navpress, 1997), de J.P. Moreland, explica porque os Cristãos não pensam, não desenvolvem uma teologia bíblica da mente,[2] e oferecem argumentos e estratégias apologéticas úteis para capacitar intelectualmente a igreja.
            Meu modesto propósito neste texto é fornecer brevemente seis fatores que inibem ilegitimamente o compromisso apologético hoje. Se estas barreiras forem removidas, nosso testemunho apologético poderá se transformar naquele que seria de Cristo.

            Muitos cristãos não parecem se importar que o Cristianismo seja rotineiramente ridicularizado como ultrapassado, irracional e tacanho em nossa cultura. Eles podem queixar-se que isto os “ofende” (assim como todo mundo reclama que uma coisa ou outra os “ofendem”), mas eles fazem pouco para combater as acusações por oferecer uma defesa da cosmovisão cristã em uma variedade de ambientes. No entanto, a Escritura ordena que todos os Cristãos têm uma razão para a esperança que está dentro deles e ordena apresentá-la com mansidão e respeito ao incrédulo (1 Pedro 3.15). Nossa atitude deveria ser aquela do Apóstolo Paulo que ficou “muito angustiado” quando viu a sofisticada idolatria em Atenas. Este zelo pela verdade de Deus levou-o a um encontro apologético frutífero com os pensadores reunidos para debater novas ideias (Cf. Atos 17). Deve também ser para nós. Assim como Deus “amou o mundo” e que enviou Jesus para nos reconciliar com Deus (João 3.16), os Discípulos de Jesus também deveriam amar o mundo que eles se esforçam para alcançar os perdidos apresentando-lhes o Evangelho e respondendo objeções à Fé Cristã (João 17.18).

            Para alguns Cristãos, fé significa crer na ausência de evidência ou argumentos. Pior ainda, para alguns fé significa crer apesar da prova em contrário. [Quanto mais] irracionais nossas crenças, melhor – mais “espirituais” elas são. Embora Paulo ensine em 1 Coríntios 1 e 2 que Deus tornou tolice “a sabedoria deste mundo”(porque ela é falsa sabedoria), a Revelação de Deus não é irracional; nem deve a crença nela ser sustentada irracionalmente.[3] Deus não exige de nós a suspensão de nossas faculdades críticas a fim de crer naquilo que tem dado a conhecer. Por meio do profeta Isaías, Deus declara a Israel: “Vinde e arrazoemos”(Isaías 1.18). Jesus nos ordenou a amar a Deus com toda a nossa mente (Mateus 22.37). Quando Cristãos optam pelo irracionalismo, eles apenas se tornam mais uma “opção religiosa” e são classificados ao lado [de religiões] como Heaven’s Gate [Portão do Céu] ou a Flat Earth Society [Sociedade da Terra Plana] e outros grupos intelectualmente deficientes. No rastro do suicido de Heaven’s Gate, as mais importantes revistas como a Esquire, Newsweek e US News and World Report afirmaram que a fé daqueles que acabaram com suas vidas de acordo com a religião da ficção científica Marshall Applewhite não seria estranho para Cristãos que também acreditam em coisas ridículas. Infelizmente, o comportamento de alguns Cristãos dá impulsos a tais acusações.

            Muitos Cristãos não estão conscientes dos enormes recursos intelectuais disponíveis para defender a “fé que uma vez foi dada aos santos”(Judas 3). Isso porque muitas das principais igrejas e organizações paraeclesiásticas praticamente ignoram a Apologética. Um dos principais ministérios no campus [universitário], com uma ótima história e um excelente programa, de qualquer forma não oferece material para auxiliar aos estudantes a lidar com a descrença que emana de seus professores seculares. Poucos sermões evangélicos quase nunca abordam temas sobre as evidências da Existência de Deus, a Ressurreição de Jesus, a Justeza do Inferno, a Supremacia de Cristo ou os problemas lógicos com as visões não-Cristãs. Bestseller Cristãos, com raras exceções, entram em especulações apocalípticas infundadas, exaltam celebridades cristãs (cujos personagens frequentemente não se encaixam com tal notoriedade) e deleitam-se com métodos “faça você mesmo”. Você pode dizer muito sobre um movimento pelo que lê e pelo que não lê.

            Em uma cultura pluralista, uma atitude “viva e deixe viver” é a norma, e ceder a apelos da pressão social assombra o evangelicalismo, drenando as suas convicções. Muitos evangélicos também estão mais preocupados em serem “bacanas” e “tolerantes” do que serem bíblicos ou fiéis ao Evangelho exclusivo encontrado em suas Bíblias. Não basta aos evangélicos estarem dispostos a apresentar e defender sua fé em situações difíceis, seja na escola, trabalho ou ambiente público. A tentação é de privatizar a fé, separá-la e isolá-la inteiramente da vida pública. Sim, somos Cristãos (em nossos corações), mas temos dificuldades de envolver alguém no que cremos e por que cremos. Isto não é nada menos que covardia e traição do que dizemos crer. Considere a exigência inspirada de Paulo para a oração e sua admoestação a nós: “Perseverai em oração, velando nela com ação de graças; orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso; para que o manifeste, como me convém falar. Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um”(Colossenses 4.2 – 6).
            Nós podemos esperar rejeição, mas Jesus chama a aqueles que são perseguidos por amor de seu nome de “bem-aventurados”: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós”(Mateus 5.11, 12).
            O Apóstolo Pedro ecoa as palavras de seu Mestre: “Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus”(1 Pedro 4.14)
            Por outro lado, quando o Espírito Santo abençoa nossos esforços, as pessoas respondem com interesse e, até mesmo, com fé salvadora (Romanos 1.16). Nunca devemos esquecer que Jesus tem toda autoridade no céu e na terra, e que ele nos comissionou a declarar e defender seu Evangelho (Mateus 28.18 – 20).

            No outro extremo do espectro de erro, está a arrogância do “apologista sabe-tudo” que está mais interessado em mostrar seu arsenal de argumentos do que defender a verdade de maneira piedosa.
O pecado que assedia a apologética é o orgulho intelectual, e deve ser evitado a todo custo. A verdade que defendemos é um dom da graça, não de nossa conquista intelectual. Desenvolvemos nossas habilidades apologéticas para nos santificar na verdade, conquistar almas para Jesus, e glorificar a Deus. Nós devemos “falar a verdade em amor”(Ef. 4.15). Verdade sem amor é arrogância; amor sem verdade é sentimentalismo.[4]
            Arrogância também ocorre quando alguns apologistas acusam outros crentes sem prova suficiente. Paulo disse aos líderes da igreja que eles deveriam esperar heresias no meio da igreja e estarem em guarda contra elas (Atos 20.28 – 31). Deveríamos fazer o mesmo. Todavia, devemos estar atentos para não difamar companheiros Cristãos ou assumir o pior sobre eles. Sei deste erro na própria pele, tendo sido acusado uma vez de ser um adepto da Nova Era porque um crítico horrivelmente interpretou mal uma porção de um de meus livros anti-Nova Era, Unmasking the New Age! Não vamos gastar nossas energias apologéticas atacando outros crentes quando hereges reais e incrédulos clamam por refutação e correção.

            Alguns que ficam animados com apologética podem se tornar contentes com respostas superficiais às questões intelectuais difíceis. Nossa cultura se contenta com respostas rápidas a muitas coisas, e a técnica está dominando. Alguns Cristãos memorizam respostas prontas para questões apologéticas – tais como o problema do mal ou a controvérsia Criação-Evolução – que eles dispensam sem um tratamento adequado das questões e sem uma preocupação empática pela alma que levanta a questão. Uma vez vi um pequeno livro com um título como algo do tipo “The Handy, Dandy Evolution Refuter”. Sim, a macro-evolução é falsa, e bons argumentos têm sido trazidos contra ela, tanto da Natureza, quanto das Escrituras, mas o assunto não é tão simplista como o título do livro faz parecer.[5] Apologética deve ser feita com integridade intelectual.
            O moto apologético de Francis Schaeffer era que deveríamos dar “respostas honestas para questões honestas”. Primeiro, devemos realmente ouvir a questão perguntada ou a objeção levantada. Devemos entrar na mente daqueles que estão apresentando razões para não seguir a Cristo. Cada pessoa é diferente, não importa o quão comum algumas objeções céticas possam parecer. Não reduza as pessoas a clichês.
            Segundo, responda o que você ouviu. Não responda questões que não foram perguntadas. Tal abordagem superficial não vai impressionar o incrédulo que pensa. Se no momento você não pode oferecer uma resposta sólida para a objeção, não tente ocultar sua ignorância ou incapacidade. Honestamente admitir suas limitações é melhor que dar uma resposta fajuta. Fale para a pessoa que este é um bom ponto e que você precisa pensar mais sobre isso. O Cristianismo é absolutamente verdadeiro; mas isto não implica absolutamente que qualquer Cristão possa tratar com toda objeção levantada contra ele. Deveríamos evitar técnicas apologéticas e, em lugar disso, desenvolver recursos intelectuais e cultivar um diálogo real com os descrentes.[6]
            Walter Martins disse corretamente que a igreja evangélica era um gigante adormecido e ele esforçou-se poderosamente para despertar todo o seu potencial dado por Deus para apresentar o Evangelho e defendê-lo contra objeções céticas e cultuais. Com seu legado em mente, possamos reavivar esta visão e encontrar paixão e sabedoria para por em prática por meio do poder do Espírito Santo(Atos. 1.8).

O Dr. Douglas Groothuis (N.T – pronuncia-se Grote–Hice) é um filósofo Cristão, Professor de Filosofia no Denver Seminary. Também é pregador do Evangelho e Escritor. Autor de onze livros, sendo um deles Christian Apologetics – A Comprehensive Case for Biblical Faith (InterVarsity Press, 2011). Suas áreas de especialização em Filosofia são Ética e Cultura Contemporânea, História da Filosofia Moderna e Filosofia da Religião. Especialista em Blaise Pascal, Dr. Groothuis possui muitos outros livros sobre Cultura, Filosofia, Tecnologia e Apologética. Atualmente ele é o responsável pelo programa de Apologética Cristã e Ética no Denver Seminary. Visite seu site: The Constructive Curmudgeon.


Traduzido por Gaspar de Souza.
            Agradeço ao Dr. Groothuis a autorização para tradução desta importante advertência aos apologistas.



[1] Se o autor fala isso de seu contexto, o que diremos de nosso contexto brasileiro? [Nota do Tradutor]
[2] Em compasso com a filosofia da mente, área de interesse do Dr. Moreland, com livros e artigos acadêmicos publicados. [Nota do Tradutor]
[3] Para explicação das passagens bíblicas que, supostamente, ensinam que a fé não é racional, veja J.P. Moreland, Love God With All of Your Mind (Colorado Springs, CO: NavPress, 1997), 57-61.
[4] Sobre isto, veja Douglas Groothuis, "Apologetics, Truth, and Humility," Christian Research Journal (Spring 1992), p. 7.
[5] Para uma forte introdução a este assunto, veja Philip Johnson, Defeating Darwinism by Opening Minds (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1997). Nota do Tradutor: Este livro encontra-se em português, Como Derrotar o Evolucionismo com as Mentes Abertas(Editora Cultura Cristã, 2000).
[6]  Veja Dialogical Apologetics by David Clark (Grand Rapids, MI: Baker Books, 1993).

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Apologética - A Questão da Taxonomia

            Embora os Apologistas concordem com a definição e objetivos básicos da apologética, eles podem diferir significativamente sobre a metodologia apropriada da apologética. Ou seja, eles discordam sobre como o apologista realiza sua tarefa – acerca de tipos de argumentos que podem e deveriam ser usados e sobre a maneira que o apologista envolve o incrédulo no debate apologético. Para usar uma analogia militar, existem diferenças de opinião sobre a melhor estratégia para usá-la na defesa da fé. Essas diferenças na estratégia apologética geralmente dependem de desacordos mais fundamentais a respeito de importantes assuntos teológicos e filosóficos. E isto me leva à questão da taxonomia.[1]

            Como podemos esboçar as diferentes abordagens à Apologética? De todos os livros de metodologia apologética, nem mesmo dois deles classificam os vários métodos exatamente da mesma maneira. Por exemplo, Gordon Lewis classifica os métodos apologéticos de acordo com suas respectivas epistemologias religiosas.[2]  Ele distingue-os por aquilo que cada uma considera ser a relação correta para aquisição de conhecimento das verdades religiosas. Com base nisso, ele diferencia seis métodos apologéticos.[3]

            A Epistemologia Religiosa pode ser um fator decisivo em distinguir um método apologético de outro. Por exemplo, dois dos métodos distinguidos por Lewis são o Empirismo Puro, defendido por J. Oliver Buswell Jr.[4] e o Racionalismo, defendido por Gordon H. Clark.[5] A metodologia de Buswell requer que façamos observações do mundo e façamos inferências causais a partir dessas observações, que ele acredita vai conduzir o observador objetivo a crer em Deus e na Verdade da fé Cristã. Ele usa os argumentos teístas clássicos e apela às evidências históricas para a ressurreição de Jesus. [Gordon] Clark, por outro lado, repudia o uso de tais argumentos e evidências, em grande parte por razões epistemológicas. Além do mais, ele argumenta que o apologista deve começar com as Escrituras com um primeiro princípio. Ou seja, a Escritura serve como um axioma racional por meio da qual todas as outras reivindicações da verdade são testadas. Clark, então, afirma que o Cristianismo é o único sistema coerente, [e] todas as outras cosmovisões são logicamente inconsistentes. Então, a epistemologia religiosa destes dois apologistas leva-os a diferentes abordagens apologéticas.

            Não há dúvida de que a epistemologia religiosa pode servir para demarcar diferentes métodos apologéticos. Mas, é igualmente evidente que epistemologia religiosa não pode sempre distinguir os métodos apologéticos. Tomemos novamente o Empirismo Puro de Buswell, mas desta vez comparemos com o que Lewis chama Empirismo Racional, atribuído a Stuart C. Hackett.[6] A epistemologia de Buswell segue Locke e Hume, que criam que todo conhecimento surge a partir da experiência. Hackett é um kantiano, que sintetiza racionalismo e empirismo. Como Kant, ele acredita que o conhecimento começa com os dados brutos da experiência, mas que estes dados são organizados e estruturados por categorias a priori da mente.

            Estudantes de epistemologia sabem que estas abordagens do conhecimento são significativamente diferentes, mas as abordagens apologéticas derivadas destas epistemologias, para fins práticos, não diferem.[7] Se compararmos o que Buswell realmente faz por meio de seus argumentos apologéticos, com o que Hackett faz, vamos discernir pouca ou nenhuma variação. Hackett usa os argumentos teístas para estabelecer a verdade da cosmovisão teísta. Ele, então, como Buswell, apela às evidências históricas para estabelecer a ressurreição e divindade de Cristo.

            Assim, novamente, enquanto a epistemologia religiosa seja certamente importante e possa desempenhar um papel importante em distinguir um método apologético de outro, ela não é suficiente (em todo caso) para distinguir um método de outro. Este sentimento é fortemente ecoado por mais de um dos colaboradores deste volume. Gary Harbemas, por exemplo, argumenta que sua abordagem evidencialista da apologética “pode ser favorecida por qualquer dos diversos pontos de vista epistêmicos”(p. 93).

            Bernard Ramm, outro autor que escreveu um livro sobre metodologia apologética, apresenta uma abordagem taxonômica mais promissora à apologética.[8] Ele distingue três famílias de sistemas apologéticos.

1. Sistemas que enfatizam a singularidade da Experiência Cristã da Graça. Ramm descreve várias características distintivas desta abordagem apologética, mas chama a atenção para a ênfase colocada sobre a experiência religiosa subjetiva. A ênfase recai aqui por causa de ênfases correlativas, tanto na transcendência de Deus quanto no efeito noético do pecado. Desde que o pecado cega a mente humana, e desde que Deus é tão diferente dos seres humanos, Deus pode ser conhecido apenas através de alguma experiência supra-racional, talvez até mesmo paradoxal, ou “encontro existencial”. Consequentemente, esta abordagem tem pouco uso para a teologia natural ou evidências cristãs. A “experiência” individual “da religião é tão profunda ou exclusiva ou auto-confirmada que a experiência em si é sua própria prova”.[9] Ramm lista Pascal, Kierkegaard e Brunner como membros desta família.

2. Sistemas que enfatizam a teologia natural como o ponto do qual o apologista começa. Aqueles que seguem esta escola, deposita grande confiança na razão humana para descoberta do conhecimento religioso. Consequentemente, existe menos ênfase no efeito noético do pecado e na transcendência de Deus. As verdades religiosas podem ser conhecidas e verificadas da mesma maneira que proposições científicas podem ser conhecidas e verificadas. Entre aqueles que seguem este método, se encontrará uso extensivo dos argumentos teístas e evidências históricas para demonstrar a verdade do Cristianismo. Aquino, Buswell e Tennant são proponentes tomados por Ramm como paradigma desta abordagem apologética.

3. Sistemas que enfatizam a revelação como fundamento sobre o qual a apologética deve ser construída. Ramm descreve esta abordagem como correspondendo, de certa forma, entre as duas primeiras. Como ele coloca, “a escola revelacional acredita que a primeira escola é subjetivista demais... [e] critica a segunda escola por não avaliar seriamente a depravação do homem”.[10] Em vez de começar com o subjetivismo da experiência religiosa ou o racionalismo da teologia natural, esta terceira escola começa com a verdade objetiva da revelada Palavra de Deus. A razão tem um papel nesta abordagem, mas a razão é fundamentada sobre fé na revelação de Deus e busca entender a revelação de Deus. A razão não pode colocar-se como juiz da revelação de Deus. Esta abordagem põe grande ênfase no efeito noético do pecado, mas talvez não tanto na transcendência de Deus. Deus é capaz de revelar-se em forma proposicional ao ser humano através de uma revelação escrita (i.e, a Bíblia) e pela obra do Espírito Santo é capaz de diminuir os efeitos da cegueira do pecado na mente do crente. Esta escola concentra-se na apologética negativa, embora exista algum uso limitado de argumentos teístas e evidências históricas.[11] Ramm indica Agostinho, Calvino e Kuyper como defensores desta escola apologética.[12]

Traduzido por Gaspar de Souza



[1] In: GUNDRY, Stanley N. ;COWAN, Steven B. Five Views on Apologetics. Zondervan Counterpoints Collection. Grand Rapids, MI: Zondervan, 2000, p.9 – 12.

[2] Gordon R. Lewis, Testing Christianity’s Truth Claims (Chigago: Moody Press, 1976).

[3]  Os seis métodos/epistemologias são (1) Empirismo Puro, exemplificado no século vinte por J. Ollver Buswell Jr; (2) Empirismo Racional, que Lewis atribui a Stuart C. Hackett; (3) Racionalismo, que, de acordo com Lewis, é a epistemologia e o método de Gordon H. Clark; (4) Absolutismo Bíblico, advogado por Cornelius Van Til; (5) Misticismo, exemplificado pela obra de Earl E. Barret e; (6) Verificacionismo, que é o que Lewis atribui a E.J. Carnell.

[4] Veja o A Christian View of Being and  Knowing (Grand Rapids: Zondervan, 1960), de Buswell.

[5] Algumas obras de Clark incluem A Christian View of Men and Things (Grand Rapids: Eerdmans, 1952) e Three Types of Religious Philosophy(Nutley, N.J: Craig, 1973). Nota do Tradutor: Ambos os livros encontram-se traduzidos para o português, sob os respectivos títulos:  Uma Visão Cristã dos Homens e do Mundo(Brasília, DF: Editora Monergismo, 2013) e Três Tipos de Filosofia Religiosa (Brasília, DF: Editora Monergismo, 2013). Visite o site: www.editoramonergismo.com.br

[6] O método e epistemologia de Hackett podem ser encontrados em The Reconstruction of the Christian Revelation Claim: A Philosophical and Critical Apologetic (Grand Rapids :Baker, 1984)

[7] Este ponto, claro, é baseado na suposição de que metodologia apologética tem algo a ver com a forma como alguém faz apologética.

[8] Bernard Ramm, Varieties of Christian Apologetics (Grand Rapids: Baker, 1961), 14 – 7.

[9] Ibidem, 15.

[10] Ibidem, 16.

[11] De fato, esta Escola não menospreza o uso dos Argumentos Teístas e Evidências Históricas como alguns equivocadamente afirmam. Porém, tais argumentos não são vistos neutramente, mas dentro de uma estrutura epistemologicamente bíblica. Cf. Cornelius Van Til, Christian Theistic Evidences (In Defense of the Faith, vol. 6). Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed Publishing, 1978. [Nota do Tradutor]

[12] Em um a edição mais antiga de seu livro (Types of Apologetics Systems[Wheaton: Van Kampen, 1953]), Ramm lista Cornelius Van Til e E.J. Carnell como seguidores desta abordagem.

Nota do Tradutor: Certamente é um equívoco colocar Van Til e Carnell na mesma Escola, e isso a partir do próprio ponto de vista do Dr. Van Til, que embora reconhecesse o valor da obra do Dr. Carnell, o considerava um apologista reformado inconsistente. Diz Van Til: “O falecido Edward John Carnell, autor de An Introduction to Christian Apologetics, e professor de apologética do Fuller Theological Seminary, foi o escritor da série [de artigos no Moody Monthly Magazine]. Os escritos de Carnell estavam entre os melhores dos que apareciam nos círculos evangélicos. De fato, em seu livro sobre apologética, Carnell com frequência argumenta como esperaríamos de um apologista reformado. Contudo, em toda a extensão, ele representa o método arminiano, em vez de o método da apologética reformada”(VAN TIL, Cornelius. O Pastor Reformado e o Pensamento Moderno. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2010, p.44)(grifos meus).

segunda-feira, 31 de março de 2014

O Assalto ao Poder - Agnaldo Del Nero Augusto


O Sinal Verde de Moscou
            [Luiz Carlos] Prestes estava mais uma vez convencido de que a estratégia que ele mesmo traçara para o partido levá-lo-ia, brevemente, ao poder.
            O PCB e as organizações sindicais dominadas pelo partido ou por ele infiltradas haviam apoiado a campanha do plebiscito com um programa mínimo que consubstanciava as tradicionais bandeiras do partido: a legalidade, a reforma agrária radical, a nacionalização de empresas estrangeiras, o rompimento com o FMI, a revogação da Lei de Segurança Nacional.
            As tentativas revolucionárias de inspiração cubana em vários países da América Latina – contrárias à linha política do PCB –, iniciadas na década de 1960 em Honduras, Guatemala, Nicarágua, Venezuela, Peru, Colômbia, Argentina e Equador, se haviam esgotado no nascedouro ou estavam derrotados no final de 1963.
            Julião desaparecera. Ao candidatar-se a uma vaga de deputado pelo PSB de Pernambuco, desviara meios e recursos das ligas camponesas para sua cam­panha, entrando em choque com Morais, que comandava o setor armado Morais. Morais exigiu que ele devolvesse os veículos desviados, colocasse as sobras de campa­nha à disposição da luta guerrilheira e dissolvesse o Movimento Tiradentes. Deci­diu tomar à mão armada o jornal semanal A Liga, que sob a direção do jornalista Jânio de Freitas, seu editor, transformara-se em um órgão a serviço de interesses de intelectuais, como o jornalista e sociólogo Luciano Martins, o advogado Afrâ­nio Araújo, o sociólogo Wanderley Guilherme dos Santos, o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo e o poeta Ferreira Gullar, entre outros.
            As ligas camponesas tinham sido praticamente extintas quando o PCB e a Igreja Católica fundaram a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, em dezembro de 1963. Assumiu a presidência da CONTAG o pecebista Lyndolfo Silva, que a filiou ao CGT.
            Quase todos os empecilhos para a vitória da linha política do partido estavam praticamente afastados.
            Em janeiro de 1964. Prestes parte para Moscou, aonde vai prestar contas dos resultados obtidos nos dois últimos anos de trabalho do PCB, desenvolvido à luz da estratégia traçada por ele e por Kruschev em novembro de 1961.
            Reúne-se com os principais detentores do poder na URSS: além do próprio Kruschev e de seu ideólogo Mikhail Suslov, Leonid Brejnev e Iuri Andropov, secre­tários do Comitê Central do Partido, e Bóris Ponomariov. Chefe do Departamento de Relações Internacionais. Nessa ocasião, pinta o seguinte quadro da situação brasileira, enfatizando os seguintes pontos:
            "A escalada pacífica dos comunistas no Brasil para o poder abrindo a possibilidade de um novo caminho para a América Latina.
            Um poderoso movimento de massas sustentado pelo poder central e ten­do no seu núcleo um dos partidos comunistas mais sólidos do continente encontra-se instalado no seio do aparato estatal.
            Um exército penetrado dos pés à cabeça por um forte movimento nacionalista e antiimperialista
            A tomada do controle do estado burguês de seu interior para fora.
            Oficiais nacionalistas e comunistas dispostos a garantir pela força, se necessário, um governo nacionalista e antiimperialista.

Depois prossegue:
            A luta pelas reformas de base constitui um meio para acelerar a acumalação de forças eaproximar a realização de objetivos revolucionários;
            A premissa básica para a realização das reformas de base será a instalaçã de um governo nacionalista e democrático, uma vez que somente um governo desse tipo terá condições para começar a levá-las à prática, induzindo o País por um novo curso de desenvolvimento econômico e político.
            O arcabouço institucional impede as reformas, pois e/as dependem de dois terços do Congresso, tornando-as irrealizáveis, dado que ele é majoritariamente anti-reformas
            O grande trunfo será o dispositivo militar, capaz não só de barrar um golpe ou uma reação da direita, mas, por uma ação enérgica e com o apoio das massas desencadear o processo de reformas.
           A exemplo de 1935, a revolução deveria começar, novamente, pelos quartéis.
           Implantaremos um capitalismo de Estado, nacional e progressista, que será a ante-sala do socialismo.

             Conclui o seu relatório afirmando a intenção de, "uma vez a cavaleiro do aparelho do Estado, converter rapidamente, a exemplo da Cuba de Fidel, ou do Egito de Nasser, a revolução nacional-democrática em socialista" (os grifos são nossos).

            A estratégia descrita por Prestes ajustava-se perfeitamente à política de coexistência pacífica da URSS. Não envolveria diretamente a grande potência comunista no conflito e evitaria um confronto com os EUA, de nenhum modo desejado depois da crise dos mísseis em Cuba. Ao mesmo tempo, no âmbito da disputa pela hegemonia do movimento comunista internacional, serviria como resposta às críticas chinesas à política soviética da coexistência pacífica.
           A URSS não só concordou com a estratégia descrita por Prestes como “comprometeu-se novamente com qualquer tipo de auxílio, do político ao militar”.


Fonte: AUGUSTO, Agnaldo Del Nero. A Grande Mentira. Rio de Janeiro, RJ: Biblioteca do Exército Editora, 2001, p.121, 122.