sexta-feira, 20 de março de 2009

EXTRA! EXTRA! CIENTISTA GANHA PRÊMIO DE 1,6 MILHÕES DE DÓLARES

O que ele fez? Leia a entrevista abaixo, que se encontra na Revista Bíblia, publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil (jan - março, ano 61, 2009, n. 222, p. 18, 19). Uma das maiores autoridades em Cosmologia e que também é Teólogo, Michael Heller, foi premiado por usar metodologia científica para demonstrar a existência de Deus. Na realiade, ele busca um diálogo entre Religião e Ciência. Leiam:

_____________________________________________________________________


No dia 2 de outubro, Michael Heller, realizou mais um sonho em sua vida dedicada à religião e à ciência. Neste dia, foi inaugurado, na cidade de Cracóvia, o Centro Copérnico de Estudos Interdisciplinares, uma instituição voltada a incentivar a pesquisa e a análise das interconexões entre as diversas ciências e a existência do universo e do ser humano.

Para concretizar este sonho, Michael Heller investiu US$ 1,6 milhões, valor total que recebeu quando ganhou o Prêmio Templeton, em março de 2008, por seu estudo que utiliza metodologia científica para demonstrar a existência de Deus. Sua premiação foi saudada por diferentes setores da sociedade, principalmente pela forma racional e pacificadora como é apresentada. Teólogo, filósofo, matemático e cosmólogo, Heller sempre ressalta que seu objetivo não é confrontar ciência e Deus, mas sim contribuir para o esforço coletivo da humanidade em entender os grandes mistérios.

Nós, seres humanos, pensamos, planejamos e agimos. Para Deus, planejar e realizar o planejado é uma só ação. Portanto, tudo o que existe é Deus. Já a ciência é um esforço coletivo das mentes dos seres humanos para ler a mente de Deus, decifrando o que ele planeja e realiza”, explica Heller. Sua teoria reforça o pensamento de outros religiosos que, como ele próprio, não colocam a ciência em oposição a Deus. “Não existe oposição no universo entre o que segue as leis das ciências e o que nos parece aleatório. Tudo o que existe é a mente de Deus, agindo continuamente”, observa.

Na entrevista a seguir, concedida com exclusividade para a ABNB, Michael Heller fala da forma de atuação do recém-inaugurado Centro Copérnico e ressalta a importância da Bíblia em sua vida.

ABNB – O que representou, para o senhor, receber o Prêmio da Fundação Templeton?

Michael Heller: Passados alguns meses, agora consigo ver claramente que o Prêmio Templeton conferiu uma nova dimensão ao meu trabalho: meus livros são mais lidos, publico mais artigos e participo de mais seminários. Os convites não param. Em poucas palavras, a mensagem de meu trabalho gera muito interesse.

ABNB – Sua teoria é considerada fundamental para definir a conexão entre religião e ciência. Como pessoa dedicada a essas duas áreas, o senhor acha que temos avançado suficientemente no entendimento do papel da ciência e da religião em nossa vida?

Michael Heller: É óbvio que a religião nos transcende. Ela é uma “dádiva dos céus”. Mas o fato de a ciência, que nós criamos, parecer ultrapassar nossas possibilidades de compreensão plena e controle é algo muito estranho. Nunca estamos ”suficientemente avançados”. Ao lidarmos com ciência e religião, confrontamo-nos com um “mistério de racionalidade” do qual constituímos uma parte vital.

ABNB – Como o Centro Copérnico pretende alavancar os estudos e incentivar os cientistas a explorar mais os mistérios que ainda envolvem a Deus e o Universo?

Michael Heller: Começamos criando diversos grupos de pesquisa, em áreas específicas referentes a Matemática, Cosmologia, Filosofia, Física, História e, é claro, Ciência e Religião. Agora, cabe esperar a interação entre esses grupos, formados por pessoas de várias universidades. Nossa filosofia é que a reflexão sobre ciência e religião deve se basear em pesquisas bem fundamentadas e não em ideologias. Com base nessas pesquisas, também organizaremos cursos, palestras populares e estudos mais regulares.

ABNB – Qual a importância da Bíblia na sua vida?

Michael Heller: Ter um contato contínuo com a Bíblia é mais importante do que desfrutar de momentos de iluminação. A leitura diária do breviário faz com que os textos bíblicos sejam infiltrados em minha mente, mesmo quando estou cansado. Também procuro realizar meditações curtas sobre versículos bíblicos. Estes são os momentos mais preciosos do meu dia.

ABNB – O senhor considera a Bíblia como um instrumento para o avanço do estudo teológico e científico?

Michael Heller: A Bíblia certamente não é um texto científico. Ela não nos fornece uma ciência “pronta”. Mas, ela faz algo muito mais importante: ela forma nossa percepção de nós mesmos, do mundo e do Significado.

Uma vida construída com Deus e conhecimento
Michaeł Heller nasceu em 1936, na cidade de Tarnów, no Sul da Polônia, em uma família devotada à religião e ao conhecimento. Sua mãe era professora na escola local e seu pai um engenheiro com carreira promissora na indústria. A família Heller, no entanto, foi afastada de seu cotidiano pela invasão dos nazistas, quando Michael tinha apenas três anos. Seguiram-se, então, sete anos de uma vida incerta e difícil no Sul da União Soviética, onde não podiam nem seguir as tradições católicas, nem desenvolver estudos.
Aos 10 anos, com o fim da Guerra, eles puderam finalmente voltar à cidade natal. Michael Heller entrou no seminário de Tárnow aos 17 anos, sendo ordenado padre aos 23.
Apesar da opressão do governo comunista, tanto contra intelectuais como contra religiosos, ele conseguiu desenvolver sua carreira dedicando-se a esses dois interesses, graças a sua determinação e ao apoio da família e dos amigos.
Nos anos 60, foi convidado pelo arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyla, que viria a ser o Papa João Paulo II , a unir-se a um grupo de teólogos interessados em diferentes disciplinas científicas, o que deu novas diretrizes à sua carreira.
A partir dos anos 80, com a gradual abertura política da Polônia, Michael Heller iniciou sua carreira internacional, como professor e palestrante em instituições de diversos países.
Em 1986, Heller foi chamado para integrar a equipe de pesquisadores do Observatório do Vaticano, em Castel Gandolfo, na I tália, onde atua até hoje.

A maior premiação anual do mundo
Criado pela Fundação Templeton, há 35 anos, o Prêmio Templeton é um reconhecimento às pessoas que contribuem de forma expressiva para os avanços e descobertas que fortaleçam a dimensão espiritual da vida. É considerado um valioso incentivo ao desenvolvimento de estudos e pesquisas que relacionem a religião e a ciência em busca de respostas aos grandes mistérios do universo, foco central das atividades da própria Fundação. A cada ano, a comissão julgadora avalia estudos e pesquisas realizados ao redor do mundo que tratem de questões variadas, que vão desde as leis da natureza até sentimentos humanos como amor, gratidão, perdão e criatividade. O criador da Fundação e do Prêmio, Sir John Templeton, falecido em julho de 2008, determinou que o valor do prêmio seja sempre superior ao valor concedido pelo Prêmio Nobel, por considerar que os benefícios dos avanços na área espiritual eram sempre mais vastos e importantes para os seres humanos do que a mais complexa descoberta da área material.


postado por Gaspar de Souza

2 comentários:

jorge jose pereira disse...

Muito bom artigo Gaspar. As palavras de Michael Heller são suficientes para entendermos que mesmo mentes tão brilhantes necessitam de um contato íntimo com a Palavra de Deus.

Alessandro Barreto disse...

Parabéns Gaspar!!!

Muito bom todos os comentários!!!!

Alessandro Barreto.