terça-feira, 28 de julho de 2009

"NÃO TENHO FÉ SUFICIENTE PARA SER ATEU" - É PRECISO FÉ PARA SER ATEU?

Gentilmente cedido pelo colega Felipe Sabino, o artigo abaixo desmonta o falso argumento de que é preciso fé para ser ateu. Aliás, tal é o título do livro de Geisler que, embora o conteúdo seja bom, o título é pessímo. Quanta fé é preciso para ser Ateu? Quer dizer que o Ateu tem mais fé do que o Cristão? Se eu tivesse "Fé Suficiente", então eu seria um Ateu? Deixo para os leitores a excelente exposição do Vicent Cheung sobre este assunto. Depois, deixe seus comentários e impressões.
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Sem “Fé” Suficiente para ser um Ateu?

No contexto de defesa do Cristianismo, crentes algumas vezes diriam algo como, “Eu não tenho suficiente para ser um ateu”. Até mesmo alguns pressupocionalistas abusam da palavra dizendo que toda cosmovisão deve começar estabelecendo seus princípios sobre “fé”.

Contudo, isto é tanto biblicamente falso como estrategicamente tolo.

Quando não-cristãos fazem a acusação de que nós afirmamos o Cristianismo baseados somente na “fé”, eles não estão usando a definição bíblica da palavra, mas por ela eles querem dizer algo como, “crença por mera suposição sem qualquer justificativa racional”. Alguns cristãos então, fazem um caso racional para o Cristianismo, e concluem, “É necessário mais fé para ser um ateu, e eu não tenho fé suficiente para ser um ateu”.

Quando usada desta forma, fé significa mera credulidade, e isto implica que o Cristianismo é afirmado por credulidade, sendo que a única diferença é que é necessário mais credulidade para ser um ateu. Este uso anti-bíblico da palavra encoraja nossa audiência a ter uma pequena credulidade, para que nos tornemos um cristão, mas não tanta, a fim de que não nos tornemos um ateu. Mas se isto é o que fé significa, então por que não renunciar toda a credulidade e não ter fé alguma?

O problema é agravado ainda mais quando os cristãos afirmam no mesmo contexto que fé não é mera credulidade, mas que ela é racional. Mas se adicionarmos isto à declaração anterior, “Eu não tenho fé suficiente para ser um ateu”, então, ela torna-se uma admissão de que o ateísmo é mais racional, a qual é exatamente o que negamos quando primeiramente dissemos, “Eu não tenho fé suficiente para ser um ateu”

No contexto bíblico, fé é sempre uma coisa boa, e é sempre bom ter mais fé. Mas repentinamente, no próprio contexto da defesa da “fé”, afirmamos que o ateísmo deve começar também com “fé”, e que os ateus de fato têm mais “fé”, visto que é necessário mais “fé” para ser um ateu.

Então, na mesma discussão ou debate, dizemos também que “fé” é racional, e que os ateus não têm fé de forma alguma, pois ela é um dom de Deus. Ou estamos dizemos que um pouco deste dom divino nos faria cristãos, mas que muito dele nos faria ateus?

Se estivermos usando a definição bíblica se estivermos falando sobre o tipo de fé que temos e que queremos que os nossos ouvintes tenham então, a verdade é que se eu tiver alguma fé, mesmo tão pequena como um grão de mostarda, eu não serei um ateu. O ateu não tem nenhuma fé, nem mais fé. Se estivermos usando a definição bíblica da palavra, então se você tiver alguma fé, você já é um cristão.

Assim, este uso da palavra fé pode parecer esperto para alguns, mas ele é de fato anti-bíblico, tolo, confuso e auto-destrutível. Pelo menos no contexto de uma discussão bíblica, não deveríamos nunca usar a palavra desta forma, isto é, para denotar credulidade.

Ao invés de dizer, “Eu não tenho o suficiente de uma coisa boa para ser um ateu”, deveríamos dizer, “Eu não tenho o suficiente de uma coisa ruim para ser um ateu”. Assim, é muito mais apropriado dizer, “Eu não sou estúpido o suficiente para ser um ateu”.

Segue-se também que nunca deveríamos dizer, “Todos nós temos que começar à partir da fé”. Não, não temos. Todos nós começamos à partir de alguns primeiros princípios como o ponto lógico de partida de todo o nosso pensamento. Os cristãos afirmam a Escritura como o seu ponto de partida pela fé-razão (um dom divino de assentir à verdade, que é eminentemente racional), mas os não-cristãos afirmam seus vários primeiros princípios, que são falsos e irracionais, por sua impiedade e credulidade.

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Nota sobre o autor: Vincent Cheung é o presidente da Reformation Ministries International [Ministério Reformado Internacional]. Ele é o autor de mais de vinte livros e centenas de palestras sobre uma vasta gama de tópicos na teologia, filosofia, apologética e espiritualidade. Através dos seus livros e palestras, ele está treinando cristãos para entender, proclamar, defender e praticar a cosmovisão bíblica como um sistema de pensamento compreensivo e coerente, revelado por Deus na Escritura. Ele e sua esposa, Denise, residem em Boston, Massachusetts. http://www.rmiweb.org/


Fonte: Monergismo

Postado por Gaspar de Souza

2 comentários:

Roberto Vargas Jr. disse...

Caro Gaspar,

Cheguei ao seu blog há pouco e tenho gostado do que tenho visto. Bom trabalho!

Sobre esta postagem, gosto muito do Cheung, mas nessa eu discordo um pouco (bem pouco, como se verá).
Não quando ele diz que não devemos usar uma palavra positiva (fé) associada ao ateísmo. Nisso ele tem toda a razão.
Mas não vejo problema em usar a palavra fé como ele cita ser usada por "alguns pressuposicionalistas". É claro que neste caso há que se fazer uma diferenciação entre a fé bíblica e a fé que se menciona (tendo, portanto, o mesmo objetivo de esclarecimento que ele tem no texto). Porque neste caso, fé significa, não fé cega e irracional ou credulidade como ele aponta, mas a crença axiomática de determinada cosmovisão. Usada com este sentido, a razão depende de sua fé para construir algum pensamento e, enfim, sua cosmovisão. E, assim, se torna possível dizer que "toda cosmovisão deve começar estabelecendo seus princípios sobre 'fé'".
Mesmo assim, usando o termo bem definido, continua sendo um equívoco dizer que o ateu tem mais fé que o crente. Ambos tem a mesma fé (crença axiomática) em seus pressupostos. Porém o crente ainda possui o dom da fé bíblica que o conduz à Verdade, enquanto o descrente tem sua fé o guiando pela falsidade e irracionalidade.

Como você vê, entendo essa questão como um problema semântico. Se os termos em uso pelo pressuposicionalista forem bem definidos por ele, ele chegará às mesmas conclusões que o Cheung .

No amor de Cristo,
Roberto

Jacke disse...

Bom gostei do post mais acho que se prendeu muito ao titulo,queria saber o conteúdo e recomendável ?
OBriagdo desde já!