sexta-feira, 11 de junho de 2010

O ARGUMENTO ONTOLÓGICO E A LÓGICA MODAL


Resolvi traduzir os artigos abaixo, sobre o Argumento Ontológico, por dois motivos:


1) porque um professor de Filosofia afirmou que, depois de Immanuel Kant, o Argumento Ontológico perdeu sua força. Apresentei-lhe alguns autores modernos que lidam com este argumento (Alvin Plantinga, Robert Maydole, Charles Hartshorne, Norman Malcolm, Kurt Gödel etc) e que têm revisado o Argumento original.


Em outro post apresentarei a revisão por parte de Robert Maydole e, em seguida, por Alvin Plantinga. Meu questionamento: é falta de interesse, desconhecimento ou preconceito contra os excelentes argumentos revisados?


Por exemplo, a Stanford Encyclopedia of Philosophy, recomendada por aquele meu professor, traz a seguinte informação sobre o tópico O Argumento Ontológico no Século 21 (Ontological Argument in 21th century):

“Muitas recentes discussões do Argumento Ontológico estão em compêndios, manuais, enciclopédias e semelhantes. Assim, por exemplo, existem discussões de revisões do Argumento Ontológico em: Leftow (2005), Matthews (2005), Lowe (2007) e Oppy (2007). Enquanto a ambição destas discussões de revisões varia, muitas delas são destinadas a introduzir os novatos aos argumentos e sua história. Dada a recente explosão de entusiasmo por compêndios, manuais, enciclopédias e semelhantes, na filosofia da religião, é provável que muitos debates como este irá aparecer num futuro próximo.

Algumas discussões recentes dos Argumentos Ontológicos têm sido postos em muitos resumos relativos aos Argumentos acerca da Existência de Deus. Por exemplo, existe uma discussão extensa do Argumento Ontológico em Everitt (2004), Sobel (2004) e Oppy (2006). Em minha opinião, todo estudante sério dos Argumentos Ontológicos deveria fazer um exame cuidadoso do tratamento de Sobel destes argumentos. Sobel fornece um capítulo sobre “Argumentos Ontológicos Clássicos”: Anselmo, Descartes, Spinoza e a crítica de Kant ao Argumento Ontológico; um capítulo sobre os “Argumentos Ontológicos Modais Modernos”: Hartshorne, Malcolm e Plantinga; e um capítulo sobre o Argumento Ontológico de Gödel. A análise de Sobel é muito cuidadosa e faz pesado uso das ferramentas da moderna filosofia da lógica.

Tem havido um livro recente devotado exclusivamente aos Argumentos Ontológicos: Dombrowski (2006). Dombrowski é um admirador de Hartshorne: o objetivo de seu livro é defender a declaração de que o Argumento Ontológico de Hartshorne é um sucesso. Enquanto o livro de Dombrowski é uma contribuição útil à literatura por causa do alcance de suas discussões do Argumento Ontológico – por exemplo, ele contém um capitulo sobre o Argumento Ontológico em Rorty e John Taylor – eu penso que o julgamento que ele faz para o Argumento de Hartshorne seja bastante convincente. Este parecer tem sido compartilhada por muitos revisores do livro,até mesmo aqueles que tenham alguma simpatia pela Teologia do Processo.

Finalmente, alguns trabalhos também têm sido publicados em periódicos. O mais importante desta porção é a Millican (2004), o primeiro artigo sobre o Argumento Ontológico, em recente lembrança, a aparecer na Mind. Millican defende uma nova interpretação do Argumento de Anselmo, e, por uma nova crítica dos Argumentos Ontológicos decorrentes da presente interpretação. Desnecessário dizer que, a interpretação e a crítica são controversas, mas eles também são dignos de atenção. Entre outros artigos de periódicos, talvez o mais interessante seja o de Maydole (2003), que fornece e defende um novo Argumento Ontológico Modal.” (OPPY, Graham. Ontological Arguments. In: STANFORD ENCYCLOPEDIA OF PHILOSOPHY. Disponível em: <http://plato.stanford.edu/entries/ontological-arguments/>)


2) por considerar uma boa aplicação dos princípios da Modalidade, que considera: Possibilidade, Necessidade e Contingência. Trata-se da Lógica Modal, que aplica os princípios da Lógica Formal, a estas modalidades.


O Argumento Ontológico, chamado Argumento A Priori, foi elaborado por Anselmo da Cantuária, aprofundado por Liebniz e, hoje, usado como um exemplo de Lógica Modal que, embora desconhecido por Anselmo nos moldes atuais, já o expunha embrionariamente.

A apresentação de hoje é feita pelo Dr. William Lane Craig. No post a seguir uma apresentação do Argumento Ontológico de Anselmo na linguagem da “Teoria da Quantificação” como demonstrada pelo Dr. Robert Maydole, a fim de demonstrar a validade do argumento de Anselmo. Boa leitura e tire suas conclusões se o “Argumento Ontológico perdeu sua força”

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O Argumento Ontológico a partir da Possibilidade da Existência de Deus para Sua Realidade

William Lane Craig


O ultimo argumento que eu desejo discutir é o famoso argumento ontológico, originalmente descoberto por Santo Anselmo. Este argumento tem sido reformulado e defendido por Alvin Plantinga, Robert Maydole, Brian Leftow e outros[44]. Eu apresentarei uma versão do argumento como apresentado por Plantinga, um dos mais respeitado proponente contemporâneo.

A versão de Plantinga é formulada em termos da semântica de mundos possíveis. Para aqueles que não estão familiarizados com a semântica de mundos possíveis, deixe-me explicar que, por “um mundo possível” não quero dizer de um planeta ou mesmo um universo, mas especialmente uma completa descrição da realidade, ou uma a maneira como uma realidade pode ser. Talvez a melhor maneira de pensar de um mundo possível é como uma gigante conjunção p & q & r & s...., em que conjuntos individuais são as proposições p, q, r, s,.... Um mundo possível é uma conjunção que engloba cada proposição ou sua contraditória, de modo que ela produza uma descrição completa da realidade – nada é deixado de fora desta descrição. Ao negar conjuntos diferentes em uma descrição completa, chegamos a diferentes mundos possíveis:

M1: p & q & r & s . . .


M2: p & não-q & r & não-s . . .


M3: não-p & não-q & r & s . . .


M4: p & q & não-r & s . . .

.

.

.

.

Apenas uma desta descrição será composta inteiramente de proposições verdadeiras e, por isso, será a realidade como realmente é, isto é, o mundo real.


Desde que nós estamos falando sobre mundos possíveis, as várias conjunções que um mundo possível engloba deve ser capaz de ser verdadeira individualmente ou juntas. Por exemplo, a proposição “o Primeiro Ministro é um número primo” não é mesmo possivelmente verdadeira, pois números são objetos abstratos que não poderiam ser concebidos idênticos com os objetos concretos com o Primeiro Ministro. Então, nenhum mundo possível terá esta proposição como uma de suas conjunções; ao invés disto, sua negação será um conjunto de mundo possível. Tal proposição é necessariamente falsa, isto é, ela é falsa em todo mundo possível. Por outro lado, a proposição “O Técnico Dunga é o Presidente do Brasil” é falsa no mundo real, mas poderia ser verdadeiro, e por isso, é um conjunto de algum mundo possível. Dizer que o Técnico Dunga é o presidente do Brasil em algum mundo possível é dizer que existe a uma completa descrição possível da realidade ter a proposição relevante como um de seus conjuntos. Semelhantemente, dizer que Deus existe em algum mundo possível é dizer que a proposição “Deus existe” é verdadeira em alguma descrição completa da realidade.


Agora na versão completa do argumento, Plantinga expressa uma idéia de Deus como um ser que é “maximamente excelente” em qualquer mundo possível. Plantinga entende excelência máxima a incluir propriedades tais como onisciência, onipotência e perfeição moral. Um ser que tenha excelência máxima em um mundo possível teria aquilo que Plantinga chama de “grandeza máxima”. Então Plantinga argumenta:

  1. É possível que exista um ser maximamente notável
  2. Se for possível que um ser maximamente notável exista, então é possível que um ser maximamente notável exista em algum mundo possível.
  3. Se um ser maximamente notável exista em algum mundo possível, então existe em todo mundo possível.
  4. Se um ser maximamente notável existe em todo mundo possível, então ele existe no mundo real.
  5. Se um ser maximanente notável existe no mundo real, então um ser maximamente notável existe
  6. Então, um ser maximamente notável existe.


Premissa 1


Pode parecer surpresa para você aprender que os passos (1) –(6) deste argumento é relativamente incontroverso. Muitos filósofos concordariam que, se a existência de Deus é mesmo possível, então ele deve existir. A questão principal a ser resolvida no que diz respeito ao Argumento Ontológico de Plantinga é que garante existir para pensar a premissa-chave “é possível que um ser maximamente notável exista” ser verdadeira.


A idéia de um ser maximamente notável é intuitivamente uma idéia coerente e, desta forma, parece plausível que tal ser poderia existir. A fim de o Argumento Ontológico falhar, o conceito de um ser maximamente notável deve ser incoerente, como o conceito de um “casado solteiro”. O conceito de um “casado solteiro” não é um conceito estritamente auto-contraditório (como é o conceito de um homem casado não-casado) e é ainda evidente, uma vez entendido o significado das palavras “casado” e “solteiro”, que nada corresponde que este conceito possa existir. Por outro lado, um conceito de um ser maximamente notável não parece nem mesmo remotamente incoerente. Isto fornece alguma garantia, prima facie, por pensar que é possível que um ser maximamente notável exista.


Resposta de Dawkins

Richard Dawkins dedica seis páginas, cheias de escárnio e injúria, ao Argumento Ontológico, sem levantar qualquer objeção séria ao argumento de Plantinga. Ele observa, de passagem, a objeção de Immanuel Kant que existência não é uma perfeição; mas desde que o argumento de Plantinga não pressupõe que seja, nós podemos deixar esta irrelevância de lado.


Ele repete uma paródia da argumentação destinada a demonstrar que Deus não existe porque um Deus “que criou todas as coisas, enquanto não existir” é maior que um que existe e cria todas as coisas45. Ironicamente, esta paródia, longe de enfraquecer o Argumento Ontológico, na verdade o reforça. Pois um ser que cria todas as coisas enquanto não existir é uma incoerência lógica e é, portanto, impossível: não há mundo possível que inclua um ser inexistente que criou o mundo. Se o ateísmo deseja sustentar – como ele deve – que a existência de Deus é impossível, o conceito de Deus teria de ser semelhantemente incoerente. Mas não é. Isto apóia a plausibilidade da premissa (1)


Dawkins também chacota, “eu esqueci os detalhes, mas, uma vez, eu ofendi uma assembléia de teólogos e filósofos por adaptar o Argumento Ontológico de maneira que ele provasse que porcos podem voar. Eles lançaram mão da Lógica Modal para provar que eu estava errado”46. Isto é simplesmente constrangedor. O Argumento Ontológico simplesmente é um exercício em lógica modal – a lógica da possibilidade e da necessidade. Eu posso apenas imaginar Dawkins fazendo um teatro de si mesmo naquela conferência profissional com sua paródia espúria, como ele, semelhantemente envergonhou a si mesmo na conferência do Templeton Foundation em Cambridge com sua objeção “peso-mosca” ao Argumento Teleológico!


Conclusão


Os argumentos para a Existência de Deus são logicamente válidos; suas premissas são verdadeiras; e suas premissas são mais razoáveis à luz destas evidências do que suas negações. Então, enquanto pessoas racionais, deveríamos abraçar suas conclusões. Muito mais poderia ser dito e tem sido dito47. Mas eu confio que o bastante tem sido dito aqui para mostrar que os argumentos tradicionais permanecem incólume às objeções levantadas pelos Novos Ateus, tais como Richard Dawkins.


Notas

44 Alvin Plantinga, The Nature of Necessity (Oxford: Clarendon, 1974); Robert Maydole, “A Modal Model for Proving the Existence of God,” American Philosophical Quarterly 17 (1980): 135–42; Brian Leftow, “The Ontological Argument,” in The Oxford Handbook for Philosophy of Religion (ed. William J. Wainwright; Oxford University Press, 2005), 80–115.

45 Dawkins, God Delusion, 83.

46 Ibid., 84.


Fonte: Reasonable Faith


Traduzido por Gaspar de Souza

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A FLOTILHA DA LIBERDADE!

Dei um passada lá no blog do Aluizio Amorim e postei o vídeo abaixo, cujo título "We Con the World"(Nós enganamos o mundo), numa paródia de uma música muito, mais muito conhecida mesmo.



Fonte: Aluizio Amorim

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A IMPORTÂNCIA DO PR. LULA PARA ISRAEL

O vídeo abaixo demonstra como os Israelense consideram o Pr. Lula importante para resolução do conflito no Oriente. Como diz uma das moças (no minuto 1:05): "seu nome é Lula! Muito importante!" Mas só tem graça ouvindo o tom de voz da senhorita. É o Brasil sendo escarnecido por culpa de seu chefe-maior.

Isso é Lula lá......... lá fora!

Mas uma coisa é certa: NINGUÉM imita Lula tão bem como ELE MESMO!





Fonte: Aluizio Amorim.


AVISO: Este Blog é Pró-Democracia no Oriente Médio, isto quer dizer, Israel!
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Postado por Gaspar de Souza

terça-feira, 1 de junho de 2010

A COMUNIDADE EUCARÍSTICA


“Desejo de pertencer” é fundamental no homem, este um ser gregário e sociável, criado assim e para isso (Gn 1.26ss). Infelizmente, este desejo tem sido transferido para o enquadramento tecnológico e comercial de nossa época. Vai-se à igreja como se vai ao mercado: escolhe o que comprar, paga-se, vai pra casa e, depois, se faltar algo, volta-se ao mercado. Lá, no mercado, você até encontra uma ou outra pessoa conhecida, cumprimenta, acena a cabeça ou uma das mãos, diz “oi” e vai embora novamente.

Devido a “tirania do urgente”, o senso de que se faz parte de algo maior na comunidade é esquecido. Os círculos de amigos são restritos. Por outro lado, as comunidades virtuais e sites de relacionamentos (orkut, facebook, twitter etc) são assustadoramente grandes e tendem a crescer. Pessoas (?) que têm, em seu site de relacionamento, centenas, chegando a milhares de “amigos”. Eu, por exemplo, tenho 208 “amigos”. Um dos meus amigos virtuais tem mais de 800 “amigos”!!!!. Também pertenço a algumas “comunidades”. Numa, sobre tradução, sou membro juntamente com outros mais de 14.300 membros! Esta tem sido a experiência de milhares apenas no Brasil e bilhares no mundo! Porém, isto é “pertencer” e ser membro de uma comunidade?

Neste sentido, a Santa Ceia tem muito a ensinar. A Santa Ceia do Senhor, além do significado teológico da morte e ressurreição de Jesus Cristo(1Co 11. 23-25), e quando dela participamos também pregamos ao mundo que Cristo há de voltar Segunda vez(1Co 11. 26), tem o sentido de “povo da aliança”, de comunidade unida em torno de uma mesma esperança.

Nela, todos que têm a mesma fé e esperança partilham os mesmos ideiais. A igreja local junta-se à igreja geral, espalhada na face da terra e, também, une-se aos crentes do passado e do futuro. A ideia de “um só rebanho” é expressa no partir do pão e beber do cálice, sob o mesmo cabeça, Cristo, formando um só corpo, a igreja.

A teologia por trás da participação na Santa Ceia é a “união mística com Cristo”, além da nossa união uns com os outros. Não é por menos que Cristo havia dito “este é o meu corpo que é partido por vós”. Na Ceia não estamos comendo e bebendo de “corpos” diferentes; não somos alimentados por “cabeças” diferentes.

Por isso é importante que todos participantes se auto-examinem em reconhecer este sentido; se sua fé é compartilhada com outros cristãos; seu arrependimento, principalmente em ofensas a Cristo e ao Corpo de Cristo; se seu amor corresponde à alegria de participar com outros crentes deste Corpo e se sua nova vida está, de fato, em obediência a Jesus Cristo.

É preciso resgatar o senso de comunidade hoje. Não é a comunidade virtual instalada nos orkuts e facebook da vida; nem mesmo qualquer outra forma de distanciamento da comunidade eucarística (igreja) que suscitará o retorno ao original de nossa história como povo da aliança e, por isso, participantes da mesma mesa. Nisto, a Santa Ceia resgata o senso comunitário, e faz com que os que creem tenham um só coração (At 4.32).


Postado por Gaspar de Souza. SDG

Autoridades investigam cratera gigante - 60 m de profundidade - na Cidade da Guatemala

Governo responsabilizou enchentes pelo buraco, mas depois recuou. Prédio de três andares foi engolido pelo desabamento na capital. (Veja vídeo abaixo)

Do G1, com AP


buraco guatemala

Foto divulgada pela presidência da Guatemala nesta segunda-feira (31) mostra buraco em esquina no centro da capital. Na véspera, as autoridades culparam as chuvas provocadas pela tempestade tropical Agatha pela abertura da cratera, que engoliu um prédio de três andares. Mas nesta segunda eles disseram que estão estudando o caso. As autoridades também investigam a possibilidade de que um segurança que trabalhava no local tenha sido tragado. Um buraco semelhante apareceu na mesma região em abril de 2007, matando três pessoas.

cratera2

Cratera gigante é vista nesta terça-feira (1º) no centro da Cidade da Guatemala. As autoridades investigam se um segurança privado teria sido tragado pelo desmoronamento, que também engoliu um prédio de três andares. Na segunda-feira, as autoridades culparam as chuvas provocadas pela tempestade tropical Agatha, mas depois eles admitiram que o motivo pode ser outro. Um buraco semelhante apareceu na mesma região em abril de 2007, matando três pessoas.



Fonte: G1