quinta-feira, 18 de março de 2010

CONSELHO PARA FILÓSOFOS CRISTÃOS

O texto abaixo foi traduzido por Vitor Grando, lá do Bereanos e Apologia. Trata-se de uma pérola de grande valor escrita por um dos maiores filósofos analíticos da religião da atualidade, um dos precursores da Epistemologia Reformada e responsável pela reviravolta e retorno dos Teístas às Academias, como atestado pela escritora Nancy Pearcy. Estamos falando do filósofo Alvin Plantinga, que se aposentará de Notre Dame este ano. O seu texto é um "Conselho" para os Cristãos que desejam fazer filosofia ou filósofos que sejam cristãos. É um texto longo, sem imagens, efeitos etc., mas é indispensável para reflexão filosófica dos cristãos que predentem fazer filosofia. Agradeço ao Vitor pela tradução e autorização para publicarmos este texto em nosso blog.

Leiam, comentem e reflitam...

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Alvin Plantinga é um filósofo cristão que dispensa qualquer comentário. Tido como um dos maiores filósofos cristãos das últimas décadas, Plantinga foi um dos grandes responsáveis pelo ressurgimento do teísmo cristão no âmbito filosófico profissional nos últimos anos. Seus trabalhos em filosofia da religião e epistemologia causaram verdadeiras revoluções nas respectivas áreas. Este é o 5º artigo do Plantinga que este blog tem o privilégio de traduzir. Neste artigo clássico divulgado em 1984, Plantinga fala sobre a apropriada relação do filósofo cristão com sua disciplina, ele defende que o filósofo cristão não pode prontamente adotar as metodologias correntes no âmbito filosófico profissional por serem, boa parte delas, nocivas ao pensamento cristão. Plantinga defende uma maior independência e autonomia da comunidade filosófica cristã em relação ao resto da comunidade filosófica. É um artigo importante não só para filósofo mas como para qualquer crente que busca uma vida intelectual responsável e cristã. Sugiro também a leitura do artigo Como Pensar Sobre o Secularismo, do teólogo alemão Wolfhart Pannenberg, que também fala da relação do cristão com a cultura secular ao seu redor.
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Conselho aos Filósofos Cristãos


(Com um prefácio especial para pensadores cristãos de diferentes disciplinas)

Professor Alvin Plantinga
Tradução: Vitor Grando
DespertaiBereanos.blogspot.com

Prefácio.
No artigo seguinte eu escrevo na perspectiva de um filósofo e, é claro, eu tenho conhecimento detalhado apenas do (no máximo) meu campo de trabalho. Estou convicto, entretanto, de que muitas outras disciplinas se assemelham à filosofia no que tange às coisas que eu digo abaixo. (Fica a cargo dos praticantes de tais disciplinas observar se estou certo ou não).

Primeiro, não é somente na filosofia que nós cristãos somos altamente influenciados pelas práticas e procedimentos de nossos colegas não-cristãos. (De fato, tendo em vista o caráter rixento dos filósofos e o grande desacordo na filosofia é provavelmente mais fácil ser um dissidente na filosofia do que em qualquer outra disciplina.) O mesmo vale para aproximadamente qualquer disciplina intelectual contemporânea importante: história, crítica literária e artística, musicologia, e as ciências tanto sociais quanto naturais. Em todas essas áreas há maneiras de se proceder, hipóteses difundidas sobre a natureza da disciplina (por exemplo, hipóteses sobre a natureza da ciência e seu lugar na nossa economia intelectual), hipóteses sobre como a disciplina deve ser realizada ou sobre o que é uma contribuição importante; nós absorvemos essas hipóteses, se não quando jovens, de qualquer forma absorvemos ao trabalhar nas disciplinas. Em todas essas áreas aprendemos como praticar nossas disciplinas sob a direção e influência de nossos colegas. Mas em muitos casos essas hipóteses e pressuposições não se conformam facilmente a uma forma cristã ou teísta de enxergar o mundo. Isso é óbvio em muitas áreas: na crítica literária e teoria cinematográfica, onde o anti-realismo criativo (veja abaixo) invade; na sociologia e na psicologia e outras ciências humanas; na história, e até em muito da teologia contemporânea (liberal). É menos óbvio, mas não menos presente, nas chamadas ciências naturais. O filósofo australiano J.J.C. Smart uma vez disse que um argumento útil (de seu ponto de vista naturalista) para convencer crentes na liberdade humana de seu erro é apontar que a biologia mecanicista contemporânea parece não deixar espaço para o livre-arbítrio humano: como, por exemplo, tal coisa (livre-arbítrio) poderia se desenvolver no curso evolucionário das coisas? Até na física e matemática, os rígidos baluartes da razão pura, questões similares surgem. Estas questões tem a ver com o conteúdo dessas ciências e a maneira como se desenvolveram. Também têm a ver com a maneira (como são normalmente ensinadas e praticadas) como essas disciplinas são artificialmente separadas das questões concernentes à natureza dos objetos os quais elas estudam - uma separação determinada, não pelo que é mais natural ao objeto em questão, mas por uma abrangente concepção positivista da natureza do conhecimento e a natureza da atividade intelectual humana.

E terceiro, aqui, como na filosofia, cristãos devem demonstrar autonomia e integridade. Se a biologia mecanicista contemporânea realmente não deixa espaço para a liberdade humana, então algo além da biologia mecanicista contemporânea deve ser sugerido; e a comunidade cristã deve desenvolver isso. Se a psicologia contemporânea é fundamentalmente naturalista, então cabe aos psicólogos cristãos desenvolver uma alternativa que se encaixe bem com o sobrenaturalismo cristão - uma que comece a partir de produtivas verdades científicas tais como Deus criou o ser humano a sua própria imagem.

É claro que eu não pretendo ensinar aos cristãos praticantes de outras disciplinas como apropriadamente praticar suas disciplinas como cristãos. (Tenho ocupação o bastante em tentar seguir minha própria disciplina adequadamente.) Mas eu acredito firmemente que o padrão apresentado na filosofia é também encontrado em quase toda área de engajamento intelectual sério. Em cada uma dessas áreas as fundamentais, e muitas vezes não expostas, pressuposições que dirigem a disciplina não são religiosamente neutras; são, muitas vezes, opostas à perspectiva cristã. Nessas áreas, então, como na filosofia, cabe aos cristãos que as praticam desenvolver as apropriadas alternativas cristãs.

1. Introdução

O Cristianismo, atualmente, e na nossa parte do mundo, está crescendo. Há muitos sinais apontando nesta direção: o crescimento de escolas cristãs, de sérias denominações cristãs conservadoras, o furor sobre a oração pública nas escolas, a controvérsia evolução/criação, e outros.

Há também poderosa evidências disso na filosofia. Trinta ou trinta e cinco anos atrás, o temperamento público da filosofia corrente no mundo de fala inglesa era profundamente não-cristão. Poucos filósofos eram cristãos; menos ainda admitiam em público que eram, e menos ainda pensavam que ser cristão faria alguma diferença real em sua prática filosófica. A questão da teologia filosófica mais popular, na época, era não se o Cristianismo ou o teísmo eram verdadeiros; a questão era se fazia sentido dizer se há tal pessoa como deus. De acordo com o positivismo lógico, em alta na época, a afirmação "Deus existe" não fazia sentido algum; é loucura; não expressa nada. A questão central não era se o teísmo era verdadeiro; era se há tal coisa como teísmo - uma afirmação factual que é ou falsa ou verdadeira. Mas as coisas mudaram. Há muito mais filósofos cristãos e ainda mais produtivos filósofos cristãos entre os maiores da vida filosófica americana. Por exemplo, a fundação da Society for Christian Philosophers (Sociedade para Filósofos Cristãos), uma organização que promove companheirismo e troca de ideias entre filósofos cristãos, é tanto uma evidência como uma consequência desse fato. Fundada seis anos atrás, agora é uma forte organização com encontros regionais em toda parte do país; seus membros estão profundamente envolvidos na vida filosófica americana profissional . Então, o Cristianismo está crescendo, e crescendo na filosofia, como também em todas as outras áreas da vida intelectual.

Mas mesmo o Cristianismo crescendo, deu poucos passos; e está marchando dentro de um território alheio. Visto que a cultura intelectual de nossos dias é, em grande parte, profundamente não-teísta e, portanto, não-cristã - mais do que isso, é anti-teísta. Muito das chamadas ciências humanas, muito das ciências não-humanas, muito do engajamento intelectual não-científico e mesmo uma boa parte da suposta teologia cristã é animada por um espírito estranho ao teísmo cristão. Não tenho espaço aqui para desenvolver e elaborar esse ponto; mas eu não preciso, pois isso é familiar a vocês todos. Retornando à filosofia: muito dos principais departamentos de filosofia na América tem praticamente nada para oferecer ao estudante que intenta ver como se é um filósofo cristão, como desenvolver o testemunho cristão em assuntos correntes na filosofia. Num departamento de filosofia típico haverá pouco mais do que um curso sobre filosofia da religião no qual lhes será sugerido que as evidências a favor da existência de Deus - as provas teístas clássicas - são, no mínimo, contrabalançadas pela evidência contra a existência de Deus - o problema do mal, talvez; e também pode ser acrescentado que a escolha mais sábia, tendo em vista máximas como A Navalha de Ockam, é dispensar toda essa ideia de Deus, pelo menos para propósitos filosóficos.

Meu intento, aqui, é dar alguns conselhos aos filósofos que são cristãos. E apesar de meus conselhos serem dirigidos especificamente aos filósofos cristãos, é relevante para todos os filósofos que creem em Deus, judeus ou muçulmanos. Eu proponho apresentar algum conselho à comunidade filosófica cristã ou teísta: algum conselho relevante à situação na qual nos encontramos. "Quem é você?", me perguntas, "para nos dar conselhos?". É uma boa pergunta sem resposta: devo ignorá-la. Meu conselho pode ser resumido em duas sugestões interligadas, junto de uma explicação. Primeiro, filósofos e intelectuais cristãos devem demonstrar mais autonomia - mais independência do resto do mundo filosófico. Segundo, filósofos cristãos devem mostrar integridade - integridade no sentido original da palavra, ser um inteiro. Talvez "integralidade" fosse a melhor palavra aqui. E necessário aos dois há um terceiro: coragem cristã, ou ousadia, ou força, ou talvez auto-confiança cristã. Nós filósofos cristãos devemos mostrar mais fé, mais confiança no Senhor; nós devemos vestir toda armadura de Deus. Deixe-me explicar de forma preliminar e breve o que eu tenho em mente; então considerarei alguns outros exemplos mais detalhadamente.

Pense num estudante cristão de Grand Rapids, Michigan, ou Arkadelphia, Michigan - que decide seguir seu caminho na filosofia. Naturalmente o bastante, ele irá para a faculdade para aprender como se tornar filósofo. Talvez vá a Princeton, ou Berkeley, ou Pittsburg, ou Arizona; não importa muito qual. Lá ele aprende como a filosofia é praticada. As questões presentes são tópicos tais como a nova teoria de referência; a controvérsia realismo/anti-realismo; os problemas de probabilidade; a alegação de Quine sobre a indeterminação radical da tradução; Rawls sobre justiça; a teoria causal do conhecimento; problemas de Gettier; o modelo de inteligência artificial para entender o que é ser uma pessoa; a questão sobre o status ontológico não-observável de entidades na ciência; se há objetividade genuína na ciência ou em qualquer lugar; se a matemática pode ser reduzida a pura teoria ou se entidades abstratas em geral - números, proposições, propriedades - podem ser dispensadas; se mundos possíveis são abstratos ou concretos; se nossas afirmações são melhor vistas como avanços num jogo linguístico ou como tentativas de afirmar verdades sobre o mundo; se o egoísta racional pode ser taxado de irracional, e tudo o mais. É natural para ele, depois de obter seu Ph.D, continuar a pensar e trabalhar sobre estes tópicos. E é natural, além disso, trabalhar neles da maneira que lhe foi ensinado, pensando sobre eles à luz de hipóteses apresentadas por seus mentores e em termos de ideias comumente aceitas sobre de onde um filósofo deve iniciar, o que requer argumento e defesa, e como é uma explanação filosófica satisfatória ou uma solução apropriada a uma questão filosófica. Ele se sentirá desconfortável ao se separar destes tópicos e hipóteses, sentindo instintivamente que tais separações são no máximo marginalmente respeitáveis. A filosofia é uma empreitada social; e nossos padrões e hipóteses - os parâmetros dentro dos quais praticamos a filosofia - são ajustados por nossos mentores e pelos grandes centros contemporâneos de filosofia

De um ponto de vista isso é natural e apropriado, de outro, entretanto, é profundamente insatisfatório. As questões que eu mencionei são importantes e interessantes. Filósofos cristãos, entretanto, são os filósofos da comunidade cristã; e é parte de seu trabalho como filósofos cristãos servir à comunidade cristã. Mas a comunidade cristã tem suas próprias perguntas, suas próprias preocupações, seus próprios tópicos de investigação, sua própria agenda e seu próprio programa de pesquisa. Filósofos cristãos não devem tirar suas inspirações apenas do que está ocorrendo em Princeton ou Berkeley ou Harvard, atrativas e cintilantes como tais coisas podem ser; pois talvez esses tópicos não sejam os principais, ou talvez não os únicos, que eles, como filósofos cristãos, devem pensar. Há outros tópicos filosóficos sobre os quais a comunidade cristã deve trabalhar, e outros tópicos sobre os quais a comunidade cristã deve trabalhar filosoficamente. E, obviamente, os filósofos cristãos são aqueles que devem fazer o trabalho filosófico exigido. Se eles concentrarem seus esforços a tópicos populares ao mundo filosófico não-cristão, eles estarão negligenciado uma parte central e crucial de seus trabalhos como filósofos cristãos. O que é necessário aqui é mais independência, mais autonomia em relação a projetos e preocupações do mundo filosófico não-teísta.

Mas algo mais é importante aqui. Suponha que o estudante mencionado vá para Harvard; lá estuda com Willard van Orman Quine. Ele se acha atraído pelas ideias e procedimentos de Quine: seu empirismo radical, sua fidelidade à ciência natural, sua inclinação ao behaviorismo, seu naturalismo, e seu gosto por paisagens desertas e sua parcimônia ontológica. Seria totalmente natural para ele se tornar envolvido nessas ideias e projetos, ver a filosofia frutífera e útil como substancialmente envolvida nesses projetos. Claro que ele notará certas tensões entre sua crença cristã e sua maneira de fazer filosofia; e pode, depois, se esforçar para harmonizá-los. Ele devotará seu tempo e energia para entender e reinterpretar a crença cristã de modo a se tornar aceitável ao Quiniano. Um filósofo que eu conheço, que embarcou num projeto desses, sugeriu que os cristãos deveriam pensar em Deus como um conjunto (Quine está propenso a aceitar conjuntos): o conjunto de todas as proposições verdadeiras, talvez, ou o conjunto de ações certas, ou a união desses conjuntos, ou talvez seu produto cartesiano. Isso é compreensível. mas também vai numa direção muito errada. Quine é um filósofo brilhante: uma força filosófica, poderosa, original e hábil. Mas seus compromissos fundamentais, seus projetos e preocupações fundamentais, são totalmente diferentes dos projetos e preocupações da comunidade cristã - totalmente diferentes e, de fato, contrários. E o resultado de tentar enxertar o pensamento cristão sobre suas visões básicas do mundo será no máximo uma bagunça nada íntegra; e no pior comprometerá, distorcerá ou trivializará seriamente as alegações do teísmo cristão. O que é preciso é mais inteireza, mais integralidade.

Então o filósofo cristão tem seus próprios tópicos e projetos sobre os quais pensar; e quando ele pensa sobre os tópicos correntes no mundo filosófico, ele vai pensá-los de sua própria maneira, que poderá ser uma maneira diferente. Ele poderá ter que rejeitar hipóteses bem aceitas sobre a empreitada filosófica - ele pode ter que rejeitar hipóteses aceitas em relação ao ponto de início e procedimentos da empreitada filosófica. E - e isso é muito importante - o filósofo cristão tem um direito perfeito sobre o ponto de vista e hipóteses pré-filosóficas que ele trás para o labor filosófico; o fato de que isso não é amplamente compartilhado fora da comunidade cristã ou teísta é interessante mas fundamentalmente irrelevante. Eu posso explicar melhor o que penso através de um exemplo; então descerei do nível de explicações gerais para explicações mais específicas.

II. Teísmo e Verificabilidade

Primeiro, o temido "Critério de Verificabilidade de Sentido". Durante os prósperos dias do positivismo lógico, há uns trinta ou quarenta anos atrás, os positivistas alegaram que a maioria das afirmações cristãs características - "Deus nos ama", por exemplo, ou "Deus criou os céus e a terra" - sequer tem o privilégio de serem falsas. Elas são, diziam os positivistas, literalmente sem sentido. Não é que elas expressem proposições falsas; elas não expressam nada. Como a famosa citação de "Alice no País das Maravilhas" "T'was brillig, and the slithy toves did gyre and gymbol in the wabe," tais afirmações não dizem nada falso, mas somente porque não dizem nada, elas são "cognitivamente sem sentido", para usar a charmosa frase positivista. O tipo de coisa que teístas e outros têm dito por séculos, eles disseram, agora mostra-se sem sentido; nós teístas fomos todos vítimas, parece, de um hoax cruel - perpetrado, talvez, por ambiciosos sacerdotes e imposto a nós por nossas próprias naturezas crédulas

Agora se isso for verdadeiro, é de fato importante. Como os positivistas chegaram a esta surpreendente conclusão? Eles a inferiram a partir do Critério de Verificabilidade de Sentido, que diz, mais ou menos o seguinte, que uma afirmação tem sentido somente se for ou analítica, ou sua veracidade ou falsidade puder ser determinada por investigação empírica ou científica – pelos métodos das ciências empíricas. Sobre estas bases não somente o teísmo e a teologia, mas muito da metafísica e da filosofia tradicionais e muito mais foram declaradas sem sentido, sem sentido literal algum. Alguns positivistas reconheceram que a metafísica e a teologia, apesar de serem sem sentido, ainda têm um certo valor limitado. Carnap, por exemplo, achava que elas fossem algum tipo de música. Não se sabe se ele esperava que a teologia e a metafísica se sobrepusessem a Bach ou Mozart, ou até Wagner; eu, entretanto, penso que elas poderiam substituir o rock. Hegel poderia tomar o lugar dos The Talking Heads; Immanuel Kant poderia tomar o lugar dos Beach Boys; e no lugar do The Grateful Dead poderíamos ter, talvez, Arthur Schopenhauer.

O Positivismo tinha um gostoso ar de ser avant garde, moderno, e muitos filósofos o acharam extremamente atrativo. Além do mais, muitos dos que não o endossaram ainda dialogaram com ele com muita hospitalidade como sendo, no mínimo, extremamente plausível. Como consequência muitos filósofos – tanto cristãos como não-cristãos – viram nisso um verdadeiro desafio e um grande período ao Cristianismo: “O maior perigo ao teísmo hoje,” disse J.J.C. Smart em 1955, “vem das pessoas que querem dizer que 'Deus existe' e 'Deus não existe' são afirmações igualmente absurdas”. Em 1955 o livro New Essays in Philosophical Theology surgiu, um volume de ensaios que ditariam o tom e os tópicos da filosofia da religião para a próxima década ou até mais; e muito deste volume tratava da discussão sobre o impacto do Verificacionismo no teísmo. Muitos cristãos inclinados filosoficamente ficaram perturbados e perplexos e se sentiram profundamente ameaçados; poderia mesmo ser verdade que os filósofos linguistas, de alguma forma, descobriram que as mais caras convicções dos cristãos eram, na verdade, simplesmente sem sentido? Havia muita ansiedade entre os filósofos, tanto teístas quanto aqueles simpáticos ao teísmo. Alguns sugeriram, em face do violento ataque positivista, que a comunidade cristã deveria recolher suas armas e recuar silenciosamente, admitindo que o critério da verificabilidade provavelmente era verdadeiro. Outros afirmaram que o teísmo é mesmo nonsense, mas é um nonsense importante. Ainda outros sugeriram que as afirmações em questão deveriam ser reinterpretadas de tal maneira a não afrontar os positivistas; alguém sugeriu seriamente, por exemplo, que os cristãos usassem, então, a sentença “Deus existe” como significando “alguns homens e mulheres tiveram, e têm, experiências chamadas de 'encontro com Deus'”, ele acrescentou que quando dizemos “Deus criou o mundo a partir do nada” o que deveríamos entender é “tudo que chamamos de 'material' pode ser usado de tal maneira a contribuir com o bem-estar dos homens”. Em um contexto diferente mas no mesmo espírito, Rudolf Bultmann iniciou seu projeto de demitologização do Cristianismo. A tradicional crença cristã sobrenaturalista, disse ele, é “impossível na era da luz elétrica e redes sem-fio”. (Alguém poderia, talvez, imaginar um cético antigo tendo uma visão semelhante de, digamos, da imprensa ,por exemplo, ou do papiro)

Por agora, é claro, o Verificacionismo se retraiu à obscuridade que tanto merece; mas a moral continua. Essas tentativas de acomodar o positivismo foram totalmente inapropriadas. Eu entendo que olhar para o passado é mais claro do que para o futuro e eu não trouxe à tona este trecho da história intelectual recente para ser crítico de meus antepassados ou para alegar que somos mais espertos que nossos pais: o que eu quero mostrar é que podemos aprender algo deste incidente. Pois os filósofos cristãos deveriam ter adotado um atitude diferente em relação ao positivismo e seu critério de verificabilidade. O que deveriam ter tido aos positivistas é “Seu critério está errado: pois tais afirmações como 'Deus nos ama' e 'Deus criou os céus e a terra' têm um sentido claro; então se não são verificáveis no seu sentido, então é falso que só afirmações verificáveis nesse sentido são válidas”. O que era necessário aqui era menos acomodação à corrente vigente e mais auto-confiança cristã: o teísmo cristão é verdadeiro; se o teísmo cristão é verdadeiro, então o critério do verificacionismo é falso. Claro, se os verificacionistas tivessem dado argumentos convincentes para seu critério a partir de premissas aceitas pelos pensadores teístas ou cristãos, então talvez haveria um problema para o filósofo cristão. Então deveríamos ou concordar que o teísmo cristão é cognitivamente sem sentido, ou revisar ou rejeitar tais premissas. Mas os verificacionistas nunca apresentaram quaisquer argumentos convincentes. De fato, eles quase sequer apresentavam argumentos. Alguns simplesmente declaravam esse princípio como uma grande descoberta e, quando desafiados, repetiam-no em alto e bom som; mas por que isso deveria perturbar alguém? Outros propuseram isso como uma definição – uma definição do termo “sentido”. Agora é claro que os positivistas tinham o direito de usar este termo da maneira que escolheram; é um país livre. Mas como que a decisão deles de usar esse termo de uma maneira específica pode apresentar algo tão significativo como o fato de todos os crentes em Deus estarem iludidos? Se eu propuser o uso do termo “democrata” como tendo o significado de “um completo salafrário”, seguiria daí que os democratas deveriam se envergonhar? O meu ponto, para repetir, é que os filósofos cristãos deveriam mostrar mais integridade, mais independência, menos prontidão em abraçar os predominantes ventos de doutrinas filosóficas e mais auto-confiança cristã.

III.Teísmo e a Teoria do Conhecimento

Posso apenas dar meu segundo exemplo indiretamente. Muitos filósofos alegaram encontrar um sério problema para o teísmo na existência do mal, ou na quantidade e tipos de males que encontramos. Muitos que alegaram encontrar nisso um problema para os teístas argumentaram o argumento dedutivo do mal: eles alegaram que a existência de um Deus onipotente, onisciente e totalmente bom é logicamente incompatível com a presença do mal no mundo – uma presença, inclusive, afirmada e enfatizada pelos teístas cristãos. Por sua vez, os teístas argumentaram não haver nenhuma inconsistência aqui. Acredito que o consenso presente, até mesmo entre aqueles que usaram de algum tipo de argumento do mal, é que sua forma dedutiva é insatisfatória.

Mais recentemente, filósofos alegaram que a existência de Deus, apesar de talvez não ser inconsistente com a existência desta quantidade e tipos de males que encontramos no mundo, é, de alguma forma, improvável em relação a isso.; isto é, a probabilidade de Deus existir tendo em vista o mal que encontramos, é menor do que a probabilidade, em relação a mesma evidência, de Deus não existir – nenhum criador onipotente, onisciente e totalmente bom. Assim a existência de Deus é improvável em relação àquilo que sabemos. Mas, então, se a crença teísta é improvável em relação àquilo que sabemos, segue-se que é irracional ou, pelo menos, está num nível intelectual inferior aceitá-la.

Agora examinemos essa alegação brevemente. O objetor afirma que:

1.Deus é um criador onipotente, onisciente e totalmente bom.

É improvável em relação a:

2. Existem 10E+13 turps de mal
(Onde turp é a unidade básica do mal).

Eu argumentei algures que existem grandes dificuldades em torno da alegação de que (1) é improvável dado que (2). Chame esta resposta de "resposta secundária". Aqui eu quero seguir no que eu chamo de resposta primária. Suponhamos que nós estipulássemos, para propósitos argumentativos, que (1) é, de fato, improvável dado (2). Vamos concordar que é improvável, dado a existência de 10E+13 turps de mal, que o mundo tenha sido criado por um Deus que é perfeito em poder, conhecimento e bondade. O que deveria seguir daí? Como isso se torna uma objeção à crença teísta? Como se segue daí o argumento do objetor? Não se segue, é claro, que o teísmo seja falso. Também não segue que alguém que aceite tanto (1) quanto (2) (e vamos acrescentar, reconhece que (1) é improvável em relação a (2)) tenha um sistema de crenças irracional ou está, de alguma maneira, culpado de impropriedade noética; obviamente pode haver pares de proposições A e B, tais que conhecemos tanto A quanto B, apesar do fato de que A é improvável em relação a B. Eu posso saber, por exemplo, que Feike é um frísio e que 9 em cada 10 frísios não sabem nadar, e ainda assim Feike sabe nadar; então eu estou obviamente dentro dos meus direitos intelectuais em aceitar ambas proposições, mesmo sendo a última improvável em relação à primeira. Então mesmo se houvesse um fato de que (1) é improvável em relação a (2), esse fato, não traria muitas consequências. Como, então, esta objeção pode ser desenvolvida?

Presumivelmente o que o objetor quer afirmar é que (1) é improvável, não somente em relação a (2), mas em relação a todo um corpo de evidências – talvez toda evidência que o teísta tem, ou talvez o corpo de evidências que ele é racionalmente obrigado a ter. O objetor deve estar supondo que o teísta tem um relevante corpo de evidências aqui, um corpo de evidências que inclui (2); e sua alegação é que (1) é improvável em relação a este corpo de evidências. Suponhamos que disséssemos que T é o corpo de evidências de um certo teísta T; e suponhamos que concordássemos que uma síntese é racionalmente aceitável para ele somente se não for improvável em relação a T. Agora que tipo de proposições devemos encontrar em T? Talvez as proposições que ele sabe serem verdadeiras, ou talvez o maior conjunto de crenças que ele pode aceitar sem evidências de outras proposições, ou talvez as proposições que ele conhece imediatamente – conhece, mas não conhece sobre as bases de outras proposições. Seja como for que caracterizemos esse conjunto T, a questão que eu proponho é esta: por que não pode a própria crença em Deus ser membra de T? Talvez o teísta tenha um direito de iniciar a partir da crença em Deus, tomando esta proposições como uma das que em relação a esta determina a propriedade racional de outras crenças que ele tenha. Mas se for assim, então o filósofo cristão esta totalmente dentro de seus direitos ao começar a filosofar a partir de sua crença. Ele tem o direito de tomar a existência de Deus como pressuposto e começar o seu labor filosófico a partir daí – assim como outros filósofos têm o direito tomar por pressuposto a existência do passado ou, digamos, de outras pessoas, ou as alegações básicas da física contemporânea. E isso me leva ao meu ponto aqui. Muitos filósofos cristãos parecem pensar de si mesmos como filósofos como engajados junto dos filósofos ateus e agnósticos numa busca comum pela correta posição filosófica quanto à questão de se há tal pessoa como Deus. É claro que o filósofo cristã oterá suas próprias convicções privadas neste ponto; ele acreditará, é claro, que há de fato tal pessoa como Deus. Mas ele pensará, ou tenderá a pensar, que como filósofo ele não tem direito a esta posição a menos que esteja apto a mostrar que esta crença segue de, ou é provável, ou justificada em relação a premissas aceitas por todos os partidos envolvidos na discussão – teístas, agnósticos ou ateístas. Além do mais, ele estará propenso a pensar que não tem direitos, como filósofo, a posições que pressupõem a existência de Deus se ele não puder demonstrar que essa crença é justificada de outras maneiras. O que eu quero argumentar é que a comunidade filosófica cristã não deve pensar de si mesma como engajada nesse esforço comum em determinar a probabilidade ou a plausibilidade filosófica da crença em Deus. O filósofo cristão muito apropriadamente começa a partir da crença em Deus, e a pressupõe em seu labor filosófico, sendo ou não capaz de demonstrá-la como provável ou plausível em relação às premissas aceitas por todos os filósofos, ou a maioria dos filósofos nos grandes centros filosóficos contemporâneos.

Tomando como pressuposto, por exemplo, que há tal pessoa como Deus e que nós estamos, de fato, dentro de nossos direitos epistêmicos (sendo justificados nesse sentido) em acreditar que há um Deus, o epistemólogo cristão pode perguntar o que é que confere justificação a crença: em virtude de que está o teísta justificado? Talvez haja diversas respostas possíveis. Uma das que ele pode apresentar é a de João Calvino (e, antes dele, da tradição Agostiniana, Anselmiana, Boaventuriana da Idade Média): Deus, disse Calvino, incutiu no ser humano uma tendência, uma propensão, ou uma disposição a acreditarem nele:

Está fora de discussão que é inerente à mente humana, certamente por instinto natural, algum sentimento da divindade. A fim de que ninguém recorra ao pretexto da ignorância. Deus incutiu em todos uma certa compreensão de sua deidade... Então, de tal perspectiva, desde o começo do mundo, nenhuma cidade, nenhuma casa existiria que pudesse carecer de religião. Nisso há uma tácita confissão: está inscrito no coração de todos um sentimento de divindade.
[2]

A alegação de Calvino, então, é que Deus nos criou de tal forma que tivéssemos por natureza uma forte tendência ou inclinação ou disposição em direção à crença nele.

Apesar de esta disposição a acreditar em Deus ter sido, em parte, suprimida pelo pecado ainda assim está universalmente presente. E é disparada por condições amplamente compreendidas:

Para que ninguém, então, seja excluído do acesso à felicidade, ele não só plantou na mente do homem a semente da religião da qual já falamos, mas se revela diariamente na construção do universo. Como consequência o homem não pode abrir seus olhos sem ser compelido a vê-lo.

Como Kant, Calvino ficou impressionado com essa conexão, pela admirável estrutura dos estrelados céus acima:

Mesmo o povo mais comum e o menos instruído, que foram ensinados apenas por seus próprios olhos, não podem deixar de perceber a excelência da arte divina, pois esta se revela em sua inumerável e ainda distinta e ordenada variedade.

O que Calvino diz sugere que alguém que adere a esta tendência e nessas circunstâncias aceita a crença de que Deus criou o mundo – talvez ao observar o céu estrelado, ou a esplêndida majestade das montanhas, ou a beleza complexa e articulada de uma pequena flor – está tão racional e justificado quanto alguém que acredita ver uma árvore por ter o tipo de experiência visual que nos sugere estarmos vendo uma árvore.

Sem dúvida, essa sugestão não convenceria o cético; tomada como uma tentativa de convencer o cético ela é circular. Meu ponto é somente este: o cristão tem suas próprias perguntas para responder, e seus próprios projetos; esses projetos podem não se entrosar com aqueles dos filósofos céticos ou descrentes. Ele tem suas próprias questões e seu próprio ponto de partida ao investigar tais questões. É claro, eu não quero sugerir que o filósofo cristão deve aceitar a resposta de Calvino à questão mencionada acima; mas eu digo que é perfeitamente apropriado para ele dar a essa questão uma resposta que pressupõe precisamente aquilo do que o cético é cético – mesmo se esse ceticismo for quase unânime na maioria dos prestigiados departamentos de filosofia de nossos dias. O filósofo cristão, de fato, tem uma responsabilidade para com o mundo filosófico, mas sua responsabilidade fundamental é com a comunidade cristã, e finalmente com Deus.

Novamente, o filósofo cristão pode estar interessado na relação entre fé e razão, entre fé e conhecimento: concedido que afirmamos algumas coisas por fé e sabemos outras coisas: concedido que creiamos que há tal pessoa como Deus e que a crença teísta é verdadeira; nós também sabemos que Deus existe? Aceitamos tal crença por fé ou razão? O teísta pode estar inclinado em direção a uma teoria do conhecimento confiabilista; ele pode estar inclinado a pensar que uma crença verdadeira constitui conhecimento se for produzida por um mecanismo produtor de crenças confiável. (Há problemas difíceis aqui, mas ignoremo-los por enquanto). Se o teísta acha que Deus nos criou com o sensus divinitatis de que Calvino fala, ele vai afirmar que, de fato, há um mecanismo produtor de crenças confiável que produz a crença teísta; ele, então, afirmará que sabemos que Deus existe. Alguém que siga Calvino aqui vai afirmar também que a capacidade de compreender a existência de Deus é parte do nosso equipamento intelectual ou noético como é a capacidade de compreender verdades de lógica, verdades perceptivas, verdades sobre o passado, e verdades sobre outras mentes. A crença na existência de Deus está, então, no mesmo barco que estão as crenças nas verdades da lógica, outras mentes, o passado, objetos perceptivos; em cada caso Deus nos construiu de tal forma que nas circunstâncias corretas adquiramos a crença em questão. Mas então a crença de que há um Deus está entre as sentenças de nossas faculdades noéticas naturais assim como estão aquelas outras crenças. Assim nós sabemos que há tal pessoa como Deus, e não somente cremos nisso; e não é por fé que compreendemos a existência de Deus, mas pela razão; e isso independente do sucesso de qualquer argumento teísta clássico.

Meu ponto não é que o filósofo cristão deva seguir Calvino aqui. Meu ponto é que o filósofo cristão tem um direito (eu diria um dever) de trabalhar nos seus próprios projetos – projetos definidos pelas crenças da comunidade cristã da qual ele é parte. A comunidade filosófica cristã deve trabalhar as respostas às suas questões; e tanto as questões como a maneira apropriada de desenvolver as respostas pode pressupor as crenças rejeitadas pelos principais centros filosóficos. Mas o cristão está procedendo muito apropriadamente ao começar a partir destas crenças, mesmo se forem rejeitadas. Ele não está sob nenhuma obrigação de confinar seus projetos de pesquisa àqueles exercidos naqueles centros, ou de exercer seus projetos sob as hipóteses que prevalecem lá.

Talvez eu possa explicar melhor o que eu quero dizer contrastando com uma visão totalmente diferente. De acordo com o teólogo David Tracy,

De fato o teólogo cristão moderno não pode eticamente fazer nada além de desafiar o tradicional auto-entendimento do teólogo. Ele não mais vê seu trabalho como uma simples defesa ou até mesmo uma reinterpretação ortodoxa da crença tradicional. Ao invés, ele acha que seu comprometimento ético à moralidade do conhecimento científico o força a assumir uma postura crítica em relação às suas próprias crenças tradicionais... Em princípio, a lealdade fundamental do teólogo como teólogo é à moralidade do conhecimento científico compartilhada com seus colegas, os filósofos, historiadores e demais ciências sociais. Não mais eles podem assumir suas próprias crenças ou tradições como garantias para seus argumentos. De fato, em toda empreitada teológica apropriada, a análise deveria ser caracterizada por aquelas mesmas posturas éticas do julgamento autônomo, julgamento crítico e o apropriado ceticismo que caracteriza as análises em outras áreas. [3]

Além do mais, essa “moralidade do conhecimento científico insiste que cada pesquisador inicie com os métodos e conhecimento do campo em questão, a menos que alguém tenha evidências do mesmo tipo lógico para rejeitar esses métodos e esse conhecimento”. Mais ainda, “para a nova moralidade científica, a lealdade fundamental de alguém como analista de qualquer e todas alegações cognitivas é somente a esses procedimentos metodológicos que a comunidade científica em questão desenvolveu.” (6).

Eu digo caveat lector: Estou pronto para apostar que essa “nova moralidade científica” é como o Sacro Império Romano: não é nem nova nem científica nem moralmente obrigatória. Além do mais, a “nova moralidade científica” me parece tremendamente desfavorável como postura para um teólogo cristão, moderno ou não. Mesmo se houvesse um conjunto de procedimentos metodológicos defendidos pela maioria dos filósofos, historiadores e cientistas sociais, ou a maioria dos filósofos, historiadores e cientistas sociais seculares, por que deveria o teólogo cristão ser leal a esse conjunto ao invés de, digamos, a Deus, ou às verdades fundamentais do Cristianismo? A sugestão de Tracy sobre como os teólogos cristãos devem proceder parece pouco prometedora. É claro que sou somente um filósofo, não um teólogo moderno; sem dúvida estou me aventurando para além dos meus domínios. Portanto, não pretendo falar para teólogos modernos; mas, ainda assim, as coisas valem para eles, o filósofo cristão moderno tem um direito, como filósofo, de começar a partir de sua crença em Deus. Ele tem o direito de assumi-la, pressupô-la em seu labor filosófico – independentemente de poder convencer seus colegas descrentes de que essa crença é verdadeira ou corroborada por aqueles “procedimentos metodológicos” que Tracy menciona.

E a comunidade filosófica cristã deve se preocupar com as questões filosóficas importantes para a comunidade cristã. Deve seguir com o projeto de explorar e desenvolver as implicações do teísmo cristão para todo tipo de questões que os filósofos fazem e respondem. Deve fazer isso independente de poder convencer a maioria da comunidade filosófica de que há de fato um Deus, ou de que é racional ou razoável acreditar que há. Talvez o filósofo cristão possa convencer o filósofo cético ou descrente de que há um Deus. Talvez seja possível em alguns casos. Em outros casos, é claro, pode ser impossível; mesmo se o cético aceitar premissas a partir das quais a crença cristã se segue por argumentos que ele também aceita, ele pode, quando ciente desta situação, desistir de tais premissas ao invés de sua descrença (Dessa maneira é possível reduzir alguém do conhecimento à ignorância apresentando um argumento que ele creia ser válido a partir de premissas que ele saiba serem verdadeiras).

Mas sendo isso possível ou não, o filósofo cristão tem outras questões com as quais se preocupar. É claro que ele deve ouvir, entender, e aprender da comunidade filosófica e ele deve assumir seu lugar lá; mas seu trabalho como filósofo não está restrito ao que o cético ou o resto do mundo filosófico acha do teísmo. Justificar ou tentar justificar a crença teísta para a comunidade filosófica não é a única tarefa da comunidade filosófica cristã; talvez não esteja nem entre suas tarefas mais importantes. A filosofia é uma empreitada comunitária. O filósofo cristão que observa exclusivamente o mundo filosófico externo à comunidade cristã, que pensa de si mesmo como pertencente primariamente àquele mundo, corre um risco duplo. Ele pode vir a negligenciar uma parte essencial de sua tarefa como filósofo cristão; e pode vir a se encontrar usando príncipios e procedimentos que não se encaixam bem com suas crenças como cristão. O que é preciso, mais uma vez, é autonomia e integralidade.

IV. Teísmo e as Pessoas

Meu terceiro exemplo tem a ver com antropologia filosófica: como deveríamos pensar sobre as pessoas humanas? Que tipo de coisa, fundamentalmente, são as pessoas? O que é ser uma pessoa, o que é ser uma pessoa humana, e como deveríamos pensar a pessoalidade? Como, em particular, os cristãos, cristãos filósofos, deveriam pensar sobre tais coisas? O primeiro ponto a notar é que na visão cristã, Deus é a pessoa principal, o primeiro e exemplar-chefe de pessoalidade. Deus, além do mais, criou o homem à sua imagem; nós, homens e mulheres, somos portadores da imagem de Deus. E as propriedades mais importantes para o entendimento de nossa pessoalidade são as propriedades que compartilhamos com ele. O que pensamos sobre Deus, então, terá um efeito imediato e direto na maneira como vemos a raça humana. É claro que aprendemos muito sobre nós mesmos por outras fontes – da observação diária, por exemplo, da introspecção e auto-observação, da investigação científica e por aí vai. Mas é também perfeitamente apropriado começar a partir daquilo que sabemos como cristãos. Não é o caso que a racionalidade, ou o método filosófico apropriado, ou a responsabilidade intelectual, ou a nova moralidade científica, ou qualquer coisa, requeiram que comecemos a partir de crenças compartilhadas com todo mundo – o que o senso comum e a ciência corrente ensinam, e.g. - para arrazoar ou justificarmos as crenças que temos como cristãos. Ao tentarmos prover um relato filosófico satisfatório de alguma área ou fenômeno, podemos apropriadamente apelar, no nosso relato ou explanação, a qualquer coisa que já cremos racionalmente – seja isso a ciência corrente ou a doutrina cristã.

Deixe-me prosseguir novamente para exemplos específicos. Há uma linha divisória fundamental, na filosofia antropológica, entre aqueles que veem o ser humano como livre – livre no sentido libertário (livre-arbitrío) – e aqueles que aderem ao determinismo. De acordo com os deterministas, toda ação humana é uma consequência de condições iniciais que fogem ao nosso controle por leis causais que também fogem ao nosso controle. Algumas vezes por trás dessa alegação há uma retratação do universo como uma enorme máquina onde todos os eventos, em nível macroscópico, incluindo as ações humanas, são determinados por eventos prévios e por leis causais. Nessa visão toda ação que eu realizei aconteceu de tal forma que não estava sob meu controle refreá-la.; e se, numa dada ocasião eu não realizei uma determinada ação, então não estava sob meu controle realizá-la. Se eu levantar meu braço, então, na visão em questão, não estava sob meu controle não levantá-lo. O pensador cristão tem uma posição nessa controvérsia pelo simples fato de ser cristão. Já que ele acreditará que Deus nos vê como responsáveis por muito do que fazemos – responsáveis e também apropriadamente sujeitos a louvor ou culpa, aprovação ou desaprovação. Mas como eu posso ser responsável pelas minhas ações, se não estava sob meu controle realizar qualquer ação que de fato eu não realizei, e também não estava sob meu controle refrear qualquer coisa que eu realizei? Se minhas ações são determinadas assim, então não posso ser responsabilizado por elas; mas Deus não faz nada impróprio ou injusto, e ele me vê como responsável pelas minhas ações; assim não é o caso que todas minhas ações são determinadas. O cristão tem uma razão inicial forte para rejeitar a alegação de que todas nossas ações são causalmente determinadas – uma razão muito mais forte do que os argumentos escassos e anêmicos que o determinista pode reunir do outro lado. É claro que se houvesse fortes argumentos do outro lado, então haveria um problema aqui. Mas não há, portanto não há problema algum.

O determinista pode responder que a liberdade e o determinismo causal são, contrariando aparências iniciais, de fato compatíveis. Ele pode argumentar que ser livre em relação a uma ação realizada no tempo t por exemplo, não implica dizer que não estava sob meu controle refreá-la, mas somente algo mais fraco – talvez algo como se eu tivesse escolhido não realizá-la, eu não a teria realizado. De fato, o compatibilista vai além. Ele vai afirmar, não somente que a liberdade é compatível com o determinismo, mas que a liberdade requer o determinismo. Ele vai afirmar, assim como Hume, que a proposição S é livre em relação a uma ação A ou que S faz A livremente implica que S é causalmente determinado em relação a A – que há leis causais e condições antecedentes que juntas implicam tanto que S realize A ou que S não realize A. Ele manterá a alegação insistindo que se S não é assim determinada em relação a A, então é simplesmente uma questão de acaso – que se deve, talvez, aos efeitos quantum no cérebro de S – que S realiza A . Mas se é só uma questão de acaso S realizar A então ou S não realiza A, ou S não é responsável por realizar A. Se S realizar A é só uma questão de acaso, então S realizar A é algo que simplesmente acontece a S; mas não é realmente o caso de que S realize A – de qualquer forma não é o caso que S seja responsável por realizar A. E assim a liberdade, no sentido que é requerido para a responsabilidade, requer o determinismo.

Mas o pensador cristão vai achar essa alegação incrivelmente implausível. Presumivelmente o determinista quer dizer que o que ele diz caracteriza ações gerais, não somente aquelas dos seres humanos. Ele vai assegurar que é uma verdade necessária que se um agente não é levado a realizar uma ação então é simplesmente obra do acaso que o agente em questão realize a ação em questão. De uma perspectiva cristã, entretanto, isso é muito incrível. Já que Deus realiza ações, e realiza ações livremente; e certamente não é o caso de que há leis causais e condições antecedentes fora de Seu controle que determinem o que Ele faz. Pelo contrário: Deus é o autor das leis causais que existem; de fato, talvez a melhor maneira de pensar essas leis causais é como registros das maneiras que Deus trata normalmente as criaturas que ele criou. Mas é claro que não é simplesmente obra do acaso Deus fazer o que faz – criar e sustentar o mundo, digamos, e oferecer redenção e renovo para seus filhos. Então o filósofo cristão tem uma ótima razão para rejeitar essa premissa, junto com o determinismo e o compatibilismo que ela suporta.

O que está realmente em questão nessa discussão é a noção de agente causal: a noção de uma pessoa como fonte última de uma ação. De acordo com os partidários do agente causal, alguns eventos são causados, não por outros eventos, mas por substâncias, objetos – tipicamente agentes pessoais. E pelo menos desde a época de David Hume, a ideia de agente causal tem se enfraquecido. É justo dizer, eu acho, que a maioria dos filósofos cristãos que trabalham nesta área rejeitam o agente causal completamente ou suspeitam desta ideia. Eles veem a causação como uma relação entre eventos; eles conseguem entender como um evento causa outro evento, ou como eventos de um tipo podem causar eventos de outro tipo. Mas a ideia de uma pessoa, digamos, causando um evento, lhes parece ininteligível, a menos que possa ser analisada, de alguma forma, em termos de evento causal. É essa devoção ao evento causal, é claro, que explica a alegação de que se você realiza uma ação mas não é causado, então sua realização da ação é obra do acaso. Pois se eu afirmar que toda causação é ultimamente um evento causal, então eu vou supor que se você realiza uma ação mas não é causado por eventos prévios, então sua realização da ação não é causada e é, portanto, obra do acaso.

O devoto do evento causal, além do mais, vai argumentar, talvez, da seguinte maneira. Se tais agentes como pessoas causam efeitos que acontecem no mundo físico – o movimento do meu corpo de uma certa maneira, por exemplo – então esses efeitos devem ser causados ultimamente por volições ou undertakings – os quais, aparentemente, são eventos imateriais e não-físicos. Ele alegará, então, que a ideia de um evento imaterial ter eficácia causal no mundo físico é enigmática, ou dúbia ou pior.

Mas o filósofo cristão achará esse argumento pouco expressivo e sua devoção ao evento causal incompatível. O cristão já acredita que os atos de volição têm eficácia causal; ele acredita de fato, que o universo físico deve sua própria existência a tais atos volitivos – A vontade de Deus de criá-lo. E quanto à devoção ao evento causal, o cristão estará, inicialmente, fortemente inclinado a rejeitar a ideia de que evento causal é primário e o agente causal deve ser explicado em relação a isto. Pois ele acredita que Deus faz e fez muitas coisas: ele criou o mundo; ele o sustenta; ele se comunica com seus filhos. Mas é extraordinariamente difícil ver como tais verdades podem ser analisadas em termos de relações causais entre eventos. Que eventos poderiam fazer Deus criar o mundo? O próprio Deus institui ou estabelece as leis causais que existem; como, então, podemos ver todos os eventos feitos por sua ação como relacionados a leis causais anteriores? Como poderíamos explicar em termos de evento causal proposições que atribuem ações a ele?

Alguns pensadores teístas notaram este problema e reagiram diminuindo a atividade causal de Deus, ou seguindo impetuosamente Kant ao declarar que isso é de uma esfera totalmente diferente da qual nós estamos engajados, uma esfera além da nossa compreensão. Eu acredito que essa resposta é errada. Por que um filósofo cristão deveria se juntar à reverência geral ao evento causal? Não é que haja argumentos convincentes aqui. A verdadeira força por trás desta alegação é uma certa maneira filosófica de ver as pessoas e o mundo; mas esta visão não tem nenhuma plausibilidade inicial do ponto de vista cristão e não tem nenhum argumento convincente em seu favor.

Então em todos esses pontos disputáveis da antropologia filosófica o teísta terá uma forte predileção inicial em resolver a disputa de uma maneira e não de outra. Ele estará propenso a rejeitar o compatibilismo, a afirmar que o evento causal (se de fato houver tal coisa) deve ser explicado em termos de agente causal.

Então, nestes pontos controversos da antropologia filosófica o teísta terá uma forte predileção inicial para resolver a disputa de um jeito ao invés de outro. Ele tenderá a rejeitar o compatibilismo, e afirmar que o evento causal (se houver tal coisa) deve ser explicado em termos de de agente causal, a rejeitar a ideia de que se um evento não é causado por outros eventos, então sua ocorrência é questão de acaso, e rejeitar a ideia de que eventos no mundo físico não podem ser causados pela deliberação de um agente. E o meu ponto aqui é esse. O filósofo cristão está dentro de seus direitos ao afirmar tais posições, podendo ou não convencer o resto do mundo filosófico e seja lá qual for o consenso filosófico corrente, se houver um consenso. Mas esse apelo a Deus e suas propriedades, nesse contexto filosófico, não seria um vergonhoso apelo a um deux ex machina? Certamente que não. “A filosofia”, como Hegel uma vez disse num raro lance de lucidez, “é pensar sobre as coisas”. A filosofia é, em grande parte, uma clarificação, sistematização, articulação, relacionamento e aprofundamento de uma opinião pré-filosófica. Nós vamos à filosofia com muitas opiniões sobre o mundo e a natureza humana e o lugar deste naquele; e na filosofia nós pensamos sobre esses assuntos, articulamos sistematicamente nossas visões, juntamos e relacionamos nossas visões sobre diversos tópicos, e aprofundamos nossas visões ao encontrarmos interconexões não esperadas e descobrindo resposta a questões ainda não formuladas. É claro que podemos mudar nosso pensamento em virtude da empreitada filosófica; podemos descobrir incompatibilidades ou outras infelicidades. Mas vamos à filosofia com opiniões pré-filosóficas; é assim que acontece. E o ponto em questão é: o cristão tem tanto direito às suas opiniões pré-filosóficas quanto os outros tem às deles. Ele não precisa 'prová-las' a partir de proposições aceitas por, digamos, a grande parte da comunidade filosófica não-cristã; e se forem rejeitadas como ingênuas, pré-cientifícas, primitivas, ou indignas de “homens eruditos”, não há nada contra elas. É claro que se houvesse argumentos genuínos e substanciais contra elas a partir de premissas legítimas para o filósofo cristão, então haveria um problema; ele deveria mudar algo. Mas na ausência de tais argumentos – e a ausência de tais argumentos é evidente – a comunidade filosófica cristã, começa apropriadamente, na filosofia, a partir daquilo que ela acredita.

Isso significa que a comunidade filosófica cristã não precisa dedicar todos seus esforços à tentativa de refutar alegações opostas e argumentos a partir de outras premissas, premissas aceitas pela comunidade filosófica não-cristã. Ela deve fazer isso, de fato, mas deve fazer mais. Pois se ela fizer somente isso, negligenciará uma importante tarefa filosófica: sistematizar, aprofundar, e clarificar o pensamento cristão sobre esses tópicos. Então, novamente: meu apelo é para que o filósofo cristão, a comunidade filosófica cristã, demonstre, primeiro, mais independência e autonomia: não precisamos trabalhar somente em projetos de pesquisa aceitos e trabalhados pela popularidade; temos nossas próprias questões para refletirmos. Segundo, devemos demonstrar mais integridade. Não podemos assimilar automaticamente o que é corrente ou está na “moda” ou é popular no procedimento e opinião filosófica; pois muito disso é nocivo ao pensamento cristão. E finalmente, devemos demonstrar mais auto-confiança cristã, ou coragem ou ousadia. Temos perfeito direito às nossas visões pré-filosóficas: por que, então, deveríamos nos intimidar pelo que o resto do mundo filosófico acha que é plausível ou implausível?

Esses são meus exemplos; eu poderia ter escolhido outros. Em ética, por exemplo: talvez o principal interesse teorético, da perspectiva cristã, é a questão sobre como o certo e o errado, o bom e o mal, o dever, a permissão e a obrigação se relacionam com Deus e sua vontade e sua atividade criativa? Essa pergunta não surge, naturalmente, de uma perspectiva não-teísta; e então, naturalmente, eticistas não-cristãos não tratam dela. Mas talvez seja a questão mais importante para um eticista cristão trabalhar. Eu já falei sobre epistemologia; deixe-me mencionar outro exemplo desta área. Epistemólogos, às vezes, se preocupam com a abundância ou falta de justificação epistêmica, por um lado, e verdade ou confiabilidade, do outro. Suponhamos que fizessemos o máximo que se espera de nós, falando noeticamente; suponhamos que fizéssemos nossos deveres intelectuais e satisfizéssemos nossas obrigações intelectuais: que garantia haveria de que ao fazermos isso chegaríamos à verdade? Há alguma razão para supor que se satisfizéssemos nossas obrigações, teríamos uma melhor chance de nos aproximar da verdade do que se as desprezássemos? E de onde vêm essas obrigações intelectuais? Como as adquirimos? Aqui o teísta tem, se não um claro conjunto de respostas, pelo menos claras sugestões em direção de um conjunto de respostas. Outro exemplo: o anti-realismo criativo está popular entre os filósofos; essa é a visão que afirma que é o comportamento humano – em particular, o pensamento e a linguagem humanas – o responsável pelas estruturas fundamentais do mundo e pelos tipos fundamentais de entidades que existem. De um ponto de vista teísta, entretanto, o anti-realismo criativo universal é no máximo uma mera impertinência, uma fanfarronice risível. Pois Deus, é claro, não deve sua existência nem suas propriedades a nós e nossas maneiras de pensar; a verdade é o contrário. Apesar de o universo, de fato, dever sua existência a atividade de uma pessoa, tal pessoa não é, certamente, uma pessoa humana.

Um exemplo final, dessa vez oriundo da filosofia da matemática. Muitos que pensam sobre conjuntos e sua natureza tendem a aceitar as seguintes ideias. Primeira, nenhum conjunto é membro de si mesmo. Segunda, ao passo que uma propriedade tem sua extensão contigentemente, um conjunto tem sua filiação (membership) essencialmente. Isso significa que nenhum conjunto poderia existir se um de seus membros não existisse, e que nenhum conjunto poderia ter menos ou mais membros do que aqueles que de fato tem. Isso significa, além do mais, que conjuntos são seres contingentes; se o Ronald Reagan não existisse, então seu conjunto não teria existido. E terceiro, conjuntos formam um certo tipo de estrutura repetida: no primeiro nível há conjuntos cujos membros são não-conjuntos, no segundo nível há conjuntos cujos membros são não-conjuntos ou conjuntos de primeiro nível; no terceiro nível há conjuntos cujos membros são não-conjuntos ou conjuntos dos primeiros dois níveis, e por aí vai. Muitos também tendem, junto a George Cantor, a considerar conjuntos como coleções – como objetos cuja existência é dependente sobre um certo tipo de atividade intelectual - uma coleção ou "pensamento conjunto" como Cantor colocou. Se os conjuntos fossem coleções deste tipo, isso explicaria sua demonstração das três características que eu mencionei. Mas se a coleção ou pensamento conjunto tivesse que ser feito por pensadores humanos, ou por qualquer pensador finito, não haveria conjuntos suficientes – nem perto da quantidade que pensamos haver. De um ponto de vista teísta, a conclusão natural é que conjuntos devem sua existência ao pensamento de Deus. A explicação natural dessas três características é simplesmente que conjuntos são, de fato, coleções – coleções colecionadas por Deus; elas são ou resultam do pensamento de Deus. Essa ideia pode não ser popular nos centros contemporâneos de teoria dos conjuntos; mas não é nem aqui nem lá. Cristãos, teístas, devem entender os conjuntos de uma perspectiva cristã e teísta. O que eles creem como teístas proporciona um recurso para entender conjuntos que não está disponível ao não-teísta; e por que eles não deveriam utilizar esse recurso? Talvez aqui nós poderíamos proceder sem apelar àquilo que cremos como teístas; mas por que deveríamos, se tais crenças são úteis e explanatórias? Eu poderia provavelmente chegar em casa hoje pulando numa perna só; e talvez pudesse escalar a Torre do Diabo com meus pés atados. Mas por que eu iria querer isso?

O filósofo cristão ou teísta, então, tem sua própria maneira de trabalhar. Em alguns casos existem alguns itens em sua agenda – itens importantes – não encontrados na agenda da comunidade filosófica não-teísta. Em outros casos, itens em alta na comunidade filosófica podem parecer de pouca importância de uma perspectiva cristã. Em ainda outros, o teísta rejeitará hipóteses e visões comuns sobre como iniciar, como proceder, e o que constitui uma resposta boa ou satisfatória. Em ainda outros casos o cristão vai presumir e vai começar a partir de hipóteses ou premissas rejeitadas pela maior parte da comunidade filosófica. É claro que eu não estou sugerindo que os filósofos cristãos não tem nada a aprender de seus colegas não-cristãos ou não-teístas: isso seria arrogância tola, e totalmente rechaçada pelos fatos. Nem estou sugerindo que o filósofo cristão deveria se retrair em isolamento, tendo pouco a ver com os filósofos não teístas. É claro que não! Os cristãos tem muito a aprender e muito de grande importância a aprender dialogando e discutindo com seus colegas não-teístas. Filósofos cristãos devem estar intimamente envolvidos na vida profissional da comunidade filosófica, tanto por causa do que ele pode aprender como por causa daquilo com o que ele pode contribuir. Além do mais, enquanto os filósofos cristãos não precisam e não devem se ver como envolvidos, por exemplo, no esforço comum em determinar se há ou não uma pessoa como Deus, estamos nós, tanto teístas quanto não-teístas, engajados no projeto humano de entender a nós e o mundo no qual nos encontramos. Se a comunidade filosófica cristã está fazendo seu trabalho apropriadamente, estará engajada numa discussão complicada e dialética multifacetada, fazendo sua própria contribuição a esse projeto humano comum. A comunidade deve prestar cuidadosa atenção a outras contribuições; deve buscar um profundo entendimento delas; deve aprender o que puder delas e deve levar a descrença com bastante seriedade.

Tudo isso é verdadeiro e importante; mas nada disso vai de encontro ao que eu tenho dito. A filosofia é muitas coisas. Eu disse antes que é uma questão de sistematizar, desenvolver e aprofundar as opiniões pré-filosóficas. É isso, mas também é uma arena para articulação e intercâmbio de compromissos e lealdades fundamentalmente religiosas por natureza; é uma expressão de perspectivas profundas e fundamentais, maneiras de ver a nós mesmos, o mundo e Deus. Entre seus mais importantes projetos estão a sistematização, aprofundamento, a exploração e a articulação dessa perspectiva, e explorar suas implicações no resto do que pensamos e fazemos. Mas então a comunidade filosófica cristã tem sua própria agenda; ela não precisa e não deve automaticamente tomar seus projetos da lista daqueles projetos favoritos nos centros filosóficos contemporâneos de ponta. Além do mais, os filósofos cristãos devem estar cautelosos quanto a assimilar ou aceitar procedimentos e ideias filosóficas populares; pois muitas delas têm raízes profundamente anti-cristãs. E finalmente a comunidade filosófica cristã tem um direito às suas perspectivas; ela não está sob nenhuma obrigação de mostrar que tais perspectivas são plausíveis em relação àquilo que é tomado como verdade por todos filósofos, ou a maioria dos filósofos, ou os prominentes filósofos de nossos dias.

Em resumo, nós que somos cristãos e nos propomos a sermos filósofos não devemos nos contentar em sermos filósofos que, por acaso, são cristãos; devemos nos esforçar em sermos filósofos cristãos. Nós devemos, portanto, prosseguir com nossos projetos com integridade, independência, e ousadia cristã.[4]

NOTAS

1. "The Probabilistic Argument from Evil," Philosophical Studies, 1979, pp. 1-53.

2. A Instituição da Religião Cristã (UNESP, 2007). Livro. 1, Cap. III, pp. 43-44.

3. Blessed Rage for Order (New York: Seabury Press), 1978, p. 7.

4. Proferido em 04 de Novembro de 1983, como o discurso inaugural do autor como Professor John A. O'Brien de Filosofia na Universidade de Notre Dame.


sábado, 13 de março de 2010

CAPA DA VEJA DESTA SEMANA

A Capa da Revista VEJA desta semana e a Conexão Bancoop-PT. Abaixo da Capa os cheques, de dinheiro desviado da Bancoop, descontados para o CAIXA 2 do Partido dos Trabalhadores a fimde favorecer a Campanha Presidencial do Pres. Lula.
LEIA A MATÉRIA COMPLETA AQUI NO SITE DA VEJA






Fonte: Veja

quinta-feira, 11 de março de 2010

ANALFABETISMO EVANGÉLICO

Por Márcio de Souza

É impressionante a quantidade de analfabetos bíblicos hoje em dia. A igreja está cheia deles. A maior prova disso é que multidões seguem pseudo pregadores que em frenesi falam sobre tudo, milagres, venda de material, apelos mirabolantes sobre fogueiras e patrocinadores. Tagarelam sobre tudo menos sobre a Palavra. E qual o resultado disso? Uma geração de crentes acostumados a comer restos de teologia fajuta e que desconhece totalmente o estudo da bíblia.

Outro dia, fiz um quiz com alguns crentes que visitei em uma paróquia bem conhecida. Fiz perguntas simples pra sortear alguns livros meus só pra constar que foi feito o mínimo de esforço para conquistar o brinde. Fiquei deprimido...rs. A pergunta foi: qual o primeiro rei de Israel? A resposta emergiu num brado quase ensurdecedor e em uníssono da galera, DAVI! Deu vontade de chorar e rir ao mesmo tempo. Diante disso, pensei, se neguinho não acerta quem foi o primeiro rei de Israel como responderão a questões básicas sobre fé e doutrina. Resultado, deixei o quiz pra lá e desisti de dar os livros. Observação: nessa reunião haviam diversos líderes da denominação.

É por isso que hoje em dia surgem as campanhas do tapete de fogo, do sal grosso, do Rio Jordão e etc... porque as pessoas não conhecem nada de nada, e aí fica fácil manipular e extorquir a galera. Dizer que hoje em dia pregamos para uma platéia de autistas é ofender profundamente os autistas. Estamos diante de um panorama onde pastores pregam a restituição de hímem como milagre e pessoas testemunham que a maior benção de sua vida foi ter conseguido montar seu enxoval de casamento em Paris.

Espero que haja uma revolução em prol da leitura da Bíblia e da sã doutrina, porque do jeito que estão dando caneladas bíblicas por aí, em breve teremos uma nova igreja surgindo: A “igreja dos santos descerebrados que dizem amém”!

Que Deus nos perdoe pela falta de vergonha na cara.

E no mais, tudo na mais santa paz!

Fonte: Púlpito Cristão

NÍVEL EDUCACIONAL E DESCRENÇA

Esta semana, durante uma apresentação dos alunos novatos e veteranos numa turma de Filosofia da Religião na UFPE, um aluno disse que "religião é muleta" para pessoas que não tem "conhecimento". Quando chegam a aquilo que ele chamou de "conhecimento", então não mais precisarão de religião, deus e coisas assim. Lendo o blog do jornalista Michelson Borges, deparei-me com a matéria abaixo. Bom, deixo com o leitor as considerações sobre o assunto.
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MAIOR ESCOLARIDADE LEVA À CRENÇA

Uma pesquisa na Universidade de Oxford mostrou que cerca de 48% dos estudantes não acreditam em Deus. Talvez isso não seja tão surpreendente – a maioria das pessoas acredita que ateus sejam bem instruídos, principalmente os de Oxford que têm como professor o ícone do ateísmo Richard Dawkins. Mas há algumas curiosidades sobre isso quando a “população amostral” da pesquisa é o mundo e suas diferentes culturas, não Oxford. Estudos mostraram que há, sim, uma relação entre estudo e a fé em Deus, mas que o ateísmo é mais forte naqueles que têm apenas o ensino médio completo do que naqueles com nível superior completo. A pesquisa também indicou que as pessoas com mais estudo tendem a acreditar em coisas mais estranhas. 29% das pessoas com apenas o nível fundamental completo acreditavam em telepatia, contra 51,8% das pessoas com nível superior completo.

Essas pesquisas mostraram, também, que a questão religiosa não depende apenas do nível educacional, mas do sexo, do tipo de cultura e da idade dos entrevistados. Então os não-ateus podem ficar aliviados: já não há mais a crença de que eles sejam menos inteligentes que os ateus.

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Nota: Estudos mais profundos deveriam ser feitos. As pessoas mais instruídas passaram pelos bancos escolares e foram estimuladas à descrença por professores céticos (mas céticos apenas quanto à Bíblia e o cristianismo, como está na moda). Como o jovem é naturalmente contestador, abraça essa descrença inconsequente e irrefletida. Quando chega ao nível universitário e avança nos estudos, percebe que o ateísmo não é assim tão lógico. Com a sabedoria da idade (maturidade) vem também a noção de que o naturalismo é insuficiente para explicar todas as nuances da existência/realidade. Mas como o indivíduo se divorciou há muito tempo da fé cristã, acaba tentando preencher o vácuo com crenças irracionais, sem base factual, como o espiritualismo da Nova Era e coisas afins. Bem, pelo menos é essa a leitura que faço dessa pesquisa.[MB]

Fonte: Criacionismo; Hypescience

No embalo gospel de sábado à noite

Por Joêzer Mendonça

"Eu e minha noiva nos divertimos muito, dançamos, cantamos e saímos de lá às 3 horas da manhã com a alma purificada", diz o publicitário Fábio Faroni. O casal estava num show da Ivete Sangalo ou de Ed Motta? Não. Eles estavam na Balada LoCAL da Comunidade Apostólica Livre, a qual, segundo matéria da revista Up!Gospel (nº 8, ano 2), "agitou mais de 400 pessoas com ritmos como eletrônico, black e forró".

Na Cristoteca, há uma missa à meia-noite e depois o som segue rolando até a alvorada. Tem ainda: Gospel Night - a festa, Pré-Reveillon Gospel, Gospel Night Fantasy, Festa Jesuína, Cristoteca... Os sons são diferentes, mas a linguagem é a mesma para agitar o esqueleto evangelizado, sacudir o corpitcho renascido, curtir a vida transformada que Jesus-me-deu!

A questão não é discutir se há honestidade espiritual ou não nas estratégias formuladas pelos líderes religiosos ou se o público-alvo é de fato atingido pelas mensagens musicalizadas. Mas há alguns pontos a ponderar nas propostas de eventos como a balada gospel, pontos estes que são logo atacados com frases do tipo: (1)"É melhor isso do que a balada secular", ou (2) "As igrejas estão atraindo os jovens", e ainda, (3) "O jovem evangélico precisa se divertir".

Se colocarmos uma interrogação ao final dos três pontos acima, podemos ter uma pausa para reflexão antes que se entre no clima do "batidão". Primeira: É melhor isso do que a balada secular? O "isso" nada mais seria que a reprodução dos festejos dos baladeiros noturnos, com a simples retirada do álcool e do fumo. Faz-se uma missa à meia-noite e mexe-se as cadeiras até o galo cantar três vezes, para então sair dali com a sensação de que ser cristão é "legal", é "massa", é "da hora"?

Segunda interrogação: As igrejas estão atraindo os jovens? A palavra-chave é mesmo "atração". Se está escrito que "Eu [Cristo], quando for levantado da Terra, atrairei todos a Mim", é fato que, hoje, quando o funk levanta poeira, atrai muita gente. Assiste-se atualmente a um modelo de atração de público jovem para reuniões em que há muita religiosidade, mas pouca religião. Cantores de grande vendagem, músicas pop-religiosas, luzes estroboscópicas: isso tudo fascina o jovem público que encontra nas grandes concentrações religiosas, em logradouros públicos ou em salões particulares, um genérico das baladas e shows populares.

Denomino de "genérico" porque o princípio ativo é o mesmo. Isto é, aquilo que desencadeia as reações psicossomáticas (em português, as reações mentais e corporais) do público não são apenas as letras, mas a intensidade sonora e a capacidade dinamogênica do ritmo e da canção.

De forma mais esquemática: a estilos como funk, axé, dance e balada acrescenta-se o termo "gospel"; essa junção de palavras, que parece não ser nenhum anátema, passa a ditar o índice de maior ou menor atratividade jovem; os cantores, autodenominados "levitas", dão autógrafos, têm comunidades concorrentes no Orkut (com pesquisas sobre "quem canta melhor"), e reproduzem o modelo de comunicação dos astros pop por meio de sua postura no palco, seus figurinos e seus comandos de voz ("tira o pé do chão!"). Além disso, são recebidos com estridência nos shows por um público que também reproduz o comportamento de fãs histéricos do mundo musical pop.

As letras religiosas seriam o diferencial? As letras podem até ajudar a derreter corações de pedra, mas elas submergem na atmosfera de rave criada para entreter e divertir. Embora as letras apresentem temas da vida evangélica, a embalagem de melodia e arranjo reproduz os estilos musicais da moda enquanto a indústria gospel imita o caráter de atração jovem e divulgação musical da indústria fonográfica pop, estimulando o comportamento de baladeiro e fã por parte do jovem fiel.

Por último: O jovem religioso precisa se divertir? Ora, isso é elementar. Afinal, sem um pouco de lazer, recreação e leve entretenimento não há cristão que suporte o rojão contemporâneo. Contudo, quando a diversão deixa de ser um momento da semana para se tornar o estilo de vida, algo está se perdendo na caminhada, e este algo pode ser um sentido mais profundo do que é conversão. Se conversão significa mudança de direção, por que ainda repetir os maneirismos de interpretação, a histeria fanática, as caras e bocas e adereços dos artistas, as melodias e arranjos da música pop mais descartável da mídia?

"Haja entretenimento" - o mandamento da nossa sociedade do espetáculo passou a ser a palavra de ordem para a sobrevivência das igrejas na modernidade.

Fonte: Outra Leitura

terça-feira, 9 de março de 2010

UM BREVE EXAME DO SEGUNDO MANDAMENTO


Introdução

O Rev. Valdeci dos Santos faz uma importante observação. Ele diz que a Adoração “é resultante da aplicação da máxima cristã lex orandi, lex credenci, cuja tradução pode ser ‘o que se ora, é o que se crê’. Segundo este princípio, adoração e teologia caminham juntas e grande parte de nossa teologia (certa ou errada), é influenciada por nossa liturgia (forma de adoração)”.

Quando se fala em Adoração, é certo que surgem as polêmicas, e como aconteceu na época dos Juizes de Israel onde “cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (Jz 17.6; 21.25), hoje não é diferente, pois sobre este assunto “cada um faz como bem parece aos seus olhos”. O aferidor para a discussão é a Cultura, o Tempo e o Homem Moderno. Não se apela ao Espírito Santo falando nas Escrituras com seriedade, mas mantém-se sob uma “grade ideológica” do Culto. Ou seja, olha-se para as Escrituras com este aferidor (Cultura, Tempo e o Homem).

Isto posto, notamos, então, que há atualmente uma grande divergência acerca do tema“adoração”, às vezes causando separação e mágoas; é preciso, antes de tomar qualquer atitude, responder para si a seguinte pergunta: “Deus se agrada da minha adoração?” ou “Será que Deus recebe qualquer tipo de adoração?”. Isto é extremamente importante por um único motivo: Deus não recebe falsa adoração! No texto de Êxodo 20. 4 – 6 mostra a seriedade deste assunto. Lá, para nos prevenir da falsa adoração, também chamada de idolatria, o Senhor diz: “por que eu, o Senhor teu Deus, sou Deus ciumento”(v. 5).

Adoração é um assunto de vital importância. Conta certo escritor, que existem cerca de 40 capítulos das Escrituras dedicados à descrição, construção, dedicação e uso do Tabernáculo do Senhor, enquanto que apenas dois são dedicados ao relato Criação (SANTOS, 2000, p. 28). As Escrituras não tratam deste assunto como desdém, mas com a seriedade que envolve benção ou maldição para o adorador.

Por isso que a atitude daquele que deseja adorar a Deus com adoração verdadeira é ouvir o Senhor falar na própria Escritura, sua Palavra, para que, descobrindo Nela o querer de Deus, aproximar-se do Senhor sem levar “fogo estranho”, mesmo que tenhamos o coração sincero. Afinal, sinceridade não é o parâmetro para a verdade, mas o contrário. A busca pela Verdade revelará se somos ou não sinceros. Assim, o parâmetro para saber se nossa adoração a Deus é verdadeira não somos nós ou nossos sentimentos, mas o próprio Deus falando nas Escrituras Sagradas.

Por que logo quando tratamos deste assunto, como zelo pelas almas dos adoradores, somos logo chamados de radicais ou de antiquado? Por que não examinar a Escritura? Você já percebeu que o maior motivo hoje para um membro deixar uma igreja e ir para outra já não é o aspecto doutrinário, bíblico ou mesmo geográfico, mas “o estilo de adoração e de culto”? (SANTOS, 2000, p. 27). Dizem: “Ah! Naquela igreja a gente dança, bate-palmas; lá o pastor é legal! Ele deixa a gente à vontade no culto! A pregação é curta; às vezes nem pregação tem; lá sim, o culto é bacana, é agradável!”. Você já ouviu isto? Saiba, querido leitor, que a preocupação com a verdadeira adoração era algo que distinguiria os verdadeiros pastores dos falsos mestres: “Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si mestres conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (2 Tm 4. 1 – 4). Ao profeta Jeremias o Senhor revelou: “porque tanto o profeta, como o sacerdote, estão contaminados; até na minha casa achei a sua maldade, diz o SENHOR” (Jr 23. 11).

Nós hoje estudaremos o Segundo Mandamento a fim de descobrir nele o querer de Deus. Hoje veremos o contexto em que foi entregue o Segundo Mandamento e o porquê ele nos foi dado. O que o Senhor quer nos ensinar com estas palavras. A partir dele buscaremos compreender o porquê Deus ser tão categórico na proibição da Idolatria. Veremos que Deus mesmo nos diz como adorá-lo, reservando para Si, o Adorado, a prerrogativa de regular nossa adoração como princípios eternos.

DIFERENÇA E SEMELHANÇA ENTRE O 1º E O 2º MANDAMENTO

Seguindo a seqüência lógica da entrega dos Dez Mandamentos, o Senhor pronuncia as palavras do Segundo Mandamento: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos”.

Esta seqüência não é apenas numérica, mas é teológica. Note o seguinte. No Primeiro Mandamento, o Senhor nos diz que Ele é o objeto exclusivo de Culto, isto é, não há outro Deus, nem outro Ser que mereça Adoração. Já o Segundo Mandamento não nos fala do objeto de Adoração, mas da maneira de adorar.

João Calvino, ao falar sobre este mandamento, faz a seguinte observação: “No Primeiro Mandamento, depois que Ele [Deus] tem nos ensinado que é o verdadeiro Deus, Ele nos ordena que apenas Ele deve ser adorado; e agora Ele define qual é SUA LEGÍTIMA ADORAÇÃO. Agora, desde que existem duas coisas distintas, nós concluímos que os mandamentos são também distintos, nos quais coisas diferentes são tratadas. O Primeiro, sem dúvida, precede em ordem, isto é, que os crentes devem estar satisfeitos com o único Deus; mas isto não seria suficiente para nós o ser instruídos a adorá-lo unicamente, a menos que nós também soubéssemos a maneira na qual Ele seria adorado”.

A conclusão é óbvia: “No Primeiro Mandamento é proibido adorar um falso deus; no Segundo Mandamento é proibido adorar a Deus em maneira falsa”.

O ASPECTO INTERIOR E EXTERIOR DA ADORAÇÃO

Nesta primeira impressão é fácil notar que o Mandamento não trata apenas do exterior. Lembre-se que a Lei do Senhor é espiritual; ele avalia as intenções do coração, bem como os atos exteriores. Um ponto interessante do Segundo Mandamento é que, enquanto no Primeiro o Senhor diz: “não haverá para ti outros deuses diante de minha face”, ou seja, indicando algo que é primeiramente projetado na mente, o Segundo Mandamento fala da realização do projeto. Veja como o texto começa: “não farás para ti....”. Aquilo que começou na mente veio a concretizar na realização visível. Normalmente é neste estado que se encontra o adorador: primeiro ele imagina sobre Deus; depois ele faz da imaginação uma ação.

É preciso destacar que este Mandamento não proíbe a feitura de qualquer imagem, visto que o teor do Mandamento é religioso. Assim, o Mandamento não é contra a Arte, mas contra a fabricação de Ídolos para o serviço religioso: “Não te encurvarás a elas nem as servirás”. “O segundo mandamento se restringia ao âmbito do culto” (G. von Rad, 2007, p. 215). Esta referência proibitiva constitui uma afronta, pois Deus é Espírito e a adoração a Ele é em Espírito e em Verdade. Note que a implicação desta proibição é que a adoração a Deus não é pelo que é visível.

O Senhor Deus, posteriormente falando a Moisés, disse-lhe ao subir ao Monte Horebe, “além da voz”, não viu figura alguma (Dt 4. 12), e que “nenhuma figura vistes no dia em que o Senhor, em Horebe, falou convosco no meio do fogo”(v. 16). E por que deveriam guardar-se de fazer imagens sobre Deus para adorarem? “Para que não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura, semelhança de homem ou mulher; figura de algum animal que haja na terra; figura de alguma ave alada que voa pelos céus; Figura de algum animal que se arrasta sobre a terra; figura de algum peixe que esteja nas águas debaixo da terra; Que não levantes os teus olhos aos céus e vejas o sol, e a lua, e as estrelas, todo o exército dos céus; e sejas impelido a que te inclines perante eles, e sirvas àqueles que o SENHOR teu Deus repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus” (Dt 4. 16 – 19)

O ASPECTO ESPIRITUAL DO 2º MANDAMENTO

A cada momento do Segundo Mandamento a ênfase está, portanto, na adoração sensitiva versus a adoração espiritual. Neste último caso, os sentidos não estão em evidência (o olhar, o tocar, o expressar do corpo ou mesmo nas emoções ou sentimentos), mas no invisível, no que não se pode ver. É o carnal x o espiritual; é o sensitivo x o racional. “Não farás para ti imagem.....” é a proibição contra o falso culto, chamado de idolatria. Não se adoraria ao Senhor Deus pelo que se podia ver, mas pelo que podia entender. Eles adorariam ao Senhor “com todo o entendimento”. Talvez se diga: “Ele também não diz ‘com todo o coração’?” É desconhecido de muitos que o “coração” refere-se, quando não falando do órgão físico, a “tudo o que nós atribuímos à cabeça e ao cérebro – a capacidade de perceber, raciocinar, pensar, compreender, entender e tomar conhecimento, a consciência, memória, conhecimento, sentimento, vontade e juízo”.

O 2º MANDAMENTO: O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO

O Segundo Mandamento, portanto, é o Princípio Regulador do Culto a Deus. Sem ele, ou a não observância do Segundo Mandamento, incorremos numa adoração falsa. O Senhor nos mostra-Se zeloso com o Culto prestado a Ele. Enquanto Ele, o Senhor, nos mostra o preceito para adoração aceitável por Ele (vv. 4, 5a); também nos mostras as sérias penalidades (vv. 5b, 6). Entre uma e outra, Ele nos mostra a razão por que exige obediência ao Segundo Mandamento: “porque eu, o Senhor teu, sou Deus ciumento, zeloso”.

Desta forma, a intenção do Senhor em dar este Segundo Mandamento é dizer-nos que o Culto pertence a Ele e que apenas Ele tem a prerrogativa de dizer como quer ser adorado. Este Mandamento nos protege do Formalismo morto bem como das invenções humanas no culto. Neste caso nos preserva de cultuarmos falsamente, segundo nossos desejos; naquele caso nos preserva de sermos ritualistas. O Mandamento nos leva a refletir sobre a Grandeza do Adorado e atividade do adorador, que é dar toda glória a Deus.

Em outra ocasião discorremos sobre o aspecto do Mandamento em Si, isto é, na exposição desta divisão acima: 1) Preceito; 2) Sanções; 3) Razões; concluindo com o que o Mandamento exige de nós, o que proíbe e qual a força deste Mandamento.

PARA PENSAR

Quero relatar os três fatores que nos influenciaram neste assunto, fazendo-nos tirar os nossos olhos do Adorado e colocá-los sobre o adorador. O primeiro fator é a ênfase na experiência ou nos sentimentos. Nada há de errado com a experiência ou os sentimentos, desde que não estejam e não sejam a referência para uma verdade em matéria de doutrina. Foram Heidegger e Schleiermacher que enfatizaram o que ficaria conhecido como subjetividade. Para eles a verdade não estaria lá fora (nas Escrituras?), mas aqui dentro (de cada um?). Você já percebeu que em muitos dos cultos que prestamos a Deus, o principal é a emoção? Palavras como “prazer”, “apaixonar”, “tocar”, “sentir” são mais freqüentes do que palavras como “pensar”, “aprender”, “ver”, “entender” etc? Novamente digo que não há nada de errado com aquelas palavras; apenas quando são postas acima do que Deus prescreveu na Palavra Escrita! É contra esse aspecto que Deus nos dá o Segundo Mandamento.

Outro fator é a idéia que de precisamos ter todo este aparato moderno de culto (as palmas, as danças, as coreografias, o sermão curto e sem profundidade, o antidogmatismo etc) para que as coisas em nossa igreja funcionem (entenda “encham”). Julga-se a verdade pelo resultado, pela praticidade, pelo efeito. É certamente uma frustração, no mínimo, para muitos pastores, ver dezenas de igrejas ao seu redor “crescendo, crescendo” em números, enquanto a sua igreja parece estagnada. Porém, ao sondar a teologia, o culto ou o que tem movido aquela igreja ao “inchamento”, digo, “enchimento”, notar-se-á que a Escritura não é o centro ali. Ela está lá, mas não passa de um livro. Há inovações, modernizações, na verdade, há importações do mundo para a comunidade. As pessoas trocam apenas de lugar: do mundo para a comunidade eclesiástica. A isto chamamos de pragmatismo. Neste sentido o Segundo Mandamento nos mostra de quem é a prerrogativa de dizer como deve ser o Culto.

Por fim, o último fator, embora existam outros tantos, é a ênfase no humano, não no Divino. Até mesmo quando se fala em divino, muitos pensam em homens que agem com deuses; este reflexo é visto na preocupação dos líderes cristãos em propiciar programas na igreja onde as pessoas se sintam felizes. A palavra correta é entretenimento, distração para “descarregar” o estresse. Como diz um escritor: “como filhos desta nossa geração, exigimos que cada momento do culto venha satisfazer nossas necessidades” (SANTOS, 2000, p. 29). Muitos pastores não confrontam mais o pecado para que as pessoas não se sintam mal; a boa mensagem não é a que “ensina Bíblia”, mas a que ensina se sentir bem. O Segundo Mandamento nos ensina, portanto, que Culto não é entretenimento, pois se houver tal coisa no Culto ao Senhor provocaremos a sua indignação.

É claro que é preciso sentir-se bem na igreja, que precisamos nos alegrar, que queremos crescer etc., mas tudo isto submetidos à Palavra de Deus, realçando o caráter de Deus, suas obras, seus juízos, sua vontade, exaltando-o acima de tudo e a nós dizermos: “NÃO a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade.” (Sl 115. 1).

Acreditamos que Deus tenha nos dito e ensina sobre nosso modo de viver, mas não acreditamos que ele tenha nos ensinado o modo de adorá-lo. Certo escritor acertou o alvo quando disse: “Há maneiras corretas e outras erradas de se adorar a Deus. Convém aprender a maneira correta.”. “Deus não se agrada de tudo o que fazemos supostamente em seu nome, por isso devemos ser obedientes a Ele e descobrir o que realmente lhe agrada. Precisamos evitar procedimentos e costumes que inventamos, por melhores, mais atrativos e práticos que pareçam”. Mas a questão final é: onde podemos descobrir o que realmente agrada a Deus em matéria de Culto?

Pergunto: Quem deveria decidir como nós devemos adorar ao Senhor Deus? Deveria ser o pastor? Ou deveria ser a cultura? Talvez os jovens, ou nossas tradições? Ou quem sabe tudo isto junto? Nada, nem ninguém, exceto o Senhor, pode estabelecer como Ele quer ser Adorado. Você acredita que está qualificado para determinar a maneira de adorar a Deus? Ou você acredita que Deus não é o único qualificado para dizer-nos como adorá-lo?

O Culto não é invenção humana (coisas dos pagãos). “Deus não deve ser adorado com um culto segundo a vontade do adorador, mas conforme o que ele unilateralmente preordenou e estabeleceu. O culto, portanto, não pode fugir aos parâmetros estatuídos na Palavra de Deus, pois não é realização humana, mas divina. Deus o instituiu, organizou-o e o ordenou. Ele (o culto) não pode ser como o cultuador deseja prestá-lo, mas como Deus quer recebê-lo. Também não se destina à satisfação humana, mas à divina ( Rm 12. 1 ). Quem deve ficar satisfeito com o culto é Deus, único sujeito e objeto da adoração, não o homem. A emoção e a paixão espirituais devem pervadir o culto, não o passionismo e o sentimentalismo sensoriais expressos em coreografias, romantismos beatíficos e danças em ritmos populares”.

Agora podemos entender o que a nossa Confissão de Fé nos diz: “A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras”

Postado por Gaspar de Souza

segunda-feira, 8 de março de 2010

Séries Infinitas

Para quem gosta de filosofia , abaixo segue um texto do Dr. John Frame sobre "Séries Infinitas". Mais uma texto clássico para os leitores que gostam de Apologética.
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John M. Frame

1. Conceito e Distinções.

Em geral, uma série infinita é uma série sem o termo final, como a série dos números naturais, 1, 2,3.... O matemático e lógico Georg Cantor definiu isto mais precisamente como uma série que tem o mesmo número de termos como uma de suas subséries. Por exemplo, a série 1,2,3...., a série dos números naturais, tem como subsérie 2,4,6... a série dos números pares. No entanto, existem tantos números pares quanto existem números naturais, tanto quanto isso possa soar paradoxalmente. O paradoxo identifica as séries como infinitas.
Entre as séries infinitas, nós podemos distinguir entre infinitos reais e potenciais. O conjuntode números naturais é um infinito real: o conjunto realmente contém um número infinito de membros. Um infinito potencial, entretanto, é uma série que se aproxima de um número infinito, mas nunca chega a esse ponto, como quando tentamos listar todos os números naturais, um por um, ou quando dividimos um objeto pela metade, e então outra metade e assim por diante. Nestes casos, nunca chegaremos ao ponto final, um último membro da série. Nunca chegamos ao número que chamaríamos “infinito”

2. Importância Apologética


Algumas formas de Argumento Cosmológico para a existência de Deus negam a existência de certos tipos de séries infinitas. Tomás de Aquino, nos três primeiros [argumentos] de sua “Cinco Vias”, negou que o encadeamento de causas (causa do movimento, ser e necessidade, respectivamente) pode regredir para sempre. Ele argumentou que toda causa corrente tem um começo: um primeiro motor, uma primeira causa do ser, e um primeiro ser necessário, ou seja, Deus. (Cf. Aquinas, Summa Theologica, parte 1, Questão 2, artigo 3). O Argumento de Kalam, de Al-Ghazali, recentemente explanado por William Lane Craig, nega que possa haver, realmente, uma série infinita de eventos sucedendo um ao outro no tempo. Então, o universo teve um começo, que deve ser explicado por uma causa divina.
Craig argumenta que, primeiro, não pode haver de fato uma coleção de coisas infinitas (embora possa haver realmente um conjunto de números) e, segundo, que mesmo se tal coleção fosse possível, não poderia ser alcançada por adicionar mais um número após outro, como deve acontecer na sucessão temporal de eventos.

Para mostrar que não pode existir uma coleção de coisas infinitas real, ele refere-se ao paradoxo observado por Cantor: (1) Em uma série infinita, o todo é equivalente a alguma de suas partes. (2) Alguém podem adicionar membros a um conjunto infinito sem aumentar o número de membros no conjunto (o número permanece no infinito). (3) Alguém pode remover os membros do conjunto sem diminuir sua parcela. Tal é o caso no mundo abstrato dos números. Mas diz Craig, seria impossível ter um conjunto de objetos concretos ou uma série de eventos que tenha essas propriedades. Ele usa a ilustração do “Hotel de Hilbert”, de George Gamow[1] em One, Two, Three, Infinity (p.17): Se um hotel tem um número infinito de quartos com hóspedes, hóspedes adicionais poderiam ser recepcionados sem que ninguém saísse do hotel, e o número de hóspedes seria o mesmo de antes. Na placa poderia ser lido, “SEM VAGAS – HÓSPEDES, SEJAM BEM-VINDOS”(Craig, Reasonable Faith, p. 96)

Então Craig argumenta que, mesmo se nós admitirmos a possibilidade de uma coleção real de coisas infinitas, nós não podemos formar tal coleção por adicionar um membro após outro. É impossível, por exemplo, contar uma coleção infinita um por um. Pois “não importa quantos números você conte, você sempre poderá adicionar mais um antes de chegar ao infinito”(p. 98). O mesmo deve ser dito de uma série infinita de eventos no tempo. Se o processo da natureza e história se estende infinitamente pelo passado distante, então é uma sucessão de eventos infinitos, e esta sucessão tem prosseguido uma após outra, terminando, precisamente, no momento presente. Mas por que seu término é agora, e não ontem ou mil anos atrás? Seguindo esta hipótese, ontem também foi o fim de uma série infinita de eventos, e assim foi o momento de mil anos atrás antes do presente. Mas na verdade, não pode haver um fim a todos, pois uma série infinita nunca termina. Então, Craig conclui, a série de eventos passados é finita. Portanto, o universo teve um começo, e por isso, uma causa, porque “o que começa a existir tem uma causa”(p. 92)

3. Avaliação

Certamente é difícil conceber uma coleção real de coisas infinitas. O Hotel de Hilbert é contra-intuitivo; mas muitos encontram os paradoxos de Cantor em si mesmo difícil de acreditar na primeira vez que ouvem. Depois que aprendem a trabalhar com conjuntos de números infinitos, tendemos a aceitar as definições de Cantor como uma coisa natural. Nós não temos, todavia, encontrado conjuntos infinitos de objetos materiais. Mas se nós sempre fazemos, não poderíamos, eventualmente, acostumarmos à propriedades estranhas de tais conjuntos? Aqui, imagens são importantes. A idéia de um hotel infinito é um pouco ridícula, como é a idéia, digamos, de um hotel com soluços. Mas o que você acha da idéia de uma corrente de contas de um rosário infinitamente estendida? Nós não poderíamos nos acostumar um dia com a idéia de adicionar ou subtrair contas sem mudar o número na coleção infinita?

Parte do problema é que quando nós tentamos forma a imagem de um hotel infinito em nossas mentes, somos inclinados a pensar nele como um hotel finito com propriedades muito estranhas: pessoas sendo espremidas sem que outros sejam expulsos. Mas se o hotel era verdadeiramente infinito, estas propriedades não seriam estranhas, mas esperada, por mais difícil que possa ser imaginar essas propriedades em uma imagem mental. É também difícil imaginar tais propriedades em série de números, mas Cantor provou que eles existem.

Do mesmo modo, a noção de uma série infinita de eventos contínuos através do tempo é difícil de ser compreendido, mas é impossível? Estou de acordo com Craig que é impossível contar através de uma série infinita e terminar com um número final. Mas (1) se o próprio tempo fosse subjetivo, ao invés de objetivo, então um conjunto infinito de eventos passados pode existir simultaneamente (como a série 1, 2, 3....), ao invés de existir por um processo temporal de adição. (2) o mesmo poderia ser o caso se o tempo for uma dimensão objetiva do espaço n-dimensional, e todos os eventos do passado, presente e futuro, poderiam ser vistos juntos por um ser de uma dimensão mais alta. E (3) se nós pudéssemos voltar atrás no tempo a partir do presente, então nós poderíamos visitar o ontem, o dia antes de ontem, e o dia antes deste, tanto quanto nós agora nos movemos a partir de hoje para amanhã, o dia seguinte etc. Neste caso, perceberíamos os dias da história passada tanto quanto percebemos os dias do futuro: como uma infinitude potencial, ao invés de uma infinitude real.

Naturalmente, estes três pressupostos são contrários à teoria do tempo de Craig. Veja seu Time and Eternity: Exploring God’s Relationship to Time (Wheaton, 2001). Portanto, não estou aqui desafiando a consistência da visão de Craig. Mas estas considerações indicam que nossas questões atuais sobre série infinita não tem respostas tão óbvias. Na verdade, elas estão ligadas a outras questões que merecem um tratamento num livro extenso.

Tomás de Aquino objetaria a suposição (3), que mesmo séries potencialmente infinitas de eventos naturais no passado são insuficientes para explicar o mundo como nós o conhecemos. Para essa suposição, cada evento é causado por um evento prévio; nenhum evento realmente começa a série. Então, nenhum evento (ou grupos de eventos, pela mesma lógica) serve como a causa das demais. Então, o universo é não-causado, sem explicação. Aquino crê que o universo teve uma causa, de modo que a explicação causal não pode ser infinita, mesmo potencialmente infinita.

Aquino argumenta que o universo tem uma causa e, portanto, não pode haver uma série infinita de causas. Craig argumenta o contrário: não pode haver uma série infinita de causas, portanto, universo deve ter uma causa. Confesso que acho Aquino mais persuasivo: parece-me mais óbvio que o universo requer uma causa, do que uma série infinita de eventos seja impossível. Mas mesmo a visão de Aquino requer pressuposições, a saber, que nada existe ou acontece sem uma causa suficiente e que as causas (incluindo a causa do universo) são acessíveis à razão humana. Muitos céticos do passado e do presente não concordam com esta suposição.

Minha conclusão é que nossos conceitos de causa, razão e série infinitas dependem da cosmovisão e pressupostos ontológicos e epistemológicos. Eles são insuficientes em si mesmo para servir como base para as cosmovisões. Um teísta cristão pensará diferente dos céticos nestas questões. Seu Teísmo Cristão governa conceitos de causa, razão e infinito, e não o contrário.

Bibliografia

G. Cantor, Contributions to the Foundations of the Theory of Transfinite Numbers (ET, Chicago: 1915).

W. L. Craig, The Kalam Cosmological Argument (New York, 1979)

___, Reasonable Faith (Wheaton, IL, 1994)

G. Gamow, One, Two Three, Infinity (London, 1946)

Nota [1]

Na verdade, a ilustração era proposta pelo matemático alemão David Hilbert quando dava palestras sobre o infinito. Gamow apenas cita esta ilustração em seu livro supracitado, nas páginas 17 e 18. Diz lá: “De fato, no mundo da infinitude, uma parte poder ser igual ao todo! Isto é provavelemnte melhor ilustrado por um exemplo encontrado em uma estória sobre o famoso matemático alemão David Hilbert. Contam que em suas palestras sobre infinito, ele colocava esta propriedade paradoxal dos números infinitos na seguinte palavras: “vamos imaginar um hotel com um número finito de quartos; imaginemos também que todos os quartos estão ocupados. Um novo hóspede chega e pede um quarto. ‘Desculpe, diz o proprietário, mas todos os quartos estão ocupados’. Agora imaginemos um hotel com um número infinito de quartos e todos os quarto estão ocupados. Neste hotel também chega um hóspede e pede um quarto.
‘Mas claro!’, exclama o proprietário, e ele move a pessoa que ocupava previamente quarto N1 para o N2, a pessoa do quarto N2 para o N3, a pessoa do N3 para N4 e assim sucessivamente.... E o novo hóspede recebe o quarto N1, que torna-se livre como resultado da transposição. Imaginemos, agora, um número infinito de hóspede que chegam e pedem quartos. ‘Certamente, cavalheiros’, diz o proprietário, ‘apenas aguarde um momento’. Ele movo o ocupante do N1 para o N2, o do N2 para o N4, o do N3 para N6 e assim por diante. “Agora todos os quartos ímpares tornam-se livres e o infinito de novos convidados pode ser facilmente acomodado neles” (GAMOW, George. One, Two, Three, Infinity – Facts & Speculation of Science. New Your: The Viking Press, 1947/1961) – nota do tradutor

Traduzido por Gaspar de Souza

sábado, 6 de março de 2010

A POSSIBILIDADE DOS MILAGRES

OBSERVAÇÃO

Traduzi o texto abaixo, parte da dissertação de doutorado do Dr. Phil Fernandes, para o nosso blog por acreditar que os seus argumentos sejam bons para o senso comum. A publicação não implica que eu, pessoalmente, concorde com sua exposição do Argumento Cosmológico que, a meu ver, contém sérios problemas teológicos e filosóficos; ou mesmo a suposição dos "fatos brutos das evidências" (note como no final, o Dr. Fernandes, reconhece que as evidências dependem da cosmovisão de alguém!). No próximo artigo que publicarei aqui, tratarei de "Séries Infinitas", do Dr. John Frame; e, em seguida, um do Dr. Bahnsen sobre a "impropriedade do argumento evidencialista para ressurreição de Jesus" e como os pressuposicionalistas tratam da questão dos milagres.

Mas aproveitem a leitura abaixo. É gratificante e proveitosa. Eu não publicaria se não tivesse valor algum. Portanto, leiam, comentem e divulguem.
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Milagres!

Por Dr. Phil Fernandes


Todos os Direitos Reservados para Institute of Biblical Defense, 1997


O Cristianismo é uma Religião histórica. Suas reivindicações, a morte e ressurreição de Jesus de Nazaré ocorreram na História. Por esta razão, a apologética histórica é de grande importância. Se alguém puder provar que Jesus realmente ressurgiu dos mortos na história, então não será preciso ir muito longe para demonstrar o Cristianismo como a religião verdadeira. Porém, antes que um apologista possa engajar-se em apresentar evidências históricas para a ressurreição de Cristo, ele deve, primeiramente, responder às objeções filosóficas contra a possibilidade de milagres. Se milagres são, por definição, impossíveis, então não faz sentido olhar para a história para ver se Jesus realmente ressuscitou dentre os mortos.

A mais forte argumentação filosófica contra os milagres veio das penas de Benedito Spinoza (1632- 1677) e David Hume (1711 – 1778). Spinoza era um Panteísta [1]. Ele acreditava em um deus impessoal que era idêntico ao universo. Ele pensou que um deus impessoal não poderia realizar milagres. Não importa o que um deus impessoal faça, ele deve fazer por necessidade. Spinoza acreditava que a natureza necessariamente operava em uma maneira uniforme. Então, ele argumentava que as leis da natureza não poderiam ser violadas. Posto que, milagres violam as leis da natureza, então eles são impossíveis. [2]

David Hume era um deísta. Ele acreditava que, depois que Deus criou o universo, Ele não mais se envolvia com Sua Criação. Hume raciocinava que os milagres, se ocorressem, são eventos raros. Por outro lado, as leis da natureza descrevem ocorrências diárias, repetidas. Hume argumentava que o homem sábio sempre fundamentaria suas crenças no mais alto grau de probabilidade. Então as leis da natureza têm um alto grau de probabilidade, enquanto o milagre é improvável. Hume considerava a evidência contra milagres sempre maior que a evidencia a favor do milagres. Então, de acordo com Hume, o homem sábio sempre rejeitará a proposta de milagre[3]

RESPOSTA A SPINOZA
Spinoza diz que milagres são impossíveis. Diversas coisas deveriam ser mencionadas em refutação à argumentação de Spinoza. Embora seja verdade que um deus panteístico não possa escolher realizar um milagre (um deus panteístico é impessoal e, por isso, não pode escolher qualquer coisa), existe uma forte evidência de que um deus panteístico não exista [4]. Como o Argumento Cosmológico tem demonstrado, existe um Deus Teístico [5]. Um Deus Teístico é um Deus pessoal, e um Deus pessoal pode escolher realizar milagres.

Segundo, a premissa de Spinoza de que as leis da natureza nunca podem ser violadas é suspeita. As leis da natureza são descritivas; elas não são prescritivas. Em outras palavras, as leis descrevem a maneira que a natureza geralmente age. As leis da natureza não prescrevem como a natureza deve agir.[6]

Terceiro, a definição de Spinoza de milagre como violação das leis da natureza é questionável. É possível que milagres não violem as leis da natureza; eles simplesmente substituem as leis da natureza. C.S Lewis argumentou nestas linhas [7].

Quarto, se Deus criou o universo, então as leis da natureza são sujeitas a ele. Deus pode escolher suspender ou violar (dependendo de como alguém defina um milagre) as leis da natureza em qualquer momento que ele desejar. Resumindo, Spinoza falha em mostrar que milagres são impossíveis.

RESPOSTA A HUME
Hume, diferente de Spinoza, não argumenta pela impossibilidade dos milagres. Em vez disso, ele argumentou que os milagres são tão improváveis que as evidências contra eles sempre será maior do que a evidência a favor deles. Hume argumenta que milagres são impossíveis, e que um homem inteligente apenas crerá no que é provável. Então, o homem inteligente nunca aceitará evidência para um milagre[8]

O apologista cristão pode responder ao argumento de Hume da seguinte maneira. Só porque eventos habituais (as leis da natureza) ocorrem com mais freqüência, não significa que o homem inteligente nunca acreditará que um evento incomum (um milagre) não tenha ocorrido [9]. Um homem inteligente não deveria excluir, a priori, a possibilidade de milagres. Ele examinará a evidência pró ou contra a reivindicação de um milagre e baseará seu julgamento sobre a evidência. Desde que havia mais de 500 testemunhas que reivindicam ter visto Jesus ressuscitado dentre os mortos (1 Coríntios 15.3 – 8), alguém inteligente não rejeitaria o milagre da ressurreição simplesmente porque outras pessoas permanecem mortas. Parece-me que alguém inteligente examinaria a questão do milagre se as testemunhas são confiáveis. Se não existem boas razões para rejeitar o testemunho de testemunhas confiáveis, não haveria motivos para alguém inteligente aceitar os testemunhos de que um milagre aconteceu.

CONCLUSÃO
Algumas pessoas não aceitarão qualquer evento a menos que tenha uma causa natural. Porém, eles rejeitam os milagres porque eles têm uma causa sobrenatural (Deus)[10]. Mas, o Argumento Cosmológico tem mostrado que o universo em si precisa de uma causa sobrenatural (Deus). Então, se existe um Deus que criou o universo, então Ele não teria nenhum problema em intervir em seu universo por operar milagres sobrenaturalmente dentro de seu universo. Uma pessoa não pode excluir os milagres simplesmente porque sua Cosmovisão não os permite. Se sua cosmovisão é fraca (tal como o panteísmo e o deísmo), então ele tem fracas razões para rejeitar os milagres. Se, por outro lado, uma pessoa tem forte evidência para sua cosmovisão (tal como o Teísmo), e esta cosmovisão é consistente com a realidade dos milagres, então ele tem forte razão para acreditar que milagres são possíveis.

Este texto tem apenas mostrado que milagres são possíveis. Outros trabalhos meus tratam com a apologética histórica. Neles examino as evidências para ver se milagres têm ocorrido ou não. Argumentação filosófica pode apenas mostrar que milagres são possíveis. Evidências históricas devem ser utilizadas para determinar se um alegado milagre (tal como a ressurreição de Jesus dentre os mortos) tem ocorrido de fato.

NOTAS FINAIS
1 Norman L. Geisler, Miracles and the Modern Mind (Grand Rapids: Baker Book House, 1992), 18.
2 Ibid., 15.
3 David Hume, An Inquiry Concerning Human Understanding (New York: The Liberal Arts Press, 1955), 117-141.
4 see article on Failure of Other Non-Theistic Worldviews.
5 see article on the Cosmological Argument.
6 Terry L. Miethe, ed. Did Jesus Rise From the Dead? (San Francisco: Harper and Row, 1987), 18.
7 C. S. Lewis, Miracles, 59-60.
8 Geisler, 23-28.
9 Ibid., 27-31.
10 Ibid., 50-51.

Fonte: Institute of Biblical Defense

Traduzido e adaptado por Gaspar de Souza

CAPA DA VEJA DESTA SEMANA!

Não deixem de ler a única Revista de circulação nacional que não foi pautada pelo PT. É a voz que se diferencia no lamaçal pantanoso do petismo. Ah, antes de qualquer coisa, não estou falando de "imparcialidade". Apenas que a Veja escolheu o lado da NOTÍCIA, não do PROSELITISMO, como o Estadão, a Folha de São Paulo, Época, o Globo etc. etc etc etc.....



Fonte: Veja. Você pode ler a matéria na íntegra aqui

sexta-feira, 5 de março de 2010

A SEDE PELA FALSIDADE!

Enquanto preparava meu sermão em Marcos 1.21 - 28, lembrei-me de uma citação que li em "Elogio da Loucura". Para mim, retrata bem o que acontece em nossos dias acerca da pregação e dos "pregadores milagrairos" com suas mirabolantes estórias, bem como DO PÚBLICO QUE OUVE tais "cacarejadores". Curtam a sagacidade daquele que foi considerado um dos maiores humanista do século XVI.
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“Os homens, enfim, querem ser enganados e estão sempre prontos a deixar o verdadeiro para correr atrás do falso.

Quereis d
isso uma prova sensível e incontrastável? Ide assistir a um sermão, e vereis que, quando o cacarejador (oh! Que injúria! Enganei-me, desculpai-me) queria dizer, quando o pregador aborda o assunto com seriedade e apoiado em argumentos, o auditório dorme, boceja, tosse, assoa o nariz, relaxa o corpo, inteiramente enjoado.

Se, porém, o orador, como quase sempre é o caso, conta uma velha fábula ou um milagre da lenda, então o auditório logo se agita, os dorminhocos despertam, todos os ouvintes levantam a cabeça, arregalam os olhos, prestam atenção”

Erasmo de Rotetrdam, Elogio da Loucura (1509), São Paulo: Martin Claret, p. 62

Postado por Gaspar de Souza

JOHN PIPER FALA AO PRESIDENTE BARACK OBAMA

Eu ainda não havia visto o vídeo do Pr. John Pipa. Ah, como seria bom ver nossos pastores com a mesma postura.



Fonte: Youtube

MINISTÉRIO DE MACHOS OU MACHISTAS?

Ministério machista confunde pessoas nos EUA

Por Albert Mohler

A igreja cristã vive uma crise em relação aos homens. As estatísticas contam a estória. A igreja tem sido feminilizada em seu estilo e as virtudes masculinas tem sido depreciadas. O cristianismo - uma fé baseada em verdades pela qual bravos homens estavam dispostos a morrer - foi transformado em uma espiritualidade de mero sentimentalismo. Os homens estão saindo aos montes.

Em muitas igrejas protestantes liberais, os bancos estão repletos de mulheres, muitas delas de idade avançada. Os sermões são insípidos e maçantes. Ideologias feministas tomaram posse e o contexto é ideologicamente hostil ao cromossomo XY. Os homens ficam à distância e os meninos vêem que a igreja é algo que homens evitam.

Entre os evangélicos, o quadro é muitas vezes apenas ligeiramente mais saudável. Apesar de muitas (mas não todas) as linhagens ideológicas serem atenuadas ou combatidas, o clima de hostilidade às virtudes masculinas freqüentemente permanece. Mesmo entre os evangélicos, ministérios para homens muitas vezes parecem mais convites para brincar do que convites para levar a sério o desafio da masculinidade bíblica.

Agora surge a reportagem no Los Angeles Times sobre os "GodMen" (Homens de Deus), um ministério que pretende apresentar os homens ao cristianismo rústico. No entanto, o movimento parece mais rústico do que cristão quando se trata de uma visão da masculinidade.

"Obrigado, Senhor, pela nossa testosterona!" Assim exclama Brad Stine, um tipo de "animador de auditório" que lidera o movimento GodMen. Como o times explica, "ele está aqui hoje como um evangelista, numa missão para construir um novo homem cristão - uma grosseria de cada vez."

Pois bem, eu não sei de algum homem que não seja grato pela testosterona, mas o que os homens cristãos precisam é de uma robusta e desafiadora teologia da masculinidade, não um festival profano de imaturidade adolescente. Se agradecer a Deus pela testosterona significa comportar-se como adolescentes exibicionistas, alguns homens adultos precisam dar as caras urgentemente.

O movimento está amplamente correto na sua identificação do cristianismo contemporâneo como feminilizado e feminino. O problema está na sua aparente adoção de uma distorção caricata da masculinidade como sendo a resposta.

O uso de grosserias pelo movimento GodMen pretensamente é usado para atrair os homens - mas para o quê? Os homens cantam canções sobre querer "minha testosterona elevada." Que tal realmente fazer aquilo que os homens são chamados a fazer na Bíblia?


Veja esta seção da reportagem do jornal:

Na verdade, os homens assumirem o controle é um grande tema do reavivamento GodMen. Naquela que ele espera seja a primeira de muitas dessas conferências, num armazém transformado em clube noturno no centro de Nashville, Stine pergunta aos homens: "Você está pronto para brandir sua espada e dizer, ‘OK, família, eu vou liderar vocês?' ". Ele também distribui uma lista de regras do homem de verdade destinada a sua mulher. N. º 1: "Aprenda a usar o assento da privada. Você já é uma garota crescida. Se está erguido, abaixe."

A esposa de Stine, Desiree, afirma que apóia a liderança masculina; para ela parece ser a ordem natural das coisas, ordenada por Deus. É como ela diz: "Quando a coisa aperta, eu gosto de saber que meu marido vai me defender." Mas alguns homens da conferência se metem em apuros ao estrear suas novas atitudes em casa.

Eric Miller, um operário da construção civil, admite que sua mulher não fica muito satisfeita quando ele saiu sozinho numa viagem para um acampamento alguns fins de semana depois da conferência GodMen, no último outono."Ela estava um pouco apreensiva, pois temos um bebê," ele relata. "Ela disse, 'Eu preciso da sua ajuda por aqui.' "Miller, 26 anos, recusou-se a ceder: "Eu devo ser o líder da família."

Ele tem certeza que sua mulher vai mudar de idéia assim que reconhecer que ele está moldando sua vida de acordo com a vida de Jesus, como um bom cristão deveria fazer. Só será necessária uma breve explicação, porque o Jesus que ele tem em mente é o tipo apresentado no cartaz de “procurado”: "confrontador e sarcástico quando necessário," Miller diz, e está decidido a utilizar "quaisquer meios necessários para atingir seu objetivo."


Esses caras são sérios? Um homem de verdade honra as mulheres - especialmente sua esposa. A verdadeira masculinidade é marcada pelo cavalheirismo e por princípios de respeito, não por grosseiras "regras para verdadeiros homens" que deveriam ser embaraçosas para todos os envolvidos.

E que dizer do homem que quer ser "o líder da família" deixando sua família de lado para tomar parte em um acampamento com “a rapazeada” quando a família precisa dele? Por acaso ele é um marido e pai ou um escoteiro?

Virilidade cristã não tem nada a ver com bater no peito e celebrar a testosterona - tem a ver com apresentar-se e fazer o que homens cristãos de verdade fazem. Verdadeira masculinidade é demonstrada no cumprimento dos papéis determinados a um homem como o de marido, pai, líder, servo, mestre, protetor e provedor. Verdadeira masculinidade está em fazer o que homens fazem, não em conversas sem fim sobre como é maravilhoso ser homem. Verdadeira masculinidade cristã é evidenciada em assumir liderança no lar e na igreja, e não em conversas fáceis e rudes sobre o uso que Jesus fazia de grosserias como quando chamou Herodes de "aquela raposa."

Em outras palavras, verdadeiros homens cristãos são aqueles que cresceram até serem homens, não aqueles que envergonham a igreja e confundem o Evangelho com exibições de mau comportamento adolescente. Esperemos que esse movimento amadureça antes que exploda.

Fonte: Púlpito Cristão

quinta-feira, 4 de março de 2010

REFUTANDO A MORAL RELATIVISTA



Este é um trecho do livro do Dr. Fernandes, “God, Government and the Road to Tyranny“, ainda sem previsão no Brasil.

A moral relativista nega a lei moral absoluta. Ainda assim, eles, como todas as pessoas, reconhecem as más ações dos outros quando eles estão errados. Quando eles estão injustiçados, eles apelam para uma lei objetiva e universal que está acima do Homem. Relativistas morais negam a lei moral absoluta em sala de aula, mas eles vivem por ela em toda a sua vida. Relativistas Morais reservam-se o direito de chamar as ações de Hittler de errada, mas, se não existe tais coisas como certo e errado (como o relativista moral diz), então eles não podem chamar qualquer ação de errada.

A lei moral não tem sua origem, em última instância, dentro de cada pessoa individualmente, pois se assim o fosse ninguém poderia chamar as ações dos outros, com as de Hittler, de mal. A lei moral não tem origem, em última análise, em cada sociedade, pois se assim o fosse, uma sociedade não poderia chamar as ações de outra sociedade (com a Alemanha Nazista) de errada. Finalmente, a lei moral não tem sua origem no consenso mundial, pois o consenso mundial está freqüentemente errado. O consenso do mundo uma vez pensou que a terra era plana e que a escravidão era moralmente admissível.

Apelando ao consenso mundial ou da sociedade como a fonte última da lei moral é realmente apenas uma extensão da visão de que o indivíduo é a fonte última [da lei moral]. A diferença é apenas quantitativa (apenas aumentou o número de pessoas). Todavia, para que a exista uma lei moral acima dos homens (a fim de julgar todos os homens), esta lei moral deve ser qualitativamente acima de todos os homens. Se existe uma absoluto moral qualitativamente acima de todos os homens, todas as sociedades, e todo consenso mundial, então haveria um Doador lei moral que se mantém qualitativamente acima de todos os homens, todas as sociedades e todo consenso mundial.

A lei moral absoluta é eternal e imutável, pois nós a usamos para condenar as ações das gerações passadas. Desde que a lei moral é eterna e imutável, o Doador da lei moral também deve ser eterno e imutável. A lei moral não descrever o que é; ela prescreve o que deveria ser. Prescrever leis, requer um Legislador.
Desde que a lei moral absoluta conduz-nos diretamente para a existência de Deus (o Doador absoluto da lei moral), muitos ateístas e panteístas podem sentir-se compelidos para rejeitar sua existência. Por outro lado, pessoas que desejam viver promiscuamente, freqüentemente rejeitam a Deus. O Apóstolo João parece estar falando dessas pessoas:

E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” (Jo 3.19, 20)

Fonte: Institute of Biblical Defense

Traduzido e Adaptado por Gaspar de Souza

quarta-feira, 3 de março de 2010

CENSURA RONDA O BRASIL - DENUNCIEMOS ENQUANTO SE PODE!

O Vídeo abaixo é uma breve entrevista de Marcelo Madureira, humorista do Casseta & Planeta, falando que já recebeu "recados" do Governo Federal (através de Luiz Gushiken), para que "maneira" no humor sobre o Presidente, D. Marisa etc. Em seguida, o post do Reinaldo Azevedo comentado a PROIBIÇÃO da CONAR (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) à Cervejaria Schincariol de exibir o vídeo em que Paris Hilton considerando-o "sexista".
Então, antes que se PROIBAM os blogs de revelar como este governo é AUTORITÁRIO e movido à DITADURA, resolvi publicar para denunciar.




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DEVASSOS!

Sim, eu sei, o “reacionário” e “direitista” sou eu. Progressista é a Secretaria Especial dos Direitos da Mulher que decidiu recorrer ao Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) contra a propaganda da cerveja Devassa, que trazia Paris Hilton fazendo caras e bocas. O Conar se deixou patrulhar e, lamento empregar tal verbo, censurou a peça. As donas do decoro politicamente correto consideraram a propaganda “sexista”. É mesmo?

Trata-se de um espetáculo ímpar de vigarice intelectual, um verdadeiro tributo que o vício da censura presta à suposta “virtude”. Os dinossauros passeiam entre os girassóis! Posso achar a peça de mau gosto — e, se querem saber, acho. Aliás, não raro, as propagandas de cerveja parecem sugerir que a bebida afeta gravemente os neurônios, tal a indigência que as caracteriza. Ninguém espera um apelo de grande rigor intelectual ou apuro estético, mas a freqüência com que se opta pela boçalidade faz supor que os publicitários têm uma péssima impressão dos consumidores do produto.

E então pergunto: “E daí?” Numa democracia, a gente testa a tolerância justamente com aquilo de que discorda, que chega mesmo a abominar — desde que esteja compreendido no arcabouço legal do país. Paris Hilton não aparecia naquela propaganda fazendo muito mais do que fazem as dublês de modelo e atriz no Carnaval ou mesmo as brasileiras morenas e brejeiras quando vendem… cerveja!!! Ou é a vulgaridade loura e importada que ofendeu as nossas feministas? Já vi propagandas oficiais de camisinha, por exemplo, considerando o sexo casual, com pessoas desconhecidas, coisa absolutamente corriqueira — desde que se use a proteção. Isso é menos “devasso” do que Paris Hilton e sua sexualidade meio plastificada?

É, meninos, a coisa não anda muito bem por essas bandas, não! Chegará o dia em que um conselho qualquer que cuida dos jovens dirá qual é a forma correta de eles aparecerem numa propaganda; depois o conselho dos negros; aí virá o dos idosos; em seguida, o dos anões; também o dos homossexuais… Até o macho branco, heterossexual e católico, essa categoria ainda sem conselho e sem ONG, aparentemente em extinção, sentirá a imperiosa necessidade de se organizar para se defender, não é mesmo?

O Conar fez muito mal em ceder a uma patrulha imbecil e, ela sim, PRECONCEITUOSA. A publicidade está na mira desses torquemadas do politicamente correto e do “partido”. Há no Congresso umas 140 propostas para “disciplinar a área”. A Anvisa já tentou controlar a publicidade de biscoito na televisão em nome da saúde das crianças: propaganda de alimentos “com taxas elevadas de açúcar, gorduras trans e saturada e sódio”, e de “bebidas com baixo teor nutricional (refrigerantes, refrescos, chás)” poderiam ir ao ar apenas das 21h às 6h… Ô pátria de gente virtuosa esta! Quando os valentes não estão cuidando do nosso corpo, zelam pelo nosso espírito.

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Fontes: Reinaldo Azevedo e Youtube

terça-feira, 2 de março de 2010

JESUS CRISTO, O EVANGELHO ETERNO - Marcos 1.1

Por Gaspar de Souza

Introdução


O Evangelho é recontar (história) das Boas Novas da Obra Redentiva de Deus. Nada tem a ver com a Teologia da Prosperidade Material; com o Tradicionalismo ou Jargões evangélicos; nem com a Religião. Antes, tem a ver com uma história contada pelo próprio Deus; tem a ver com Jesus Cristo e sua Vida e Obra.

O Evangelho de Marcos, o mais conciso dos Quatro, centraliza-se nos atos de Jesus Cristo, nas suas realizações, especialmente no que diz respeito aos sofrimentos do Messias. O objetivo, portanto, deste evangelho é ensinar que “fidelidade e obediência como um discípulo de Jesus, inevitavelmente resultarão em oposição, sofrimento e, talvez, morte”(CONSTABLE, 2008, p. 4). O objetivo é pastoral.

Assim, o Evangelho também tem a ver com a relação de Jesus com os Seus Discípulos. Adolf Pohl (1998) chama a atenção para o fato de que Marcos é o único dos Evangelhos que se refere aos Discípulos como “os seus discípulos”( 2.15; 3.7; 8.10,27; 11.11; 14.14, 17; 16.7). Não há Evangelho sem Discípulos! Não se é evangélico (seguidor do Evangelho), sem ser discípulo de Jesus Cristo, o Evangelho Encarnado.

Hoje desejamos expor o primeiro verso, a abertura do Evangelho. Rogamos que a Palavra de Deus registrada neste versículo nos ajude a nos tornar verdadeiros discípulos de Jesus Cristo.

O Princípio do Evangelho (v. 1a) – Embora o título do livro de Marcos sirva para indicar a origem divina de seus escritos, ele tem outro propósito. Note-se que apenas três livros das Escrituras começam com o termo “princípio”: Gênesis, quando fala da Criação; João, quando fala da Eternidade do Verbo; e Marcos, quando fala do Evangelho. Marcos não começa a sua narrativa com a Genealogia de Jesus, pois para ele o Evangelho não começa com o ministério terreno de Cristo. O Evangelho é tão antigo quanto a Criação e, por estar relacionado com Jesus Cristo, é tão eterno quanto o Verbo. Não por menos que a Escritura chama o Evangelho de “Evangelho Eterno”(Ap 14.6) e começou no Céu; é este Evangelho que seria proclamado “aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo”.

Desta forma, “as boas novas sobre Jesus Cristo fornecem um começo de uma grande importância como a Criação do Cosmos. Quando Jesus veio à terra e começou seu ministério, Deus fez nova criação. Este evangelho apresenta um novo começo no qual Deus revela boas novas sobre Jesus Cristo.”(CONSTABLE, 2008, p. 8).

O Evangelho não é um “plano B”. Antes, é a revelação do plano eterno de Deus, anunciado desde o Éden (Gn 3.15), anunciado a Abraão (Gn 12. 3; Cf. Gl 3.8). Como diz o Rev. John Charles Ryle(1994, p. 6): “Na vinda de Jesus Cristo a este mundo, nada houve de inesperado ou de improviso”. O Evangelho é a revelação do mistério que esteve oculto desde tempos eternos este mundo, “mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos Profetas, segundo o mandamento do Deus Eterno, a todas as nações para obediência da fé”(Rm 16.25, 26). Tem mais a ver com Deus do que com os Homens, a quem Deus quer bem.

A Origem e o Conteúdo do Evangelho: Jesus Cristo, o Filho de Deus (v. 1b) – Veja como isto é importante. O texto diz: “princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”. No texto grego, a primeira sentença é uma frase só. Daqui é possível tirarmos três lições preciosas e esquecidas:

a. A primeira maneira de entender o texto (v. 1b) é que o Evangelho tem sua origem no próprio Jesus Cristo: “princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”. Ora, se o Evangelho tem mais a ver com Deus do que qualquer outra coisa, então somente Nele pode ter tido a sua origem. Leiam-se os relatos bíblicos. Ninguém elaboraria um plano perfeito; ninguém descreveria um Deus tão perfeito, santo, justo e bom, como o Deus das Escrituras; ninguém conseguiria inventar um Jesus como os das Escrituras. A história contada nas Escrituras, com um começo (Criação), um meio (Queda) e um Fim (Redenção e Consumação), seria impossível de ser inventada por homens pecadores e egoístas, que tendem a ocultar seus pecados e fracassos. Enfim, ninguém criaria uma “História de Graça”. Deus é a origem do Evangelho. Ou, como diria John Piper, se o Evangelho é a História de Deus sobre Si, então “Deus é o Evangelho”, “Jesus Cristo é o Evangelho”

b. A segunda maneira de entender a frase é: Jesus Cristo é o objeto do Evangelho, isto é, o Evangelho é sobre Jesus Cristo. É sobre a sua vida e obra. Paulo nos diz que o Evangelho é “proclamação do Messias, que foi crucificado, sepultado, ressus¬citou e apareceu aos doze”(Pohl)(Cf. 1Co 15. 1 – 11).

Quero chamar a atenção para o fato de Marcos usar a expressão “Jesus Cristo”. Isto quer dizer que o Evangelho também trata da Salvação de pecadores, pois é isto que o nome de Jesus quer dizer (Cf. Mt 1.21; Lc 2.11); Este Jesus é o “Cristo”, o “Messias”, o Ungido de Deus, aquele anunciado e prometido anteriormente aos Profetas, e agora revelado por amor de nós(8.29; 12.35; 14.61; 15.32. Cf. 1Pe 1.19, 20). Simeão, sendo-lhe revelado que não morreria antes “de ter visto o Cristo do Senhor”, quando recebeu o menino Jesus nos braços orou a Deus dizendo: “os meus olhos viram a tua salvação”(Lc 2. 30); assim foram também os anjos. Ao encontrarem os pastores no campo disseram: “eis aqui que vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”(Lc 2.11). Ele, portanto, é o Escolhido de Deus para Salvação dos Homens. “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.”(At 4.12). Por isso, não há como ser salvo a não ser pelo Evangelho!

c. A terceira e última lição é que ele não é somente o Salvador e Messias. Ele é mais do que um profeta, um herói, um filósofo ou um grande mestre. Ele é chamado de Filho de Deus. Este é o ápice da abertura do Evangelho de Marcos. Para os leitores ocidentais, a expressão “Filho de Deus”, talvez não diga muita coisa. Porém, para os primeiros cristãos, especialmente os judeus convertidos, equivalia a afirmar que Jesus Cristo era Deus, igual ao Pai. A divindade de Jesus Cristo é apresentada logo no início do relato evangélico. Tenho para mim que isto deveria gerar em nós uma plena segurança de que o Evangelho não pode fracassar, visto que está fundamentado no próprio Deus Filho. John Charles Ryle(1994, p. 6) faz o seguinte comentário: “nisto repousa o infinito valor de sua morte na cruz. Nisso fundamenta-se o mérito peculiar de sua morte expiadora em favor dos pecadores. Essa morte não foi a de um mero homem como nós; pelo contrário, foi a morte dAquele que é ‘sobre todos, Deus bendito para todo sempre’(Rm 9.5)”.

E Agora?

Nisto, sem dúvida, reside a beleza da obra da redenção de homens que estão debaixo da ira de Deus, que estão em rebeldia pecaminosa contra Deus: Deus mesmo veio buscá-los! Leitor, nisto reside a suficiência de Jesus Cristo para nossa salvação: Ele é Deus e Homem! Deus não enviou anjos ou homens pecadores para redimir aos pecadores. Antes, Deus Pai enviou Seu Filho para verter seu sangue por pecadores por quem Deus está irado, mas que está disposto a perdoá-los. O Evangelho começa com a Divindade de Jesus. Por isso que, qualquer um, até mesmo um anjo vindo do céu, se anunciar outro Jesus ou outro evangelho, seja anátema, isto é, seja excomungado e maldito, pois diminuiu a sublimidade do Evangelho de Jesus Cristo.

Finalizo com as palavras do J.C. Ryle(idem): “Que os crentes apeguem-se a essa doutrina, com uma zelosa vigilância. Assim, com ela, estarão firmados sobre uma rocha. Sem ela, é como se nada sólido tivessem debaixo de seus pés. Nossos corações são fracos. Nossos pecados, muitos. Precisamos de um Redentor capaz de salvar totalmente e que nos livra da ira vindoura. Nós temos esse redentor em Jesus Cristo. Ele é o ‘Deus Forte’(Is 9.6)”

Postado por Gaspar de Souza