terça-feira, 28 de julho de 2009

"NÃO TENHO FÉ SUFICIENTE PARA SER ATEU" - É PRECISO FÉ PARA SER ATEU?

Gentilmente cedido pelo colega Felipe Sabino, o artigo abaixo desmonta o falso argumento de que é preciso fé para ser ateu. Aliás, tal é o título do livro de Geisler que, embora o conteúdo seja bom, o título é pessímo. Quanta fé é preciso para ser Ateu? Quer dizer que o Ateu tem mais fé do que o Cristão? Se eu tivesse "Fé Suficiente", então eu seria um Ateu? Deixo para os leitores a excelente exposição do Vicent Cheung sobre este assunto. Depois, deixe seus comentários e impressões.
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Sem “Fé” Suficiente para ser um Ateu?

No contexto de defesa do Cristianismo, crentes algumas vezes diriam algo como, “Eu não tenho suficiente para ser um ateu”. Até mesmo alguns pressupocionalistas abusam da palavra dizendo que toda cosmovisão deve começar estabelecendo seus princípios sobre “fé”.

Contudo, isto é tanto biblicamente falso como estrategicamente tolo.

Quando não-cristãos fazem a acusação de que nós afirmamos o Cristianismo baseados somente na “fé”, eles não estão usando a definição bíblica da palavra, mas por ela eles querem dizer algo como, “crença por mera suposição sem qualquer justificativa racional”. Alguns cristãos então, fazem um caso racional para o Cristianismo, e concluem, “É necessário mais fé para ser um ateu, e eu não tenho fé suficiente para ser um ateu”.

Quando usada desta forma, fé significa mera credulidade, e isto implica que o Cristianismo é afirmado por credulidade, sendo que a única diferença é que é necessário mais credulidade para ser um ateu. Este uso anti-bíblico da palavra encoraja nossa audiência a ter uma pequena credulidade, para que nos tornemos um cristão, mas não tanta, a fim de que não nos tornemos um ateu. Mas se isto é o que fé significa, então por que não renunciar toda a credulidade e não ter fé alguma?

O problema é agravado ainda mais quando os cristãos afirmam no mesmo contexto que fé não é mera credulidade, mas que ela é racional. Mas se adicionarmos isto à declaração anterior, “Eu não tenho fé suficiente para ser um ateu”, então, ela torna-se uma admissão de que o ateísmo é mais racional, a qual é exatamente o que negamos quando primeiramente dissemos, “Eu não tenho fé suficiente para ser um ateu”

No contexto bíblico, fé é sempre uma coisa boa, e é sempre bom ter mais fé. Mas repentinamente, no próprio contexto da defesa da “fé”, afirmamos que o ateísmo deve começar também com “fé”, e que os ateus de fato têm mais “fé”, visto que é necessário mais “fé” para ser um ateu.

Então, na mesma discussão ou debate, dizemos também que “fé” é racional, e que os ateus não têm fé de forma alguma, pois ela é um dom de Deus. Ou estamos dizemos que um pouco deste dom divino nos faria cristãos, mas que muito dele nos faria ateus?

Se estivermos usando a definição bíblica se estivermos falando sobre o tipo de fé que temos e que queremos que os nossos ouvintes tenham então, a verdade é que se eu tiver alguma fé, mesmo tão pequena como um grão de mostarda, eu não serei um ateu. O ateu não tem nenhuma fé, nem mais fé. Se estivermos usando a definição bíblica da palavra, então se você tiver alguma fé, você já é um cristão.

Assim, este uso da palavra fé pode parecer esperto para alguns, mas ele é de fato anti-bíblico, tolo, confuso e auto-destrutível. Pelo menos no contexto de uma discussão bíblica, não deveríamos nunca usar a palavra desta forma, isto é, para denotar credulidade.

Ao invés de dizer, “Eu não tenho o suficiente de uma coisa boa para ser um ateu”, deveríamos dizer, “Eu não tenho o suficiente de uma coisa ruim para ser um ateu”. Assim, é muito mais apropriado dizer, “Eu não sou estúpido o suficiente para ser um ateu”.

Segue-se também que nunca deveríamos dizer, “Todos nós temos que começar à partir da fé”. Não, não temos. Todos nós começamos à partir de alguns primeiros princípios como o ponto lógico de partida de todo o nosso pensamento. Os cristãos afirmam a Escritura como o seu ponto de partida pela fé-razão (um dom divino de assentir à verdade, que é eminentemente racional), mas os não-cristãos afirmam seus vários primeiros princípios, que são falsos e irracionais, por sua impiedade e credulidade.

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Nota sobre o autor: Vincent Cheung é o presidente da Reformation Ministries International [Ministério Reformado Internacional]. Ele é o autor de mais de vinte livros e centenas de palestras sobre uma vasta gama de tópicos na teologia, filosofia, apologética e espiritualidade. Através dos seus livros e palestras, ele está treinando cristãos para entender, proclamar, defender e praticar a cosmovisão bíblica como um sistema de pensamento compreensivo e coerente, revelado por Deus na Escritura. Ele e sua esposa, Denise, residem em Boston, Massachusetts. http://www.rmiweb.org/


Fonte: Monergismo

Postado por Gaspar de Souza

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Um Pouco de Apologética Pressuposicional

A COSMOVISÃO CRISTÃ, A COSMOVISÃO ATEÍSTA E A LÓGICA

Pode uma ateísta apresentar uma razão lógica de como sua cosmovisão pode dar satisfações para as abstratas leis da lógica? Eu penso que não. Mas, a cosmovisão Cristã pode. A cosmovisão cristã declara que Deus é o autor da verdade, lógica, leis físicas etc. Ateístas mantêm que leis físicas são propriedades da matéria, e que a verdade e lógica são convenções relativas (princípios consentidos). Isto é logicamente defensável? Apresento este esboço na esperança de esclarecer o assunto e apresentar, o que eu considero, um problema insuperável da cosmovisão ateísta. Eu hesito declarar que isto seja uma prova que Deus existe, mas eu creio isto seja uma evidência da absoluta natureza de Deus. Este argumento é adaptado do Argumento Transcendental defendido por Greg Bahnsen.


  1. COMO OS CRISTÃOS DESCREVEM AS LEIS DA LÓGICA?
    1. A cosmovisão cristã declara que Deus é absoluto e o padrão da verdade.
    2. Então, as leis absolutas da lógica existem porque refletem a natureza absoluta de Deus.
      1. Deus não criou as leis da lógica. Elas não foram trazidas à existência, desde que elas refletem os pensamentos de Deus. Desde que Deus é eterno, as leis da lógica também são.[1]
    3. O Homem, ser criado à imagem de Deus, é capaz de descobrir essas leis da lógica. Ele não as inventou.
    4. Então, o Cristão pode declarar a existência das leis da lógica por reconhecer sua origem em Deus e que o Homem é único capaz de descobri-las.
    5. Apesar disso, o Ateísta pode dizer que esta resposta é simplista e conveniente. Pode ser, porém, pelo menos a cosmovisão cristã pode explicar a existência da lógica e si mesma.
  2. EXEMPLO DAS LEIS DA LÓGICA
    1. Lei da Identidade – algo é o que é. As coisas que existem tem uma natureza definida.
    2. Lei da Não Contradição – algo não pode ser e não ser ao mesmo tempo, na mesma forma e no mesmo sentido.
    3. Lei do Terceiro Excluído – uma proposição ou é verdadeira ou falsa. Assim, a declaração “uma proposição ou é verdadeira ou falsa” é verdadeira ou falsa.
  3. Como o Ateísta descreve as Leis da Lógica.
    1. Se o Ateísta declara que as leis da lógica são convenções (mutuamente combinada sob conclusão), então as leis da lógica não são absolutas porque elas são sujeitas ao “voto”
    2. As leis da Lógica não são dependentes das mentes de pessoas diferentes, desde que pessoas são diferentes. Então, elas não podem ser baseadas no pensamento do homem, pois os pensamentos dos homens são frequentemente contraditórios.
    3. Se o Ateísta declara que as leis da lógica são derivadas por observar princípios naturais encontrados na natureza, então ele está confundindo a mente com o universo.
      1. Nós descobrimos leis da física por observar e analisar o comportamento das coisas em nosso redor. As leis da lógicas não são resultados de comportamento observável dos objetos ou ações.
        1. Por exemplo, na natureza não se ver nada que seja e não-seja ao mesmo tempo.
        2. Por que? Porque nós só podemos observar fenômenos que existem, não um que não existe. Se algo não é, então não existe. Como pode, então, as características de algo não existente serem observadas? Elas não podem.
        3. Então, nós não descobrimos a lei da lógica pela observação, mas pelo pensamento.
      2. Ou, onde na natureza nós observamos que alguma não pode trazer em si mesma à existência se ela não já existe?
        1. Você não pode fazer observações sobre como alguma coisa que não ocorre se ela não existe. Você não deveria, principalmente, observar coisa alguma, e, como pode qualquer lei da lógica ser aplicada ou derivada, nada observando?
      3. As leis da lógica são realidades conceituais. Elas apenas existem na mente e elas não descrevem o comportamento físico das coisas porque comportamento é ação, e leis da lógica não são descrições de ação, mas de verdade.
        1. Em outras palavras, leis da lógica não são ações. Elas não são declarações sobre conceituais de pensamentos padrão. Embora alguém pudesse dizer que a lei da física (i.e, o anglo da reflexão é igual ao anglo da incidência) é uma declaração que seja conceitual, isto é uma declaração que descreve um ato físico e comportamento observável. Mas, lógica absoluta não é observável e não descreve comportamento ou ação das coisas, desde que ela reside completamente na mente.
        2. Nós não observamos as leis da lógica ocorrerem na matéria. Você não observa um objeto trazendo à existência se ele não existe. Então, nenhuma lei da lógica pode ser observável por não vê-las.
      4. Se o Ateísta apela para o método cientifico para explicar as leis da lógica, então ele está usando uma argumentação circular porque o método científico é dependente da lógica; ou seja, raciocinou pensando aplicar a observação.
      5. Se a lógica não é absoluta, então nenhum argumento lógico para ou contra a existência de Deus pode ser levantado, e o Ateísta não tem nada a fazer com isso.
      6. Se a lógica não é absoluta, então a lógica não pode ser usada para provar ou negar o que quer que seja.
      7. Ateístas usarão a lógica para negar a existência de Deus, mas fazendo isto eles estão assumindo o absoluto das leis absolutas e emprestando da Cosmovisão Cristã.
        1. A cosmovisão cristã mantém que as leis da lógica são absolutas porque elas vêm de Deus, que é absoluto em si mesmo.
        2. Mas a cosmovisão ateísta não tem um Deus absoluto.
        3. Então, perguntamos, “como pode leis absolutas, conceituais, abstratas serem derivadas de um universo de matéria, energia e movimento?
        4. Em outras palavras, “como pode um ateísta com uma pressuposição naturalista explicar a existência da lógica absoluta quando lógica absoluta é conceitual por natureza e não física, energia ou ação?
  1. Conclusão
    1. A cosmovisão teísta cristã pode explicar as leis da lógica por afirmar que elas foram criadas por Deus.
      1. Deus é transcendente; quer dizer, Ele está além do universo material, sendo seu criador.
      2. Deus deu origem às leis da Lógica porque elas refletem sua natureza.
      3. As leis da lógica são absolutas.
      4. Elas são absolutas porque existe um Deus absoluto.
  2. A cosmovisão ateísta não pode explicar as leis da lógica/absolutas, e deve pegar emprestado da cosmovisão cristã a fim de argumentar racionalmente.



Fonte: www.carm.org


Traduzido e postado por Gaspar de Souza


[1] Há, entre os Apologetas e Filósofos Reformados, divergências quanto a esta questão. Alguns, de fato, acreditam que as Leis da Lógica são criadas por Deus(p.e. Herman Dooyeweerd). Aguarde a tradução do artigo do Richard Pratt “Does God Observe the Law of Contradiction? . . . Should We?(Third Millenium Ministries). Também é preciso afirmar que há, entre os estudiosos da lógica, divergência acerca da Lei da Não-Contradição. Como demonstra Pratt, a visão de Aristóteles tem sido desafiada por inúmeros pensadores modernos como Frege, Ayers, Russell, Einstein, Whitehead, Heisenberg, Lukasiewicz, Zadeh e Kosko. Veja o post anterior.(Nota do tradutor)


UM POUCO DE FILOSOFIA CALVINISTA

Abaixo segue um antigo artigo do Dr. Ricardo Quadros Gouvêa, expert em Kiekeergard, com diversas publicações sobre este filósofo. O Dr. Ricardo é prof. na Universidade Presbiteriana Mackenzie e autor de diversos artigos nas áreas de Filosofia e Teologia. O artigo aqui postado trata de uma descrição da Filosofia Calvinista, bem como seus fundamentos. Leiam, comentem e deixem suas impressões.
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Calvinistas Também Pensam: Uma Introdução à Filosofia Reformada

O que acontece quando um cristão reformado reflete nas implicações filosóficas, científicas e práticas da sua fé? Uma revolução do pensamento teórico com drásticas conseqüências práticas! Nada pode ser mais salutar à igreja do que ser confrontada com os resultados da fé bíblica conforme expostos pela filosofia reformada. Minha expectativa é que isto se torne também a convicção dos leitores ao completarem a leitura deste artigo.

Pensamento antitético: marca da filosofia reformada

"Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis". Os homens, inimigos de Deus, "jamais podem chegar ao conhecimento da verdade" (2 Tm 3.1-7). Paulo não poderia imaginar a sutileza de raciocínios em que tal inimizade se revelaria. O discurso no Areópago (At 17.22-31), tão necessário hoje quanto no dia em que foi proferido, é mais desprezado que nunca pelos cultos doutores que, em rebeldia contra seu Criador (Rm 1.18-21), repetem o motejar dos atenienses: "Sobre isso, Paulo, nós te ouviremos numa outra ocasião" (At 17.32). A filosofia não-cristã sofre de um racionalismo ingênuo desde suas origens helênicas, e a intelectualidade moderna abraçou definitivamente a utopia do ideal científico e o mito da objetividade empírica, a falácia autofágica dos pressupostos huma

nistas, como a autonomia do pensamento, que implica na rejeição de toda autoridade e na absolutização do juízo crítico.(1) Hoje temos assistido à consumação inevitável de tais compromissos anti-cristãos. O homem se mostra confiante na sua racionalidade a qual supõe potencialmente onisciente, adorando-se como criador e provedor, arquiteto e intérprete do universo, centro de toda a realidade, e o sentido do mundo e da existência. Ele ouve a voz que lhe sussurra: "Certamente não morrerás; pelo contrário, tu serás como o próprio Deus!" (Gn 3.4-5).

Possibilidade e necessidade de uma filosofia reformada

Ettiene Gilson considerou uma filosofia calvinista impossível.(2) O ponto-de-vista reformado de que o homem é totalmente corrupto,(3) e que não pode, portanto, chegar à verdade, exceto tendo por base a revelação divina, impediria a ereção de uma filosofia cristã. Os calvinistas assumem a revelação de Deus como absolutamente determinativa, e rejeitam a idéia de uma teologia natural. Assim, sugere Gilson, é impossível fazer filosofia, e resta espaço apenas para a teologia.(4) Todavia, a noção reformada da revelação não só dá amplo espaço para o pensamento filosófico, como também é o único solo adequado para o florescimento de uma verdadeira filosofia cristã,(5) uma filosofia que pode ser genuinamente objetiva, como as filosofias imanentistas jamais podem ser.(6)

Precisamos de uma filosofia porque o pensamento teórico não é possível sem a estrutura filosófica que o sustenta. Não é possível fazer teologia, nem ciência, sem um fundamento filosófico.(7) Mas a deficiência das antigas filosofias cristãs, nas quais as teologias cristãs vem se baseando por séculos, tornou-se patente. O pensador reformado não pode mais agüentar os pressupostos platônicos, aristotélicos, tomistas, cartesianos, kantianos, ou de qualquer outra espécie espúria que serviram e servem de sustentação para a sua ponderação teórica. O pensador reformado tornou-se epistemologicamente consciente, e exige um novo fundamento que se mostre de acordo com a sua fé. Mas onde podemos encontrar uma filosofia que nos sirva? A filosofia de Tomás de Aquino de fato não nos serve. Trata-se de uma filosofia de síntese, em que a fé cristã é submetida a um desconfortável processo de adaptação ao aristotelismo. Nela, Deus não se distingue inteiramente da sua criação posicionando-se meramente no topo da grande escala dos seres. O elemento transcendente na filosofia tomista não é Deus, mas sim o "Ser". O deus do tomismo não é o trino Deus auto-suficiente das Escrituras, mas sim a causa-não-causada, mecanicamente ligado ao cosmos e dependente dele. Que fazer? Retornamos a Agostinho? Sim,sem dúvida, naquilo em que o bispo de Hipona é irrepreensivelmente evangélico, naquilo em que foi um verdadeiro precursor do pensamento reformado; mas também Agostinho se deixou levar pelo "canto das sereias" grego, e nos oferece uma filosofia cristã que carrega os farrapos tresandantes e desnecessários de um platonismo decadente, em vez da nudez genuína de Jesus Cristo na cruz.

Que opções nos restariam então? As novas sínteses modernas e pós-modernas? O racionalismo de Descartes? O empiricismo de Berkeley? Ou somos obrigados a sucumbir diante da crítica kantiana, pretensamente redentora da fé cristã? Ou resta-nos, apenas, o desespero irracional e subjetivista de Kierkegaard e seus sucessores? Ou por fim devemos nos render à disseminação plurívocado sentido,(8) e ao consequente relativismo absoluto apregoado por Jacques Derrida?(9) Não será esta uma causa perdida? Não será nossa única saída a opção dialética do irracionalismo barthiano? Não seria melhor abraçarmos um fideísmo aparentemente confortável, e deixarmos questões tão complexas e abstratas para o banquete intelectual dos incrédulos? De forma nenhuma! Opções irracionais e fideístas não são menos filosóficas que qualquer outra. Não há pensamento que não seja fundamentado em pressupostos filosóficos. E se não é possível escaparmos da abstração teórica, da estruturação filosófica, das pressuposições aprioristas, então o melhor é que tomemos o cuidado de abraçarmos pressupostos escriturísticos, através de uma filosofia bíblica e reformada, que teoriza para a glória de Deus, e com os olhos fixos no Senhor Jesus Cristo.

Origens da filosofia reformada: os primeiros mestres

Os frutos filosóficos do Iluminismo não trazem alento ao coração do pensador reformado, o qual não pode senão horrorizar-se diante das diferentes opções que se lhe apresentam quando se trata de adotar uma filosofia cristã moderna. Será então que filosofia tornou-se hoje sinônimo de apostasia, e temerária rejeição da revelação de Deus? Será verdade, por outro lado, que a mentalidade Reformada se encontra em tal estado de embotamento que não tenha uma resposta antitética que seja também positiva e atual? Será possível que nossa única opção seja o obscurantismo dos iletrados, e o isolacionismo dos indispostos? De forma nenhuma! É minha convicção que o nosso Deus tem dado início em nossos dia àquilo que podemos chamar de um novo movimento do Espírito, levantando homens aptos a contrargumentar e a derrotar especulações e sofismas, trazendo todo pensamento à obediência de Cristo (2 Co 10. 3-5).

Refiro-me aos proponentes da filosofia reformada, cuja nau há muito navega com todas as velas enfunadas em meio às ondas bravias do pensamento apóstata, e segue em alto mar, clamando à intelectualidade contemporânea um retorno à sanidade do fides quaerens intellectum, da distinção fundamental Criador-criatura, da submissão do pensamento humanamente deficiente à autoridade revelacional de Deus em Jesus Cristo. Num tempo em que o paganismo se a

giganta e a cristandade se fragmenta, se corrompe, e se emascula, eles surgem como apregoadores de uma nova apologética e de uma filosofia reformada, fundamentada na Escritura, erguida sobre os cânones calvinistas, que surge para eliminar uma lacuna que há muito traz um quase sempre indiagnosticável incômodo ao pensador cristão que se posiciona na linha de João Calvino.

A filosofia reformada é praticamente desconhecida na nossa pátria.(10) Fundada pelo renomado teólogo, filósofo e estadista holandês Abraham Kuyper (1837-1920), pensador original e enciclopédico,(11) ela foi desenvolvida por Herman Bavinck (1854-1921) que lançou, juntamente com Kuyper, os fundamentos da filosofia reformada,(12) Herman Dooyeweerd (1894-1977), o grande sistematizador da filosofia Reformada, mestre da crítica transcendental, pai da filosofia cosmonômica,(13) Dirk H. Theodor Vollenhoven (1892-1978),(14) Hendrik G. Stoker (1899-1994),(15) e Cornelius Van Til (1895-1987).(16)

Princípios elementares da filosofia reformada

Neste artigo introdutório não será possível fazer muito mais além de apresentar ao pensador reformado brasileiro os princípios básicos da filosofia e da apologética reformada. Muitos conceitos parecerão estranhos, e as idéias poderão criar dúvidas. Faz-se necessária uma explicitação conceitual mais aprofundada que ficará para outra ocasião. O que segue, portanto, é meramente uma vista panorâmica e propedêutica dos fundamentos da filosofia reformada.

Calvinismo integral: uma visão completa da vida e do mundo

Para o pensador calvinista, tudo na vida é religião. O calvinismo é uma biocosmovisão completa que envolve todos os aspectos da vida e todas as áreas do conhecimento humano.(17) O calvinista não pode se satisfazer apenas com uma teologia reformada; ele busca uma filosofia igualmente reformada, uma ciência, uma arte, uma cultura, uma política reformada. Todas as áreas da ciência podem e devem ser exploradas a partir de pressupostos cristãos reformados, através da examinação pressuposicional (dos fundamentos teóricos) e estrutural segundo o motivo bíblico elementar da criação-queda-redenção(18) (da sua ordem criada, das disfunções resultantes do pecado, e da retauração pós-lapsariana em Cristo).(19) Como dizia Van Til: "Não há um centímetro quadrado da vida da qual Cristo não diga `é meu'"(20) (Mt 28.18). Deus é absolutamente soberano sobre toda a criação bem como sobre todas os aspectos da realidade e todas as esferas da vida humana. A soberania absoluta de Deus (Sl 139; Is 46.9-10; Ef 1.3-14) é o conceito central e fundamental do pensamento reformado.

A distinção Criador-criatura: diferença qualitativa infinita

Deus não pode, evidentemente, ser confundido com a criação.(21) A filosofia calvinista é teísta. Em oposição aos sistemas monistas que identificam o cosmos criado com Deus (panteísmo), ou eliminam a idéia de Deus inteiramente (ateísmo), ela pode ser também considerada dualista. Existe uma diferença qualitativa infinita entre a mente de Deus e a mente humana (Is 55.8). Não é que Deus saiba infinitamente mais que o homem, mas sim que o saber divino é de qualidade diferente do saber humano.(22) A revelação divina é a fronteira entre Deus e o cosmos.(23) A revelação de Deus traz sentido ao cosmos criado, e exerce uma função legisladora sobre o mesmo. Deus não se limita à revelação; Deus é o criador do cosmos e das leis que o regem, e não está sujeito às leis cósmicas, nem mesmo às leis da lógica.(24)

Filosofia do pacto: tudo na vida é fundamentalmente religioso

O conceito de religião representa, na filosofia calvinista, não a noção popular de religiosidade, mas sim o verdadeiro sentido da palavra, isto é, a religação do indivíduo com o seu Criador. Ora, só há um caminho para a redenção e a reconciliação com Deus: a fé em Jesus Cristo. Para o pensador reformado, portanto, a religiosidade é uma função do ser humano, e todos os seres humanos são essencialmente religiosos, uma vez que todos os homens se posicionam em submissão ou em rebeldia contra Deus, respondendo positiva ou negativamente à salvação em Cristo oferecida pela graça divina, segundo a soberania do próprio Deus. O pensamento humano é controlado e guiado por princípios fundamentais que refletem uma atitude religiosa básica. Esta é, na verdade, uma noção básica da teologia do pacto: nós somos criaturas religiosas. Nós fomos criados para conhecer a Deus e ter comunhão com ele. Nós temos que depender de Deus. Quando não o fazemos, não é que deixamos de ser religiosos, mas sim que desviamos nossa fé em direção de algum outro objeto, e tornamo-nos idólatras, infiéis para com Deus, adorando a criatura em lugar do Criador (Rm 1.25). O "coração" humano se dirige a Deus ou se afasta dele em rebeldia (Rm 3.10; 8.7-8; Ef 2.3). Ele é o centro da existência humana e do relacionamento com Deus. Do coração do homem procedem as fontes da vida (Pv 4.23), isto é, tudo na vida depende e é também resultado deste posicionamento religioso do coração em submissão ou em rebeldia contra Deus.

Pressuposição da filosofia calvinista: só o cristianismo dá sentido ao mundo

Ninguém, segundo a filosofia reformada, pode prestar contas de coisa alguma em si mesmo ou no mundo exceto se fundamentado na revelação.(25) Desse ponto de vista, é absolutamente irracional defender qualquer outra postura que não seja a da fé cristã. Somente o cristianismo não sacrifica a razão no altar da deusa contingência.(26) A filosofia reformada é, portanto, pressuposional: ela sustenta que a única "prova" da posição cristã é que, a não ser que ela seja pressuposta como verdade, não é possível provar coisa alguma.(27) Pela graça comum, todavia, os incrédulos têm chegado a descobertas espantosas. Só que, segundo a filosofia calvinista, o não-cristão não tem nenhum direito sobre qualquer destas verdades, que Van Til chama de "capital emprestado".(28) Todas as verdades sobre o cosmos pertencem àqueles que reconhecem o cosmos e suas leis como criação de Deus. Até mesmo conceitos filosóficos de origem não cristã podem ser utilizados pela filosofia cristã reformada, uma vez que eles, quando verdadeiros, pertencem de direito ao cristão, que tem a obrigação de resgatar e purificar a verdade, e trazê-la à obediência de Cristo (2 Co 10.3-5). Esse processo é oposto ao processo de síntese comumente utilizado por filósofos cristãos (ex.: Tomas de Aquino, Paul Tillich) que realizam o processo inverso através de uma adaptação forçada do pensamento cristão ao pensamento apóstata.

Palingênese: a restauração integral em Cristo (29)

Orientado pela revelação, o cristão pode interpretar o mundo corretamente, ainda que não exaustivamente. O cristão pode e deve explorar o cosmos criado, bem como suas próprias capacidades intelectivas. Essa atividade é, na verdade, um mandato bíblico (Gn 1.28). Na verdade, só o cristão, graças ao processo palingenético, genuinamente pode, quer, e sabe fazê-lo, no poder do Espírito (Cl 3.10).(30) O pensamento não-cristão põe-se em rebeldia contra o Criador, e afirma a autonomia da razão humana, a qual passa a ser o tribunal supremo da verdade. Mas a pretensa razão autônoma não é realmente livre. Ela é a razão escravizada pelo pecado que carrega o ser humano inevitavelmente para a escravidão da idolatria. Somente a ação redentora do Espírito de Deus pode tornar o homem livre da escravidão do pecado para a obediência de Cristo. E assim libertado, o cristão recupera a capacidade de explorar de forma proveitosa a criação de Deus, pois agora ele compreende que de Deus, por Deus, e para Deus são todas as coisas (Rm 11.36; cf. At 17.28).

Fica claro que um obstáculo para a filosofia reformada é o biblicismo.(31) O pensamento biblicista é uma distorção da doutrina calvinista da Palavra de Deus. A filosofia calvinista se fundamenta na Bíblia e se responsabiliza por permanecer sempre biblicamente orientada. Mas se a Bíblia é compreendida como a única fonte de conhecimento seguro para o cristão, e exclue-se a possibilidade de investigar-se o cosmos criado através da iluminação do Espírito, então de fato as portas se fecham para a investigaçãocientífica e filosófica, o que é sem dúvida uma tragédia. O biblicismo é, entretanto, uma distorção que não representa fidedignamente o pensamento calvinista. Para Calvino, a revelação especial de Deus são as lentes que nos permitem compreender a criação como o próprio Deus a compreende. Ao colocarmos as lentes da Escritura em frente aos nossos olhos somos capazes, pela primeira vez, de enxergar a criação de Deus de modo apropriado.

Calvino compreendeu os efeitos radicais da queda, inclusive o efeito noético do pecado, que tornou a razão humana incapaz de chegar ao conhecimento da verdade por si mesma (Tt 1.15). E uma vez que a queda é primordialmente uma tragédia ética, a desobediência é a característica de tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos. Mas Calvino também compreendeu o sentido radical da redenção em Cristo, que restaura o homem palingeneticamente, em todos os aspectos do seu ser.(32) A investigação do cosmos criado e da revelação geral de Deus é, todavia, executada segundo os pressupostos bíblicos explicitados teoricamente pela filosofia reformada. O pensador calvinista não principia em um "fato" supostamente neutro. Segundo Van Til, o que o não-cristão entende pela existência de um "fato", é a sua existência independentemente de Deus.(33) O "ser" é a noção transcendental por excelência do pensamento não-cristão (e de formas inconsistentes do cristianismo). Mas o "ser" e a "existência", segundo a filosofia reformada, não podem sequer ser discutidos sem que seja considerada a pressuposição ainda mais fundamental da existência ou do "ser" de Deus. Todas as coisas são inexplicáveis se não fôr pressuposto o Deus da Escritura.(34)

Defesa da fé: Uma filosofia reformada implica em uma apologética reformada

Paralela à insatisfação reformada com as chamadas filosofias cristãs, desenvolveu-se paulatinamente uma insatisfação semelhante com os métodos apologéticos empregados pelos defensores da nossa fé. O surgimento de uma filosofia reformada implica em uma revolução na nossa apologética. Coube a Van Til desenvolver um sistema apologético que ele considerou genuinamente reformado. Van Til chamou seu método de "pressuposicional", e seu lema é o de Anselmo: credo ut intelligam (eu creio para que eu possa compreender). O método pressuposicional de Van Til opõe-se radicalmente ao método tradicional evidencialista-racionalista, que sugere exatamente o oposto: "eu creio porque eu compreendo".(35) A apologética tradicional acredita na habilidade e confiabilidade da razão humana, e procura fundamentar a fé em argumentos racionais e empíricos. O método tradicional, portanto, não leva devidamente em consideração os efeitos radicais da queda. O método pressuposicional sustenta que a fé em Deus precede o entendimento de qualquer coisa, e que a elucidação teórica da verdade é subseqüente à fé; e que a corrupção total do homem foi a causa da razão humana se tornar incapaz de ancorar-se, autonomamente, e de modo satisfatório, em algo objetivamente indubitável. A ação regeneradora do Espírito é conditio sine qua non tanto para o despertar da fé quanto para a iluminação intelectual genuína que, radicada na fé em Deus, pode chegar à interpretação correta dos fatos. Analisaremos em seguida os três princípios elementares da nova apologética reformada.

Pensamento pressuposicional: Deus como pressuposto filosófico

A apologética é a justificação da nossa esperança, a qual somos chamados a apresentar àqueles que nos indagam (1 Pe 3.15). É, segundo Van Til, "a defesa da filosofia de vida cristã contra as várias formas da filosofia de vida não-cristã".(36) O mandato escriturístico é bastante claro, mas resta saber qual é a melhor metodologia para executá-lo. A apologética tradicional principia no esforço de provar a existência de Deus. Alguns apologistas buscam demonstrar a existência de Deus através de argumentos lógicos, e alguns apresentam evidências históricas. A apologética reformada é chamada "pressuposicional" porque ela não procura provar a existência de Deus, mas antes a pressupõe. Ela ainda pressupõe que todas as pessoas já sabem de antemão que Deus existe, mesmo que afirmem o contrário (Rm 1.18-20). Além disso, a apologética reformada não pressupõe um deus, ou melhor ainda, a possibilidade da existência de um deus. A apologética reformada não se satisfaz senão com o pressuposto do trino Deus das Escrituras, e este não existe possivelmente, mas certamente é! Deus é ontologica e racionalmente necessário!(37) Para o apologista tomista, a possibilidade torna-se a origem de Deus; mas para o apologista reformado, Deus é a origem de toda e qualquer possibilidade. A apologética reformada, portanto, em vez de tentar provar a existência de Deus por meios racionalistas e empiricistas, pressupõe a existência de Deus desde o princípio. E isso não é embaraçoso, porque os incrédulos também baseiam a sua incredulidade em alguma espécie de autoridade não-confirmável. Ambos, cristãos e não-cristãos, possuem pressuposições. Os chamados bruta facta (fatos brutos, nus e crus) não existem. Tudo que "existe" já existe interpretado, hermeneuticizado pelo homem segundo pressupostos previamente estabelecidos. A neutralidade do pensamento é uma utopia que nem é possível nem desejável, pois almejá-la é iludir-se e submeter-se invariavelmente, consciente ou inconscientemente, sob a égide de um conjunto específico de pressuposições.

O efeito noético do pecado: a corrupção da razão

A apologética reformada entende que a corrupção do pecado estende-se a todas as áreas da vida do homem, inclusive a seus pensamentos e atitudes, sua razão, suas emoções, sua vontade. É somente pela graça de Deus, através da regeneração pelo novo nascimento em Cristo, que o ser humano pode, pelo poder do Espírito, renovar a sua mente, e adquirir a capacidade de repensar os pensamentos de Deus, e de entender o mundo conforme a interpretação dada por Deus em sua revelação. A apologética reformada não minimiza a lógica (mas também não a eleva acima de Deus, que a criou) nem as evidências, mas ela as incorpora em um esquema de compromissos básicos (pressuposições) no qual elas passam a fazer sentido.(38) O pensamento não-cristão (bem como o pensamento cristão inconsistente) não possue um legítimo ponto de transcendência, e acaba por permanecer preso dentro dos confins do cosmos criado. A apologética reformada afirma a finitude e a pecaminosidade do homem, e a incapacidade humana de compreender o universo. Mas ela também apresenta Deus como o Criador. Só um mundo que tem sua interpretação definida pelo Deus vivo faz sentido (Jó 38.4).(39)

Ponto-de-contato: a religiosidade inerente ao homem

A apologética reformada baseia-se no fato de que todos os homens intuem Deus (sensus divinitatis). O homem rejeita seu conhecimento de Deus e o nega. Quando apresentamos o evangelho aos incrédulos, estamos-lhes comunicando aquilo que eles em grande parte já sabem, mas tentam ignorar e suprimir (Rm 1.18-25).(40) Este é, segundo a apologética reformada, o nosso único ponto de contato (Anknüpfungspunkt) com os incrédulos. Eis porque são vãos os apelos da apologética tradicional às "noções comuns" a cristãos e não-cristãos, e à neutralidade da razão. Contrário ao que diz a apologética clássica, a racionalidade humana não serve como ponto-de-contato.(41) Não há acordo entre cristão e não-cristão em nenhuma área do conhecimento humano, em nenhum aspecto de sua biocosmovisão.(42) A apologética pressuposicional ataca, portanto, o coração do incrédulo, e consequentemente o coração da questão. Pensamento e fé são funções do ser humano que operam unidas movendo-se em direção à obediência a Deus ou à apostasia. A apologética calvinista busca, portanto, expôr os pressupostos básicos que controlam o pensamento e a vida das pessoas. Isso envolve identificar e desmascarar os motivos que direcionam as tendências por trás do estilo-de-vida de um indivíduo, de uma família ou de toda uma sociedade. Eis porque a apologética e a filosofia reformadas formam a base necessária e convidam o pensador cristão para se engajar na formação de uma psicologia reformada, uma sociologia reformada, uma antropologia reformada, e assim por diante. Assim como a filosofia reformada é antitética e bíblica, assim também devem ser as ciências sob o ponto-de-vista calvinista. A filosofia reformada forma a sustentação teorética necessária para o levantamento destes edifícios científicos. Fica claro, portanto, que não estamos propondo a criação de glossas e apêndices, mas sim uma verdadeira revolução na história do pensamento cristão, para maior glória do nome de Cristo.

Conclusão

Neste ensaio procuramos em breves palavras apresentar ao pensador reformado brasileiro os fundamentos da filosofia e da apologética reformadas. Só Deus sabe os efeitos que tal empreendimento pode promover na igreja de Cristo. Só podemos adiantar que são efeitos revolucionários, transformadores, e verdadeiramente significativos para a teologia, a prática eclesiástica, e a vida cristã de cada irmão em Cristo. Nossa esperança é que o pensamento reformado se agigante em nossa pátria, e que possa ter sobre nossa terra e nosso povo um efeito salvador e restaurador, em particular na cultura e na política brasileiras. Nossa proposta é que o brasileiro calvinista abrace uma biocosmovisão completamente calvinista, para que possamos de fato, e coerentemente, reclamar o Brasil para Cristo, em todas as áreas da vida, da cultura, e do pensamento. Na minha opinião, O calvinismo é a mais perfeita apresentação da fé cristã. Como disse B. B. Warfield, "o calvinismo é o cristianismo que se achou".(43) Se pregarmos a fé reformada segundo os princípios básicos da biocosmovisão calvinista, estaremos pregando a fé cristã em sua mais perfeita expressão, e estaremos portanto, servindo a causa de Jesus Cristo da melhor maneira possível.

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Notas

1 Para definições desses e de outros conceitos filosóficos mencionados no presente artigo, ver Estêvão Cruz, Compêndio de Filosofia (Porto Alegre: Globo, 1932); Theobaldo Miranda Santos, Manual de Filosofia: Introdução, Filosofia Geral, História da Filosofia, e Dicionário de Filosofia (São Paulo: Nacional, 1966; 14a. ed.); Norman L. Geisler e Paul D. Feinberg, Introdução à Filosofia (São Paulo: Vida Nova, 1989).

2 Cf. Robert D. Knudsen, Calvinistic Philosophy (obra não publicada) 4.

3 A corrupção total do homem causada pela queda é um dos cinco fundamentos do calvinismo. Os outros quatro são: eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível, e a perseverança dos santos. São estes cinco fundamentos que distinguem a teologia reformada de outras formas de teologia cristã que são, do ponto de vista calvinista, inerentemente inconsistentes.

4 Citado em Knudsen, Calvinistic Philosophy, 4. Karl Barth, seguindo Kierkegaard, também chegou à mesma conclusão de Gilson, chamando até mesmo o conceito de "filosofia cristã" de um conceito bastardo. No seu pensamento, o caminho da filosofia e do cristianismo se opõem como os caminhos respectivamente da imanência e da transcendência paradoxal. Para Barth, assim como para Kierkegaard, a fé é irracional, um salto no escuro, e fundamentalmente subjetiva. Veja Cornelius Van Til, The New Modernism (Philadelphia: Presbyterian and Reformed, 1947); e G. C. Berkouwer, The Triumph of Grace in the Theology of Karl Barth (Grand Rapids: Eerdmans, 1956).

5 A obra-prima de Herman Bavinck, Philosophy of Revelation (Grand Rapids: Baker, 1979; 1a. edição - 1909), foi uma resposta a Gilson. Veja William White Jr., Van Til: Defender of the Faith (Nashville: Thomas Nelson, 1979), 225.

6 H. G. Stoker, "The Possibility of a Calvinistic Philosophy" em The Evangelical Quarterly 7 (1935) 22.

7 Joel R. Beeke, "Cornelius Van Til and Reformed Apologetics" em Reformed Herald 51 (1995), 7. Veja Herman Dooyeweerd, A New Critique of Theoretical Thought (Jordan Station: Paideia, 1984); e L. Kalsbeek, Contours of a Christian Philosophy (Toronto: Wedge, 1975).

8 Plurívoco refere-se àquilo que tem sentido múltiplo, que é passível de ser interpretado de formas diferentes. Posiciona-se, em tese, contra aquilo que é unívoco, que tem sentido único, uma só interpretação possível.

9 Jacques Derrida, nascido em 1930, é filósofo francês e crítico literário. Ele é professor da Ecole Normale Superieure em Paris. Suas teorias, conhecidas como pós-estruturalismo e deconstrucionismo, embora relativamente desconhecidas no Brasil, são largamente influentes nos Estados Unidos e na Europa. Em contraste ao estruturalismo de Fernand de Saussure e seus seguidores, Derrida mantém que o sentido da linguagem é elusivo e oculto, e que nenhuma interpretação definitiva pode ser estabelecida. Seu método crítico consiste em "deconstruir" um texto pela exposição das pressuposições lingüísticas e filosóficas ocultas no mesmo (Nota do Editor).

10 A nobre exceção é Francis Schaeffer, cuja obra de alcance mundial chegou também à mão dos brasileiros, infelizmente em traduções irregulares. O mestre de L'Abri nunca pretendeu fazer filosofia cristã a nível acadêmico. Schaeffer, todavia, prestou ao mundo cristão o inestimável trabalho de popularizar a apologética Reformada pressuposicional através de sua imaginativa obra. Veja The Complete Works of Francis Schaeffer 5 vols. (Wheaton: Crossway, 1982). Nem todos estudiosos, entretanto, entendem que Schaeffer era um pressuposicionalista coerente. Ver, por exemplo, o artigo de William Edgar, "Two Christian Warriors: Cornelius Van Til and Francis Schaeffer Compared", em Westminster Theological Journal 57/1 (1995) 57-80.

11 Knudsen, Calvinistic Philosophy, 10-17. Veja Abraham Kuyper, Lectures on Calvinism (Grand Rapids: Eerdmans, 1931).

12 Veja Cornelius Van Til, "Bavinck the Theologian" em Westminster Theological Journal 27 (1961) 1.

13 Veja David Hugh Freeman, Recent Studies in Philosophy and Theology (Philadelphia: Presbyterian and Reformed, 1962); e Vincent Brümmer, Transcendental Criticism and Christian Philosophy (Franeker: T. Wever, 1961).

14 Veja John H. Kok, Vollenhoven (Sioux Center: Dordt College Press, 1992).

15 Veja Knudsen, Calvinistic Philosophy, 70-75.

16 Muitos outros ilustres pensadores calvinistas poderiam figurar em uma lista mais detalhada: J. Woltjer, J. M. Spier, J. P. A. Mekkes, S. U. Zuidema, K. J. Popma, Hendrik van Riessen, Pierre Charles Marcel, Robert D. Knudsen, K. Scott Oliphint, John Frame, William Edgar, Vern S. Poythress, David A. Powlison, Rousas Rushdoony, Greg Bahnsen, Hendrik Hart, James Olthuis, Calvin Seerveld, Bernard Zilstra, H. Evan Runner, entre muitos outros. Ainda que os filósofos reformados estejam hoje espalhados por todo o globo, algumas escolas de pós-graduação destacam-se por sustentar, ao menos em parte, a filosofia calvinista, como por exemplo a Vrije Universiteit de Amsterdam, o Westminster Theological Seminary de Philadelphia, o Calvin College e o Calvin Theological Seminary de Grand Rapids, e o Institute for Christian Studies de Toronto.

17 Os reformadores e seus sucessores obtiveram grandes conquistas na área teológica, mas foi somente através da pena de Abraham Kuyper que os calvinistas puderam encontrar uma filosofia reformada que proporcionasse uma completa biocosmovisão (Weltanschauung) perfeitamente coerente com o pensamento calvinista. Entre as obras de Kuyper, há duas que apresentam de forma mais distinta a gênese da filosofia reformada: Lectures on Calvinism, 9-40; e Encyclopedia of Sacred Theology (New York: Scribner's, 1898), 56-227.

18 Dooyeweerd sugeriu que há quatro motivos elementares nos quais se fundamentam todas as diferentes escolas da história da filosofia. Três deles são apóstatas: o esquema dualista matéria-forma da filosofia grega, o esquema da síntese medieval natureza-graça, e o esquema moderno natureza-liberdade. Em oposição a todos estes, há o esquema cristão radicalmente bíblico criação-queda-redenção. É somente sobre este último motivo elementar que o edifício da filosofia cristã genuína poderá ser erguido.

19 Beeke, "Cornelius Van Til and Reformed Apologetics", 6.

20 Robert D. Knudsen, "The Legacy of Cornelius Van Til" em New Horizons 16 (1995), 3.

21 Há duas realidades: a) Deus e b) tudo o mais; e no princípio só havia Deus. Cf. Thomas E. Tyson, "The Two Circles" em New Horizons 16 (1995), 4.

22 Veja Cornelius Van Til, The Defense of the Faith (Phillipsburg: Presbyterian and Reformed, 1967), 31-50.

23 Dooyeweerd criou o nome peculiar de "princípio cosmonômico", ou ainda "idéia-lei", para a revelação de Deus enquanto esta executa a função de fronteira entre Deus e o cosmos criado. Os conceitos dooyeweerdianos receberam críticas e aplausos por parte de outros filósofos calvinistas. Veja sua obra A New Critique of Theoretical Thought; e L. Kalsbeek, Contours of a Christian Philosophy.

24 É de Calvino a expressão "Deus ex lex est", cf. Knudsen, Calvinistic Philosophy, 8-9.

25 Scott Oliphint, Cornelius Van Til and the Reformation of Christian Apologetics (Scarsdale: Westminster Discount Book Service), 5.

26 White Jr., Van Til: Defender of the Faith, 199.

27 Ibid.

28 Oliphint, Cornelius Van Til and the Reformation of Christian Apologetics, 25.

29 "Palingênese" significa "uma mudança brusca". Para o emprego do termo na linguagem filosófica reformada ver a nota 32 (Nota do Editor).

30 "Há dois tipos de pessoas, e ambos se propõem a ser os intérpretes da raça humana na sua normalidade, e . . . não podem abandonar a pretensão de que só o resultado de sua investigação científica leva ao conhecimento do objeto. . . . A diferença entre estes dois grupos pode ser brevemente descrita pela palavra `palingênese'". Abraham Kuyper, Encyclopedia of Sacred Theology, 219.

31 Cf. Knudsen, Calvinistic Philosophy, 5-6. Biblicismo é a teoria epistemológica cristã que sugere que só a Bíblia pode fornecer ao homem um conhecimento verdadeiro sobre qualquer coisa. A Bíblia torna-se a única fonte, não apenas do conhecimento de Deus, de sua relação com o homem, e de conhecimento teológico, mas também de conhecimento científico e filosófico. O biblicismo vai um passo além da doutrina da inerrância, pois enquanto esta afirma ser a Bíblia destituída de erro, o biblicismo afirma ser a Bíblia a única fonte de conhecimento confiável. Trata-se de uma absolutização que não tem fundamento nem na própria Bíblia, e de uma distorção do ensino de Calvino, que nunca negou o valor da pesquisa científica empírica, e julgava valioso o conhecimento proveniente dos estudos humanistas da literatura grego-romana clássica.

32 A. Kuyper sugere que a regeneração em Cristo, segundo os princípios calvinistas, só pode ser compreendida como uma palingênese, isto é, como um recomeço amplo, geral, e irrestrito, que afeta todas as áreas do homem e de todo o cosmos criado.

33 Cornelius Van Til, Survey of Christian Epistemology (Nutley: Presbyterian and Reformed, 1977), 117.

34 Oliphint, Cornelius Van Til and the Reformation of Christian Apologetics, 6.

35 A apologética reformada de Van Til opõe-se também a sistemas apologéticos não-racionais (por exemplo, o barthianismo) cujo lema poderia ser o credo quia absurdum (creio porque é absurdo) de Tertuliano.

36 Cornelius Van Til, Christian Apologetics (Phillipsburg: Presbyterian and Reformed, 1976), 1.

37 White Jr., Van Til: Defender of the Faith, 195.

38 William Edgar, "Why I Am a Presuppositionalist" em New Horizons 16 (1995), 7.

39 Ibid.

40 White Jr., Van Til: Defender of the Faith, 199.

41 Oliphint, Cornelius Van Til and the Reformation of Christian Apologetics, 7.

42 Abraham Kuyper, Encyclopedia of Sacred Theology, 225.

43 Oliphint, Cornelius Van Til and the Reformation of Christian Apologetics, 29.

Fonte: Fides Reformata

Postado por Gaspar de Souza

ENTREVISTA DE MICHELSON BORGES SOBRE CRIACIONISMO

Leiam abaixo a entrevista do jornalista Michelson Borges no Jornal Correio Brazilienze.
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No fim do mês de junho, o jornalista Michelson Borges concedeu esta entrevista ao jornal Correio Braziliense (leia também a reportagem aqui):

Quais são as principais ideias e linha de pensamento do criacionismo?

O criacionismo bíblico é uma associação coerente entre a ciência experimental e a religião bíblica. Seu objetivo é entender a realidade, especialmente no que diz respeito à origem e destino do Universo e da vida. Outras linhas de pensamento, como o darwinismo, também se valem desse tipo de associação, neste caso, entre a ciência e o naturalismo filosófico. Assim, ambos os modelos têm um componente científico e outro metafísico. Qualquer paradigma que busca compreender eventos passados únicos e irreproduzíveis (cientificamente não testáveis ou não falseáveis), utilizará, necessariamente, argumentos científicos e metafísicos na construção de modelos. Portanto, nenhum desses paradigmas deveria ser traduzido como uma teoria puramente científica (ou seja, um conjunto conciso de afirmações que explicam um conjunto abrangente de fenômenos). Da mesma forma, o evolucionismo não deveria ser confundido com filosofia (ou naturalismo filosófico), bem como o criacionismo não seria sinônimo de religião (ou conhecimento bíblico).

A discussão entre criacionismo e evolucionismo é antiga. Por que para a sociedade científica é tão difícil aceitar as ideias criacionistas?

Justamente porque muitos consideram o criacionismo como um modelo apenas religioso, sem levar em conta seu aspecto científico. Portanto, muito dessa rejeição aos criacionistas tem origem no preconceito. Criacionistas, embora reconheçam a Bíblia Sagrada como fonte de princípios morais e de respostas satisfatórias para as perguntas fundamentais da humanidade, também fazem boa ciência e se pautam pelo método científico. Dentre os vários cientistas criacionistas atuais que fazem pesquisas relevantes, podem-se destacar dois biólogos norte-americanos: Leonard Brand e Harold Coffin. Ambos têm artigos publicados nos mais prestigiados periódicos científicos, respectivamente, sobre baleias fossilizadas da Formação Pisco (Peru) e sobre as florestas petrificadas de Yellowstone (EUA). No Brasil, destaca-se o químico e professor da Unicamp, Dr. Marcos Eberlin, que dirige o Laboratório Thomson de espectrometria de massas, é membro da Academia Brasileira de Ciências e o terceiro cientista brasileiro mais citado em publicações científicas de renome. Para eles, é possível fazer boa ciência e defender o criacionismo bíblico.

A “sociedade científica”, como quaisquer outras sociedades, é fruto de seu meio cultural e é influenciada por ele. Após o Iluminismo, o mundo ocidental assistiu a uma crescente rejeição à religião institucionalizada. Mas isso nem sempre foi assim. Cientistas do quilate de Galileu e Newton não apenas ajudaram a criar o método científico, como eram profundamente religiosos. Newton e Pascal estudavam avidamente as Escrituras e não viam incompatibilidade alguma entre ciência e religião. Os criacionistas de hoje se consideram em boa companhia.

A teoria da evolução descrita por Darwin é realmente possível? Ela pode ser complementada pela teoria da criação?

Pode-se dizer que Darwin acertou no varejo, mas errou no atacado. Traduzindo, ele teve o brilhante insight da seleção natural, que é capaz de promover a microevolução, ou variação de baixo nível. Mas a macroevolução – o conceito de que todos os seres vivos se originaram de um único ancestral comum – se trata de extrapolação não confirmada pelos fatos.

Simpatizantes do modelo criacionista que tenham tido formação acadêmica entendem a importância da teoria da evolução e reconhecem a contribuição dada por Darwin à comunidade científica. Há aspectos no evolucionismo fundamentados, os quais são úteis para a compreensão de muitos fenômenos naturais, assim como para a interpretação de dados. A esses aspectos nenhum criacionista que tenha formação científica se opõe. Porém, como em toda teoria, há alguns pontos no evolucionismo que não são sustentáveis e devem ser questionados.

Por exemplo: a teoria da evolução não consegue explicar a origem da vida por processos naturais, a partir de matéria não viva; também não consegue explicar a origem da informação genética de sistemas irredutivelmente complexos; não consegue explicar o aumento de complexidade que teria acontecido nos organismos durante o processo evolutivo, ou seja, não consegue explicar a origem de novos órgãos, sistemas de órgãos e novos planos corporais. Em relação ao registro fóssil, a teoria da evolução não consegue explicar a Explosão Cambriana (surgimento repentino de formas de vida complexas no registro fóssil); e também não consegue explicar a falta de formas de transição entre os principais grupos de organismos.

Você acredita que seja possível misturar as crenças religiosas nas pesquisas científicas sobre a criação do mundo?

Não creio que seja interessante misturar crença com pesquisa científica. A ciência deve continuar funcionando à luz do naturalismo metodológico (que é bem diferente do naturalismo filosófico). Mas a Bíblia bem poderia fornecer algumas linhas de pesquisa, especialmente quando se percebe que o paradigma darwinista encontra limitações, insuficiências e becos sem saída. Por exemplo: quando os geólogos se deparam com as vastas camadas da coluna geológica observadas no Grand Canyon, que supostamente estiveram expostas cada uma a muitos milhares de anos, e não encontram nelas vestígios de erosão, deveriam ter a liberdade de racionar sob as premissas de outro modelo. O que aqueles estratos plano-paralelos indicam? Uma superposição rápida e catastrófica de sedimentos. Bem, a Bíblia sugere um tal cenário ao falar do dilúvio.

Outro exemplo: a biologia darwinista não consegue explicar a origem da informação complexa especificada presente no DNA. Mas, para o criacionista, que também pesquisa e estuda essa maravilhosa complexidade, o enigma é simples: informação pressupõe uma fonte informante inteligente e muito poderosa.

Portanto, o verdadeiro embate entre as argumentações evolucionistas e criacionistas está centrado na existência ou não de planejamento e intenção nas coisas existentes. Dentro desses limites, a discussão poderia ser puramente científica. Enquanto o evolucionismo defende a ideia de acaso e aleatoriedade, buscando explicar a vida como o resultado de causas puramente naturais, o criacionismo defende a ideia de propósito e planejamento, buscando explicar a vida como resultado da ação criadora de um Deus que ainda hoje se relaciona com o ápice de sua criação: o ser humano.

Por que você decidiu criar um blog sobre o assunto?

Porque me dei conta de que, de modo quase geral, a grande imprensa não tem tratado do assunto com o mínimo de neutralidade que seria esperado. Alguns veículos já classificaram os criacionistas como “aniti-intelectuais”, “obscuros”, “esquizofrênicos” e até “criminosos”! As pessoas que leem essas matérias e não procuram aprofundamento em livros e outras publicações criacionistas terão uma visão muito distorcida do criacionismo.

Criei o criacionismo.com.br como jornalista preocupado em mostrar o “outro lado da moeda” e levar a público uma discussão que muitas vezes fica restrita aos círculos acadêmicos. Amo a ciência, amo o jornalismo e amo o meu Criador. Era o mínimo que eu podia fazer pelos três.

Fonte: http://michelsonentrevistas.blogspot.com/2009/07/entrevista-para-o-correio-braziliense.html

E A BÍBLIA TEM RAZÃO

No site Terra uma notícia interessante: divórcio não é a melhor solução! Novidade para os Cristãos? Nãos, as Escrituras já afirmara que Deus fez o Homem e a Mulher para, juntos e casados, permanecerem assim "até que a morte os separe" (frase fora de moda.....). Bom, leiam a matéria e tirem suas conclusões.
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Casar de novo não elimina danos do divórcio, diz estudo

O casamento estável e de longa duração pode ser bom para a saúde, mas o divórcio e a viuvez deixam uma cicatriz perdurável nas pessoas de meia idade ou idosas, afirma um estudo que será publicado na revista Journal of Health and Social Behavior. Voltar a se casar, aparentemente, reduz, mas não tira totalmente o dano causado pela perda de um casamento - seja por divórcio ou por viuvez -, e os que ficam sozinhos depois do fim de seu matrimônio são menos saudáveis do que os que voltam a casar, de acordo com esta publicação da Associação Sociológica Americana.

O artigo será publicado na edição de setembro, mas a associação divulgou o relatório nesta segunda-feira na internet.

Por outro lado, segundo os pesquisadores, as pessoas que nunca se casaram têm desvantagens em alguns aspectos de saúde comparados aos viúvos ou divorciados, mas estão melhor em outros. "Chegamos à conclusão de que a perda de um casamento é um acontecimento extremamente estressante, e que um período de estresse elevado tem um preço para a saúde", disse Linda Waite, co-autora do estudo, professora de sociologia e diretora do Centro sobre Envelhecimento na Universidade de Chicago.

"Imagine que a saúde é dinheiro guardado no banco", acrescentou. "O casamento é um mecanismo de 'poupança', de adição à saúde. Mas o divórcio é um período de despesas muito altas", disse. O estudo observou quatro aspectos-chave da saúde na meia idade: condições críticas, limitações de mobilidade, percepção própria da condição de saúde e sintomas de depressão.

Waite e seus colegas observaram que um transtorno significativo da estabilidade marital, como o divórcio ou a morte do cônjuge, frequentemente tem um impacto prolongado que afeta negativamente as quatro áreas. Os pesquisadores tomaram seus dados de um estudo de saúde e aposentadoria, uma análise nacional longitudinal e representativa que observa a indivíduos com mais de 50 anos.

Eles analisaram os dados de 8,652 mil pessoas brancas, negras e hispânicas com idades entre 51 e 61 anos.

"Apesar de o refrão dizer 'é melhor ter amado e perdido', os divórcios múltiplos criam prolongadas condições de estresse e prejudicam a capacidade pessoal de orientar a própria vida, e isso é muito pior do que não ter casado", disse Debbie Mandel, especialista em gestão de estresse.

"Um bom casamento é como depósitos repetidos e regulares em sua conta de poupança de saúde para a idade adulta e a velhice", acrescentou. As pessoas que nunca se casaram mostraram uma condição de saúde melhor do que a das pessoas casadas com uma história de divórcio ou perda do cônjuge.

Apesar de os pesquisadores não encontrarem diferenças no número de condições crônicas na comparação com pessoas que nunca se casaram e as que eram casadas, observaram um grau significativo de mais sintomas depressivos, limitações de mobilidade e pior percepção da própria saúde entre os que nunca se casaram.

Fonte: Terra

CIÊNCIA E FÉ - COM ALISTER McGRATH

Talvez um dos maiores objetores do famoso Richard Dawkins, Alister McGrath, Biofísico por Oxford, bem como Teólogo, apresenta neste vídeo a relação entre Fé e Ciência. Alister McGrath é professor de teologia histórica na Universidade Oxford e doutor em biofísica molecular e teologia . É autor de, entre outros, O Delírio de Dawkins (Mundo Cristão) e presidente do Centro Oxford para Apologética Cristã. Assistam o vídeo com legenda. Dê início ao vídeo e, em seguida, dê uma pausa. Espere a barra de vídeo completar; então, dê início novamente para assiste o vídeo todo de uma vez
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Postado por Gaspar de Souza

MAIS DO MESMO - NADA SE CRIA, TUDO SE COPIA - INCLUSIVE ESTA MATÉRIA

Não é possível mais ligar a TV e não encontrar um "missionário", um "bispo" ou um "apóstolo" na telinha. O fenônomo do crescimento do neopentecostalismo já virou caso de estudos em Ciência da Religião (ver ao longo do texto). Porém, o aspecto mercadológico, na relação oferta-cliente-consumidor também já é percebido. Milagres sob encomenda e "por uma ofertinha", o Todo-Poderoso, à moda Jim Carray, realiza seus sonhos, inclusive da "casa própria" (como oferecida por um "sobrinho" de missionário aqui no Recife). Este deus "seu desejo é uma ordem" não tem poder se não for sob um "sacrifício", um "passo de fé" etc. O Antigo Evangelho, pregado por Paulo, Agostinho, Calvino, os Puritanos etc., não é mais visto ou ouvido. Ouve-se, por parte dos novos pragmáticos, um pseudo-evangelho que oferece soluções imediatas, recheadas de milagres (falsos, claro. Você, por acaso já viu alguém com mão ou pernas mirradas voltar à normalidade, cego de nascença voltar a ver, coxo por mais de anos reconhecidamente como paralítico voltar a andar perfeitamente e não mancando, surdos reais voltar a ouvir, e MORTOS serem ressucitados?). Pois é, não duvido que Deus possa fazer tudo isso; mas se estivesse acontecendo tais coisas com tanta frequência, já não se poderia chamar de "Milagres" (como diz o Reinaldo Azevedo, "há mais milagres num culto desses do que Jesus Cristo fez em três anos de ministério"). O que se vê? Cura de "caroços", supostos cânceres, supostos tumores (alguém já foi comprovamente testada por uma junta médica para atestar estes "milagres"?); cura-se de tudo, até "espinhela caída". Enfim, o que vemos não passa de charlatinismo. Faço um desafio - permita-se que se leve um paralítico real, ou alguém comprovadamente com câncer, ou um MORTO, e vejamos se operam mesmo estes milagres. O Senhor Deus faz o que bem quer, mas, estou convencido por Sua Palavra, que estas pseudo-manifestações não passam da operação do erro para que os que não creem na Escritura sejam enganados e, consequentemente, condenados pelo testemunho da Escritura..... "Senhor, em teu nome não fizemos.....?". Que o Senhor exerça Seu Justo Juízo!(Mt 7. 15 - 23). Fiquem com a matéria da Cristianismo Hoje.
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Igreja Mundial do Poder de Deus disputa fiéis no mercado religioso

O avanço da Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada por Valdemiro Santiago (foto), chama a atenção de especialistas que já enxergam uma inevitável concorrência. Autor de uma tese sobre a igreja diz que o aparecimento da denominação trouxe à tona um fenômeno entre os evangélicos sobre a máxima de que “nada se cria, tudo se copia”.

São seis horas da manhã de um domingo e algo anormal acontece na região central da cidade de São Paulo, geralmente deserta no primeiro dia da semana. Veículos e pedestres disputam lugar na Rua Carneiro Leão, que abriga a sede da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), a mais nova denominação neopentecostal de grande porte a surgir no cenário brasileiro.

Dentro do enorme salão, antes utilizado por uma fábrica e agora chamado Templo dos Milagres, cerca de 15 mil pessoas parecem hipnotizadas pelo discurso do homem de meia-idade, negro e alto que está sobre o palco. O cenário lembra uma mistura de romaria católica, com fiéis segurando esperançosamente fotos de parentes, carteiras profissionais e garrafas de água – objetos que mais tarde serão ungidos –, e arena de boxe, com refletores e câmeras de tevê iluminando o tablado central. Não se pode perder uma cena sequer – afinal, todo o material gravado vai ao ar nos diversos horários que a igreja ocupa na tevê.

O foco das atenções é Valdemiro Santiago de Oliveira, 45 anos, o apóstolo da denominação. Com inconfundível sotaque mineiro – é natural da pequena cidade de Palmas, interior de Minas Gerais –, o pregador movimenta-se de um lado para o outro, com bom domínio de cena.

Entre suas pregações feijão-com-arroz, ele se define, rindo, como “roceiro” e “comedor de angu”. Abraça as pessoas, chora com elas e derrama grossas gotas de suor, prontamente enxutas com uma toalhinha que depois é disputada pelos fiéis. Microfone em punho, Valdemiro entrevista pessoas da platéia. Testemunhos de cura de câncer, Aids, surdez, miopia se misturam a relatos de famílias restauradas, filhos que largaram as drogas e empregos que caíram do céu, tudo contado sob forte emoção.

Tanta efervescência tem feito com que a Igreja Mundial cresça e apareça. Nascida há pouco mais de dez anos, em Sorocaba (SP), a denominação já alardeia possuir 500 templos em quase todo o país, além de representações em Portugal, Espanha, Japão e Moçambique, bem como nos vizinhos Uruguai, Argentina e Colômbia. Não se tem estatística confiável sobre o número de membros, mas os templos surgem aos borbotões pelos centros urbanos, repetindo o que aconteceu, em tempos idos, com duas outras gigantes neopentecostais: a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), surgida em 1977, e a Igreja Internacional da Graça de Deus, fundada em 1980 como dissidência da primeira.

O avanço da IMPD chama a atenção de especialistas, que já enxergam uma inevitável concorrência. “O crescimento da Igreja Mundial põe em evidência uma feroz disputa por fiéis”, opina o professor Ricardo Bitun, doutor em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Autor da tese "Igreja Mundial do Poder de Deus: Rupturas e continuidades no campo religioso neopentecostal", o especialista diz que o aparecimento da denominação trouxe à tona um controvertido fenômeno entre os evangélicos que materializa aquela máxima de que “nada se cria, tudo se copia”: “Encontrei muitos pastores, não só entre os da Mundial, que imitam os trejeitos de Valdemiro. Falam com o mesmo sotaque mineiro, andam pelo púlpito, apertam os fiéis entre os braços”, observa.

Além da clonagem de estilo, que se assemelha ao processo que ocorre na Universal – onde os pastores imitam a voz e até os gestos manuais do líder supremo, bispo Edir Macedo –, Valdemiro Santiago tem muito mais a ver com a Iurd. Foi lá que ele se converteu e foi lançado no ministério religioso, pelas mãos do próprio Macedo. Durante 18 anos, militou na Universal, primeiro como pastor, e depois bispo. Foi missionário e ajudou a expandir as fronteiras da denominação na África.

Mochileiros da fé

O dirigente da IMPD dá muita ênfase ao relato de um salvamento no Oceano Índico, narrado em seu livro O grande livramento. Ele conta que só não se afogou porque foi resgatado por anjos. “A narrativa espetacular, de alguém que foi salvo da morte, fortalece sua imagem de homem de fé e valoriza seu discurso”, observa Bitun, deixando claro que não questiona se a história é verdadeira ou não. O motivo da saída de Valdemiro da Universal teriam sido desentendimentos acerca da nomeação de novos bispos para a cúpula da igreja, processo que o próprio Macedo faz questão de capitanear pessoalmente. Fato é que uma pequena reunião domiciliar com outras dezesseis pessoas, entre as quais a mulher de Valdemiro, Franciléa, e as duas filhas, Rachel e Juliana – mais tarde alçadas aos cargos de, respectivamente, bispa, missionária e ministra de louvor –, logo começou a expandir suas tendas. Um salão alugado aqui, um cinema adaptado ali, e a Mundial foi crescendo, visando à mesma fatia de público que a Universal e a Graça: as classes de C para baixo.

“É o que chamo de mochileiros da fé. Há muitos membros egressos da Graça e da Universal, inclusive pastores e obreiros”, continua Ricardo Bitun, que também é pastor e professor de ciências da religião na Universidade Mackenzie. A disputa por almas entre as três denominações já se faz sentir de maneira intensa. As provocações contra outras igrejas são, de certa forma, incentivadas pelo apóstolo da IMPD. É comum ele entrevistar pessoas que narram suas frustrações em outras igrejas e suas conquistas na Mundial. “Ele diz: ‘Lá não aconteceu, é? Vem pra cá, Brasil, aqui o milagre acontece’. É uma forma de dizer que apenas ali e, não nas concorrentes, está a bênção”, conclui Ricardo Bitun. Não por acaso, “Vem pra cá, Brasil”, é o bordão da programação televisiva da Mundial.

Valdemiro se diz perseguido por líderes evangélicos e políticos. Diz que querem fechar suas igrejas e tirá-lo da televisão. Sem mencionar o nome, faz menção a um pregador muito “educadinho”. “Ele diz ser missionário”, provoca o líder da Mundial, numa clara alusão ao fundador e dirigente da Igreja da Graça, Romildo Ribeiro Soares, o R.R.Soares, outro que faz da telinha um púlpito para entrar em milhões de lares pelo Brasil afora.

Animosidade

Milagre é o assunto predileto de quem vai à Igreja Mundial do Poder de Deus. A maioria dos fiéis diz ter uma história para contar. “Ele é um homem ungido”, diz Isabel Clementino Ferreira, 52 anos, referindo-se a Valdemiro. Como prova da cura que diz ter recebido, gesticula amplamente os braços. “Tinha tantas dores que não conseguia fazer esses movimentos”, explica. Ao lado, as pessoas assentem com a cabeça. A comerciária Ângela Maria Marques da Silva, 53, chega para a conversa e começa a contar sua história de três anos na Igreja Universal, onde, segundo ela, nunca recebeu “a bênção”. “Aqui, com o apóstolo, fui curada de uma hérnia de disco e um mioma no útero. Quando ele chega, dá para sentir uma presença diferente no lugar”, acredita, reverente.

A mulher abre sua pequena Bíblia e lê a passagem de Mateus 24, onde Jesus afirma que derrubaria o Templo de Jerusalém e o reconstruiria em três dias, numa alusão à sua morte e ressurreição. “Sabe o que é isso? São os falsos profetas. Vê só a Renascer que desabou. Aqui, é diferente”, diz, com orgulho. A tragédia, ocorrida no dia 18 de janeiro, quando o templo-sede da Igreja Renascer em Cristo, também em São Paulo, veio abaixo, provocou a morte de nove crentes. A animosidade demonstrada pelos membros da Mundial é um eco do que é dito em seu púlpito. Em recente programa de tevê, Valdemiro se queixou que o “pastor educadinho” teria articulado com políticos maranhenses para que ele não pudesse usar o ginásio municipal da capital daquele estado, São Luís, para seus cultos. “Mas foi melhor, fizemos na praça e reunimos muito mais pessoas que caberiam no ginásio”, desdenha. Procurada por CRISTIANISMO HOJE para dar sua versão sobre o acontecido, bem como responder às insinuações do líder da Mundial, a Igreja da Graça não retornou os contatos da reportagem. Da mesma forma, a Igreja Universal, embora tenha solicitado que as perguntas fossem feitas por e-mail, não respondeu questionamentos acerca de suposta evasão de seus fiéis em direção à IMPD.

Hierarquicamente subordinado a Valdemiro, o pastor Ronaldo Didini é o homem forte da IMPD. Só que, ao contrário do chefe, que se reconhece simples e de pouca instrução, Didini é articulado, preparado e tem extrema vocação empresarial. É ele que está à frente da expansão corporativa da igreja, inclusive dando as cartas quando o assunto é televisão. Com passagem fulgurante pela Universal, onde se destacou como apresentador do extinto programa 25ª Hora, exibido pela Rede Record e que marcou época na TV evangélica brasileira, Didini também passou pela Graça, tendo ajudado a consolidar a igreja de Soares na Europa. Mais tarde, fundou lá a própria denominação, a Igreja do Caminho, mas pouco mais de três anos depois estava de volta ao Brasil.

Didini conta que chegou em situação dificílima e que foi Valdemiro quem lhe estendeu a mão. Agora, faz questão de destacar as qualidades da casa nova. “A Mundial representa um movimento autêntico de fé”, afirma. “Nosso culto tem três horas e meia e não se vê o apóstolo pedir mais do que 15 minutos de oferta”, argumenta, numa crítica nada velada à Iurd, cujos cultos promovem verdadeiros leilões de bênçãos. Ele admite que esteve “cego” no passado, em relação à teologia da prosperidade – doutrina que fundamenta a atuação das igrejas neopentecostais e que foi pregada durante anos pelo próprio Didini e por Valdemiro, que agora a definem como “coisa do demônio”.

Pressão pelo dinheiro

O pesquisador Paulo Romeiro, doutor em ciências da religião pela Universidade Metodista e dirigente da Agência de Informações Religiosas (Agir), reconhece que a igreja de Valdemiro tem características que a diferem das organizações similares. “Sua metodologia diverge da praticada por outros líderes de igrejas neopentecostais. A maioria das pessoas que frequentam a Mundial é composta por gente simples, mas que se identifica com seu líder, que senta-se ao lado delas, abraça e chora com seus fiéis”, analisa. “Eu o comparo com o movimento que David Miranda, da Igreja Deus é Amor, e Manoel de Mello, de O Brasil para Cristo, fizeram entre os anos 1950 e 60, época da segunda onda do pentecostalismo brasileiro, baseado nas curas divinas – com a diferença de que está melhor preparado em termos de conhecimento e não enfatiza usos, costumes e doutrinas”, comenta Romeiro, que é pastor da Igreja Cristã da Trindade, na capital paulista.

No entanto, o estudioso acha que a Mundial já dá sinais de que logo será mais do mesmo. “O ministério de Valdemiro, assim como outras igrejas, direcionará suas ações pastorais para as necessidades imediatas das pessoas”, prevê. Ele lembra que a Mundial também usa símbolos de fé, como o copo de água, a rosa e o pão abençoado. “Isso é copyright da Universal”, brinca. Autor do livro Teatro, templo e mercado: Organização e marketing de um empreendimento neopentecostal (Editora Vozes), o professor Leonildo Campos, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, concorda: “De todas as dissidências da Universal, apenas a Igreja da Graça e a Mundial do Poder de Deus ‘deram certo’ nesse complicado processo de clonagem e de reprodução de igrejas e fórmulas semelhantes”, avalia.

Na visão do estudioso, o que está em jogo para a Mundial é sua consolidação no mercado religioso brasileiro – no que, a propósito, iguala-se às igrejas que tanto critica. “Esses novos empreendimentos religiosos, ao empregarem a visão de mercado, desenvolvem mecanismos de competição apropriados para tempos de pluralismo e diversidade religiosa na geração de sua própria marca publicitária.” Nesta análise, a Igreja Mundial é apenas mais do mesmo – “No neopentecostalismo, está cada vez mais difícil separar o novo do velho. Na disputa por um lugar ao sol, Valdemiro tem mais é que bater nos demais pentecostais ou evangélicos tradicionais.” Leonildo lembra outro ponto comum entre as denominações dessa linha teológica: a pressão pelo dinheiro, fundamental na manutenção dos enormes aparatos de mídia que montaram. O estudioso estima que o gasto mensal da IMPD com televisão chegue aos 5 milhões de reais mensais, embora o montante e a origem do dinheiro arrecadado sejam guardados sob sigilo absoluto. “A pressão pelo dinheiro já levou a uma monetarização dos cultos em vários grupos neopentecostais. Aqui, o milagre não acontece sem que os pastores, bispos ou apóstolos peçam dinheiro.”

Telinha disputada

Desde que assumiu 22 horas diárias na programação do Canal 21, da Rede Bandeirantes, Valdemiro Santiago, apóstolo da Igreja Mundial do Poder de Deus, evidenciou algo que até então era pouco falado: a guerra pela audiência evangélica na tevê brasileira. Além do Canal 21, a Mundial ocupa espaços na Bandeirantes, na Rede TV! e na Rede Boas Novas. A voracidade pela telinha se explica. Desde a década de setenta, quando televangelistas americanos como Pat Robertson, Rex Humbard e Jimmy Swaggart fizeram sucesso entre os crentes brasileiros, a TV se revelou o melhor espaço para ganhar almas para Cristo e fiéis para as igrejas.

O veterano missionário R.R.Soares está no ar desde 1980. Atualmente, a Igreja da Graça tem apostado suas fichas na própria emissora, a Rede Internacional de Televisão (RIT). Com programação diversificada, que inclui cultos, jornalismo, entretenimento, debates e infantis, entre outras atrações, a RIT tem abocanhado fatia grande do público evangélico. A Graça também investe pesado em TV aberta, com diversos horários comprados na Bandeirantes, CNT e Rede TV!

Já a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) é dona da Record, a segunda maior rede da televisão brasileira. Embora o projeto de desbancar a Globo não passe de megalomania do bispo Edir Macedo – apesar de alguns triunfos sobre a rival, como a exclusividade na transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012 –, a Record tem crescido e conquistado cada vez mais telespectadores e publicidade. Na Iurd, a estratégia é adquirir espaços na grade da Record para transmitir cultos e programas apresentados por seus bispos. Além da mídia própria, a igreja também compra horários na Rede TV!




Fonte: Cristianismo Hoje (Moisés Filho)

Postado por Gaspar de Souza

Ah, ISSO É QUE É DEMOCRACIA, NÃO É?


Há tanta gente encantada com a "ditatura" de Israel que esquece quão democrático são os países árabes. Abaixo um exemplo dessa democracia. Como já se disse aqui, bom é ser Ateu no Brasil, defender Homossexualismo no Brasil, defender pornografia no Brasil, ser corrupto no Brasil etc. Gostaria de ver os "Direitos Humanos" intereferirem naqueles bons países repleto de democracia. Ah, isso eu queria ver....
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Sauditas pedem punição para homem que falou de vida sexual na TV

Um cidadão saudita que se vangloriou de suas conquistas sexuais em uma entrevista para um canal de televisão libanês poderá ser preso ou chicoteado.

Mazen Abdul Jawad deu uma entrevista ao canal de televisão LBC, em um programa chamado Red Lines ("Linhas Verm
elhas", em tradução livre), que trata de tabus do mundo árabe.

De acordo com o editor da BBC para assuntos do mundo árabe, Sebastian Usher, a Arábia Saudita é a sociedade mais conservadora e discreta entre as sociedades árabes.

Se alguém desrespeita o severo código islâmico consumindo bebidas alcoólicas ou mantendo relações sexuais fora do casamento, poderá ser punido com prisão ou açoitamento.


Mesmo assim, estas regras são desrespeitadas por cidadãos locais e aqueles que vivem em outros países.

No entanto, todos mantêm discrição a respeito do assunto e temem ser descobertos pelas autoridades.

Livros escritos recentemente no país falam sobre estes assuntos, mas é extremamente raro para um saudita falar publicamente sobre suas experiências sexuais.

Durante a entrevista, Jawad falou de sua vida sexual desde o início, aos 14 anos com uma vizinha e descreveu como ele continua a manter relações sexuais fora do casamento até hoje.

O saudita descreveu como usa o dispositivo bluetooth de seu telefone celular para encontrar mulheres sauditas. Autoridades religiosas do país já tentaram proibir o uso do dispositivo.

O público já registrou reclamações contra Mazen Abdul Jawad na Justiça e fóruns de discussão na internet estão cheios de condenações ao comportamento do saudita.Jawad já pediu perdão em publico, chorando, e afirma que está pensando na possibilidade de processar o canal LBC por deturpar suas opiniões.


Fonte: G1
Postado por Gaspar de Souza