sábado, 25 de julho de 2009

A ANTIGA LEITURA DAS ESCRITURAS - Parte I

Introdução
A Reforma Protestante do século XVI certamente muito contribuiu para a Igreja do século XX e XXI. Algumas destas contribuições foram contribuições sociais (p.e. separação entre Igreja e Estado), contribuições teológicas (p.e. as Confissões de Fé das Igrejas Reformadas, ou seja, documentos que expressam a fé reformada), liberdade religiosa, etc. Mas, a maior contribuição da Reforma foi o ter posto as Escrituras nas mãos do Povo. A Reforma não foi um movimento político ou sócio-econômico, mas um retorno à Palavra de Deus. Os cinco Solas da Reforma, o “Só a Fé”, “Só a Graça”, “Somente Cristo, “Glória Só a Deus” foram descobertos devido a aquilo que ficou conhecido como Sola Scriptura (As Escrituras Somente). As Escrituras estão acima dos concílios e dos papas e da tradição oral! Ela é a norma normans, a norma determinadora para todas a decisão da fé e da vida! A única Autoridade da Igreja e sobre a Igreja! Foi a redescoberta das Escrituras que impactou do século XVI ao século XIX! O próprio Lutero certa vez disse:

Não fiz nada. A Palavra fez tudo. Deixei a Palavra agir

Leitura das Escrituras: Um Exercício Hermenêutico

As Escrituras do Antigo e Novo Testamento, como Palavra de Deus, são a coluna do Cristianismo. Na queda ou deficiência das Escrituras Sagradas todo o Cristianismo tombará. Um filósofo do século XVII, chamado Voltaire, afirmava que destruída as Escrituras, a Igreja seria fatalmente destruída. E é verdade. Porém, as promessas de Deus de que os céus e a terra passarão, mas sua Palavra jamais passará (Mt 24. 35) garantem que elas permanecerão a sustentar o Cristianismo. Por outro lado ela mesma afirma que não ficaria livre de ataque (Jr 23. 30; 2 Co 2.17; 4.1; 1 Pe 2. 1; 2 Pe 3. 16). É preciso estar atentos a estes diversos tipos de ataques que podem ser desde o aprisionamento das Escrituras até as falsas interpretações.

A Disciplina que se preocupa com a Leitura das Escrituras é conhecida com Hermenêutica cuja definição é “a ciência que se ocupa com as regras e princípios para uma correta interpretação”. Talvez se acredite que seja uma disciplina especial, revestida de caráter sagrado, mas esta disciplina se aplica à leitura de qualquer texto. Sempre que lemos, mesmo um jornal, entramos num processo de interpretação daquilo que estamos lendo. Geralmente não se discute o conteúdo do que se está lendo, mas sabe-se o que foi lido, não havendo muitas discussões. Porém, há um fator que distingue as Escrituras de qualquer outro livro: Ela é a Palavra de Deus. Neste caso os recursos da Hermenêutica devem ser unidos aos recursos teológicos, isto é, não apenas o conhecimento das Escrituras, mas o auxílio do Espírito Santo e da Oração para compreensão das Escrituras. A expressão usada para afirmar a necessidade da súplica da ação iluminadora do Espírito Santo, bem como o estudo do texto e contexto histórico das Escrituras como indispensáveis para correta interpretação é a expressão Orare et Labutare(orar e labutar)

No entanto, este exercício hermenêutico tem gerado muitos conflitos. Todos que a leem buscam acreditar que tem uma interpretação das Escrituras. Havia entre os Rabinos uma frase que dizia que as “Escrituras tem Setenta faces” para dizer que há nelas diversas interpretações. Mas, é assim? Sabemos que há textos difíceis nas Escrituras. No entanto, a Confissão de Fé de Westminster afirma que “na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas” (CFW, I.7)

Mas o que levou a este caos na interpretação? Existe alguma maneira correta de se ler as Escrituras? Qual? Como ler as Escrituras e encontrar nela a vida eterna (Jo 5. 39)? Neste post quero compartilhar a rica contribuição da Reforma Protestante no tocante as Escrituras e apresentar uma urgente necessidade de rever (reformar) nossa leitura, visto que nos nossos dias temos nos afastados do ideal da Reforma. Devo salientar que não é possível aprofundarmos aqui todas os questionamentos por uma questão de tempo. Apresentamos aqui uma visão panorâmica apenas. Para uma pesquisa mais aprofundada é recomendável o livro do Rev. Augustus Nicodemus Lopes, intitulado A Bíblia e seus Intérpretes: Uma breve história da Interpretação, publicado pela Ed. Cultura Cristã.

Visões Históricas sobre a Leitura das Escrituras

Ao se estudar sobre como a Igreja leu as Escrituras ao longo da História, Moisés Silva (1987), Professor de Novo Testamento no Seminário Teológico de Westminster, faz a seguinte pergunta: “A Igreja tem lido mal a bíblia?”. Esta pergunta reflete aquilo que a Igreja pensa sobre as Escrituras: Um livro para ser lido e interpretado.

E foi assim que a Igreja Cristã, desde o começo, viu as Escrituras. Desde cedo ela foi alvo de interpretações. Por exemplo, no Novo Testamento, por diversas vezes nas discussões com os líderes religiosos de sua época, Jesus confrontava as interpretações deles com a sua. Veja-se o caso dos Saduceus no tocante à ressurreição como registrado em Mt 22. 23ss. No mesmo capítulo os Fariseus se achegaram querendo saber de Jesus qual era o maior mandamento da Lei (v. 36) e em seguida a resposta de Jesus, ele mesmo faz uma pergunta aos Fariseus sobre o Cristo (v. 42ss). Também o Apóstolo Paulo confrontava os Judeus com as Escrituras a fim de provar-lhes que Jesus era o Cristo (At 9. 20 – 22; 18. 28).

Na Igreja Pós-Apostólica (séc. II até IV) as coisas não eram diferentes. Desde a morte dos Apóstolos os líderes, pastores e bispos, das igrejas tiveram de enfrentar tantos os judeus quantos os pagãos. As Escrituras foram usadas como ferramenta apologética, isto é, foram usadas a fim de defender a fé cristã dos ataques externos.

Duas maneiras foram de se entender as Escrituras surgiram nestes períodos: Uma Alegórica, enfatizada numa Escola no norte da África de nome Alexandria; e outra Literal, originada na cidade de Antioquia da Síria, na Ásia. As propostas destas duas Escolas, Alexandria e Antioquia, influenciaram o modo de se ler as Escrituras até os nossos dias.

Alexandria

A principal diferença entre as duas Escolas está na questão de como se deve ler as Escrituras. A Escola Alegórica acreditava que na leitura das Escrituras era possível encontrar não apenas um sentido, mas muitos e em cada detalhe.

Por exemplo, Clemente
de Alexandria, um dos principais da Escola Alegórica, faz o seguinte comentário: “Filhos do amor, aprendei mais particularmente estas coisas: Abraão, praticando por primeiro a circuncisão, circuncidava porque o Espírito dirigia profeticamente seu olhar para Jesus, dando-lhe o conhecimento das três letras. Com efeito, ele diz: ‘E Abraão circuncidou entre os homens de sua casa trezentos e dezoito homens’. Qual é, portanto, o conhecimento que lhe foi dado? Notai que ele menciona em primeiro lugar os dezoito e depois, fazendo distinção, os trezentos. Dezoito se escreve: I, que vale dez, e H, que representa oito. Tens aí: IH(sous) = Jesus. E como a cruz em forma de T devia trazer a graça, ele menciona também trezentos(=T). Portanto, ele designa claramente Jesus pelas duas primeiras letras e a cruz pela terceira (CLEMENTE, IX, 7, 8 in: PADRES, 1995, p. 299, 300)”[1]

A Escola de Alexandria foi responsável pela justificação das “inovações, costumes e doutrinas que estavam surgindo na Igreja, fazendo um uso inadequado das Escrituras” (LOPES, 2004, p. 150). Augustus N. Lopes diz que “práticas como uso de corais, velas, imagens, bem como doutrinas que tornavam os sacerdotes católicos em mediadores entre Deus e os homens e com poderes para efetuar a transubstanciação, passaram a ser justificadas com base em textos das Escrituras interpretadas alegoricamente.

Por exemplo, o Salmo 74.13: ‘Esmagaste sobre as águas a cabeça dos monstros marinhos’ era usado para defender a
expulsão de demônios através do batismo. Já o sistema levítico do Antigo Testamento era empregado para defender a idéia de que cada presbítero cristão era um sacerdote apto a realizar o santo sacrifício da missa” (2004, p. 151). Esta forma de ler as Escrituras foi a maneira de ler da Igreja da Idade Média.

Antioquia
A Leitura feita em Antioquia era mais voltada para o texto como o temos, isto é, o texto era lido sem se buscar sentidos místicos nele. Compreendiam muitíssimo bem quando um texto continha figuras de linguagem ou não, lendo cada uma segundo o seu tipo de texto. É por esta Escola que a Reforma Protestante caminhou.

Por exemplo, Teodoro de Mopsuéstia, representante da Escola Literal, ao comentar o livro de Gênesis fazia a seguinte pergunta: “porque Deus se tornaria encarnado, se os eventos relatados nos capítulos iniciais de Gênesis não têm nenhuma base histórica?”(2000, p. 155). Ele continua: “O que eram aqueles eventos do passado distante aos quais ele [Paulo] se refere e onde eles se realizam, se a narração histórica a eles relacionada não trata de eventos reais, e sim de alguma coisa mais, como aquelas pessoas [Alegoristas] sustentam? Que espaço sobra para as palavras do apóstolo: ‘receio que, assim como a serpente enganou a Eva...’(2Co 11.3), se não há serpente alguma, nem Eva, nem qualquer sedução em qualquer lugar envolvendo Adão?” (apud Hall, 2000, p. 155).

É claro que a Leitura Alegórica cria uma classe de gênio que consegue enxergar ‘os segredos’ do texto bíblico. E era assim que funcionava. Só os espirituais conseguiam ver o ‘sentido mais profundo no texto’; aqueles que não conseguiam ver estes detalhes eram tidos como ‘carnais’. Era a leitura do “espírito” versus a leitura “da letra”. O resultado? Uma Escritura aprisionada ou confinada nas mãos dos Sacerdotes e longe do Povo.

Os Reformadores, tais como Lutero e Calvino, encontraram uma Igreja (Católica Romana) onde as Escrituras estavam aprisionadas pela Tradição da Igreja, ou seja, as Escrituras eram lidas de acordo com a Igreja. A Tradição era tida como a Segunda Revelação de Deus ao lado das Escrituras. A questão girava em torno de dois pontos então:

1) A correta interpretação das Escrituras e
2) a Autoridade das Escrituras.

O embate dos Reformadores, então, com a Igreja Católica Romana se deu primeiro no campo da Autoridade das Escrituras. Havia entre o clérigo o conceito de que a Igreja era a autoridade máxima em questões religiosas. Os Reformadores afirmavam o contrário: A Bíblia é o juiz maior em todas as questões religiosas (LOPES, 2004, p.159). Os Reformadores fundamentavam a autoridade das Escrituras no fato dela ser a Palavra de Deus. Alguns princípios resultaram deste posicionamento dos Reformadores:

a) Insistiram que a autoridade dos Papas, Concílios e Teólogos era subordinada as Escrituras;

b)
Que a autoridade que a Igreja deriva das Escrituras e não de si mesma;

c) A autoridade e função dos bispos derivam, enfim, da fidelidade a Palavra de Deus. “O princípio do sola scriptura, assim o direito que a autoridade da Igreja estava fundamentada em sua fidelidade as Escrituras” (McGRATH, 1993, p. 143)


Se a autoridade da Igreja é subordinada às Escrituras, então quem tem autoridade para interpretá-la? Ora, a Autoridade da Igreja garantia a autoridade da Leitura correta das Escrituras. Mas agora a Autoridade da Igreja havia sido demolida. Por fim, a Reforma entendeu que, como o Espírito Santo falava nas Escrituras, devia haver, então, uma unidade harmônica no seu conteúdo, que é dar a Deus toda a glória, então as Escrituras podiam se auto-interpretar, ou seja, as Escrituras interpretam as Escrituras.

Uma Leitura Reformada das Escrituras repousa sobre as seguintes características (LOPES, 2004, p. 161 – 167):

a) Ênfase no simples do texto;
b)
A necessidade da iluminação do Espírito Santo por conta da natureza divina das Escrituras;
c)
A necessidade de se estudas as Escrituras por conta de sua natureza humana e história;
d)
A necessidade de comparar as Escrituras consigo mesma. Lutero disse que “se as Escrituras são obscura num lugar, são claras em outros”;
e)
A necessidade de se buscar o que o autor (Deus e o homem a quem Ele inspirou possuem intenções coincidentes) das Escrituras deseja transmitir;
f) O Auxílio de fontes externas (arqueologia, história, gramáticas e comentaristas etc).
g) A percepção de linguagem figurada nas Escrituras. Mas, diante de tudo isto, perguntamos: A mente moderna(ou pós-moderna) está apta a ler as Escrituras?

Continua....
Postado por Gaspar de Souza

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Nota
[1]Chama-nos a atenção o fato de Clemente mesclar uma informação do texto hebraico que registra os “dezoito e três (cem) centenas”(tAaême vl{åv.W ‘rf'[' hn"Ümov.)(Gn 14. 14) como ele diz, mas na interpretação, Clemente usa o grego. Ele usa os valores correspondentes das letras i ., h . e t .(10, 8 e 300 respectivamente). Há, pois, uma gematria em Clemente, que é uma metodologia judaica de interpretação.

terça-feira, 21 de julho de 2009

PÃO, CIRCO E SEXO!

Você já andou nas ruas do Recife depois das 19h? Você já tentou pegar uma "ficha", como dizemos aqui, para um atendimento no posto de saúde na Região Metropolitana do Recife? Já tentou marcar um exame urgente, mas que só encontrará vaga para fazê-lo após 12 meses ou mais? Você já foi à farmácia do hospital ou postinho e, chegando lá, ouviu "tá em falta"? Já tentou andar pelas ruas do Recife e Olinda sem encontrar buracos? Você já subiu um morro de Recife ou Olinda em dias de chuva? E no Espinheiro, Agamenon, Boa Viagem, Olinda? Já tentou transitar de carro por estas localidades em dias de chuva? Já viu com a Conde da Boa Vista ficou transitável depois das mudanças na engenharia de tráfego? Não!

SEUS PROBLEMAS ACABARAM! Receba a sua camisinha e entregue para o Governo usar, pois é isto que estão fazendo com os recifenses e pernambucanos em geral. Estão nos lascando! Mas, o Governo, a fim de ajudá-lo a não sentir os efeitos provocados pela fricção de sua incompetência, já distribuiu cerca de 18.600 milhões de camisinhas só EM 2008!

Em Roma havia "pão" e "circo". Em Recife, com nosso imperador, há "pão", "circo"(não é o Cirque du Soleil, que está em Olinda. Aquele só pra Classe Média Alta!) e, agora, "sexo". Mas com camisinha, ok? O Governo incita à prostituição, incita à promiscuidade.

Tudo bem, é mais fácil fazer sexo do que remédio, estradas, moradias etc.


Postado por Gaspar de Souza

EVANGELISTA: ATEISTAS SABEM QUE ESTÃO ERRADOS. INTUITIVAMENTE ELES SABEM AGORA MESMO QUE DEUS EXISTE, ESCREVE RAY COMFORT.


Em um novo livro, pronto para pressionar a liga de ateístas, um dos mais proeminentes evangelistas do mundo hoje, declara que os negadores de Deus realmente sabem que eles estão errados.


Ray Comfort, em um livro programado para lançamento em comemoração aos 200o aniversário de Charles Darwin, sustenta que os ateístas odeiam a Deus porque Ele existe.


“Ateistas não odeiam fadas, duendes ou unicórnios porque eles não existem”, escreve Comfort. “É impossível odiar alguma coisa que não existe. E este é o ponto.”


Em Você pode levar um Ateista a Evidência, mas não pode fazê-lo pensar, Comfort, o autor de 60 livros e co-anfitrião com ator Kirk Cameron, astro do filme “Prova de Fogo”, de um programa semanal sobre evangelismo pessoal, oferece uma abordagem para envolver Ateístas no diálogo.

“Nós nao temos que provar que Deus existe para um Ateísta professo”, ele escreve. “Isto porque eles, intuitivamente, sabem que Ele existe. Todas as pessoas têm uma consciência dada por Deus. A Bíblia fala-nos que esta é a ‘obra de sua lei escrita sobre seus corações’. Da mesma forma que cada ser humano equilibrado sabe que é errado mentir, roubar, matar e cometer adultério, ele sabe que Deus deveria ser o primeiro em suas vidas”


Comfort diz que não apenas o testemunho da consciência opera em todas as pessoas, mas também o testemunho da Criação, que declara a glória de Deus, “ e as pessoas que negam a voz da consciência e a voz da criação estão sem desculpas”.


“Se a morte o atacar e ele ainda estiver em seus pecados, ele estará de frente diante da ira de um Criador santo, que ele acredite Nele ou não”, continua Comfort. “Por isto eu não gasto muito tempo tentando convencer qualquer um que existe um Deus”. Fazer isto é perda de tempo e energia. Pecadores não precisam ser convencidos que Deus existe; eles precisam ser convencidos de que pecados existem e que eles estão em terrível perigo”


Apesar disso, Comfort irá debater com Ateístas TV nacional e programas de rádios, começando hoje. Ironicamente, seu livro ostenta um prefácio do ateísta declarado Darrrin Rasberry, que abertamente desafia seus leitores a “provar que Ray está errado”.


Em 2006, Ray Comfort foi alvo de matéria pública quando agentes do Servo Secreto dos EUA conduziu uma incursão e capturou um estoque de publicações evangélicas produzidas por seu ministério, alegando falsificação de dinheiro. As publicações vinham em forma de notas de um milhão de dólares – não produzida pela Casa da Moeda. Na matéria, um homem de Pittsburgh foi preso por entregar um folheto numa quitanda num ato de evangelismo.


“Eu não estou parando de imprimi-las”, disse Comfort. “Como pode ser possível fazer cópias de algo que não é real – uma nota de um milhão de dólares?”


Um lado do folheto está desenhado como uma nota imaginária de um milhão de dólares. O outro lado tem uma mensagem evangélica escrita nas bordas. Também inclui a mensagem: “A questão de um milhão de dólares: Você irá para o céu? Aqui está um teste rápido. Você mente, rouba alguma coisa ou usa o nome de Deus em vão? Jesus disse que “se olhar para uma mulher e desejá-la, em seu coração já tem cometido adultério com ela”. Você já fez isto? Você ser culpado no Dia do Julgamento? Se você fez estas coisas, Deus vê você como mentiroso, ladrão, blasfemo, adúltero no coração. A Bíblia informa que se você é culpado e irá, no final, para o inferno. Deus não quer isso. Ele enviou Seu Filho para sofre e morrer na Cruz por você. Jesus pagou a punição em si mesmo – “porque Deus amou o mundo de tal maneira que Deus seu filho unigênito, para todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna’. Então, Deus o ressuscitou da morte e venceu a morte. Por favor, arrependa-se (volte-se de seus pecados) hoje e confie em Jesus, e Deus garantirá a vida eterna para você. Depois, leia a Bíblia diariamente e a obedeça”.


O folheto também deixava claro na frente: “está nota não tem valor legal”


Fonte: World Net Daily

Traduzido e postado por Gaspar de Souza

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Richard Dawkins, o Cientista?

Muito boa o arrazoado do Tibiriçá Ramaglio. Recomendo.
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Richard Dawkins ou da puerilidade científica

Não tenho a menor simpatia por eventos literários como a Flip, a Feira Literária de Parati. Considero que eventos como esses são perfeitamente análogos ao Salão do Automóvel, embora não se possa estabelecer uma sólida analogia entre romances e automóveis, contos e motocicletas, mesmo que todos eles sejam meios de transporte.

Porém, se sou contrário à Flip em teoria, sou ainda mais contrário na prática, na medida em que um evento como esse, num país como o nosso, acaba fatalmente se transformando numa celebração da corriola. – Que corriola?, quer saber o leitor. Ora, aquela mesma que se celebra cotidianamente, ainda que para isso não seja necessário realizar nenhum evento especial.

Alguém tinha dúvida de que, depois de ter lançado seu medíocre romance no começo deste ano, Chico Buarque dominaria a cena da Flip realizada no meio desse mesmo ano? É o mesmo que duvidar que o casamento de Gisele Bundchen tenha se transformado na capa da revista Caras na semana subseqüente a sua celebração.

Enfim, no que me toca, um evento como a Flip está destinado a ser algo que só pode estar aquém do que se projetou que fosse, devido a um vício originário no próprio projeto de um evento desse tipo. O resultado, por conseguinte, será sempre uma celebração de celebridades midiáticas e uma efeméride voltada para os aspectos efêmeros e superficiais da literatura, se tanto.

Mas a Flip deste ano conta com um elemento que transforma a minha indiferença em clara antipatia pelo evento: a presença de Richard Dawkins, o arauto do ateísmo. Ao meu ver, Dawkins é, antes de mais nada, um traidor da teoria de Darwin, que ele proclama como tese, quando, para ter cientificidade, ela não pode deixar de ser hipótese, pois a certeza científica, por definição, não pode ser definitiva.

O grau de certeza com que Dawkins apregoa a inexistência de Deus é puramente midiático. Só nas manchetes dos jornais e nas chamadas da propaganda se têm certezas tão peremptórias. Mas se isso não bastasse para demonstrar a presença de espetacularidade e a falta de cientificidade do pensamento dawkinsiano, eis uma foto do demiurgo publicada da revista Veja desta semana, em que Dawkins se encontra na porta de um ônibus londrino, que ostenta o seguinte cartaz publicitário: “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life.” (Deus provavelmente não existe. Portanto, pare de se preocupar e aproveite a vida.)

Deixemos o lado o fato de Dawkins se comprazer em posar como garoto propaganda da causa ateísta e vamos pôr em foco somente a proposta feita pelo texto do cartazete, para não nos estendermos demais. Sinceramente, eu até acho bacaninha a tentativa de trazer uma discussão metafísica desse calibre para os meios de comunicação de massa, mas infelizmente a massa não tem se mostrado o fórum mais adequado para a solução de problemas dessa natureza.

Começo, então, pelo “probably”, lembrando que as probabilidades, tais quais a calculou Pascal ao formular sua aposta, são de 50%, o que já deveria invalidar a proposta como um todo. Supondo que não a invalide, por que eu deveria deixar de me preocupar? Lamento, mas me parece que minha preocupação, nesse caso, faz parte integrante da minha possibilidade de aproveitar realmente a vida como o que sou: um homem.

Se me tirarem o prazer de especular sobre a existência de um Criador, estão me tirando em sua totalidade a minha faculdade de refletir. Afinal, se não devo me preocupar com as minhas origens, também não devo me preocupar com o meu fim e já não importa, então, quem eu sou ou o que faço aqui, como também não contam a minha história pessoal e a história nacional e universal em que ela se insere.

A natureza do “aproveitar” que se encontra nessa proposta é completamente alienante, ou antes é a de um aproveitamento exclusivo do presente, do aqui e do agora, típico do discurso publicitário, que visa apenas a atiçar a impulsividade animal do consumidor: “este é o momento, que gostoso que é!” ou ainda “isto é que é, Coca-cola!”.

Trata-se de um aproveitar instintivo e animalesco, como o que todos os animais aproveitariam, mas que efetivamente não aproveitam, pois se trata de um aproveitar uma vida que, supostamente, seria feita só de prazeres, não fosse ela perturbada pela dor (entre as quais a proposta inclui a existência de Deus). Em resumo, trata-se de uma proposta cujo apelo não passa de pueril. De um apelo a aproveitar a vida na Terra do Nunca. Será que uma proposta assim pode mesmo ser feita por alguém que se pretende um cientista?

Fonte: http://observatoriodepiratininga.blogspot.com ou em Mídia Sem Máscara

ISRAEL AVISA AO BRASIL. QUEM AVISA, AMIGO É?

A matéria classifica o Lieberman como "extrema-direita". Sabe o que é pior do jornalismo politicamente correto? É que se alguém é de direita, então não presta. Tá bom. Se Lieberman fosse de "Extrema-Esquerda", ninguém daria ouvido também, pois a Esquerda é cheia de boas intenções. Que o diga Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, China e os mais de 180 milhões de mortos pela Esquerda.
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Em visita ao Brasil, chanceler israelense quer 'alertar' país sobre o Irã.

As discussões sobre o Irã devem ser o principal assunto da visita ao Brasil do chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, a partir desta terça-feira.

O ministro israelense das Relações Exteriores deverá se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o chanceler Celso Amorim.

Segundo a embaixadora Dorit Shavit, diretora-geral do departamento de América do Sul do Ministério das Relações Exteriores de Israel, “um dos assuntos mais importantes, que com certeza Lieberman abordará, é o problema do Irã”.

“Queremos alertar o Brasil sobre a ameaça iraniana. O Irã exporta o terrorismo para a América Latina e esteve por trás dos ataques à embaixada israelense e ao centro judaico Amia, em Buenos Aires”, disse a embaixadora à BBC Brasil.

“Estamos cientes de que o Brasil tem interesses econômicos no Irã, mas é necessário abrir os olhos. O Irã não vem (ao Brasil) só por interesses econômicos. Grupos terroristas como o Hamas e o Hezbollah, sustentados pelo Irã, podem vir a se infiltrar na América Latina”, afirmou.

Processo de paz

Sobre o interesse brasileiro de participar no processo de paz no Oriente Médio, a embaixadora disse que “é difícil saber se, no futuro, o Brasil terá uma maior participação no processo de paz, mas esse assunto certamente será abordado durante as reuniões do ministro Lieberman com os líderes brasileiros”.

Os representantes do Brasil e de Israel ouvidos pela BBC Brasil concordam que, apesar das divergências politicas, a visita é sinal de uma aproximação significativa entre os dois países.

A visita do ministro Avigdor Lieberman é a primeira de um chanceler israelense ao Brasil em 22 anos e ocorre pouco tempo depois que o Ministério das Relações Exteriores de Israel adotou mudanças estratégicas, que incluem a decisão de fortalecer a colaboração com os países do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Além da visita do chanceler, o ministério israelense decidiu reabrir o consulado do país em São Paulo, que foi fechado em 2002.

Também está programada uma visita ao Brasil do presidente de Israel, Shimon Peres, em novembro, que deverá ser retribuida por uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Israel em 2010.

De acordo com o diplomata Sidney Leon Romeiro, encarregado do setor político da embaixada do Brasil em Tel Aviv, “existem divergências políticas entre os dois países, mas é para isso que existe o diálogo”.

Colaboração

Apesar de divergências no âmbito internacional, principalmente ligadas às relações com o Irã e ao conflito israelense-palestino, a colaboração bilateral Brasil-Israel cresceu significativamente nos últimos anos.

O ministro Celso Amorim fez três visitas a Israel desde 2005, e o total do comércio entre os dois países mais que triplicou nos últimos quatro anos, crescendo de US$ 500 milhões para US$ 1,6 bilhão.

“O lado brasileiro deverá levantar a questão do conflito israelense-palestino”, disse Romeiro à BBC Brasil.

“Consideramos que existe uma nova janela de oportunidade na região que deve ser explorada. Recentemente houve uma série de fatos positivos que podem facilitar a retomada do processo de paz, como a atitude do governo (de Barack) Obama, a aproximação entre os Estados Unidos e a Síria e as últimas declarações do premiê israelense Binyamin Netanyahu, reconhecendo a solução de dois Estados”, acrescentou.

O Brasil vem sinalizando há anos que tem interesse em participar do processo de paz no Oriente Médio.

No entanto, para o cientista político Jonathan Rynhold, da Universidade de Bar Ilan, “essa é uma ilusão”.

"As chances de que o Brasil possa se transformar em um fator importante no processo de paz são praticamente nulas”, disse Rynhold à BBC Brasil.

“O Brasil não tem os instrumentos necessários para exercer uma influência real nesta questão, pois não tem uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, não está envolvido militarmente no Oriente Médio e não tem um capital diplomático para que possa se transformar em um agente importante no processo de paz”, afirmou o analista.

Segundo Rynhold, “a colaboração bilateral pode amenizar o efeito das divergências politicas”.

“Boas relações bilaterais e econômicas são uma receita para amenizar confrontos no âmbito diplomático. Israel tem interesse em se aproximar de países importantes, como o Brasil, que têm uma força econômica e política crescente e estão distantes do conflito no Oriente Médio”, afirma.

"Para o ministro Lieberman, que está bastante enfraquecido tanto internamente como no nível internacional, a visita ao Brasil confere prestígio e legitimidade", acrescentou o analista.

Avigdor Lieberman enfrenta uma investigação policial por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro, e no âmbito internacional é considerado uma figura polêmica por suas posições de extrema-direita e por morar em um assentamento na Cisjordânia.

Fonte: BBC

Um pouco da dificuldade da línguagem. Será?

A sátira de Ivan Lessa, como sempre, a linha em atravessa a agulha. Agora é sobre o autríaco Wittgenstain. Deixo para o apreço dos leitores.
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Ludwig, Betty e Carmen

Há mais coisas entre o céu e a Terra do que em toda sua filosofia, Horácio. Hamlet.” Ou Amleto. Que nós, cortesia da tradução de Onestaldo de Pennafort, nos acostumamos a citar e a encenar como “vã filosofia”.

Questões de métrica. E por métrica, Amleto esculhambou o pobre do Horácio que tinha de aguentar todas as frescuras do empombado príncipe dinamarquês.

Há mesmo mais coisas do que toda filosofia que conhecemos ou fingimos conhecer. Wittgenstein é um bom exemplo. Principalmente porque todo mundo continua, séculos depois de sua morte, tentando entender qual era a do, conforme ele insistia em ser chamado, genial austríaco.

Ludwig Wittgenstein abafou aqui nos meios acadêmicos britânicos. Bertrand Russell ficou tão entusiasmado que quase que leva uma porrada feia na cabeça por causa de uma discussão filosófica.

Deve ter sido qualquer argumento falacioso que ele usou em seu célebre Briefe an Ludwig von Ficker (Salzburgo, 1969).

Ou terá sido a sua filosofada mais citada e que até hoje, como toda boa filosofia, dá panos para manga, como só os grandes alfaiates dão.

É, aquela frase. Manjamos. Aquela de que aquilo de que não se podia falar o melhor era manter um silêncio em torno. Não necessariamente respeitoso. Bastava calar a boca. Que em boca fechada não entra peixe.

A outra grande sacada do bom Wittgenstein foi aquela logo no começo do popular Tractatus.

Aquela que, como em toda gloriosa, e não vã, filosofia, vem sempre precedida de uns numerosinhos. Como se isso fosse facilitar a coisa. Então vejamos. O tal do tratado, suas primeiras linhas.

“1.1 O mundo é a totalidade dos fatos, não das coisas. A totalidade, ainda que dos fatos e não das coisas, é apenas aquilo em cuja dependência surge o nome e a concepção ‘o mundo’, e o nome e a concepção surgidas na dependência de algo que não são esse algo, em cuja dependência surgem aquele nome e aquela concepção. Ademais, a totalidade dos fatos é apenas uma, ao passo que tudo aquilo que é o caso são muitos, razão pela qual esta proposição contradiz a anterior, já em si mesma contraditória.”

Como podemos notar, a coisa não é tão complicada assim. Seguindo as indagações preciosas de Wittgenstein, se não podemos dizer blicas sobre o enunciado, botuca, boneco.

E vai daí. Dos fatos no espaço lógico constituírem o mundo à figuração lógica dos fatos ser o pensamento.

O mágico vienense mandou firme brasa nas gentes acostumadas a uma boa discussão na Flip entre Chico Buarque e Milton Hatoum. Entortaria os dois, mais a platéia e qualquer grande dama do mundo irlandês das letras.

Ludwig Wittgenstein, conforme seus enunciados sibilinos (ao menos para mim), também tinha suas horas de deixar que o mundo fosse tudo aquilo que fosse o caso. Feito eu e você.


Regozijei ao ler sobre o homem que, como todos nós, comia, bebia, chutava chapinha, tinhas seus likes e dislikes.

Principalmente quando soube que ele era vidrado em ficção policial barata – pulp fiction, confere? – e, atenção, Betty Hutton e Carmen Miranda. Precisamente. As chamadas “Loura Incendiária” e “Pequena Notável”.

Era mais do que vidrado. Adorava, punha num altar e queimava incenso diante de pôsteres de uma e outra.

Foi o que revelou David Toop, num livro-ensaio-biografia de Wittgenstein. Infelizmente o tal de Toop cai de pau nas duas. Chama-as de duas das mais desagradáveis estrelas a atingirem e afligirem Hollywood.

O mundo pode ser tudo que é o caso. Com uma única exceção. David Toop. Que não vem ao caso, não tem importância, não foi e nem será convidado para a próxima Flip. O caso é esse.


Postado por Gaspar de Souzaz

CRÍTICAS AO ARTIGO "DEUS E O JARDIM DAS DELÍCIAS"

O Jornalista Hélio Schwartsman, do Folha Online, escreveu um artigo: "Deus e o Jardim das Delícias". Li e, sinceramente, não passa de afirmações tautológicas e antiteístas. O leitor Marcos Dourado forneceu uma excelente resposta, por e-mail, ao articulista militante. A resposta encontra-se no site Criacionismo Segue, numa boa exposição dos achados de Hélio. As notas no fim do artigo foram postas por mim.
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Caro Hélio,


Em sua última coluna na Folha, “Deus e o Jardim das Delícias”, você se declarou um “ímpio contumaz”. Data venia, prezado. Contumaz, talvez; ímpio, nem por brincadeira. Você obviamente aplicou contra si um juízo apocalíptico – acredito que por galhofa, a julgar pelo encômio moral que você se dedicou há alguns anos. Hélio, não se superestime. É preciso muito suor, muita hora-extra – em suma, um esforço literalmente dos diabos para se atingir o status da impiedade. Por algumas de suas colunas na Pensata, você, quando muito, mereceria do seu provável ascendente, o rei Davi, a pecha de néscio ("Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Os homens têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras; não há quem faça o bem." Salmo 14:1).


Mas eu falava de esforços. O ímpio é, antes de tudo, diligente. Abnegado. Não sabe o que é desídia, ao menos a desídia intelectual. Logo, para juntar-se ao conselho dos ímpios, você deveria demonstrar essa diligência ímpia ao longo de seus textos. Parece-me que tal não ocorre. Permita-me desenvolver o raciocínio.


Em tempos idos, mais precisamente 11/1/2007, você escreveu o artigo “Santa Ilusão” a respeito do livro Deus, Um Delírio, de Richard Dawkins. À época, não me dispus a ler o “delicioso libelo”, como então você o definiu. Apeteceu-me mais o breve, elegante e bem conduzido Deus Existe, que conta a decisão aristotélica do filósofo Antony Flew de abraçar o teísmo após setenta anos de ateísmo. Por que “aristotélica”? Porque Flew, desde a adolescência, se dispôs a seguir o argumento até aonde ele o levasse. E o livro é um road movie desse trajeto.


Contudo, mesmo não conseguindo Dawkins me induzir à copromancia[1] (falar nisso, por onde andará o Paulo Betti?), ainda assim confiei em seu juízo quando você se dispôs a resenhar o fecaloma editorial do renomado zoólogo. Ao menos quanto à pertinência da argumentação do bufo sacrílego, julguei que você a dissecaria segundo seus critérios de filósofo. Daí, por decorrência, imaginei que, malgrado as grosserias levianas do autor, haveria algum mérito lógico nas ideias ali defendidas. Ledo e ivo engano. Hoje pela manhã me repassaram um vídeo em que o filósofo, teólogo e historiador do Novo Testamento, William Lane Craig[2], disseca o argumento considerado central pelo próprio Dawkins em seu “delicioso libelo”. Repasso-o, meio que de memória.


Para começar, a edição brasileira do Delírio, sem querer, comete uma graça: o argumento central do livro começa à página 1-7-1.


Craig argumenta que se o cerne do livro de Dawkins falhar, como aquele mesmo propôs, suas conclusões a respeito da inexistência de Deus se esfacelam.

Citemos as palavras do livro:


1) Um dos grandes desafios para o intelecto humano, ao longo dos séculos, vem sendo explicar de onde vem a aparência complexa e improvável de design no Universo.

2) A tentação natural é atribuir a aparência de design a um design verdadeiro.

3) A tentação é falsa, porque a hipótese de que haja um propósito suscita imediatamente o problema maior sobre quem projetou o projetista.


4) O guindaste mais engenhoso e poderoso descoberto até agora é a evolução darwiniana, pela seleção natural.


5) Não temos ainda um guindaste equivalente para a Física.


6) Não devemos perder a esperança de que surja um guindaste melhor na Física, algo tão poderoso quanto o darwinismo é para a Biologia.


Conclusão: "Deus, quase com certeza, não existe."


Salta aos olhos que a conclusão brota do vento. Qual theo ex-machina, ela desce de paraquedas; não resulta de nenhuma das seis premissas anteriores. Não é preciso ser um estudante de filosofia para perceber que se trata de uma falácia non sequitur (ou como você bem traduziu uma vez: besteira da grossa).


Falácia permanece falácia mesmo quando todas as suas premissas se mostram verdadeiras. Elas são? Vejamos.


Poderíamos, sob a batuta de Quine, apelar para a generosidade (embora quando se trate de Dawkins eu ache melhor pautar-me por Goya – aquele que pintou um quadro de nome “o sono da razão gera monstros”). Nesse caso, diríamos não se tratar de premissas mas de um conjunto de afirmações cuja consecução um tanto saltitante resultaria na conclusão da inexistência de Deus.


Pergunta a um filósofo: “Existe alguma regra lógica que permita, de maneira válida, chegar à conclusão de Dawkins partindo de suas seis 'afirmações'?”


Parece que nem blindada pela caridade a conclusão se sustenta. No máximo, considerando-se verdadeiras cada uma das seis afirmações, não se poderia afirmar a existência divina com base no “aparente” design do Universo. Daí a negá-la resulta que o eminente queniano atolou-se até o pescoço no monturo de seus preconceitos.


Melhor, a “aparente” complexidade do Universo não confirma a existência de Deus – mas também não a inviabiliza. Na verdade, essa “suposta” impressão de design mais apoia que desmente a existência de Deus. O crente pode, a partir dela, crer justificadamente em Deus – ainda que dispense argumentos cosmológicos, ontológicos, morais ou, por que não, desconsidere qualquer argumento. Ele pode basear-se talvez em experiências religiosas estritamente pessoais. Até mesmo, quem sabe, na própria Revelação Divina. Não seria incoerente; um dos pilares cristãos vem justamente de a fé ser um dom divino, imprescindível para o perdão dos pecados e a salvação da alma.

Portanto, a rejeição para o argumento do design para a existência de Deus de modo algum implica que Ele não exista. Nem sequer invalida essa crença. Muitos dos cristãos que conheço rejeitam diversos argumentos em favor da existência de Deus (alguns rejeitam até o design) e isso não faz com que levem a sério o ateísmo ou o agnosticismo.

Voltando aos seis passos de Dawkins, percebe-se que alguns deles são flagrantemente falsos:

Passos ou premissas 5 e 6:


Neles, Dawkins se refere ao improvável, quiçá miraculoso, ajuste fino para que as condições iniciais do Universo viessem a propiciar o surgimento e desenvolvimento da vida. Tais condições são tão complexas e de tal forma excludentes a alternativas que muitos cientistas se assombram a ponto de chamarem-nas de “sintonia fina do Universo para a vida”.

Pois não é que Dawkins admite justamente isso no argumento 6? Não há equivalente à Teoria da Evolução para explicar essa sintonia. Logo, mesmo se o neodarwinismo fosse bem sucedido (e não é) para explicar a origem da vida mais a sua complexidade em planos estanques de reinos, filos, classes e ordens, não há teoria que explique o improbabilíssimo emaranhado de combinações pró-vida decorrentes do tal Big Bang.

Desse modo, o famigerado livro de Richard Dawkins, tão incensado, tão badalado, possui em seu miolo um buraco impossível de ser preenchido apenas com entulhos falaciosos.

Para cobrir tal lacuna, ele recorre ao velho tapa-buracos do otimismo: “Não devemos perder a esperança de que surja um guindaste melhor na Física, algo tão poderoso quanto o darwinismo é para a Biologia.” Obliquamente, o evangelho dawkinsiano sequestra uma metáfora de Richard Goldschmidt: “Eis que o monstro esperançoso se fez cãs e foi esvoaçá-las no campus de Oxford.”


Mas há como o nosso etólogo travesso se superar. Tomemos o passo 3 de seu argumento:

“A tentação é falsa, porque a hipótese de que haja um propósito suscita imediatamente o problema maior sobre quem projetou o projetista.”


Quer dizer: não há justificativa para inferir design a partir da complexidade do Universo porque o problema seria apenas deslocado para mais adiante.


Primeiro: para que uma explicação seja satisfatória não há necessidade da explicação da explicação. Isso é elementar em filosofia da ciência. Exemplo: se em alguma das luas de Júpiter forem recolhidos maquinários de lavra desconhecida não seria justificável negar-lhes origem alienígena apenas por não se conhecer os seres extraterrenos que os possam ter produzido – sobretudo não havendo a mínima ideia de como chegaram àquele astro ou mesmo quem eram (Aquiles, Brás Cubas, Papai Noel?).


Segundo: exigir uma explicação anterior leva a uma regressão infinita: qual a explicação da explicação? Qual a explicação da explicação da explicação? E por aí segue, ad eternum... Pode até parecer um bom recurso para avacalhar uma infindável linhagem teogônica. Acontece que pau que dá em Pinto dá em Jacinto: de igual modo, nenhuma explicação científica seria definitiva e a ciência colapsaria. Esse é o lado Bin Laden de Dawkins: para acabar com Deus ele não titubeia em pôr em risco as torres gêmeas da ciência. Por que tamanha temeridade? Para não conceder ao leitor que a explicação do “aparente” aspecto de projeto do Universo não implica em descartar o projetista.


Terceiro: em outra parte do texto, Dawkins defende que a explicação da origem do Universo, no caso, o projetista, precisa ser pelo menos tão complexa quanto a coisa a ser explicada. Ora, isso em nada avançaria a explicação. Mais: Dawkins não parece ter uma relação epistêmica saudável com o critério de simplicidade para ponderação de hipóteses. Particularmente, não considero esse critério nem descartável nem soberano. Poderíamos citar outros critérios como o “poder explanatório”, o “escopo explanatório”, o grau “ad hoc” naturalidade/artificialidade, a plausibilidade, etc. Todos eles devem ser considerados balanceadamente ao se comparar hipóteses.


Quarto: um projetista não precisa ser tão ou mais complexo que o Universo projetado por ele. Sendo incorpórea, a mente divina se revelaria consideravelmente simples; até onde podemos supor, ela não possui secções, não é multicomposta. Incorpórea, frisemos, ela pode tranquilamente ser monolítica e ainda possuir as propriedades características de uma mente: autoconsciência, racionalidade e vontade. Isso é muito simples, ao contrário da complexidade de um universo contingente formado de quantidades de matéria e energia balizadas por inúmeras constantes e propriedades, além de uma inexplicável aparência de design. Comparados, a mente divina é inegavelmente mais simples que o Universo. Sem contar que a simplicidade de tal mente não a impede de formular ideias complexas, até imperscrutáveis para a nossa compreensão. Para ela, o cálculo infinitesimal, por exemplo, poderia ser tão trivial quanto somar 2 com 2. Dawkins, propositadamente ou não, desconsidera que a complexidade de uma ideia não é incompatível com a simplicidade da mente que a formulou.


Por fim, a verdadeira questão: Por que um biólogo doutorado em uma das mais renomadas universidades do planeta comete uma falácia tão bisonha? Pior: Por que tamanha falácia não é desmascarada pela maioria dos que se arrogam a faculdade de bem pensar?

Tenho um palpite, mas fica para a próxima.

[1] “Arte” de adivinhação por meio dos excrementos

[2] Este vídeo pode ser acessado aqui http://www.youtube.com/watch?v=aDlwYBitTJg&feature=related (parte1); http://www.youtube.com/watch?v=vpRR-gzs7xg&feature=related (parte 2) ou veja diretamente no blog


Parte 1



Parte 2



Postado por Gaspar de Souza