quinta-feira, 12 de julho de 2012

A Racionalidade de Minha Avó

por Kelly James Clark

Antes de dar sua avaliação final da importância do Evidencialismo[1], considere a racionalidade de minha avó. Minha avó nunca ouviu falar em Argumentos Cosmológicos e Ontológicos ou Argumento do Design; e mesmo que tivesse, não está claro se ela imediatamente pensaria neles ou ficaria fascinada com suas críticas sofisticadas. Agora, minha avó não é uma pessoa atípica: ela é uma mulher de fé comum (embora ela seja uma avó extraordinária!)

Se o Evidencialismo é verdadeiro, então minha avó tem um defeito noético[2] – ela crê em Deus sem evidência proposicional suficiente. Prefiro olhar a questão em favor de minha avó. Minha avó não tem um defeito noético, daí o Evidencialismo ser falso. É difícil para mim imaginar que Deus a colocou em uma situação cognitiva que a fez com que sua crença em Deus fosse positivamente irracional. Sou constrangido pela bondade de Deus a crer que ele a tem criado com faculdades noéticas que produzem crenças Nele em circunstâncias apropriadas.

Por que considerar a experiência de minha avó? Creio que o Evidencialismo, motivado por uma busca de certeza matemática para todas as crenças, tem oferecido um paradigma impróprio da racionalidade. A Concepção Iluminista de racionalidade, como temos demonstrado, é estranha à nossa experiência de crença. Ela reduz a racionalidade ao modelo de calculadoras: mero algoritmo para calcular as consequências dedutivas das crenças que são independemente verificadas. Quanto mais próximo uma vida mental se assemelhar ao funcionamento de um computador, mais provável que seja racional. Se os argumentos dos capítulos anteriores são persuasivos, então deve ficar claro que a cognição humana é muito diferente de cálculos de computador. A racionalidade não é simplesmente uma relação obtida entre as crenças de alguém. Pelo contrário, é uma relação complexa entre o aparelho cognitivo – divinamente projetado –, a experiências de alguém e o do mundo.

Se alguém tentar preservar as crenças consideradas de crentes comuns, então a teoria da racionalidade parecerá mais próxima das Teorias de Epistemólogos Reidiano[3] e Reformados. A Epistemologia Teísta preserva a racionalidade de minha avó.

A Epistemologia Iluminista Clássica, com sua concepção excessivamente rigorosa da racionalidade e de sua avaliação indevidamente negativa da racionalidade das crenças religiosas foi achada em falta. A objeção Evidencialista à crença em Deus, pobremente enraizada no Fundacionalismo Clássico[4], tem sido seriamente desafiada. Uma Epistemologia Teísta ao longo das linhas desenvolvidas por [Thomas] Reid e [Alvin] Plantinga parece captar com mais precisão as nossas intuições sobre a estrutura das crenças racionais. As pretensões do raciocínio têm sido descobertas, sinalizando um retorno à razão e à crença em Deus.


Fonte: CLARK, Kelly James. Returnto Reason: A Critique of Enlightenment Evidentialism and a Defense of Reason and Belief in God. Grand Rapids, Michigan: Eerdmans Publishing Company, 2001, p. 157, 158.

Tradução e Notas de Rodapé por Gaspar de Souza


[1] “O Evidencialismo sustenta que uma crença é racional para uma pessoa apenas se aquela pessoa tiver evidência,  argumento ou razão suficiente para suas crenças”(Kelly James Clark, idem, p. 3). William K. Clifford (1845 – 79) em uma palestra disse: “é sempre incorreto, por toda parte e para qualquer pessoa, acreditar em qualquer coisa sem evidência [prova] suficiente”(The Ethics of Belief. IN: STEPHE, Leslie; POLLOCK, Frederick(ed). Lectures and Essays. London: Macmillan and Co., 1879, p. 186). Estas palavras resumem a posição Evidencialista em sua versão mais forte. Segundo esta teoria epistemológica, temos a “responsabilidade moral” de crer apenas na presença de evidências ou provas. É possível que Clifford não tivesse as “crenças religiosas em mente”, mas é exatamente às crenças religiosas que se aplica o princípio de Clifford. Assim, espera-se que haja “provas suficientes” para, por exemplo, a Existência de Deus. Abaixo um resumo parcial do verbete Evidencialismo em: VANARRAGON, Raymond J. Key Terms in Philosophy of Religion. London and New York: Continuum, 2010, 168p. (p. 35, 36)

“O Evidencialismo pensa em apresentar-nos uma afirmação geral sobre a justificação para todas as crenças, muitas vezes aplicados especificamente às crenças religiosas e, particularmente, à crença em Deus.  É por isso um tema central na Filosofia da Religião. Isso põe um desafio às crenças teístas, um desafio que pode ser posto em termos de argumentos como se segue:

  1. Se existe evidência [prova] insuficiente para a Existência de Deus, então é incorreto ou irracional crer que Deus existe.
  2. Não existe evidência suficiente para a Existência de Deus.
  3. Então, é incorreto ou irracional crer que Deus existe.
Se este argumento válido, então você não deveria crer em Deus. Mas, claro, muitas pessoas creem que Deus existe, e não estariam contentes com a conclusão de que é incorreto ou irracional para eles fazerem assim. Eles desejarão rejeitar o argumento e a maneira sensata de fazer isso seria questionar uma das duas premissas. (Outra forma de rejeitar um argumento é demonstrar que as premissas não apoiam a conclusão; porém, eles fazem isso com esse argumento). Questionar a premissa (1) é questionar o Evidencialismo em si, e muitos filósofos tem feito exatamente isso. Alguns propuseram Argumentos Pragmáticos para crença em Deus, que fornecem razões para crer em Deus na ausência de boas evidências, razões que geralmente envolvem benefícios práticos que podem ser obtidos por acreditar em Deus. Outros defendem a Epistemologia Reformada, afirmando que podemos, justificadamente, começar com a crença em Deus, e não precisam fornecer evidências ou argumentos para isso.
Alguns filósofos e teólogos têm atacado a premissa (2) do Desafio Evidencialista apresentando argumentos para a Existência de Deus. Em outras palavras, eles argumentam que existe evidência suficiente para a Existência de Deus e, então, que podemos ser perfeitamente justificado em crer em Deus. Esta tentativa de chegar às provas suficientes para existência de Deus é conhecida como o projeto da Teologia Natural”.[Nota doTradutor]

[2] A “Estrutrua Noética”, segundo Alvin Plantinga,  "é o conjunto de proposições que alguém crer, junto com certas relações epistêmicas que mantêm entre ele e essas proposições"(PLANTIGA, Alvin. Reason and Belief in God. In: WOLTERSTORFF, Nicholas(ed). Faith and Rationality: Reason and Belief in God. Notre Dame: University of Notre Dame Press, 2009, p. 48). Para mais informações, consulte (Warrant: The Current Debate. New York: Oxford University Press, 1993, cap. 4[p. 74ss]). Na base dessa estrutura encontram-se crenças adquiridas imediatamente, ou seja, sem apoio de outras crenças, com graus diferenciados e profundidade ingressão, ou seja, crenças são mais profundas e outras mais periféricas nesta Estrutura Noética, como, por exemplo, 2+2=4 é imediata e básica e não precisa de outras crenças para apoiá-la. Porém,  1456 * 354 = 515424 não é básica, mas creio nela porque creio que 2+2=4. Outras crenças básicas em minha estrutura noética são “o céu é azul” ou “eu creio que tomei café da manhã”. [Nota doTradutor]

[3] Thomas Reid (1710 – 1796), filósofo presbiteriano escocês e fundador da filosofia do “senso comum”, tornando-se um crítico da teoria da impressão e das ideias articuladas por David Hume. “Thomas Reid acusou que, supostamente, a teoria da percepção representativa encontrada em Descartes e em Locke havia sido como o Cavalo de Troia filosófico que conduziu diretamente ao desespero cético”(AUDI, Robert. The Cambridge Dictionary of Philosophy. 2nd. Cambridge, 1999. p. 399. Ver também, pp. 783 – 787). A filosofia do senso comum advoga que existem princípios que não se podem deixar de acreditar porque estão no caminho que estamos trilhando.[Nota doTradutor]

[4] Para uma excelente exposição e crítica ao Fundacionalismo Clássico, veja GOMES, Davi Charles. A Suposta Morte da Espistemologia e o Colapso do Fundacionalismo Clássico. In: FIDES REFORMATA. n. 5, vol. 2, 2000. Disponível em: .

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Enunciados Autorrefutáveis


Por John M. Frame

[“Enunciados Autorrefutáveis” para InterVarsity Press Dictionary of Apologetics]

Diversos tipos de enunciados têm sido descritos como “autorrefutáveis”:

(1) Contradições Lógicas, tais como “Sócrates é mortal e Sócrates não é mortal”. Se as duas ocorrências de “mortal” nesse enunciado são predicados de Sócrates ao mesmo tempo e ao mesmo sentido, então o enunciado não pode ser verdadeiro. A primeira sentença refuta a segunda e vice-versa.

(2) Alguns enunciados autorreferencias, ou seja, enunciados que se referem a si mesmos, são autorrefutáveis, tais como “todo enunciado é falso”. Se esse enunciado é verdadeiro, então ele é falso.

(3) Alguns enunciados refutam a si mesmo, não por causa de seu conteúdo explícito, mas por causa daquele que o pronuncia. Um exemplo é “eu estou mentido agora”. Geralmente, não existe contradição envolvida em alguém dizer que está mentido. Substitua a primeira pessoa pela terceira, “ele está mentido agora”, e a contradição desaparece. Mas, na primeira pessoa, o enunciado é autorrefutável porque o próprio ato de afirmar algo envolve uma pretensão de estar dizendo a verdade. Então, “eu estou mentido agora” significa, de fato, “eu estou falando a verdade e eu estou mentido agora”, que é uma contradição.

(4) Existem outras formas “práticas” de autorrefutação que pertence mais ao falante do que às próprias palavras que ele profere. Se uma pessoa diz que odeia feijão, mas ele se empanturra com muito feijão, os observadores podem muito bem alegar que seu comportamento refuta sua declaração. Seu enunciado em si não autorrefutável, mas, num sentido importante, o enunciado tem refutado a si mesmo.  Argumentar contra tal prática autocontraditória é, claro, argumentar ad hominem.

(5) Algumas teorias filosóficas podem ser ditas autorrefutáveis porque elas criam condições de significado, racionalidade e/ou verdade que elas em si mesmas são incapazes de cumprir. Ludwig Wittgenstein em seu Tractatus Logico-Philosophicus, por exemplo, francamente admite no final que as proposições de seu não ajustam ao seu próprio critério de significado.[1] Então, ele sugeriu que tais proposições eram uma espécie de escada que se joga fora depois que se usa para chegar a um ponto mais vantajoso. Posteriormente, os Positivistas Lógicos insistiram que um fragmento da língua não pode, significativamente, estabelecer um fato empírico (verdadeiro ou falso) a menos que fosse empiricamente verificável por métodos semelhantes aos da Ciência Natural. Mas, muitos perceberam que este “princípio de verificação” em si não poderia ser empiricamente verificado dessa forma.  Isso levou ao fim do positivismo lógico como um movimento influente.

 (6) Uma visão filosófica frequentemente acusada de autorrefutação é a forma geral de ceticismo, que afirma não existir verdade ou que nada pode ser conhecido. O anticético acusa o cético de cometer o erro acima observado (2) quando: tentando afirmar verdadeiramente que não existem verdades ou reivindicando saber que nada pode ser conhecido. Em resposta, o cético pode (a) abandonar seu ceticismo; ou (b) modificá-lo para excluir suas próprias afirmações (um movimento que pode ser facilmente critica com arbitrário ou autopromoção); ou (c) modificar sua visão para permitir alguma verdade conhecida. A alternativa (c) pode envolver algum tipo de distinção entre verdades de primeira-ordem e verdades de segunda-ordem (i.e, verdades sobre verdades), limitando o ceticismo a afirmações de verdade de primeira-ordem. Mas, é difícil imaginar qualquer razão para ceticismo de primeira-ordem que se aplicaria também ao ceticismo de segunda-ordem. Em todo caso, tal distinção convida, naturalmente, para outros argumentos.

 (7) Immanuel Kant argumentou que a verdade da matemática e da ciência não pode ser provada por dedução racional (como Leibniz) ou apenas pela experiência sensorial (Hume), mas por um argumento “transcendental” que mostra as condições sobre as quais o conhecimento é apenas possível. Negar essa teoria, Kant acreditava, é negar as condições necessárias ao conhecimento enquanto afirma ter conhecimento, uma posição autorrefutável. Afirmações similares, então, têm sido feitas por muitas teorias epistemológicas, algumas muito diferentes da de Kant.

Os Apologistas Cristãos tem, frequentemente, empregado o conceito de autorrefutação contra as alternativas ao Teísmo Cristão. Gordon H. Clark, em A Christian View of Men and Things e em outros escritos, é um dos muitos apologistas que enfatizam as contradições lógicas dos pensadores não-Cristãos, particularmente aqueles que representam o ceticismo. A obra de Stuart Hackett, The Resurrection of Theism, no qual desenvolve uma modificação do Argumento Transcendental de Kant, é outro exemplo de obra apologética na qual esta abordagem é proeminente.

Francis Schaeffer frequentemente empregava o sentido “prático”(4) da autorrefutação. Em The God Who is There (O Deus que Intervém. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 115, 116. [N.T]), Schaeffer refere-se a John Cage, que escreveu música “aleatória” expressando, assim, sua visão de realidade governada pelo puro acaso. Mas Cage, como passatempo, também colhia cogumelos, quando ele veio a dar-se conta de que ele morreria se ele aplicasse sua filosofia do acaso ao recolher cogumelos. Na visão de Schaeffer, Cage refutou a si mesmo naquilo que sua prática era inconsistente com sua teoria.

Cornelius Van Til frequentemente menciona em seus escritos (tais como Essays on Christian Education, p. 89) um homem que ele viu no trem cuja filhinha dava tapas no rosto do pai. Mas, ela não teria alcançado o rosto de pai se ele não a tivesse mantido em seu colo. Van Til usa esse incidente para ilustrar sua visão de que o não-Cristão não pode nem mesmo argumentar contra o Teísmo Cristão sem depender dele. Para argumentar em tudo, mesmo contra o Cristianismo, deve-se pressupor que o mundo é significante, é conhecível e exprimível em linguagem. Na visão de Van Til, apenas o Teísmo Cristão fornece as condições que fazem tão discurso possível. Então, a decisão natural do incrédulo em argumentar contra Deus refuta a si mesmo. Este tipo de autorrefutação é similar a (3) e (4) acima, porque a autorrefutação não se encontra diretamente no conteúdo da asserção, mas na decisão do falante indicar aquela assertiva.

Bibliografia
Gordon H. Clark, A Christian View of Men and Things (Grand Rapids: Eerdmans, 1952).
Stuart Hackett, The Resurrection of Theism (Chicago: Moody Press, 1957).
William Hasker, “Self-Referential Incoherence,” in Robert Audi, ed., The Cambridge Dictionary of Philosophy (Cambridge: Cambridge University Press, 1995), 721.
Francis Schaeffer, The God Who Is There (Chicago: Inter-Varsity Press, 1968).
Cornelius Van Til, Essays on Christian Education (No date: Presbyterian and Reformed, 1974).
Ludwig Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus (London: Routledge and Kegan Paul, 1921, 1963).


Traduzido por Gaspar de Souza


[1] Diz Wittgenstein: “Minhas proposições elucidam dessa maneira: quem me entende acaba por reconhecê-la como contra-senso, após ter escalado através delas – por elas – para além delas. (Deve, por assim dizer, jogar fora a escada após ter subido por ela.) Deve sobrepujar essas proposições, e então verá o mundo corretamente.(Tractatus, 6.54) – N.T.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Quarto Razões por que Homens gostam de Pornografia


Por Luke Gilkerson[1]

Um Guia de Conversação para Parceiros de Responsabilidade[2]
Uma das tarefas de um bom amigo ou companheiro de responsabilidade para alguns homens que estão presos à pornografia é ajudá-los a entender seu próprio coração. Por que eles voltam-se à pornografia novamente e novamente? Salomão nos lembra de que “o propósito no coração do homem é como as águas profundas (frequentemente não podemos ver nossas motivações)”(Provérbios 20:5 – parêntesis adicionado). Um amigo sábio ajuda a tirar dos outros as motivações mais profundas que eles são incapazes de ver ou não querem ver em si.
Como um companheiro de supervisão, é importante entender o fascínio da pornografia. Quais são as motivações mais profundas que dirigem os homens de volta à pornografia constantemente? Quais são as boas perguntas de supervisão que podemos fazer para chegar à raiz do problema?
1.  Pornografia é fácil, mas relacionamentos são difíceis.
Relacionamentos, especialmente relacionamentos mais íntimos, envolvem trabalho. Todo dia somos obrigados a importar-se com o que está acontecendo na vida dos outros. Devemos suportar com paciência seu humor azedo, comportamento ofensivo e egoísmo – em ambos, em nós mesmos e nos outros.
Em contraste, a pornografia oferece aos homens um sentimento de intimidade livre de riscos. A pornografia oferece aos homens um mundo de fantasia onde eles não são obrigados a conhecer ninguém, não são obrigados ao romance e não são obrigado a nenhum auto-sacrifício em benefício de outros. E para muitos homens, a recompensa é grande: não apenas eles podem evitar os problemas dos relacionamentos reais. Eles também podem sentir prazer de um milhão de mulheres virtuais satisfazendo seus caprichos.

Pergunta para Boa SupervisãoHouve algum relacionamento recente em sua vida que tenha sido extraordinariamente difícil?


2. Pornografia é confortável, mas a vida real é estressante
Pornografia, por contraste, oferece um mundo muito confortável onde nada dá errado. A pornografia oferece um ambiente “pronto para uso” onde nós sabemos exatamente o que nós queremos.
Claro, sabemos que isso é falso. É como aquele tipo de luta-livre ou a “realidade” da TV. Como Chris Hedges diz em seu livro “Empire of Illusion”(Império da Ilusão), o sucesso dessas formas de diversão  não está em nos enganar que essas são histórias reais. “Em vez disso, ele consegue [nos enganar] porque nós pedimos para ser enganados. Nós, felizmente, pagamos para ter a chance de suspender a realidade”

Pergunta para Boa Supervisão – Houve, recentemente, algum estresse em sua vida que trouxe um sentimento de pressão ou tensão?



3. Pornografia é excitante, mas a vida é tediosa
A palavra “tédio” começou a ser usada primeiramente por autores franceses quando eles escreveram sobre aquele sentimento de descontentamento quando a vida fica tediosa. Enquanto o sentimento de tédio provavelmente sempre tem está ao nosso redor, foi apenas nos últimos 300 anos que o temos visto tornar-se uma epidemia social. Blaise Pascal disse que o tédio é o sofrimento do homem moderno quando “ele não tem distração e não tem paixão enlevada ou passatempo”
Tédio é um dos frutos de uma cultura de lazer. Como a riqueza e o tempo livre aumentaram, então aumentou nossa fome por distração. Como chegamos a esperar estimulação constante e excitante, o dia-a-dia pode parecer maçante por comparação. Com o Google nas pontas dos dedos, a informação está em toda parte, e facilmente nos tornamos individuais, expectadores anônimos, raramente assumindo riscos de envolvimento vulneráveis ou compromissos apaixonados – raramente agindo sobre o que conhecemos. Culturalmente somos culpados daquilo que Dorothy Sayer chama de “pecado da tolerância”, o “o pecado que não acreditar em nada, não ligar para nada, não procurar conhecer nada, não interagir com nada, não gostar de nada, não odiar a nada, não encontrar propósito em nada, não viver por nada, e permanecer vivo apenas porque não existe nada pelo que morrer”
A Pornografia oferece um mundo de excitamento sexual à nossas mentes entediadas. A pornografia é uma forma altamente sexualizada da cultura em que vivemos, uma cultura baseada na imagem, um mundo onde bilhões de imagens descrevem milhares de palavras a uma velocidade estonteante.
Pergunta para Boa Supervisão: Você encontrou-se entediado ou ávido por excitação? Você sente que sua vida é mundana?



4. Pornografia faz os homens sentirem-se poderosos, mas a vida real os faz sentirem-se incapazes.
É fácil sentir-se pequeno no mudo. Intuitivamente sabemos que o mundo não gira em torno de nós, mas isto não nos impede de querer que ele faça isso. Queremos a atenção dos outros, que nos tratem como importantes, nos ponham em primeiro lugar. Este desejo pode ser tão forte às vezes, que realmente começamos a pensar que temos direito a isso: queremos um cantinho do mundo onde somos reis.
A pornografia oferece aos homens um grande senso de poder. Para um homem alimentado por fantasia pornográfica, as mulheres nunca dizem não. Na pornografia não existe barreira social entre um homem e a mulher de seus sonhos. A pornografia vende a ideia de que mulheres bonitas são troféus – peças de coleção que mostram aos olhares do mundo o que um homem real realmente é.
Pergunta para Boa Supervisão: Você tem, recentemente, estado em situações que fizeram você sentir-se depreciado, sem importância ou desrespeitado?



Objetivos Bíblicos das Perguntas de Supervisão.
A razão pela qual o parceiro de responsabilidade deveria perguntar estas questões não é, de modo algum, “psicologizar” o pecado. Antes, o objetivo de uma boa pergunta de supervisão é usá-la como um trampolim para concentrar nossos pensamentos nos benefícios do Evangelho de Cristo ao invés dos prazeres do pecado (Hebreus 11.24 – 26)
Cada pergunta abre uma porta para viver Hebreus 10.24: “E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras”
·         Quando perguntamos “Houve algum relacionamento recente em sua vida que tenha sido extraordinariamente difícil?”, o objetivo é ajudar outros verem como eles estão olhando para um relacionamento particular e fazê-los sentir prazer ou satisfação (então, um relacionamento que está sempre deixando-os abatidos). Podemos apontá-los a plenitude da alegria e satisfação que vêm de Cristo (João 15.1 – 11; 16. 16 – 24; Romanos 15.13).

·         Quando perguntamos “Houve, recentemente, algum estresse em sua vida que trouxe um sentimento de pressão ou tensão?” o objetivo é ajudá-los a ver que eles estão usando pornografia como um escape da vida. Nós podemos orientá-los aos salmistas que viram a Deus como seu refúgio (Salmo 46; 59.16, 17; 61.1 – 3; 62.5 – 8; 91; 142). Ao invés de escapar da realidade, podemos escapar para dentro da realidade divina.

·         Quando perguntamos “Você encontrou-se entediado ou ávido por excitação? Você sente que sua vida é mundana?” o objetivo é ajudá-los a ver se eles tem se contentado com uma vida de entretenimento através de uma vida de ócio. Podemos apontá-los para a emoção de conhecer a Deus e obedecê-lo (Mateus 13. 44; 2Coríntios 8.1, 2; Filipenses 1.3, 4; Colossenses 1. 9 – 14; 1Pedro 1.3 – 9; 3João 3,4)

·         Quando perguntamos “Você tem, recentemente, estado em situações que fizeram você sentir-se depreciado, sem importância ou desrespeitado?” o objetivo é ajudá-los a ver que eles anseiam poder, importância e estima dos homens mais do que desejam o favor de Deus. Jesus perguntou: “Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus?”(João 5.44). Podemos indicá-los a glória eterna que o Pai deu a Cristo, e que, como Cristãos, somos participantes na Glória de Cristo por que Ele vive em nós(João 17.20 – 24; Romanos 2.6 – 10; Colossenses 1.24 – 29)


Fonte:  Biblical Counseling Coalition


Traduzido por Gaspar de Souza


[1] Luke Gilkerson é o Diretor, na Internet, da Comunidade Covenant Eyes onde serve como editor geral e autor primário de seu blog, Breaking Free. Luke tem um BA em Filosofia e Estudos Religiosos pela Bowling Green State University e está trabalhando um Mestrado em Religião pelo Reformed Theological Seminary. Antes de trabalhar no Covenant Eyes, passou seis anos como pastor no campus da Universidade de Toledo. Luke mora em Owosso, Michigan, com sua esposa e quatro filhos.
[2] Um parceiro de responsabilidade é uma pessoa que treina outra pessoa em termos de ajudar a outra pessoa manter um compromisso cristão[N.T].

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Psicólogos e psicopatas


O que leva alguém a defender mutações jurídico-políticas tão monstruosas quanto aquelas aqui mencionadas não é nenhum impulso sexual, seja homo, seja hetero. É a psicopatia pura e simples.

Não creio que a atração erótica entre pessoas do mesmo sexo seja antinatural e não vejo mesmo nenhum motivo, em princípio, para classificá-la como doença. Também é fato que o termo "homossexualismo" não corresponde a um fenômeno homogêneo e sim a uma variedade de impulsos, desejos e comportamentos, numa gama que vai desde a repulsa ao outro sexo até a completa identificação com ele.

Se na linguagem da propaganda condutas tão díspares são reduzidas artificialmente à unidade de símbolos ideológicos, com valores opostos conforme as preferências de quem os use, isso não é motivo para que os profissionais da saúde mental se deixem levar por idêntica histeria semântica e, violando a regra mais básica da técnica lógica, tirem conclusões unívocas de termos equívocos.
Resta, ademais, um fato incontornável: como toda e qualquer outra conduta sexual humana, o homossexualismo, em toda a diversidade das condutas que o termo encobre, nem sempre emana de um desejo sexual genuíno. Pode, em muitos casos, ser uma camuflagem, uma válvula de escape para conflitos emocionais de outra ordem, até mesmo alheios à vida sexual. É possível e obrigatório, nesse caso, falar de falso homossexualismo, de homossexualismo neurótico ou mesmo psicótico, para distingui-lo do homossexualismo normal, nascido de um autêntico e direto impulso erótico.
A proibição de dar tratamento psicológico a pacientes que sintam desconforto com a sua vida homossexual resulta num impedimento legal de distinguir entre esses dois tipos de conduta especificamente diferentes, entre o mero impulso sexual e a sintomatologia neurótica, equalizando, portanto, homossexualismo e doença.
Por outro lado, essa diferença, em cada caso concreto, não pode ser estabelecida a priori, mas só se revela no curso da psicoterapia mesma. É previsível que, uma vez removido o conflito profundo, o interesse pela prática homossexual diminuirá ou desaparecerá nos portadores de homossexualismo neurótico, ao passo que os homossexuais normais continuarão a sê-lo como antes.
A proibição de distingui-los resulta, portanto, em encobrir a neurose sob uma carapaça de proteção legal, fazendo do Estado o guardião da doença em vez de guardião da saúde.
A proposta de consagrar aquela proibição em lei revela, nos seus autores, a incapacidade de fazer distinções clínicas elementares, e esta incapacidade, por sua vez, nos dá a prova incontestável de uma incultura científica e de uma inépcia profissional suficientes para justificar que essas pessoas sejam excluídas da corporação dos psicólogos. A autoridade desses indivíduos para opinar em questões de psicologia é, rigorosamente, nenhuma.
Porém há ainda algo de mais grave. A proposta da proibição acima mencionada vem no contexto de um movimento criado para proibir e punir como "crime de homofobia" toda opinião adversa à conduta homossexual, independentemente da linguagem serena ou inflamada, polida ou impolida, racional ou irracional com que essa opinião se expresse. Pareceres científicos, juízos filosóficos e ensinamentos doutrinais das religiões são assim nivelados, como delitos, aos insultos mais grosseiros e às manifestações mais ostensivas de preconceito e discriminação.
Com toda a evidência, nenhuma palavra contra a conduta homossexual neurótica ou sã será permitida. Ao longo de toda a História, nenhuma outra conduta humana gozou jamais de tão vasto privilégio, de tão abrangente proteção. Nenhuma esteve jamais imunizada por lei contra a possibilidade de críticas.
Não o é, por exemplo, nenhuma conduta política. Não o é nenhuma qualidade humana, por mais excelsa e respeitável. Não o é a genialidade artística ou científica, a honestidade impoluta ou mesmo a santidade. Não o é a vida pública ou privada de quem quer que seja. Não o é nem mesmo a conduta usual de um casal heterossexual, frequentemente criticada como sintoma de trivialidade e falta de imaginação. Não o é, por fim, o próprio Deus, contra o qual se dizem e se escrevem, livremente e sem medo de punição, toda sorte de barbaridades.
A proteção legal que se reivindica para o homossexualismo é tão claramente megalômana, tão desproporcional com os direitos de todas as demais pessoas e grupos, que resultará em fazer dessa conduta um domínio – o único domínio – separado da vida e superior a ela, intocável, inacessível às opiniões humanas.
A proposta é tão inequivocamente demencial que o simples fato de que a mídia e o Parlamento cheguem a discuti-la a sério já é prova de que boa parte da sociedade – justamente a parte mais falante e ativa – perdeu o senso inato da distinção não só entre o normal e o patológico, mas entre realidade e fantasia.
Segundo o grande psiquiatra polonês Andrzei Lobaczewski (Political Ponerology, 2007), isso acontece justamente quando os postos de liderança estão repletos de personalidades psicopáticas, as quais, com suas ações temerárias e sua fria insensibilidade às emoções normais humanas, acabam, quando triunfantes, por espalhar na população em geral um estado de confusão atônita, de falta de discernimento e, no fim das contas, de estupidez moral.
Homossexuais podem ser pessoas normais e saudáveis? É claro que podem. Mas o que leva alguém a defender mutações jurídico-políticas tão monstruosas quanto aquelas aqui mencionadas não é nenhum impulso sexual, seja homo, seja hetero. É a psicopatia pura e simples.
Mais que incompetentes e indignos de exercer a profissão de psicólogos, os apóstolos de tais medidas são mentes deformadas, perigosas, destrutivas, cuja presença em altos postos é uma promessa segura de danos e sofrimentos para toda a população.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Disciplina Eclesiástica – Marca de uma Verdadeira Igreja


Por Gaspar de Souza[1]

Introdução

            Segundo os nossos irmãos da Reforma Protestante do Século XVI, três marcas caracterizavam uma igreja verdadeira. São elas: 1) Fiel pregação da Palavra de Deus, sem a qual a igreja não pode existir; 2) Administração fiel dos Sacramentos e; 3) Exercício da Disciplina Bíblica para manter a pureza da igreja. Este pensamento é bem explicado numa declaração da igreja que representava bem a fé daqueles irmãos. Este documento chama-se a Confissão Belga (1561). Diz assim aquele documento:
As marcas para conhecer a verdadeira igreja são estas: ela mantém a pura pregação do Evangelho3, a pura administração dos sacramentos4 como Cristo os instituiu, e o exercício da disciplina eclesiástica para castigar os pecados5. Em resumo: ela se orienta segundo a pura Palavra de Deus6, rejeitando todo o contrário a esta Palavra7 e reconhecendo Jesus Cristo como o único Cabeça8. Assim, com certeza, se pode conhecer a verdadeira igreja; e a ninguém convém separar-se dela (Cf. Gl 1:8; 1Tm 3:15; At 19:3-5; 1Co 11:20-29; Mt 18:15-17; 1Co 5:4,5,13; 2Ts 3:6,14; Tt 3:10; Jo 8:47; Jo 17:20; At 17:11; Ef 2:20; Cl 1:23; 1Tm 6:3; 1Ts 5:21; lTm 6:20; Ap 2:6; Jo 10:14; Ef 5:23; C1 1:18)

            Porém, a disciplina eclesiástica é, “talvez, a marca em declínio mais visível na igreja contemporânea”, diz Al Mohler[2].  Ainda segundo Mark Dever[3], a disciplina eclesiástica é “um aspecto vital da saúde da igreja”. É tão importante para a Igreja que, na sua ausência, juntamente com a ausência das outras duas marcas, a igreja não demorará muito a sucumbir à impureza moral e ética.
            Não se pode esquecer que tanto a Administração dos Sacramentos, quanto o Exercício da Disciplina, são frutos da fiel exposição da Palavra de Deus. Na falta da pregação fiel, as outras duas marcas também estarão ausentes. Se não se expõe a Escritura fielmente, tampouco os sacramentos serão administrados corretamente como Jesus Cristo instituiu, nem a disciplina será exercida pelos padrões da Escritura, passando a ser vista como despotismo.
            A própria palavra em si mesma, disciplina, é vista como negativa. Principalmente do último século para cá,
Desde que os princípios do pós-modernismo encontraram lugar no seio da igreja, qualquer conceito que ameace o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc., é logo taxado de arcaico, passé. A dicotomia prática de muitos cristãos gera a ilusão de que a igreja não tem nada a ver com o procedimento ‘secular’ de seus membros. Nessa ‘nova era’ antropocêntrica, a igreja é vista como uma organização altamente dependente do indivíduo, e que precisa conservá-lo ao custo de várias exceções. O medo da impopularidade leva muitos líderes à cumplicidade e pecados são justificados em nome de uma atitude mais ‘humana’(2). Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram injustiças e causaram mais males que bens?(3) Em todo esse contexto, a disciplina tem uma vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda.(4) Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina?[4]

Mas, o que fazer, então, para contornar este decadência disciplinar? O que é disciplina e qual a sua base escriturística e lógica? Quais os argumentos mais comuns para o não exercício da disciplina bíblica? Qual o pressuposto para o não exercício da disciplina? Como aplicá-la corretamente, de modo que os seus propósitos sejam alcançados? Aliás, quais os propósitos da Disciplina Bíblica?
É a fim de responder estes questionamentos que trataremos deste tema. Nossa base é a Escritura Sagrada (AT e NT); consultaremos outros autores que tenham tratado do assunto em questão.

1. Base Lingüística para Disciplina

            Primeiramente, é preciso dizer que o termo é um termo bíblico. De imediato retira-se a ideia de que disciplina bíblica seja algo externo às Escrituras ou à Comunidade da Aliança. Antes, tanto no AT como no NT, as palavras denotam “a correção que resulta em educação”.[5] Em português, na versão Revista e Atualizada, a palavra disciplina aparece cerca de trinta e três vezes. No Antigo Testamento, usa-se o verbo hebraico rs;y" (yasar – 42x), traduzido em nossas Bíblias como admoestar, corrigir, disciplinar, instruir, castigar, entre outros. Sua maior ocorrência encontra-se na Literatura de Sabedoria (Provérbios, Eclesiastes, Jó) e Salmos(6x e 9x); também ocorre no Pentateuco (8x, principalmente em Dt), nos Históricos (6x) e nos Profetas (13x; 7x só em Jr)[6]. Se considerarmos o seu correlato rs'Wm(musar), então estes números aumentam para quase 90 vezes: 9 no Pentateuco, 26 nos Profetas e 50 no Hagiógrafos (36 só em Pv)[7]. Considerando que só em Dt aparece cerca de 9 vezes, já é possível estabelecer que a disciplina é vista no contexto da Aliança de Deus com o Seu Povo (Dt 11.2ss. Cf. Lv 26.18, 28; Sl 6.1; 38.1 [2]; 39.11 [12]; 94.10; 118.18; Os 10.10), na qual se ver a “atividade poderosa [de Yahweh] na história da aliança, atividade mediante a qual ele se revela(cf. v. 7 com 4. 35ss)”.[8]
        A Disciplina do Senhor deve ser vista nos adjetivos atribuídos a Deus, tais como Pai (Dt 32.6; Cf. 1.31; Is 63.16; 64.8) e Instrutor / Mestre (Cf. Is 28. 26), que instrui por sua Lei (Sl 94.12). A Disciplina do Senhor não pode ser separada destes dois conceitos, pois a analogia “pai-filho”, “mestre-discípulo” demonstra que os atos de repreender, corrigir, instruir e atender às necessidades não são separados de um “relacionamento interpessoal de amor”[9], isto é, de um relacionamento pactual. A disciplina nesta relação transmite a certeza de que se é filho e discípulo daquele que disciplina, o Senhor.
        É patente no AT o caráter teocêntrico da Disciplina, sendo o próprio Deus a origem da mesma, no intuito de educar os seus filhos, para introdução de valores e normas de comportamento ético que se ajustem à Sua Lei (Cf. Dt 8.2ss; Pv 3. 11, 12).  Isto é chamado de “temor do Senhor”(Pv. 1.7) e tem sentido positivo.
            Nos Profetas este caráter é revelado também de forma negativa na apresentação das maneiras como Deus aplica a Disciplina. Normalmente associa-se à ideia de castigo ou punição (Cf. Dt 21.8; Os 10.10; Is 26.16; esp. Ez 5.17; Am 4.6 – 11). Os Profetas têm diante de si a Aliança contida em Dt 11.2ss e 28.15ss. e tais manifestações simplesmente referenciam que “Deus lida com o seu povo tendo como ponto de partida a advertência e a correção. [E] é assim que deve entender a severidade do exílio(Cf. Os 5.2; 7.12; Is 8.11)”.[10]
            Quanto ao Novo Testamento, normalmente os autores traduzem a palavra hebraica por paideiva(Paidéia) instrução ou disciplina (Cf. Hb 12. 7; 2Tm 3.16). Na raiz (pai" - pais) da palavra encontra-se a ideia de criança e educação.[11] O sentido de “ensinar” e “instruir” pode ser visto em Ato 7.22 e 22.3. Em Lucas 23. 16, 22 o sentido negativo de paideuvw(paideúõ) é apresentado como “espancar” ou “castigar”. O sentido positivo no NT é o mesmo do AT, isto é, “o castigo [de Deus] como ação amorosa de Deus, para preservar o homem do julgamento final”[12](Cf. Hb 12. 5, 6,9). Segundo Paulo, “quando julgados, somos disciplinados(paideuo,meqa - paideuómetha)[13] pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”(1Co 11. 32). Parece deixar claro que, para os cristãos, a Disciplina do Senhor é correção em amor, a fim de evitar que eles se percam(Ap 3. 19).[14]. Diz o DITNT sobre isso[15]:
Aos cristãos não se poupa a doença e morte como resultado dos pecados deles. Aqui, a disciplina coincide em parte com o julgamento divino. Sendo, porém, que este julgamento tem a natureza da disciplina, os crentes, por causa dele, graciosamente são poupados de entrarem no juízo divino final do mundo, sendo portanto, salvos da perdição [...] Paulo sabe, mediante a sua experiência de levar a efeito sua comissão apostólica (2 Co 6.9) que a correção não é uma contradição do amor de Deus, mas, pelo contrário, dever ser entendida à luz deste amor.(itálicos meus)
            Disciplina é, portanto, um ato educativo de Deus para com seus filhos.

2. Base Teológica da Disciplina
            Fundamentado nos conceitos acima, principalmente no contexto da Aliança, a Disciplina deve ser entendida também teologicamente. E este sentido é o de povo de Deus, aqueles que foram separados por Ele para ser sua “nação santa”(Ex 19.5, 6). O conceito expresso em ser povo da aliança é o de santidade. John Sittema[16] diz que santidade no AT tem duas conotações: separação e pureza. Esta última é facilmente entendida pela maioria dos cristãos. Mas, o conceito de separação não é uma ideia fácil de aceitar. Ora, no AT o princípio da separação do Povo de Deus é percebido principalmente na expressão “cortado de...” ou “eliminado de...”(Cf. Êx 30.33, 38; Lv 17.4, 9, 14; Nm 19.20) e nas analogias da separação dos animais, na plantação ou no uso de “roupas misturadas” (Lv. 19.19). Tal postura simbolizaria
De uma forma clara e tangível [que] Deus estava identificando Israel como seu povo separado/santo, que não devia se misturar com o mundo. Não deviam se casar com pessoas de outros povos, adorar outros deuses e nem misturar sua vida da aliança com quaisquer outras práticas, valores e pessoas das cidades e regiões onde viveriam. E para reforçar essa idéia (sic), são dados mandamentos específicos de separação aplicada às plantas, animais e até mesmo tecidos – aspectos da vida cotidiana de Israel que refletiam o princípio divino de santidade

            Assim, no Antigo Testamento, a fim de evitar que o Povo da Aliança fosse contaminado por pecados externos e internos, o Senhor, através de Sua Lei Moral e posteriores desmembramentos desta Lei, mostrou ao Seu Povo o que deveria ser feito ao transgressor, principalmente no sistema de sacrifícios de Israel.  Em certos casos, o transgressor deveria ser eliminado (trk karat - literalmente cortado) do meio do povo(Cf. Nm 15. 29 – 31). Tal ato indicaria que existia distinção entre os membros da aliança e os que não eram membros. Entre as transgressões que deveriam ser eliminadas, após exame se houve ou não intenção[17], encontram-se a rebelião contra o pacto (Gn 17. 14); profanação do Templo de Deus, do Dia do Senhor e da Falsa Adoração (Ex. 12.15-19; 30.33; 31.44; Lv. 7.20-27; Lv. 17.14-19; Nm. 9.13); Atos de idolatria ou feitiçaria (Lv 20. 3 – 6) e sexo ilícito (Lv. 18. 29; 20. 17, 18). Estes atos tinham em comum a externalidade da rebelião, sendo considerados uma grande ofensa contra Deus e o próximo[18], e deveriam ser reprovados para não contaminar o Povo e não profanar o nome do Deus da Aliança (Cf. Ez 20. 9, 14, 22; 36.23).
            Sei que para a mente moderna tais atos parecem desumanos, mas, segundo o padrão divino, a atitude é um ato de misericórdia, dando a possibilidade de restauração e perdão ao transgressor e ao povo, em quem o juízo divino poderia vir, caso não fosse aplicado a disciplina (Cf. Js 22. 11 – 20; Ne 13. 13 – 29; Ed 9 – 10).
            Isto também é visto o Novo Testamento. A igreja de Cristo é a comunidade dos Eleitos na Nova Aliança que tem a Jesus Cristo como Rei (Cf. 1 Pe 2. 9, 10).[19] Sob Ele, a disciplina é a mesma, mas com diferença na administração.
Entre tantos designativos para a Igreja de Cristo[20], um reflete bem o nosso assunto e as análises anteriores. A igreja é chamada de santa (Ef. 5.27) e os membros desta igreja são chamados de santos (At 9. 32; Rm 1.7; 15.25; 1Co 1.2; 6.1, 2; 14.33; 2Co 1.1; Ef 1.1, 4; Fp 1.1; 4.21, 22; Cl 1.2, 12, 22, 26 etc.).
Como “comunidade dos santos”, as Escrituras declaram que a Igreja de Cristo não é deste mundo, antes é separada dele, mesmo que esteja nele e seja enviada a ele (Jo 17. 11, 14, 16, 18)[21]. Por ser separada do Mundo, o código de ética da Igreja se contraporá ao Mundo (Cf. Hb 12.10 – 14; 1Jo 2. 15 – 17; 1Co 5. 1 – 13), fazendo com que este passe a odiar a Igreja, pois a Igreja testemunha contra a corrupção do Mundo (Jo 7. 7; 15.18, 19; 1Jo 3. 13; Cf. Ne 9.26; Lc 11.47; 1Ts 2.15). E para que este testemunho seja eficaz, a igreja deve reprovar abertamente o pecado e/ou exercer a correção daqueles que se desviam (2Ts 3.14; 1Co 5.2; 2Jo 10, 11; Jd 22, 23). Isto nos leva ao seguinte questionamento – quem exerce esta disciplina?

3. O Poder da Igreja em Disciplinar
A CFW (XXX, § i) afirma o seguinte: “O Senhor Jesus Cristo, como Rei e Cabeça de sua Igreja, nela instituiu um governo nas mãos de oficiais dela, distinto do magistrado civil”.[22] Tanto no AT como no NT, o exercício da disciplina eclesiástica era realizada por homens a quem Deus constitui sobre o Seu Povo. No AT eram os juizes ou sacerdotes, que, inclusive exerciam o governo civil[23] (Ex 21.22; 22.8; Dt 1.16) e os anciãos (Dt 11. 12; 21. 19; 22.15, 18). No NT, este exercício foi dado aos “Oficiais”, Apóstolos em primeiro lugar (Mt 16. 18 – 20; 18. 15 - 20) e presbíteros em segundo lugar (1Tm 3. 1 – 7; Tt 1. 5 – 13). A igreja também participa deste exercício, primeiramente no aspecto fraternal e pessoal (Mt 18. 15) e, depois, em assembleia reunida (1Co 5. 2 – 11; 2Ts 3.6, 14, 15).
Este poder da igreja é espiritual e chama-se “chaves do reino dos céus”(Mt 16. 19) relacionadas ao “ligar e desligar” (18.15 - 18). É certo que estas duas expressões já implicam o poder da igreja em “abrir”(ligar) ou “fechar”(desligar) o reino dos céus aos impenitentes, como deixa claro o contexto (Mt 18. 17 – 20). Refere-se, então, à disciplina eclesiástica. A Igreja de Cristo tem o “poder das chaves”, podendo “recebe à comunhão, bem como para excluir os indignos de sua própria comunhão”.[24]
Não é que os Oficiais tenham poder intrínseco de perdoar ou não perdoar pecados, mas declarar[25] a vontade de Deus para aqueles que não se submetem à vontade revelada de Deus. Talvez a exposição da CFW (XXX, § ii) seja clara sobre este sentido:
A esses oficiais estão entregues as chaves do Reino do Céu. Em virtude disso eles têm respectivamente o poder de reter ou remitir pecados; fechar esse reino a impenitentes, tanto pela palavra como pelas censuras; abri-lo aos pecadores penitentes, pelo ministério do Evangelho e pela absolvição das censuras, quando as circunstâncias o exigirem.(Mt.1619; Mt.18.17-18; Jo.20.21-23; 2 Co.2.6-8).

            Neste poder declarativo, os Oficiais não precisam temer o exercício da disciplina. Nos textos bíblicos acima,
Jesus Cristo está ensinando que a disciplina eclesiástica terá sanção no céu. Mas isso não quer dizer que a igreja precisa esperar que Deus endosse suas atitudes depois que elas acontecerem. Em vez disso, sempre que a igreja cumpre o papel disciplinar pode estar confiante de que Deus já começou o processo espiritualmente.[26]

4. Quais os Propósitos da Disciplina Bíblica?[27]
            Já vimos que o Senhor não permitirá que seu nome seja profanado, nem que o seu povo seja contaminado. À luz disto e outras porções das Escrituras, é possível encontrar quatro propósitos por que a Igreja deve exercer a disciplina do Senhor[28].
  1. Restauração do irmão faltoso (Mt 18. 15; Gl 6.1; Tg 5.20) – “Chamar e ganhar para Cristo os irmãos ofensores”(CFW XXX § iiia)
Este é o aspecto restaurativo da disciplina. Ela não deve ser vista como, primariamente punitiva, mas restaurativa, isto é, a busca e a tentativa de impedir que a ovelha de Cristo se desvie (2 Co 2. 5 – 11). Este aspecto deve ser feito em amor, apresentando os perigos do pecado e do desviar-se do Senhor.
  1.  Impedir que o Pecado se espalhe (1Co 5. 6, 7; 2Ts 3.6 – 15; Hb 12. 15) – “Impedir que outros pratiquem ofensas semelhantes, para purgar o velho fermento que poderia corromper a massa inteira” (CFW XXX § iiib)
Neste propósito, Deus preserva o rebanho da contaminação pelo exemplo do transgressor. Aqui fica claro que o não exercício da disciplina conduzirá outros a práticas semelhantes. Assim, a fim de preservar o rebanho, a disciplina deve ser aplicada, protegendo a pureza da Igreja de Cristo (Gl 5.9).
  1. Preservar a Honra da Igreja e de Cristo Jesus (Rm 2.24; 1Co 5. 2; 6.6; 2Pe 2.12; 3.14; Ap 2.14 – 16, 20) – “Vindicar a honra de Cristo e a santa profissão do Evangelho” (CFW XXX § iiic)
Sem dúvidas alguma, sempre que a Igreja negligencia o testemunho de Cristo, Jesus é blasfemado entre os incrédulos. Sempre que a Igreja deixa de tratar o pecado abertamente, ela será vista como hipócrita (Mt 7. 1 – 5; Cf. 1 Pe 4. 14 - 19) e será condenada com o mundo (1Co 11. 32)
  1. Evitar o Justo Juízo de Deus sobre seu Povo (Ap 2. 18 – 29) – “Evitar a ira de Deus a qual com justiça poderia cair sobre a Igreja, se ela permitisse que o pacto divino e os seios dele fossem profanados por ofensores notórios e obstinados”(CFW XXX § iiid)
Este é, sem dúvida, um dos aspectos mais temível. O Senhor havia dito às igrejas de Éfeso, de Pérgamo e de Tiatira que, pela falta de exercício disciplinar daquelas igrejas, ele traria juízo sobre a igreja (Ap 2. 5, 16, 22, 23) para que soubessem que, embora os homens não se dessem conta da seriedade do pecado, Ele “sonda os rins e os corações”(2. 23). Assim, não exercitar a disciplina é esperar a certeza do julgamento de Deus.

5. Como a Igreja Aplica a Disciplina?
            Talvez seja aqui que surja a maior dificuldade. Como exercer a disciplina eclesiástica? Deve-se, primeiramente, saber se as Escrituras fazem alguma classificação acerca dos pecados. De fato, alguns pecados são mais odiosos do que outros (Pv. 6. 16 – 19; Ml 2. 16) e alguns são públicos e notórios (1 Tm 5. 24). Segue-se que, a fim de exercer fielmente a disciplina, deve-se considerar estas coisas, bem como a maturidade na fé(Rm 14. 1 – 23). À luz de Mateus 18. 15ss, segue-se que a disciplina é, antes de tudo, preventiva e deve começar entre os fraternos (se teu irmão...) para que os outros passos sejam dados.
            Também a depender da gravidade do pecado – público ou privado. Wayne House[29] apresenta o seguinte gráfico sobre o problema e o procedimento em cada caso de disciplina:
Passagem
Problema
Procedimento
Propósito
Mateus 18. 15 – 18
O pecado de um “irmão” (não definido)
  1. Repreensão em particular
  2. Reunião em particular
  3. Anúncio público
  4. Exclusão pública
Restauração (ganhar “a teu irmão”)
1 Coríntios 5
Imoralidade
Avareza
Idolatria
Embriaguez
Fraude
1.            Lamentar coletivamente
2.            Remover do Grupo
3.            Não se associar
Restauração (5.5)
Purificação (5. 7)
2 Coríntios 2. 5 – 11
Não citado
Após o arrependimento sincero
  1. Perdoar
  2. Confortar
  3. Amar
Restauração (2. 11)
Proteção (2.11)
Gálatas 6. 1
“alguma falta”
Restaurar:
1.     Como pessoas espirituais
2.     Com brandura
3.     Com reflexão
Restauração
2 Tessalonicenses 3. 6 – 15
Preguiça, maledicência (“se intrometem”)
  1. Observá-lo
  2. Não se associar com ele.
  3. Adverti-lo (como irmão, não como inimigo)
Restauração (“para que fique envergonhado”)
1 Timóteo 5. 19, 20
Denúncia contra Presbítero sem testemunha
  1. Necessidade de testemunhas
  2. Se o pecado continuar, repreender diante de todos
Purificação (“para que também os demais temam”)
Tito 3. 9 – 11
Comportamento faccioso
1.     Admoestá-lo duas vezes
2.     Evitá-lo (como pervetido, pecaminoso, auto-condenado)
Proteção (contra divisões)

            Ainda segundo House[30], é possível elaborar um fluxograma da Disciplina Eclesiástica, conforme abaixo.
1.    Imoralidade Sexual aberta (1 Coríntios 5. 1 – 13)
2.    Conflitos pessoais não resolvidos (Mateus 18. 15 – 20)
3.    Espírito Faccioso (Romanos 16. 17 – 18; Tito 3. 10)
4.    Falsos Ensinos (Gálatas 1. 8, 9; 1 Timóteo 1. 20; 6. 3 – 5; 2 João 9 – 11; Apocalipse 2. 14 – 16)




6. Objeções à Disciplina Eclesiástica        
            Os homens são de tal forma que procurarão, em todas as ocasiões, desculpas para não aplicarem ou se submeterem à disciplina bíblica. Abaixo, o Rev. Arial Dias[31] apresenta algumas possíveis resistências à disciplina bíblica.
  1. Argumento do Amor – a disciplina eclesiástica é contrária ao amor. Resposta (Rm 13. 8 – 10;. Hb 12. 4 – 12)
  2. Argumento da Liberdade – a disciplina eclesiástica opõe-se liberdade. Resposta (Jo 8. 31 – 26; Tg 1. 25)
  3. Argumento da Felicidade – a disciplina eclesiástica opõe-se a felicidade do cristão. Resposta (Sl 1; Is 48. 22; Hb 12. 11)
  4. Argumento do Afastamento – a disciplina eclesiástica afastará as pessoas da igreja. Resposta (Sl 37. 23, 24; 1Jo 2. 18, 19)
  5. Argumento da Hipocrisia – a disciplina eclesiástica é um ato de hipocrisia, pois todos na igreja são pecadores. Resposta (1 Co 6. 1 – 11; At 5. 1 – 11)
  6. Argumento da Injustiça  - a disciplina eclesiástica pode ser aplicada injustamente ou ser utilizada como instrumento de perseguição. Resposta (Is 5. 20, 22; Mt 23. 1 – 36)
Diz o Código de Disciplina da IPB: “Disciplina Eclesiástica é o exercício da jurisdição espiritual da Igreja sobre seus membros, aplicadas de acordo com a Palavra de Deus”.
Na jurisdição espiritual, a Igreja exerce o direito de punir os pecados dos seus membros, mesmo que esses pecados sejam práticas permitidas na sociedade em que a igreja está inserida. A igreja não pode faltar no combate ao pecado interno. A sua saúde espiritual depende da sua pureza. ‘Você pode ter disciplina sem santidade, mas não pode ter santidade sem disciplina’[32]

Conclusão
Estamos em dias em que Disciplina Eclesiástica, quando não desprezada, não é aplicada como deveria ser. Em dias de “crentes melindrosos”, em época do “mercado eclesiástico”, muitos pastores e Conselhos temem aplicar a Disciplina por medo e, principalmente, para não perder membros. Mas, pergunto, uma árvore que é corretamente podada, tende a morrer ou dar novos frutos?(Jo. 15.2)



[1] Apresentado no 2o Encontro sobre Presbiterianismo, na Igreja Presbiteriana dos Guararapes – PE, realizado nos dias 13 – 17 julho de 2009. Esta palestra foi apresentada no dia 16. 
[2] MOHLER, R. Albert. Church Discipline – the missing mark. Disponivel em: . Acesso em> 15 jul 2009.
[3] DEVER, Mark. Nine Marks of a Healthy Church.  Wheaton: Illinois, Crossway Books, 2004, p.
[4] SANTOS, Valdeci da Silva. Disciplina na igreja. In: FIDES REFORMATA, v. 3, n.1, pp. 149 – 156.
[5] HARRIS, R. Laird et al. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento(DITAT). São Paulo – Ed. Vida Nova, 1998, p. 632.
[6] WALTKE, Bruce (org). New International Dictionary of Old Testament Theology and Exegesis(NIDOTE).: Vol 2. Grand Rapids: Zondervan Publishing House,  1997, pp. 479 – 482.
[7] HARRIS, idem.
[8] Idem.
[9] Idem, p. 633; WALTKE, idem.
[10] HARRIS, idem.
[11] Pediatria e Pedagogia
[12] COENEN, Lothar; BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento(DITNT). vol. 1. São Paulo: Ed. Vida Nova, 2000, pp. 652 – 654.
[13] Note a forma indicativa presente passiva do verbo
[14] Em 1Co 11. 32b diz i[na mh. su.n tw/| ko,smw|(hiná me sün tô kósmô). Exatamente na conjunção de propósito mais preposição de associação. Deus nos disciplina a fim de que não sejamos condenados juntamente com o mundo.
[15] Idem, p. 653
[16] SITTEMA, John. Coração de Pastor – resgatando a responsabilidade pastoral do presbítero. São Paulo: Ed. Cultura Cristã, 2004, p. 244, 245.
[17] Se não foi por ignorância (Nm 15. 29 – 31)
[18] ROOD, Brent. Church Discipline. Disponível em: . Acesso em: 15 de jul. 2009.
[19] Com isto não pretendo, em hipótese alguma, dizer que há “dois povos de Deus”. Existe um, e somente um, povo de Deus, que existe desde a fundação do mundo. Estes são chamados de “meu [de Deus] povo”(singular)
[20] “Família de Deus” (Ef 3.14; 1 Tm 5. 1, 2; 2Co 6.18 etc) – Deus é nosso Pai; “Noiva de Cristo” (Ef 5.32; 2Co 11.2; Ap 19.7; 21.9); “ramos de uma videira”(Jo 15.5); “oliveira”(Rm 11. 17 – 24), “lavoura”(1Co 3.6 – 9); “edifício”(1Co 3.9); “templo”(1Pe 2.5); “corpo de Cristo”(1Co 12. 12 – 27); “casa de Deus”(Hb 3. 6).
[21] Chamo a atenção para as preposições usadas por João. v. 11 - evn tw/| ko,smw|;(’en tô kósmô) v. 14 - ouvk eivsi.n evk tou/ ko,smou; (ouk eisin ek tu kósmu) v. 16 - evk tou/ ko,smou ouvk eivsi.n; (’ek tu kósmu ouk eisin) v. 18 - eivj to.n ko,smon\(’eis tón kósmon)
[22] HODGE, A.A. Confissao de Fé de Westminster Comentada. São Paulo – Ed. Os Puritanos, 1999, p. 491.
[23] Isto é chamado de “governo teocrático”
[24] idem, p. 496.
[25] Chamo a atenção para o uso do particípio perfeito passivo em Mt 16. 19 e 18. 18, traduzido pela ARA como “terá sido ligado” ou “terá sido desligado”, antecipado pelos subjuntivos aoristos ativos. Aquilo que os Oficiais declarassem na terra, já teria começado a acontecer nos céus, embora a Igreja possa demorar a exercer a disciplina.
[26] GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo- Ed. Vida Nova, 1994, p. 748.
[27] Cf. PORTELA, F. Solano; SANTOS, Valdeci; NICODEMUS, Augustus; KNIGHT III, George. Disciplina na Igreja – uma marca em extinção. São Paulo: Ed. Os Puritanos, 2001. CASIMIRO, Arival Dias. Resistindo a Secularização. São Paulo: SOCEP, 2002, pp. 55 – 58.
[28] HODGE, idem, p. 497; GRUDEM, idem, pp. 750 – 752. CALVINO, Juan. Institución de la religión cristiana. Tomo 2. Espanha: FELIRE, pp. 969 – 978.
[29] HOUSE, H. Wayne. Teologia Cristã em Quadros. São Paulo: Ed. Vida, 1999, p. 134.
[30] Idem, p. 135
[31] idem, pp, 56, 57.
[32] Idem, p. 59.